VOGUE Taiwan entrevista SUHUKI

VOGUE: Olá, Suhuki! Seja bem vinda a Vogue Taiwan! Como está sendo seu dia? E qual é a sensação de estampar sua primeira capa?
SUHUKI: Olá, Vogue! Muito obrigada por me receberem aqui, meu dia está sendo ótimo. Sempre me imaginei estando aqui em algum momento da carreira, mas não imaginava que pudesse ser tão cedo! É um sentimento de realização.
VOGUE: Inicialmente, é impossível não notar toda a sua evolução enquanto artista. Quando você decidiu que o K-Pop já não fazia mais parte dos seus planos? Existe um motivo específico?
SUHUKI: Fui me distanciando do K-Pop quando percebi minha falta de vontade ao pensar no gênero em si. Parecia que todas as portas tinham se fechado para mim e eu não me importava em tentar abri-las. É como ser uma pérola: sempre oculta, com medo, protegida por um escudo, desnecessário, pois sabe que é resistente e capaz de lutar por si mesma. A partir do momento no qual deixei à mostra as minhas introspecções, talentos, fraquezas e desconfortos, minha arte me mudou mais do que eu mudei ela.

VOGUE: Sabemos que identidade e personalidade nem sempre são os pontos mais fortes na indústria asiática. Quais artistas, em sua visão, possuem um estilo característico?
SUHUKI: Identidade não é algo construído através de fórmulas dadas por amigos ou por veteranos que acham que, com um molde pronto, você será mais bem-visto na indústria. É preciso ter autenticidade, audácia, sagacidade, flexibilidade. E, para mim, na indústria asiática, as artistas cujas personalidades são as mais transparentes são Sakura, Aimer, Nabi e Tomoyo. Não há favoritismo no elenco, tampouco conveniência. A destreza de ser artista é um perfume que pode ser sentido de longe.
VOGUE: Já que estamos falando sobre evolução, é necessário salientar o quanto sua estética visual tem chamado atenção. Seja em singles como "L'oiseau de Feu", "mélancolie des contes" ou em seu mais recente extended play "prologue", há sempre um toque de delicadeza mesclada à um styling que flerta com o etéreo e o edgy. Quais são suas principais inspirações?
SUHUKI: Me identifico muito com artes que envolvam a essência humana para além do que é belo. Poucas pessoas admiram a natureza da nossa espécie sem ser romantizada ou recauchutada para parecer menos grotesca, mas a nudez dos sentimentos é o que acho mais lindo. MOE é uma grande inspiração, é o que emano para mim mesma. Kaleb Woodbane também é um grande compositor no qual me inspiro.

VOGUE: Assim como toda it girl, você possui um contrato de exclusividade com a maison parisiense Christian Dior. Como é o seu relacionamento com a marca e com Maria Grazia Chiuri?
SUHUKI: A Dior é minha casa, literalmente. Foi a casa de moda que conseguiu me cativar, representando, de forma fina, minha moda e estilo. Maria Grazia Chiuri é um ser fantástico, tem muita visão sobre tudo que envolve moda, principalmente sua marca. Conversamos muito, nos encontramos com muita frequência em chás da tarde especiais cuja anfitriã é ela. Ela adora sediar eventos intimistas para seus próximos. Sempre trocamos ideias sobre o mundo fashion, recentemente ela me mostrou o moodboard para sua próxima coleção prêt-à-porter; adianto que são peças belíssimas em sua delicadeza, com a assinatura de Grazia Chiuri.
VOGUE: Deixando um pouco a moda de lado, você sempre se interessou por todo o tipo de manifestação artística, contudo, desde pequena, a música sempre foi sua grande paixão. A partir de que momento você percebeu que se interessava pela música clássica? E como é conciliar os estudos com uma carreira na indústria fonográfica?
SUHUKI: Percebi que amava a música clássica quando vi uma performance do Concerto para Dois Violinos de Antonio Vivaldi, quando ainda era muito pequena. Me senti numa outra dimensão. O mundo erudito é uma área com muitos detalhes. Mas, nada impede de alguém seguir dois rumos musicais ao mesmo tempo, inclusive, trará mais conhecimento e autoridade para ousar em seus projetos. Amo o tudo o que faço, concomitantemente, e não me vejo abandonando um para me dedicar exclusivamente a outro.

