Vogue France, novembre 2025 — Sakura par Kim Hee June

VOGUE: Olá, Sakura! Seja bem-vinda à Vogue France, é um prazer imenso recebê-la de volta. Como está se sentindo?
SAKURA: Olá, Vogue! É tão bom estar de volta! Estou ótima, muitíssimo animada e honrada por ser capa da edição francesa. É um momento realmente especial na minha carreira.
VOGUE: Faz considerável tempo desde que tivemos um lançamento seu na cena musical. Quais diferenças você sente entre o período em que lançou Age of Youth e o período atual?
SAKURA: Toda a construção do Age of Youth foi baseada no que eu estava vivenciando. Foi um momento bem lúdico e criativo da minha vida, mas era como se me reconhecessem apenas pela metade. Durante esse tempo em que decidi fazer uma pausa, passei por momentos difíceis. Acabei descobrindo coisas horríveis, cruéis. Acho que toda essa experiência me fez perceber que não quero e não preciso estar sempre no controle. Já não me sinto mais intimidada por nada e isso pode ser até um pouco inquietante. Passar por esse tipo de transformação é algo estranhamente reconfortante, quase revelador.

VOGUE: Sobre seu novo single, o que te motivou a escrevê-lo? Quais experiências culminaram na criação de Angel Dust?
SAKURA: Estava me sentindo vazia, como se minha mente estivesse em outro lugar... e isso é uma espécie de percepção horripilante! Mesmo que muitos ao meu redor não enxerguem assim, me considero extremamente vulnerável. Quis explorar esse lugar desconhecido, caótico e etéreo. As ilhas que criamos com nossos medos e anseios, onde nossas vivências nos ultrapassam, onde cada momento parece reviver de novo e de novo, como um abismo eterno. Eu sabia que havia algo de errado comigo e usei isso para amadurecer artisticamente. No fim, a arte é sobre isso.
VOGUE: Em Angel Dust, vemos uma nova faceta de Sakura, trazendo uma abordagem mais madura e reflexiva que nos revela uma artista concisa. Você admirou novas referências e inspirações nesse período de composição?
SAKURA: O cinema foi uma grande referência. Me inspirei, principalmente, em auteurs. De Edward Yang e Hou Hsiao-hsien a Tsai Ming-liang, fui profundamente marcada pelas duas grandes ondas do cinema taiwanês. Também revisitei obras antigas do Kore-eda, além do universo de vidas que o Hamaguchi constrói com tanta ambiguidade. Mas foi quando assisti La Pianiste, do provocateur Michael Haneke, que percebi como a beleza que transcende a arte nos anestesia para a sordidez da vida real. Foi tão complexo, tão difícil de assistir, um retrato implacável sobre o condicionamento da vida humana. Me atingiu de uma maneira brutal. Angel Dust nasceu a partir de todas essas influências. Foi um meio de retratar essas dinâmicas, expectativas e como às vezes a peculiaridade é a única forma que aprendemos a expressar.

VOGUE: O visual de Angel Dust é inteiramete assinado por você. Sabemos que você produz desde o início de sua carreira e sempre se destaca pelo seu minimalismo e polidez, você viu novos desafios ao produzir essa canção e conectá-la com seu novo estilo de composição? Como se sentiu ao trabalhar sob uma nova perspectiva?
SAKURA: Foi um momento de ruptura... eu sabia que queria quebrar essa imagem de idol perfeita, mas ainda não tinha clareza sobre como fazer isso. O visual da música traz uma atmosfera delicada, sonhadora, quase mágica, mas sem perder a sobriedade. Eu sentia que precisava criar algo grandioso e o resultado superou todas as minhas expectativas. Também não posso deixar de reconhecer o trabalho incrível do Nick Diaz na produção do código HTML. Eu amo produzir, embora não me veja exatamente como uma produtora tradicional. Meu processo é realmente minucioso. Gosto de me sentir inspirada, mas estou aprendendo a tornar isso mais natural.
VOGUE: É fato que você é uma das maiores influências da moda no cenário atual e sempre se destaca nesse âmbito, ditando tendências dos mais diversos tipos. Para você, o que te faz ser tão autêntica e genuína com a sua expressão de moda?
SAKURA: Eu sempre tive uma compreensão muito clara do meu estilo e da minha estética pessoal, mas também sempre fui curiosa o suficiente para me interessar por coisas que não necessariamente combinam com o que eu visto ou costumo gostar. A moda pode parecer intimidante para quem observa de fora, mas a realidade é bem mais simples. Hoje, percebo que as redes sociais criam uma pressão desnecessária que faz as pessoas acreditarem que precisam usar certas marcas para provar que entendem desse universo. Só que existe uma diferença inegável entre gostar de moda e simplesmente poder comprá-la. Muita gente consegue adquirir peças muito caras, mas vejo cada vez menos estilo pessoal de verdade. Acredito que, sim, é importante construir o estilo de vida que você deseja e viver da forma que te faça bem, mas roupas não deveriam ser uma prioridade absoluta.

