"Devil" marca um reencontro de peso na música, unindo Anne Ritchie após a bem sucedida era "How The Story Ends" e quebrando o hiato de dois anos do rapper RAWAK. single está longe de ser uma canção sobre corações partidos convencionais, a canção mergulha em um relacionamento movido a ego, manipulação e dependência.
É uma faixa bem pensada e uma das grandes sacadas lírica é o uso da "clarividência" no refrão, uma metáfora incrível para traduzir aquela conexão tão profunda e tóxica onde os dois conseguem ler as piores intenções um do outro, essa dinâmica atinge o ápice emocional na transição para o final da música. Quando Anne dispara na ponte: “Eu sei que você é um pouco psicopata" e "Então você cria as nossas conversas como se elas fossem ganhar vida”, ela prepara o terreno que é imediatamente validado pelo encerramento de RAWAK com "E eu posso criar você na minha cabeça se você não ficar”.
No entanto, por tentar explorar os dois lados da mesma moeda, a letra acaba esbarrando em uma falha de continuidade narrativa quando apresenta uma incoerência sobre quem realmente sacrificou a relação em nome da ambição, no primeiro verso, Anne assume a culpa cantando “Então eu te deixei pelo sucesso que eu tinha em mente”, mas no verso seguinte, RAWAK rouba essa narrativa de fuga para si com “Poderíamos ter ido mais alto, mas eu tive que fugir”, embora reforce o embate de egos, essa contradição quebra um pouco a linha do tempo da faixa, outro pequeno tropeço acontece no pré-refrão, quando RAWAK solta um "Eu te levei para o porão, te piquei como uma abelha", uma rima que soa deslocada e infantil em comparação a tudo que a faixa vinha construindo.
O visual do single é um grande acerto, a estética de pergaminho antigo com os rostos dos artistas colados em ilustrações demoníacas amarra perfeitamente o conceito da obra.
No fim das contas, "Devil" entrega um retorno magnético que ganha o ouvinte por sua crueza e por escancarar a dificuldade de romper um laço quando amor e poder se misturam.