Ritual Helenna Pop, Alternative • 2026



Sua crítica será publicada em nome de uma revista, logo sua identidade não será revelada.




Los Angeles Time publicou uma avaliação em 30/08/2026: 77

Em “Ritual”, Helenna constrói uma narrativa de libertação a partir de uma metáfora bastante consistente de domesticação. A personagem passou tanto tempo dentro daquela relação que já não consegue distinguir cuidado de controle, e a letra transforma esse processo em imagens de natureza, animais e sobrevivência. A ideia de ter sido “um cavalo domado”, de viver como “um animal de zoológico” e estar presa na “gaiola que você chama de coração” consegue traduzir de maneira direta a perda de autonomia provocada pela relação, da mesma forma, imagens como “regou o meu corpo”, “minhas raízes” e “minha natureza” criam uma oposição entre aquilo que deveria representar crescimento e aquilo que na verdade estava sufocando a protagonista. A letra também acerta ao transformar o próprio conceito de evolução em algo irônico, ela acreditava ter sido levada a “civilização” quando na verdade estava sendo afastada de sua própria natureza. A progressão da narrativa é um dos grandes destaques do single, no início existe uma personagem que ainda interpreta aquela relação como algo positivo e depois ela começa a perceber os danos, já no final, ela passa a rejeitar os elementos que antes aceitava. O refrão final cumpre seu papel de conclusão ao substituir a submissão pela fuga. Ainda assim, algumas imagens parecem menos precisas. “Perseguidas por homens em sobrepeliz” por exemplo, introduz uma figura que não é tão bem integrada ao restante da narrativa e causa um estranhamento. “Sobrepeliz” cria uma imagem específica que a letra não desenvolve suficientemente o que esses homens representam, também há certa repetição excessiva na estrutura do refrão, embora neste caso ela ajude a reforçar a ideia de ciclo e posteriormente seja quebrada na parte final. Visualmente, a capa apresenta uma identidade interessante, Com Helenna cercada por flores, combinada a divisão da imagem e a coloração quase etérea, conversam com a ideia de natureza, transformação e renascimento presente na música. Entretanto a faixa não possui visual, e uma letra como essa teria tanto para contar e ser explorado visualmente que a ausência de um banner para completar a experiência, é sentida. No conjunto, “Ritual” é uma faixa conceitualmente muito bem amarrada, especialmente por transformar a domesticação em uma metáfora para uma relação que destrói a autonomia. A letra poderia ser um pouco mais cuidadosa em algumas imagens e evitar determinadas escolhas que parecem menos desenvolvidas, mas sua trajetória é clara, começa na aceitação, passa pela consciência e termina na fuga. Mas ainda assim a música cumpre bem a função de transformar toda a experiência anterior em um momento de ruptura.