VOGUE Portugal entrevista Noan Ray

VOGUE: Bem vindo Noan Ray, queria começar com uma pergunta sobre o seu último projeto. Qual foi a inspiração por trás do álbum "Akira" e como você acha que ele se diferencia dos seus projetos anteriores?
NOAN: Olá, obrigado por me receberem. Bom, a inspiração pro “AKIRA” surgiu após eu assistir o anime de mesmo nome. Eu tirei algumas interpretações do longa e percebi que eu gostaria muito de explora-las em um projeto musical. O “AKIRA” é bastante diferente dos meus dois álbuns anteriores exatamente por conta do modo como ele foi criado. Ele passou por um longo período de maturação, eu pensei bastante em cada aspecto do disco, cada faixa e cada artista convidado. O “BEDROOM DRAMA” e o “TEENAGE” surgiram como um vômito, eu precisava abordar todos os meus episódios de melancolia. O “AKIRA” foi planejado, pensando e elaborado encima de um conceito que eu gostaria de explorar.

VOGUE: Como é o seu processo criativo ao trabalhar como produtor artístico em comparação com compor suas próprias músicas?
NOAN: Produzir algo é bem diferente de compor. Quando eu produzo eu fico preocupado com a estética, busco inspirações que consigam me conectar com o que eu busco criar. Quando eu estou compondo eu não me preocupo com nenhuma estética, não me preocupo em deixar tudo perfeito e alinhado. Compor é um processo natural, a inspiração surge e eu coloco-a para fora em um suspiro.
VOGUE: Como você equilibra sua identidade artística única com as mais diferentes personalidades do cenário musical do Famous, atual?
NOAN: Acho que eu sigo bastante minhas vontades, não tento ir por algo que estão todos fazendo. Cada artista tem um modo singular de criar sua arte. Porém, alguns parecem ter um certo medo de expor, logo fabricam tudo baseado em algo que antes já tinha sido aprovado.

VOGUE: Como você vê o papel da moda e da estética visual na sua expressão artística como músico?
NOAN: A moda consegue narrar uma história sem o artista abrir a boca. Um look bem construído faz parte do show, ajuda a firmar bem uma era. A moda está totalmente ligada à indústria musical e cultura, nós como artistas estamos em primeiro plano e esse é o nosso trabalho, expor nossas loucuras.
VOGUE: Como você vê o futuro da indústria da música e como você planeja se adaptar e inovar dentro desse cenário em constante mudança?
NOAN: Eu espero que o futuro da música seja brilhante e com artistas únicos. Eles deveriam se permitir experimentar coisas novas, tentar errar e fazer projetos fora da casinha, mesmo que as pessoas achem estranho e não gostem. Eu espero que o futuro da música seja de mais liberdade. Sobre inovar, bom, eu realmente não gosto de fazer as mesmas coisas. Posso dizer que meu quarto álbum está sendo construído e ele é bem diferente do três lançados até agora.

VOGUE: Quais são algumas das lições mais importantes que você aprendeu ao longo de sua carreira na música até agora?
NOAN: Acho que a maior lição que aprendi, na verdade duas delas, é que na maioria das vezes a calma ajuda a construir uma era forte e que eu não devo deixar minhas ideias serem podadas por nenhuma outra pessoa, seja amigo, colega ou alguém da gravadora.
VOGUE: > Como você define sucesso na indústria da música e você sente que alcançou seus objetivos?
NOAN: Sucesso acho que vai além de números ou prêmios. Acho que algo bem sucedido é aquela música ou aquele álbum que marcou, aquele projeto que pode não ter tido boas posições nos charts e nem bons números, mas é lembrado depois de anos. Um projeto marcante é um projeto de sucesso para mim.

VOGUE: Quais são seus próximos passos e o que os fãs podem esperar de você no futuro?
NOAN: A era “AKIRA” praticamente acabou de começar, a versão deluxe está a caminho, ainda quero sair em turnê mundial e lançar mais singles. Fora dessa era ainda é bem incerto.

VOGUE: Chegamos ao fim, então ultima pergunta, qual é a mensagem que você gostaria de transmitir aos seus fãs através da sua música em geral?
NOAN: Obrigado pelo convite e pelo espaço, eu tenho um carinho muito grande por todos da Vogue. A mensagem que eu gostaria de trazer para todos é que a dor ela é passageira e necessária muitas vezes e por mais que doa, passa, sempre passa. Muito obrigado pelo espaço.

Publicado em 29/02/2024 por VOGUE.