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| 1 | Single Oficial | 410,589,589 |

Baby apresenta Pink Electricity, lead single de seu terceiro álbum de estúdio, como uma resposta direta às críticas que cercam sua carreira. A faixa marca a entrada definitiva da artista no synthpop flertando com o hyperpop, e assume desde o início um discurso de autoconfiança, controle e centralidade. Isso aparece já nos primeiros versos, quando Baby canta “Querido, eu faço meu nome estar na sua boca / Você pode até tentar, mas não consegue não me comentar”, o trecho exala autoconfiança e reforça a ideia de centralidade, com Baby se colocando como figura inevitável. O refrão sustenta essa proposta ao se definir como “eletricidade rosa”, uma imagem eficaz que comunica impacto e influência imediata. O problema começa quando a letra passa a se explicar demais, em “E nós sabemos que não componho mal / Mesmo no meu pior desempenho”, o discurso de poder que vinha sendo construído da lugar a uma justificativa que soa bastante insegura, ao sentir a necessidade de se defender, a música quebra a ilusão de controle que ela mesma havia estabelecido. Algo semelhante acontece quando a letra recorre a métricas para reafirmar superioridade quando a artista cantar “Mesmo não tendo o seu nível ou suas semanas no top10”, a faixa tenta relativizar rankings enquanto os coloca no centro da comparação, em vez de desmontar a lógica da validação externa, acaba reforçando, criando um vão entre o que é dito e o que é usado como argumento. Quando a música abandona as respostas diretas e retorna as imagens visuais, ela volta a funcionar melhor. O trecho “Eu sou como um quadro pendurado em sua mente / Lindo e inevitável de olhar”, sintetiza bem a ideia de obsessão sem precisar se justificar, retomando o tom de provocação que sustenta a proposta da faixa. No fim, Pink Electricity tem identidade sonora e atitude, mas oscila entre afirmação e defesa. As ideias e o impacto estão ali, porém a letra perde força justamente quando tenta provar algo que já havia conseguido afirmar. É uma canção que brilha mais quando confia na imagem e menos quando tenta convencer pelo discurso.

Em meio de uma renovação de ares, pós lançamentos de filosofias extensas sobre a validação do existir e do viver como foi em 'BODY', a letrista norte-americana, BABY, retorna ao seu cenário predileto e controverso que marcou sua carreira pelo disco 'DOROTHY': O Mercado Pop Music. Claro, acompanhada de um sythpop frenéticos e hiperventilante que somente o hyperpop poderia agregar. E claro, desta vez, a artista veio acompanhada de um outro musicista em ascensão do cenário alternativo, Alex Dean, marcando o pontapé inicial de uma parceria próspera onde duas mentes geniais, decidem em conjunto, propor ao mercado aquilo que era necessário por um longo tempo: Sintetizadores, Carisma e um Glam-Pop com capacidade de marcar uma nova geração de artistas. Em 'Pink Electricity', contamos com uma espécie de narrativa de Comédia Divina de Dante Alighieri, mas neste caso, seria a respeito da carreira da autora de 'CARNAGE', e destacada por meio de altos e baixos, mas com uma pitada de um Rouge Coco Gloss, tudo soa ainda mais interessante e eletrizante saindo dos lábios de BABY, em contar seus eventos catastroficamente canônicos sem pudor ou desprezo, e que na verdade, é possível sim, comercializá-los. A artista pela primeira vez soa como a dominadora total de sua trama, desta vez é ela mesma que está disposta a se sacrificar integralmente pela arte, pelo glamour, pela femilidade, pelo o bem de todo o Pop. Não há discursos que cubram o efeito exponencial da lírica de 'Pink Eletricity', a decisão desse nome é sem igual, a coragem de performar o Pop como um semblante, o frívolo e o impacto sobrecarregando uma mensagem chocante da canção. É realmente possível um Hyperpop soar tão milimetricamente tão bem articulado? A resposta que Baby, em soma de Alex Dean, nos dão é: "Você sentirá