70
Com o novo CD em mãos, Anna Fraser disponibiliza um extended play independente de vínculos mainstreaming, lançando-o com o intuito de desabafo e expressividade artística. Primeiramente gostaríamos de pedir total licença a artista, em respeito ao seu momento de sua angústia. Introduzindo o projeto musical, em \"Who Am I Really?\" logo de cara não só nos envolvemos, como nos comovemos com a canção. A ideia de abraçar a sua dor, se permitir senti-la, é um diálogo de Anna com Anna intima com seus próprios julgamentos, e a artista belamente soube manusear isso. O relato de extrema repetição do refrão, pode ser brevemente um sintoma da ansiedade, onda a eu-lírica não consegue expressar-se muito além daquilo que está passando, e somente aquelas palavras cabiam para destravar sua mente e ideias, não sabemos se este é o real motivo dessa enfatização, no entanto, enxergamos dessa maneira e que deu uma entonação maior para a inserção. Todavia, a compositora houve um deslize em relação a sua ponte, ela não soou bastante consistente o suficiente, pode ser que a letra tenha sido composta no mesmo instante, logo não houve reparos, mesmo assim é algo que a letrista deva se atentar atenuadamente. “Sweetheart (Goodbye to a Part of Mine)” vem logo após, e aqui vemos uma Anna mais recomposta, ela sabe que está ferida, só que não será daquele momento que viverá. Sua emancipação de algo torturante, para os ouvintes, foi-se uma sensação prazerosa de se ouvir, o rock coube exatamente nas mãos desta composição. Por outro lado, a faixa \"Despite the pain\" possui uma dualidade, a canção inicialmente é uma ótima lírica e transmite uma boa conectividade. Entretanto, a partir do verso 3 e sua ponte, houve quedas um tanto que bruscas na questão da licença poética e imersão da expressividade das emoções, talvez ter entregado algo mais subliminar nesses trechos mencionados teria dado um mantimento firme para a obra, algo que Anna Fraser precisa tratar nos seus próximos lançamentos, pois pode afetar drasticamente a mensagem que ela queira transmitir. Em relação a estética do projeto, ela segue condizente a proposta, entregando uma paleta mais acinzentada e fria, e com enfase numa tipagem mais fotográfica e crua, embora que não tenhamos mais recursos para se analisar. Enquanto a sua coesão, em relação ao estado que a artista se encontrara dentre essas composições, não há dúvidas que foi concordante a mesma. Contudo, não houve acordo dentro dos encaixes de algumas partes musicalmente, havia momento em que a escrita descrevia muito, e derrubava a simplicidade, atrapalhando o bom desempenho da faixa, e vice-versa.“A Melody of Loneliness” trata-se sobre o desbravar da Anna Fraser em seus conflitos internos, apesar de que há suas pontas soltas, isso não anula o fator de ser um disco especial, e que precisa de mais cautela ao avaliar ele por completo, mesmo que de maneira curta.

69
Após o seu premiado álbum de estreia, Anna Fraser aposta em um EP de 3 faixas chamado \"A Melody of Loneliness\". O conceito central do disco, segundo a própria, é expressar sentimentos profundos as quais a mesma sentiu, sendo estes sentimentos difíceis da mesma em interpretar. A primeira faixa do EP se chama \"Who am I really?\", que inicia com uma melancolia forte. O lírico da canção é bom, mas poderia ser melhor. A ponte soa confusa comparado aos versos anteriores, o que poderia também ter sido melhorado. Sweetheart (A goodbye to a part of mine) tem uma letra forte e confessional, conseguindo ser melhor que a anterior. Pelo que entendemos, a música fala sobre estar numa relação onde ambos lidam com os seus próprios demônios, mas que Anna reconhece que, à essa altura do campeonato, é necessário que ela lide com os seus sozinha, mesmo que ame a pessoa a qual ela esteja falando tudo isso. A música foi direcionada muito bem à sua intenção, mesmo que cause um pouco de confusão no começo, é muito boa. Despite the pain, regravação de uma música já conhecida da artista, é uma canção boa e tem uma letra interessante, mesmo que tenham coisas que poderiam ser melhores, como o refrão e o pré-refrão, além da ponte que soa confusa e não-polida. O visual do EP, feito por Tammy, é simples. Poderia ser bem melhor, com fotos editadas de uma forma melhor e um encarte mais encorpado, mesmo que o EP tenha apenas 3 faixas. Num geral, A Melody of Loneliness traz composições boas e sinceras, mas com deslizes consideráveis e algumas confusões no seu desenvolvimento. Composição: 28/40 | Criatividade: 9/15 | Coesão: 18/20 | Visual: 14/25 = 69

