Vogue France Novembre 2025 — HYO par Liu Song

VOGUE: Olá, HYO! Seja muito bem-vindo à Vogue France. Como está sendo seu dia? E qual é a sensação de estampar sua primeira capa da Vogue?
HYO: Olá, leitores da Vogue France. Bom, entre a gratidão de estar dividindo esse espaço de entrevista com vocês, meu dia está sendo um pouco intenso. Bom, ainda mais quando é impossível conter o sorriso diante desse sentimento surreal de estar estampando a capa da Vogue. Confesso, estou tão admirado que, por vezes, acabo por não perceber o quanto esse momento é grandioso e belo.
VOGUE: Há algum tempo você vem promovendo seu primeiro álbum de estúdio, Jasmine-Pure. Como tem sido sentir o reconhecimento da crítica e também das premiações em torno desse trabalho?
HYO: É difícil encontrar as palavras certas para descrever o que sinto. Quando comecei a trabalhar no Jasmine-Pure, a arte do poder que esse trabalho teve em tocar as pessoas nunca esteve no imaginário. A maior validação desse trabalho árduo de expor um artista vulnerável e sincero foi obter o reconhecimento da crítica e das premiações. Mas, mais do que qualquer resultado, a percepção de ver como minha geração esteve se identificando com meu lirismo é o que o mais me faz ser um bobo emocionado.

VOGUE: Seu último single, Nokia, é inspirado no belíssimo filme Past Lives, estreia da escritora e diretora Celine Song. Pode nos contar como foi o processo criativo dessa canção?
HYO: Acredito que esses temas de destino, tempo e as conexões que atravessam nossas vidas, presentes no filme, sejam a captura mais fiel para definir o processo de composição dessa canção. A ideia principal de Nokia narra um relacionamento que se revive através do amor a distância, onde a doçura da nostalgia vivida no presente também carrega a dor amorosa de um futuro inevitável, no qual manter a diferença entre trajetórias acaba por ser necessário. Celine Song é uma diretora talentosa. Eu admiro como o seu primero filme é a inspiração de um dos meus melhores surtos criativos.
VOGUE: Jasmine-Pure tem sido uma era longa e muito especial na sua carreira. Com Nokia sendo o quinto e último single, como é para você se despedir dessa fase?
HYO: Despedir-me do Jasmine-Pure é como respeitar a sua essência de ser um diário, e fechar-lo. Sério... Eu devo todas as minhas maiores conquistas a esse álbum. No mínimo, é agridoce. Eu tenho medo de não ser o suficiente para que meus próximos sejam tão grandes quanto essa era. Mas o apego e o orgulho que sinto ao ver como essa etapa da minha carreira está no coração do público sempre coexistiram no profundo da minha essência.

VOGUE: Quais são as suas principais inspirações dentro da indústria da música?
HYO: Sinceridade é um fator artístico que realmente me guia na escolha de minhas inspirações. Um artista leve, que não teme explorar temas considerados clichês, mas os ressignifica com autenticidade, me inspira profundamente. Cito nomes, como Petter, Rubia, Alex Fleming, Kaleb Woodbane e Bruce. A leveza dos meus relacionamentos próximos também é admirável.
VOGUE: Além da música, você também tem se destacado nas listas da Vogue como um dos artistas mais bem vestidos da atualidade. Como é a sua relação com a moda, com as grandes maisons e, em especial, com a Chanel?
HYO: Certamente, sou magnetizado pela moda. Apesar de eu ter sentido que, de alguma forma, não a merecia. No fundo, eu apenas esperava uma oportunidade de ter a moda como a verdade do meu ser artístico. Chanel me apresentou essa reviravolta. Eu tenho uma paixão pela alta-costura de tweed das coleções da maison. É quase como realizar e abraçar essa minha ideia pessoal de ser um "príncipe" – elegante e lúdico, como eu sempre quis ser. Eu tive uma conexão instantânea com a moda, por esta ser a tradução da minha vontade insaciável de ilustrar e reinventar, continuamente, a forma como minha personalidade trasparece através do estilo.

VOGUE: Quais são as suas maiores referências no universo fashion e de que forma a moda inspira sua arte?
HYO: Minhas maiores referências na moda vêm justamente dos artistas e criadores que sabem transformá-la em uma narrativa e adorno. As belissimas coleções noventistas da Chanel por Karl Lagerfeld, são exemplos que me guiam. Também me inspiro em estilistas e ícones que quebram códigos e misturam o clássico ao inesperado, como Vivienne Westwood. Enfim, a moda, para mim, também é uma música em sua essência ao ser capaz de mostrar emoções e provocar sentimentos. Quando reinvento o que vou vestir, fico fascinando ao perceber como também reinvento meu ser artístico.
VOGUE: Como você tem enxergado o cenário da música asiática atualmente? E como se sente sendo cada vez mais reconhecido e visto nesse contexto?
HYO: O cenário asiático tornou-se, naturalmente, um momento eterno de pura efervescência. Diariamente, um catálogo de artistas talentosos se afirma como essencial da música global. Pessoalmente, sinto-me honrado em ser reconhecido nesse movimento, ainda mais, com um álbum de estreia que expressa minha asianiedade. É um privilégio estar contribuindo na força desse diálogo cultural como um poder intrínseco, onde cada artista por carregar sua própria identidade, revela a força conjunta de um continente.

VOGUE: E para o futuro, podemos esperar novidades? Há novos projetos ou processos criativos em andamento que possa compartilhar conosco?
HYO: Claro! Ultimamente, estou nutrindo uma preferência pela leveza nas minhas canções, e meu segundo álbum de estúdio composição nasce justamente dessa necessidade de ser divertido. Travesso e provocativo são boas palavras para definir o lirismo desse projeto. Futuramente estarei perguntando: vocês conseguem lidar com um pimentinha?
VOGUE: HYO, infelizmente nossa entrevista está chegando ao fim. Agradecemos sua disponibilidade e a conversa tão inspiradora. Gostaria de deixar uma mensagem para seus fãs e para os leitores da Vogue France?
HYO: Bom, estar na capa da Vogue France é a realização de um sonho que carreguei comigo, agradeço esse convite!! Aos meus fãs, dedico todo carinho e saudades dos abraços e gritos histéricos. E aos leitores, desejo que encontrem na moda e na arte uma forma de se sentirem mais verdadeiros. Mais uma vez, obrigado pela entrevista... de coração, merci!

Publicado em 19/11/2025 por VOGUE.