inveja, é lindo e inevitável de olhar" [REFERÊNCIA: REFRÃO]. Os versos muito bem estruturados, soam como uma marca saborosa de goma de mascar de cereja em nossas bocas, é grudante e cativamente. É difícil escolhermos um momento pontual da música como seu marco, mas, o seu BREAK não poderia ser o ato mais sensacional, é um banho de rosas juliet que a artista se dá como mérito por sua trajetória marcante, e muito bem merecido. Claro, nem tudo é um mar de rosas, a produção estética do trabalho não é de fato o charme convidativo do projeto 'Pink Electricity'. Para ouvintes casuais, o design apresentado não instiga curiosidade ou nem um pouco dimensiona a vastidão que a obra quer carregar. Confessamos que, por ser um trabalho pensado por três mentes - e uma delas sendo a renomada produtora japonesa Tammy - nos sentimos como se estivéssemos tomando um golpe no estômago, nos decepcionamos em saber que um nome de grande peso para o mercado de direções visuais & marketing não conseguiu reproduzir ou guiar os estímulos artísticos e ideias que BABY e Alex Dean propuseram também como casting de produtores visuais. Contudo, acreditamos que pela música respirar por si própria, sua nota atribuída será pelo o que a estória se conta, e não pelo o que os olhos possam julgá-la. Mas, é um ponto que não podemos esquecer de abordar, não é sobre a simplicidade, é sobre a ausência de algo que entregue a magnitude da ideia. Talvez uma fonte mais nítida e presente, as fotos retiradas do ensaio fotográfico estivessem com um pouco mais de qualidade visual, poderia ter feito uma boa diferença. Com isso, “Pink Electricity” nos levou a um ponderamento delicado sob a perspectiva da carreira da compositora norte-americana: estaria Baby congestionada ao fiasco na indústria fonográfica em que, a cada passo que ela progride, nenhuma pegada é registrada? Ou seria, na verdade, Baby um experimento social de anos no mercado, onde olheiros podem despejar o seu desprezo pelo estilo mais descontraído e, pela letrista estar nessa sintonia de “efeito montanha-russa”, aproveitam uma breve fresta para que possam perpetuar a crueldade que se encontra instaurada no mercado. Seja o que for, é incontestável: em “Pink Electricity”, a compositora de “TROYA” nos entrega, de fato, uma música autêntica, um trabalho que aborda sua trajetória sem revogações ou limitado ao discurso de que “composições do cenário pop têm profundidade”.E, de fato, possuem profundidade; contudo, muitos dos artistas do cenário se perderam nesse discurso e embarcam em canções totalmente extensas e robustas, em prol de fincar suas garras e salivas em estatuetas por meio de uma frase motivadora que, na verdade, desestimula pequenos ou artistas em ascensão a perseverar e gerar a sua identidade como compositor, criando um pandemônio de artistas exaustos e com a mesma fórmula. Nesse cenário apocalíptico descrito, “Pink Electricity” seja um sobrevivente e tanto.Uma música que magnetiza a feminilidade, o glam e o retorno de uma proposta mais shady que vinha se perdendo no mercado leva a pensar numa realidade hipotética em que: se fosse outro cantor(a) fazendo esse mesmo tipo de lançamento, a repercussão não teria sido avassaladora? Na verdade, seria até mesmo responsável por assegurar-lhe uma estatueta de ameaça tripla.Por meio desta crítica, afirmamos que a norte-americana nos surpreendeu e engajou por uma indústria melhor, pois são nomes como Baby, Maggie Moris e Yvonne que farão diferença nos próximos anos; elas serão o “New Big Deal”. “Pink Electricity” toma a dianteira que poucos veteranos e recém-chegados ousam cogitar: fazer uma música pop e celebrar a carreira de uma popstar. Sem dúvidas, será um dos lançamentos que irá dividir pensamentos dos ouvintes casuais e de fãs frequentes, mas, por meio da análise acima, confirmamos que BABY está mais do que pronta para cravar sua Louboutin e eletrizar sua carreira, longe dos males que seu passado chegou um dia a pensar em trazer à tona.