Entrevista Vogue Arabia May 2026 — Penelope by Hugo Comte

VOGUE: Olá, Penelope. Obrigado por ter tirar um tempo para bater um papo com a Vogue. Você é uma artista muito ocupada, se não está promovendo algo, está gravando um clipe, ensaiando ou no estúdio, uma mente e corpo que não para. E quanto mais uma artista cresce, mais difícil parece ser separar identidade pessoal de personagem público. Você sente que ainda consegue existir longe da imagem que criaram sobre você?

Penelope: Muito obrigada pelo convite, Vogue! Eu imagino que consigo sim separa a criação do criador, eu separo muito bem as coisas, nunca deixei de viver minha vida como ela sempre foi. Claro que tem limitações por conta de todo meu alcance, mas a gente sempre consegue dar um jeito.

VOGUE: Você ama ser uma diva pop, não é? Conte pra gente como é a rotina de uma e porque as pessoas tem tanto fascínio por isso, porque essa vida é tão desejada e pessoas vendem até a alma pra vivencia-las?

Penelope: Acho que ser diva é muito interessante, a gente vira um espelho, imagino que muitos querem atingir tal patamar justamente para não precisar ser refletido por isso e sim começar a refletir. É um preço caro.

VOGUE: Para ser uma artista pop bem sucedida não basta apenas ter um rosto bonito e um corpo sarado, é preciso ter charme (ou seria charmy) e carisma e trabalhar muito. Em um mundo onde cada vez mais o imediatismo está em alta e todo mundo querendo tudo pra ontem, como é ainda depois de tanto tempo se manter relevante nesse meio?

Penelope: Acho que a autenticidade é a melhor forma de nadar contra a maré, fazer com verdade é sempre a melhor escolha. Acredite nos seus corações, o topo ilude mas ele é pífio, 1 semana depois você pode cair e muito, outro estará naquele momento e virará apenas lembranças, mas uma boa música perpetua para sempre.

VOGUE: Uma vez ouvi de um jornalista britânico a seguinte frase: "O Pop é cruel, uma vez que ele te domina, você não faz mais parte do jogo.". Você como um dos maiores nomes do meio, o que diria e como reage a essa citação? Gostaria que discorresse sobre isso.

Penelope: Acho o pop cruel porque ele é competitivo, todo mundo te adora até você se tornar uma real ameaça, no fim, ninguém quer dividir o topo, querem brilhar sozinhos. Eu sempre dividi, sempre regozijei por todos que constroem essa escada do pop. Passamos tempos sombrios para a musica pop e ela voltar a estar no holofote é fascinante.



VOGUE: "Life Is An Emergency" é um trabalho grandioso e ambicioso, após um tempo onde você não focou tanto em charts, você conseguiu um hit em charts com os trabalhos dessa era. O que te fez voltar a ter sangue nos olhos por números grandiosos?

Penelope: Acho que o sangue nos olhos não foi pelos números, eles foram consequência de tudo que construí. Eu sou uma pessoa das pistas de dança, eu vivo isso constantemente, minhas musicas refletem isso e essa é a minha verdade, as pessoas se identificaram e vieram comigo dançar, mesmo com os problemas. A premissa de a vida ser uma emergência é um mal comum, todos nós estamos sufocados pelos nossos trabalhos e vícios, querendo apenas espairecer.

VOGUE: O Pop te ama e você ama o Pop, mesmo tendo trabalhado em outros gêneros, você sempre acaba voltando pra ele, afinal, é um casamento perfeito. Como é sua relação com o gênero que é tão competitivo e ao mesmo tempo subestimado?

Penelope: Eu amo a musica pop porque eu nasci disso, eu sinto que é mais forte que eu, a competição não me da medo, é um gás, é como se competir fizesse ter um pouco de animo, sentir aquele frio na barriga e o famigerado "será?" me anima.

VOGUE: A indústria costuma confundir relevância com visibilidade. Na sua visão, o que realmente define um artista relevante hoje?

Penelope: Se manter relevante é causado pelo tempo, você cria isso pelas suas ações, naturalmente você se torna relevante. Estar em notoriedade nem sempre é estar relevante, você pode estar no topo dos charts e mesmo assim seu trabalho não ser consumido, enquanto alguém verdadeiramente relevante vai flopar amargamente e seu trabalho ainda sim estará sendo bem consumido e comentado.

VOGUE: O mundo te acompanhou desabrochar e crescer, viu seus altos e baixos e hoje podemos dizer com clareza que é uma sobrevivente. Existe alguma versão sua, artística ou pessoal, que você sente que precisou sacrificar para sustentar a carreira que construiu?

Penelope: Acho que a versão mais inocente de mim teve que deixar de existir para que a essa carreira que vocês veem hoje continue em evidencia, eu me doava muito as pessoas e não recebia de volta, então você começa a pagar na mesma moeda e bom... essas pessoas somem!



VOGUE: Existe alguma diferença entre ser amada pelo público e ser realmente compreendida por ele?

Penelope: Imagino que sim e não, o publico muitas das vezes te ama por uma imagem que eles criaram de você e talvez não compreendam seu trabalho e seu motivo pois ele não supriu o que eles criaram em suas próprias cabeças.

VOGUE: Pra uma diva pop estilosa, quem são seus melhores amigos numa escala do maior pro menor: Lace, Maquiagem, Bolsas, Sapatos, Looks extravagantes.

Penelope: Acho que toda diva pop ter um bom look é essencial, estar sempre bem apresentada e claro, ter estética é essencial. Seja você mesma e não uma copycat de outra.

VOGUE: Falando um pouco sobre moda. Dá trabalho ser uma it girl? Quais são os itens que você mais gosta de seu closet?

Penelope: Da um pouco de trabalho, eu sou muito vaidosa, eu não ando sem meu gloss na bolsa e um bom rímel. No meu closet não pode faltar saias, botas e babytees, acho que mesmo das mais básicas, elas servem um bom look. Sou apaixonada.

VOGUE: Ainda no quesito moda, quem são suas maiores inspirações no mundo da moda? E quem você mais gosta de acompanhar?

Penelope: Bom, confesso que nesse quesito não sou muito apegada, tenho acompanhado bastante Alex Cosani, essa vadia é insana. Mas o mundo da moda não consigo acompanhar ativamente, é muito difícil conciliar.


Publicado em 30/05/2026 por VOGUE.

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