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Pitchfork publicou uma avaliação em 11/01/2026: 81
NOISE CHOICE é o primeiro compilado de canções do artista iniciante DAYVAH. O Extended Play, que conta com 6 faixas e passeia pelos gêneros K-Pop, Electropop e Hip-Hop, expõe para o ouvinte a dificuldade de aceitação de que nem todo relacionamento será recíproco. A primeira faixa do projeto é “SideQuest”. Aqui, o eu-lírico canta sobre não ser prioridade dentro de uma relação. Com uma lírica metafórica dentro de um universo game, que facilmente poderia ser algo clichê em mãos menos cuidadosas, o brasileiro expõe toda a assimetria emocional dentro de um relacionamento. A canção é uma escolha afiada e inteligente para abrir o projeto; o artista nos surpreende na sua capacidade de se mostrar irônico, mas ainda vulnerável, narrando como percebeu que estava preso em um jogo amoroso. A faixa que abre o Extended Play é criativa, fazendo o ouvinte se empolgar para o que está por ser apresentado nas próximas cinco faixas. “Half Of Me” é uma faixa bilíngue, que consciente ou inconscientemente reforça a ideia de um relacionamento em que os dois envolvidos conversam em línguas diferentes. O eu-lírico, exausto, confessa o quanto o relacionamento está em ruínas, vivendo à base das lembranças do que um dia esse relacionamento foi e na ilusão dentro desse total caos. A lírica aqui utilizada é mais direta que a faixa anterior, mas ainda assim o artista usa algumas metáforas simples, porém eficazes dentro da narrativa. A terceira faixa do projeto é intitulada “We Do It For Love”. A canção expõe a negação romântica. Com uma lírica poética, DAYVAH confessa que continua insistindo nessa relação, não por amor, mas sim porque o vazio parece ser mais doloroso. Uma canção que expõe o autoengano; um destaque é o refrão, que é viciante, e a repetição do final funciona como um reforço para o ciclo emocional em que o eu-lírico se encontra. É até aqui uma das canções mais intensas do projeto. Nos entregando uma canção altamente metafórica, o brasileiro canta “Moon Under Rain”. Nessa faixa não existe acusação, mas sim uma dolorosa aceitação. O eu-lírico se mostra maduro nessa faixa, e mesmo que às vezes soe clichê, é uma das letras mais bonitas até aqui. Essa faixa é o momento em que o projeto desacelera, e isso é muito inteligente da parte do artista; é como se o silêncio falasse mais alto e nos contasse sobre uma despedida sem melodrama. A penúltima faixa do compilado é “Phanton Lover”. É uma canção que, em sua maior parte, soa simples, mas tem desvios metafóricos interessantes. O eu-lírico aqui canta sobre quando, depois do término, a memória começa a se tornar obsessão. Em certos momentos, soa exagerada a forma como o artista expõe que o que já acabou ainda continua o assustando. “Can’t Make You Love Me” é a canção que encerra o Extended Play. Aqui, o eu-lírico encara os fatos e percebe que o relacionamento nunca existiu de verdade. Por mais que a música fale sobre o eu-lírico despertar para isso, a canção não soa raivosa, mas sim madura. A música transpassa a sensação de serenidade, e a lírica simples expõe honestidade, fazendo com que a canção seja um grande encerramento. A produção gráfica do Extended Play não conversa diretamente com a narrativa lírica, mesmo que a fotografia da capa nos passe a sensação de solidão. Além disso, o visual não tem uma qualidade de execução e polimento, mas isso é entendível ao sabermos que o próprio artista produziu. Isso soa ousado e autêntico de certa forma. Enfim, “NOISE CHOICE” se destaca por suas letras que flertam com o pop atual, mas conseguem não soar genéricas. DAYVAH, em suas canções, às vezes pode cometer deslizes, como as letras soarem exageradas em alguns pontos ou então clichês, mas isso não atrapalha o artista em demonstrar que o pop pode ser profundo sem soar pretensioso. DAYVAH entrega um projeto que é bem construído para uma estreia e nos faz acreditar que, com dedicação, o brasileiro recém-chegado à indústria terá um futuro brilhante.

Sputnikmusic publicou uma avaliação em 11/01/2026: 89
Com NOISE CHOICE, DAYVAH nos apresenta um EP que se organiza em um estado emocional contínuo, que vai se transformando faixa a faixa. Há pop, há k-pop, há rock, há jazz, mas nada disso soa exagerado ou forçado. As escolhas sonoras da artista parecem sempre subordinadas ao que está sendo dito nas letras. O EP começa com “SideQuest”, que já estabelece de forma direta a sensação de deslocamento emocional que vai atravessar todo o trabalho, a metáfora do universo gamer serve para traduzir a experiência de ser secundário, de existir à margem de uma relação. É uma faixa que deixa claro que essa história não será sobre realização romântica. Em “Half of Me” segunda faixa da obra, o discurso se torna mais cansado e menos irônico, aqui o conflito já não está em ser deixado de lado, mas em insistir em algo que perdeu o sentido. A música gira em círculos, como o próprio relacionamento que o artista descreve, o refrão retorna sempre no mesmo lugar emocional, reforçando a sensação de estagnação. A terceira faixa é “We Do It For Love”, que parece surgir como uma tentativa de justificar o erro através da insistência de continuar “por amor”, mesmo quando o amor já não está mais ali, é uma faixa importante no que se propõe o trabalho pois mostrar um espaço entre a dor e o colapso da relação. E esse colapso vem já na faixa seguinte, em “Moon Under Rain”, é aqui onde o EP desacelera e o artista nos traz uma música que aposta em imagens noturnas, chuva, rua vazia, é o momento em que o sentimento não precisa mais ser explicado e traz toda uma atmosfera de aceitação. A faixa seguinte é “Phantom Lover” que quebra essa atmosfera que falei, a figura da amante fantasma funciona como metáfora para a obsessão e para a dificuldade de deixar ir, na faixa há uma certa romantização da dor, mas sem tentar se justificar, é um dos ponto alto emocional do trabalho, mesmo sendo um dos mais sombrios. O encerramento acontece com “Can’t Make You Love Me”, e aqui o EP encontra lucidez. A revelação de que o relacionamento nunca existiu de fato, reorganiza tudo que veio antes sem invalida a dor, a música é simples, direta e isso ajuda a reforçar o sentimento de encerramento. O verso “talvez eu tenha confundido atenção com amor” resume muito bem esse despertar tardio. No fim, o que DAYVAH entrega não é um EP sobre um término, mas sobre projeção, dependência emocional e amadurecimento. Cada música ocupa um lugar específico dentro da narrativa emocional do EP que não oferece superação fácil, nem respostas confortáveis, e talvez esse seja seu maior mérito.
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