
The Line Of Best Fit 50
Jamie Lynn retorna com seu novo álbum "Glam Goddess" apostando na sonoridade pop/rock mesclado ao seu velho conhecido dance, após lançar seu álbum de jazz. Descrito como um álbum que celebra o poder feminino em sua forma mais poderosa e intensa, o álbum peca em demonstrar tal intensidade. As músicas acabam se tornando comuns e medianas, e não mostram toda a capacidade lírica de Lynn como foi mostrada no "The Seventh Jamie Lynn Album", seu álbum anterior. "Goddess Rising" abre o álbum dando início a narrativa de celebração feminina, e uma canção que poderia ser totalmente marcante acaba se tornando decepcionante. Os versos são vazios, repetitivos e não caminham para canto algum. Os versos de Coline conseguem dar uma visão mais abrangente do que a canção se trata, mas no geral, a parceria entre as duas artistas não consegue sair do superficial. "Velvet Nights" assim como a anterior peca na lírica superficial, mas o pré refrão da música se destaca dentro da canção. Em "Electric Passion", a artista canta sobre se sentir livre para amar de forma eletrizante, e a canção apesar de ser mais dinâmica que as anteriores, fica apenas nas faíscas. Nessa canção também é possível notar que a artista se mantém no confortável do que está compondo e utiliza de expressões que já foram bastante usadas em outras músicas, e assim causando a sensação de deja vu em seu repertório. "Diamond Tears" se destaca no álbum por transparecer mais naturalidade em seus versos, e se porta como a melhor música do álbum. A canção carrega uma narrativa importante, emocional e de superação que Jamie consegue transmitir suavemente nos versos. "Midnight Dance" se mostra mais descontraída para a pista de dança, mas acaba perdendo um pouco a magia pelos versos rasos, onde as linhas parecem estar repetitivamente no mesmo loop. "Golden Dreams" tem uma boa perspectiva sobre ser determinada em seguir seus sonhos em busca de realiza-los, mas Lynn ainda peca em entregar algo mais elaborado do que está na superfície. A composição é plana e escassa. Na reta final do álbum são apresentadas as faixas "Crystal Heart", "Silver Secrets" e "Eternal Flame". "Crystal Heart" começa bastante emotiva durante o seu primeiro verso, mas acaba se tornando superficial com o decorrer da música. A canção não sai do "básico" e de versos comuns como "ela vai superar isso!", quando poderia ter mais intensidade visto que é descrita como uma balada sobre força e resiliência; e o refrão da canção se destaca como cativante. "Silver Secrets" contém uma lírica mais "impactante" que a anterior, e consegue expressar melhor os pensamentos da artista sobre o amor. Finalizando o álbum em parceria com Neferine, "Eternal Flame" celebra o amor verdadeiro em versos que poderiam facilmente estarem em todas as outras canções do álbum. A lírica peca em não conseguir se diferenciar das demais, e acaba se tornando algo que já foi visto anteriormente. Visualmente, a capa é bastante chamativa e um ponto positivo para o álbum, embora o álbum seja bem mais "neutro" em relação a agressividade que a capa apresenta. O encarte do álbum é básico, e um pouco monótono com o decorrer das páginas, faltando alguns pontos de diversidade no encarte para não cansarmos do que estamos vendo, já que são as mesmas páginas com uma foto diferente. "Glam Goddess" está longe de ser o melhor álbum de Jamie Lynn, e a sensação que deixa para o ouvinte é que a cantora poderia ter se dedicado mais na parte lírica do projeto, que acaba sendo bastante repetitiva e sem profundidade, e em quase todas as músicas é notável a semelhança com composições geradas por IA. Por fim, a ideia de usar inteligência artificial para aprimorar sua arte ou não acaba não sendo o problema real da questão, e sim deixar transparecer que as suas canções são totalmente robotizadas. E em caso do não uso da ferramenta, Jamie precisa moldar suas canções para demonstrar seus pensamentos de uma forma que soe mais natural, e assim conseguir entregar uma composição mais complexa em seu próximo projeto.