VOGUE: Quais designers, estilistas e marcas estão no pódio de suas admirações atuais?
SAKURA: Às vezes é um pouco complicado acompanhar absolutamente tudo, mas gostei muito do que vi! Yohji Yamamoto é um dos meus estilistas favoritos e ainda é uma dádiva tê-lo nos calendários. Ele é quase um daqueles "guardiões do tempo" que restaram. Sua última coleção, além de suntuosa, foi uma homenagem à Armani, muito tocante. Também adorei os laços e as saias (que eram de morrer!!!) da Sacai, adicionei tudo à minha lista de desejos! A The Row é outra grife que sempre me impressiona pelo minimalismo sofisticado e caimento impecável. Mas acho que a maior surpresa foi a estreia de Matthieu Blazy. Ele foi a escolha certa para permitir que a Chanel finalmente deixasse para trás a era Karl. Tudo estava lá: tweed, correntes, logos, a tensão entre minimalismo e maximalismo, um senso de praticidade e uma grande dose de elegância. Eu sempre encarei a moda de uma perspectiva pragmática e acabei percebendo muito cedo que cada marca tem seu próprio ecossistema. Por isso, consigo apreciá-las pelo que são e abraçar a mudança, mesmo com exceções.
VOGUE: Você agora pertence ao catálogo de artistas da Wild Music Group. Como aconteceu esse contato e como é sua relação com essa nova casa?
SAKURA: Quando decidi fazer meu retorno, senti que precisava de uma mudança drástica. Ainda não sabia qual rumo seguir e a Wild me recebeu de braços abertos em um momento de incertezas e dúvidas. Desde então, me sinto acolhida, respeitada e totalmente apoiada, uma diferença que se tornou clara comparada a experiências passadas. Acabei percebendo que isso é o que realmente importa.

VOGUE: Em relação ao seu lançamento e à sua nova postura artística, o que podemos esperar dos seus próximos passos na indústria?
SAKURA: Atualmente, há algo muito especial surgindo. Não sei... eu costumava me sentir insegura em relação a todos os meus projetos. Era exaustivo e até mesmo desolador. Acho que estar no controle sempre me passou essa sensação de conforto, de que meus processos criativos, apesar de desconfortáveis, eram ideais. Eu não sou a mesma Sakura do Age of Youth e sinto que finalmente estou pronta para que todos me conheçam de forma íntima e visceral. Não é sobre ser dramática, mas sim explorar novas nuances artísticas. Quero representar a música asiática sendo única!
VOGUE: Sakura, encerramos aqui nossa conversa, foi um prazer imenso poder conversar com você. Gostaria de deixar uma mensagem para seus fãs e para os leitores da Vogue France?
SAKURA: Awnn, foi incrível! Muito obrigada, Vogue! Estampar esta edição é um sonho que acabou de se tornar realidade. O apoio da revista à minha carreira sempre foi algo imprescindível. Aos meus fãs e aos leitores da revista, envio abraços carinhosos! Continuem acompanhando meus próximos passos, prometo que valerá a pena. Au revoir! ♡

Publicado em 18/11/2025 por VOGUE.