73
Por em palavras dores tão profundas nunca foi e nunca será uma tarefa fácil, e aqui, novamente, vemos Anna Fraser abrindo seu coração em três canções no seu novo EP. “Melody of Loneliness” é relativamente simples, e não arrisca muito onde quer ir, mesmo que isso não seja exatamente um problema, acaba tornando a experiência monótona. Em sua abertura, Anna canta para si mesma sobre aceitar a dor que deve ser sentida, sobre torná-la não uma forma de afundar-se, mas entender que cada caminho está aqui para ser seguido, “Who Am I Really?” é uma ótima canção, a repetição de ideias é presente aqui em alguns versos, mas ela não perde seu brilho. “Sweetheart (Goodbye to a Part of Mine)”, sucede a experiência, novamente em um diálogo consigo mesma, aqui temos um momento de libertação de uma parte de si que já não faz mais sentido para Anna em sua vida, aqui Anna canta sobre esquecer um pouco seu passado, um passado cheio de dores que mesmo com medo, ela nunca desistiu ou fugiu e libertar-se de uma parte que apesar de tudo, ela reconhece sua importância, mas precisa seguir em frente com sua vida. Já em “Despite the Pain”, Anna põe-se em momento de aceitação de sua realidade dura, mas que definitivamente não é o que a define: “Não sou meu passado, não sou minhas lágrimas, não sou meus julgamentos”. Canta sobre entender sua luta diária e seguir em frente, tudo para Anna, nessa canção diz que ela é sua única salvação e que só ela mesma, apesar da dor luta por dias melhores, luta para entender que nem tudo é apenas a dor que alguns enxergam. O visual do EP é enxuto, e entrega o que esperamos, é uma boa jogada mesmo que seja simples, suas cores são neutras e condizem com a proposta do trabalho de certa forma. “A Melody of Loneliness” poderia ser muito mais imersivo, mas a repetição de narrativas em aceitar (desprender) ou libertar-se de suas dores, a abordagem de falas ao se referir a si e em algumas outras ideias mais pontuais tornam a experiência pouco profunda, contudo as composições não perdem sua qualidade, e provavelmente seriam muito mais ricas se explorassem perspectivas diferentes, como um lançamento despretensioso, ele funciona bem. Composição: 27 Criatividade: 21 Coesão: 15 Visual: 11

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Dando uma pausa em seus elementos, Anna Fraser recapitula suas emoções mais intensas no seu primeiro extended play “A Melody of Loneliness”, um projeto que conta com três faixas que discorre sem uma temática fixa ou um conceito próprio, servindo apenas como um simples e leve desabafo angustiante de Fraser. “Who Am I Really” abre o EP de forma um tanto tormentoso e alarmante, nessa o lírico reconhece a sua trajetória de dores e procura uma aceitação para mover para um próximo rumo, é uma canção boa e bem escrita, os versos são bem desenvolvidos e segue uma história linear, apesar disso a ponte e a outro não conseguem se encontrar dentro disso tudo, soando deslocada ou até mesmo dramática demais para o restante. “Sweet darling (Goodbye to a part of mine)” Entra dentro do projeto como o grande destaque, é forte, interessante e há um bom uso de referências, o verso “Isso não é egoísmo, isso é um dos primeiros passos para minha emancipação, emocional e física”, sentimos a verdadeira libertação de Fraser de todos seus terrores, principalmente por referenciar seus trabalhos antigos como uma forma de buscar a glória, Anna está sozinha, mas dessa vez consigo mesma e não com seus demônios interiores. “Despite the Pain” é um tanto controversa pode-se dizer, há uma correlação com as duas canções anteriores e seguem basicamente a mesma narrativa, Fraser está tentando se reerguer e reconhecer o passado, e apesar de uma canção mediana, vemos uma inquietude imensa para descrever suas dores que acabam por sair superficiais e desesperadoras, há uma linha que deve ser traçada quando tratar desses assuntos porque muitas vezes podem soar rasos ou extremamente dramáticos, o que não é um bom caminho quando a proposta é introduzir algo pessoal. Todos os tons usados em “A Melody of Loneliness” são monótonos e bonitos, o uso da fonte para destacar as canções é uma ótima jogada, porém não há nada além que possa ser considerado em quatro páginas de encarte que seguem a mesma estrutura, tornando-se entediante. Analisando o projeto como um todo, não vemos um motivo maior para ser lançado a não ser a arte e a vontade de expor seus medos, há uma escassez na criatividade que deve ter sido proposital para nos deixar ansioso para o verdadeiro segundo álbum de estúdio da cantora. COMPOSIÇÃO: 27/35 | CRIATIVIDADE: 12/20 | COESÃO: 13/15 | VISUAL: 20/30

