Vogue Japan May 2026 — Coline by Lucian Bor

VOGUE: Olá, Coline! Seja muito bem-vinda à VOGUE. Como você está e como tem sido esse atual momento da sua vida?
COLINE: Konnichiwa, VOGUE! Muito obrigada. É uma grande honra estar aqui, grata pelo convite. Estou bem, na verdade, sinto-me melhor do que nunca. Estou em uma fase muito valiosa da minha vida. Ultimamente, tenho deixado apenas acontecer, fluir, e está funcionando muito bem. Sou ansiosa demais, perco tempo e sanidade pensando em coisas que sequer aconteceram, então aderir à esta prática de "só deixar acontecer" tem sido uma terapia para mim.
VOGUE: Depois do lançamento do seu último single “Sparrow”, você acabou ficando um tempo afastada dos holofotes, o que gerou muita curiosidade entre os fãs. O que motivou essa pausa e como esse período impactou sua visão artística e pessoal?
COLINE: Planejava uma pausa desde antes do fim das promoções de “Left Behind”. Sinto que eu precisava descansar um pouco depois de meses e meses divulgando sem parar. Mas, no meio do caminho, surgiu a oportunidade de lançar algum último trabalho antes de um "descanso", então, pensei: "por que não mostrar um pouco mais da era?". Nisso, surgiu “Sparrow”, que foi escrita praticamente duas semanas antes do lançamento. Eu adorei criá-la, porque reflete muito do que eu estava refletindo naquela época. E essa pausa acabou me fazendo muito bem, pois pude restaurar minhas energias e, consequentemente, ter cabeça para pensar, criar e amadurecer muito da minha visão artística. Muitas criações, que ainda estão por vir, tiveram influência dessa pausa.

VOGUE: Falando sobre criação, seu som parece cada vez mais maduro e bem direcionado. Como tem sido seu processo criativo atualmente e quais inspirações têm guiado suas novas composições?
COLINE: Fico feliz que tenha notado! Inclusive, mencionei na resposta anterior esse amadurecimento artístico, e ele tem sido essencial para tudo o que venho criando. Meus atuais processos criativos estão muito ligados à reflexões e à observação da vida. Tenho adotado uma postura mais pacífica e menos ansiosa, de simplesmente deixar as coisas acontecerem, e isso acabou abrindo um espaço para eu pensar e viver mais o presente, refletir sobre memórias do passado e até construir histórias e cenários com base em experiências do presente e passado. Muitas dessas vivências acendem perguntas que talvez nunca tenham respostas, então transformo isso em interpretações próprias, sentimentos e composições. E bom, tem funcionado bastante, pois me sinto mais criativa agora do que nunca estive antes.
VOGUE: Um dos assuntos mais comentados do momento é “Velvet Lips”, sua colaboração com Maggie Morris para a soundtrack de O Diabo Veste Prada 2. Como surgiu esse convite e como foi trabalhar em uma faixa pensada para um universo tão icônico?
COLINE: O convite surgiu em meados de janeiro, quando David Frankel entrou em contato comigo para criar e interpretar a faixa principal do filme. Fiquei em êxtase, seria a minha primeira participação no mundo do cinema, então não pude deixar de aceitar. De início, assumo que fiquei receosa, principalmente porque era uma novidade para mim, claro, mas também por não saber se seria capaz de entregar algo diferente de tudo que eu havia lançado. Resumindo, duvidei da minha própria capacidade. Até que, depois de uma conversa com amigos próximos, uma luz pairou sobre minha cabeça; apenas peguei meu bloco de notas e comecei a escrever o que surgia. Quando vi, já tinha o esqueleto completo de uma ideia e resquícios de uma composição. A partir disso, foi só acontecendo, e então, nasceu “Velvet Lips”. Eu amei criar essa canção, me fez mergulhar em áreas nunca exploradas por mim antes. Durante o processo criativo, me senti interpretando a personagem Miranda Priestly – que é a inspiração principal da música – e adorei viver isso.