VOGUE: Indo além desse mundo caótico, recentemente, você se tornou mãe da baby Seulgi. Como a maternidade mudou sua vida? Você sente os olhos da sociedade lhe julgando por ser mãe e artista?
SUHUKI: Ainda nem acredito que sou mãe. O processo de ter Seulgi me trouxe muitos aprendizados. Me ponho mais humana, mais vulnerável, mais reduzida à realidade ao meu redor. Recebi e ainda recebo muito apoio de minhas amigas, minha mãe e namorado, então acabo de não me importar se a sociedade me julga. Ser uma artista feminina não é fácil, ao se tornar mãe fica mais difícil ainda. São muitas responsabilidades sobre nós, mas minha arte, minha família e minha filha são as únicas coisas importantes para mim.
VOGUE: Apesar de algumas mudanças na sua carreira solo, o K-Pop ainda continua presente no seu dia a dia. Ao lado de Aimer, NABI, Sakura e recentemente, Tomoyo, o grupo Dazzling Girls tem ocupado um grande espaço na sua vida. Além de carreiras solo bem sucedidas, vocês conseguiram pavimentar a indústria como um grupo. Quais foram os maiores desafios? Como você se sente quando percebe que criaram algo unico? Há algum nível a par de concorrência?
SUHUKI: Sempre fomos unidas sobre tudo que envolvesse nós 4, agora, 5. Discutir e encontrar um denominador comum para muitas garotas temperamentais pode ser uma tarefa árdua, mas acaba que conseguimos chegar onde queremos. Quando criamos Dazzling, não sabíamos que seríamos um marco na indústria do K-Pop. Queríamos uma música que tivesse nossa essência em um mundo cor-de-rosa. Depois de um tempo lançada, percebemos que a canção estaria em muitos lugares de inspiração na indústria. Não acho que há competição contra nós. Alcançamos um nível único, intocável, que diz respeito somente a nós. Criamos um cristal perfeito que será difícil superar até para nós. Ainda há espaço para todos, logicamente, mas Dazzling é um diamante incrustado numa coroa eterna.

VOGUE: A fantástica "L'oiseau de Feu" foi uma das músicas mais marcantes do último ano. Indicada à diversas premiações, inclusive Song of the Year no SCAD Awards, a canção foi responsável por te colocar em outro patamar. Por outro lado, "prologue", seu mais recente EP, gerou uma certa divisão por parte da crítica. Como foi experimentar esses dois extremos? Sente que seu trabalho não foi compreendido?
SUHUKI: Bem, não tenho remorsos desse episódio, apenas desgosto. As críticas veiculadas ao prologue foram totalmente maliciosas e com muitas incongruências no corpo do texto. Não sou de chorar por receber notas baixas, até porque sei que arte é subjetiva e cada um interpreta de uma forma, entretanto, ao ler cada review, percebi do que se tratava. Sinceramente, pelo teor da escrita, não acho que tenha sido uma questão de gostar ou não gostar, mas sim conclusões precipitadas do meu projeto, percebe-se que muitos autores sequer leram o "Sobre". Enfim, nada disso anula meu carisma ou meu talento.
VOGUE: E quais são seus próximos passos? Há algum projeto a caminho?
SUHUKI: Ainda não tenho certeza de meus próximos passos, talvez um descanso. Preciso descansar e colocar muitas coisas no lugar, inclusive a cabeça. Não sei se já posso contar muito sobre, mas Dazzling Girls é um nome para ficar de olho nos próximos dias.

VOGUE: Suhuki, infelizmente nossa entrevista está chegando ao fim. Agradecemos sua disponibilidade e a conversa extremamente agradável. Quer deixar alguma mensagem?
SUHUKI: Muitíssimo obrigada pela recepção e pela oportunidade de participar desse momento muito especial. Amo toda a equipe VOGUE e mando um agradecimento espeical a Marie Vaccari, grande amiga e uma visionária da moda. A todos, me despeço com muito amor. Até mais!

Publicado em 29/01/2024 por VOGUE.