82
Em seu novo EP, Anna Fraser utiliza das suas emoções para se comunicar com o ouvinte através de três músicas que cumprem seu trabalho em serem emotivas e cruas para o ouvinte se conectar e sentir a sua dor através da composição. Sendo um EP feito apenas para se auto expressar com seu público, não é acompanhado de um grande conceito, apenas uma Fraser que não estamos acostumados a ver com frequência. O EP começa com ‘Who Am I Really?’ sendo uma bomba de sentimentos no ouvintes, sendo uma música bastante emotiva e composta de forma crua, onde podemos sentir a dor enraizada dentro da alma da Fraser em cada verso, e que ela está disposta a aceitar que escuridão foi capaz de encontra-la novamente. Pela primeira vez, podemos sentir que Anna finalmente aceitou suas falhas e está feliz com isso, ela não liga mais para os efeitos colaterais. ‘Sweetheart’ é uma ótima escolha para ser single do EP, já que mostra uma Anna mais atrevida do que na música anterior, com a composição mais corajosa e mais ambiciosa. A letra é menos emocional, mas carrega as mesmas cicatrizes da letra anterior, só que de forma mais agressiva para abraçar suas origens ao gênero rock. Apesar de uma composição também expressiva, ‘Despite the Pain’ fica atrás das outras duas músicas em questão de qualidade. Seu encarte utiliza de um ar mais obscuro para apresentar o projeto, o que parece ser o ideal para transparecer as dores mais profundas de Anna, e de fato, é um tanto simples demais; e os pngs soltos no encarte de fundo degradê preto e branco comum não é exatamente o tipo de produção que podemos dizer que ficou harmônico. Já a sua página final, mostra uma melhora na harmonia visual e poderíamos seguir um caminho comum naquele sentido. Por fim, Anna Fraser demonstrou um crescimento como compositora ao apresentar canções bastante emotivas e que transparece sua alma em alguns momentos, e ‘A Melody of Loneliness’ não é grande o suficiente para se destacar entre os diversos, mas as três músicas compostas no álbum mostram um grande potencial de Anna Fraser para seu próximo álbum de estúdio. Composição: 30 / Criatividade: 15 / Visual: 18 / Coesão: 19

78
Depois de um arrebatador debut com o álbum “The Darkness Felt In My Heart”, Anna Fraser retorna com um novo extended play, “A Melody of Loneliness”, seguindo na estrada do gênero Rock. A faixa nº1 é “Who Am I Really?” é sincera e melancólica, com uma boa composição mas que por vezes encontra-se demasiadamente prolixa. Algumas linhas poderiam ter sido sintetizadas ou reformuladas para dar à faixa uma maior dinamicidade, poeticidade e musicalidade. Em geral, faltam também mais figuras de linguagens, já que o sentimento aqui é muito literal, podendo ter sido trabalhado visando uma polidez e robustez maior, talvez através de metáforas melhor elaboradas. As indagações pessoais e existencialistas são boas e bem posicionadas, mas o problema central é a forma geral. Em seguida, temos a segunda faixa, “Sweet darling (Goodbye to a part of mine)”. Sem dúvidas a melhor do projeto, o single tem uma estrutura mais próxima do ideal, com versos mais sucintos e encadeados, que interligam-se e forjam uma canção coesa e muito bem feita, com metáforas bem elaboradas. Os paralelos com Alice no País das Maravilhas e Maria Antonieta são bem estabelecidos e articulados, resultando em uma questão melancólica mas não simplória. Por fim, mas não menos importante, “Despite the pain” fecha o EP. Ela é boa, sendo mais sintética, entretanto, há algumas passagens desconexas e que quebram a linha de raciocínio melancólica, como “Quem nunca errou que jogue a primeira pedra, Jesus disse // E quem poderia ser mais foda que ele?”, que apesar de ser uma válida tentativa de intertextualidade com a mitologia cristã, não está bem contextualizada e inserida aqui, parecendo ser aleatória. Os sentimentos do eu lírico são válidos, mas a forma como são tratados é superficial. A ponte, por exemplo, onde inesperadamente há uma indução de mutilação, drogas, tentativas de suicídio de afins, não é muito bem feita. Há licença poética para escrever o que for, mas quando trata-se de tais assuntos muito pessoais, o cuidado para não parecer simples e exclusivamente melodramático deve ser redobrado. Sentimentalismo por si só não confere automaticamente um nível alto de qualidade, apenas é um recurso que pode ser usado para se alcançar a maestria poética. Falando-se agora do visual, nota-se que ele é simples e belo, com uma paleta de cores preto e branco que segue em sintonia com a composição - o que também conta como um ponto positivo para a coesão, já que há uma identidade comum que perpassa todo o projeto. A criatividade está aqui e ali mas poderia ter sido melhor abusada, principalmente na forma de abordar dor e saúde mental, que em alguns momentos aproxima-se do superficial. Em geral, “A Melody of Loneliness” é um bom EP que nos deixa querendo mais de Anna Fraser e torcendo pelo o que vem a seguir. || Composição: 30/40 || Criatividade: 8/15 || Coesão: 20/20 || Visual: 20/25 || Nota=30+8+20+20=78.