VOGUE: Outra colaboração que movimentou os fãs foi “Systematic”, ao lado de Naomi e Alex Fleming. Como foi dividir esse projeto com artistas tão fortes e o que essa parceria representa para você nessa fase?
COLINE: “Systematic” foi uma das melhores parcerias que já tive desde o começo da minha carreira. Naomi e Alex Fleming são amigos próximos, então o processo criativo fluiu de forma leve e tranquila. Essa canção aborda sobre quebrar regras e não se deixar abalar pela maldade da indústria, e isso, na verdade, representa uma parte muito importante do que estou vivendo agora, de deixar apenas acontecer, não se oprimir com falas maldosas e viver o que você quer viver, não o que os outros impõem. A vida é sua, então as regras também devem pertencer à você.
VOGUE: Em relação à moda, você continua sendo um grande nome quando falamos de estilo ousado e identidade visual marcante. Quais referências moldaram o visual dessa nova era e como você define a estética da Coline hoje?
COLINE: Obrigada! A moda é uma parte muito importante da minha vida e do meu lado artístico. É uma das mais lindas e importantes formas de se expressar, principalmente em tempos difíceis. Agora, me construo principalmente por sentimentos, então não costumo seguir tendências. Gosto de me inspirar em elementos religiosos, no catolicismo, que possui uma riqueza cultural e uma estética bem marcantes – e principalmente também na arquitetura gótica, piano, pinturas clássicas, figuras talentosas mas decadentes, como Van Gogh, na delicadeza e, ao mesmo tempo, na destruição, até mesmo cores, como vermelho, preto, vinho... Tudo isso, e mais um pouco que não foi mencionado aqui, define a estética Coline; algo melancólico, intenso, dramático, sentimental, forte. Enfim, são elementos que adoro e fazem parte da minha arte.

VOGUE: Você já mencionou em outras ocasiões que essa nova era também envolve amadurecimento, desafios e uma nova forma de se posicionar. Quais foram os maiores desafios dessa fase, especialmente dentro da indústria e da sua relação com gravadora?
COLINE: Acredito que o maior desafio dessa fase foi aprender a me posicionar sem me perder. Amo minha gravadora, tenho uma relação muito saudável por lá, porque existe diálogo e muitas risadas. Meu papel como administradora é ser sempre compreensiva e dar o meu melhor a todos. Nunca fui uma pessoa de escândalos ou polêmicas, então sempre tento resolver desentendimentos de forma direta e madura, antes que se transformem em mágoas ou desgastes desnecessários. Gosto muito da ideia de que o perdão é algo libertador. Claro que ainda existem figuras na indústria que tentam criar alguma rivalidade ou tentam provocar algum tipo de reação para conseguir minha atenção. Mas, sinceramente? Eu não me importo, porque isso não me afeta em nada. Acho que amadureci o suficiente para entender que nem toda negatividade – e nem qualquer um – merece espaço dentro da minha vida, ainda mais quando certas atitudes acabam revelando muita infantilidade. Ao mesmo tempo, também existem muitas pessoas maravilhosas que gostam de mim, e sou grata por cada comentário e apoio. Tento sempre retribuir todo carinho.
VOGUE: Ao longo desse processo, amizades e conexões parecem ter ganhado um peso maior na sua trajetória. Quem esteve ao seu lado durante essa transformação e como essas relações influenciam sua arte?
COLINE: Muitas pessoas maravilhosas estiveram ao meu lado durante esse processo, especialmente minhas queridas irmãs de consideração, Lexie e Elle Blanc, que estão comigo desde o início e continuam até hoje, me ajudando, aconselhando e inspirando. Elas são meu alicerce. Também há amigos próximos, como Naomi, Alex Fleming, Heccy, Nick Diaz e Bronx, que são essenciais na minha vida, além de, claro, todos da minha gravadora, Sakura, Anne Ritchie, Maggie Morris, Vie e outros, amigos de fora e Aaron e Sofia Grady, que não estão mais aqui, mas sempre terão um lugar especial guardado no meu coração. Todos essas pessoas fazem parte da minha vida, e essas relações diárias contribuem para minha arte, seja diretamente ou indiretamente. A convivência social em si já é uma forma de arte.
VOGUE: Estamos chegando ao final. Gostaríamos de agradecer muito por estar aqui hoje. Gostaria de deixar alguma mensagem para seus fãs e para os leitores da VOGUE que acompanham essa nova fase com tanta paixão?
COLINE: Agradeço pelo convite! Foi uma grande honra. Sou fã número #1 da VOGUE e do trabalho que vocês fazem. Novamente, obrigada. Minha mensagem é: obrigada por estarem acompanhando essa nova etapa da minha vida e carreira. Estou empenhada, criativa e focada. Quero trazer muitas novidades para vocês, inclusive, as que estão sendo aguardadas há muito tempo. Continuem ouvindo “Velvet Lips”. Obrigada por acompanhar essa entrevista até aqui. Beijos, até logo!

Publicado em 19/05/2026 por VOGUE.