Entrevista Vogue Czechoslovakia June 2026 — Aria by Carlijn Jacobs

VOGUE: Olá, Aria! Seja muito bem-vinda à VOGUE. Como você está? E como tem sido este momento tão importante da sua carreira?

ARIA: Olá! Muito obrigada pelo convite! Olha, esses últimos meses tem sido uma loucura, e ainda estou me acostumando com esse novo estilo de vida. É uma loucura e absurdamente cansativo, mas acho que nunca estive tão feliz e preenchida com o meu trabalho como estou agora.

VOGUE: O seu primeiro projeto, "Taxidermy", atraiu para você a atenção do público, da crítica e agora das principais premiações da indústria. Como você se sente ao ver um trabalho de estreia alcançar um reconhecimento tão expressivo?

ARIA: Acho que é um misto entre a intimidação e o alívio. Quando eu estava no estúdio produzindo, esse projeto essa era só meu. Para mim, tudo aquilo que eu estava escrevendo era muito privado, e antes de lançar eu já tinha colocado na minha cabeça que seria um projeto de nicho. Quando lancei o EP, me senti vulnerável e muito ansiosa para saber o que se as pessoas iriam gostar ou se que se interessar. Então, ver o alcance que o TAXIDERMY teve foi bem assustador, já que tinha ultrapassado completamente as minhas expectativas, mas também um alívio, pois eu sabia que o meu trabalho estava sendo bem reconhecido.

VOGUE: Seu mais recente lançamento, "NATURE MORTE", chamou a atenção dos críticos pela composição ácida e do público pela forma como mistura referências da arte renascentista com a moda contemporânea. Como a canção surgiu e quais foram suas principais inspirações?

ARIA: Essa música nasceu, claramente, de uma vontade minha de fazer uma leitura sobre a superficialidade da fama, mas de forma mais debochada. Eu quis misturar a extravagância dos eventos de alto padrão da indústria com uma sonoridade mais eletrônica e dançante. A inspiração crucial para essa música foram as pinturas "Still life" do século XVII, que retratam objetos inanimados dispostos em uma certa composição, como uma forma de representar a personalidade que criei para a narrativa do TAXIDERMY como apenas um objeto pronto para ser consumido diante das pressões do mundo. Além disso, usei trechos em francês na música para dar exatamente esse tom de elitismo e frieza que a faixa pedia.



VOGUE: A imagem é uma extensão essencial do seu trabalho. Como você pensou o visual desta era e de que forma ele dialoga com as ideias presentes nas composições e produções, tanto de "Taxidermy" quanto dos singles posteriores?

ARIA: Para mim, o visual precisa contar a mesma história que a música, ou ampliar essa história, só que sem som. Quando fomos criar a capa do EP, eu queria passar essa sensação de isolamento e exposição que é discutida durante as faixas. Então ela é constituída por mim na frente, parada no meio de um campo e logo atrás tem um outdoor gigantesco que apenas repete a minha imagem, várias e várias vezes, em poses mecânicas. Essa é a grande metáfora do "TAXIDERMY", sobre a sensação de se tornar um produto enquanto a sua versão "real" fica assistindo de fora. Já para os visuais que vieram depois, como "NATURE MORTE", eu busquei referências mais clássicas. O visual da música foi muito inspirado no quadro "La mort de Marat", do Jacques-Louis David, dando um novo significado e representando o poder do luxo e a frieza do showbusiness.

VOGUE: Escrever um dos projetos mais elogiados e premiados do ano não é algo comum, especialmente para uma artista em início de carreira. Como foi o processo de composição e produção de "Taxidermy"?

ARIA: No início, foi uma bagunça, sendo bem honesta. A primeira música que eu realmente fechei foi "SKIN", que acabou sendo o lead single. Acho que foi só depois de escrever essa música que eu consegui compreender o que eu queria entregar e montar um "plano" do EP. Eu entrava no estúdio e passava horas testando palavras e vomitando sentimentos no papel, alternando entre experiências próprias e outras inventadas. Durante esse processo, eu fui descartando muita coisa para conseguir filtrar somente o que deixava a narrativa coesa. Mas a maior parte do tempo era eu sozinha tentando achar os termos perfeitos para conseguir transmitir os sentimentos de cada faixa. Foi um processo de muita tentativa e erro, mas me recusei a soltar o projeto até ele soar exatamente como eu gostaria.

VOGUE: Muitas das discussões em torno do seu trabalho destacam a sua atenção aos detalhes, tanto sonoros quanto visuais. Você sente que sua visão de moda influencia a maneira como compõe e desenvolve seus projetos?

ARIA: Muito, e eu acho que "NATURE MORTE" é a maior prova disso. Eu não teria conseguido escrever essa música se não tivesse uma pilha de referências muito claras na minha cabeça. Durante toda a criação desse EP, eu tinha como referência os arquivos de moda dos anos 90, especialmente os desfiles do Alexander McQueen e do Thierry Mugler, que até cito na letra de "NATURE MORTE". Então, para mim, a moda desenha a agressividade das minhas músicas e as duas coisas sempre irão andar de mãos dadas.



VOGUE: A divulgação de "Taxidermy" também se destacou pela ambição visual, incluindo um curta-metragem que expandiu a narrativa do projeto. Como foi transformar as ideias do álbum em uma experiência audiovisual?

ARIA: Acredito que tenha sido a coisa mais exaustiva que fiz durante toda essa era. Eu não queria apenas lançar vários clipes soltos e uni-los sem sentido nenhum no FTube. O curta precisava conseguir transparecer e ampliar a narrativa original que criei para o EP. A produção visual e o processo de edição foi um processo muito intenso e que custou muito tempo. Mas era algo que, em certo ponto, eu sentia que precisava fazer antes de seguir com meu novo projeto. Sentar lá em Cannes e ver o resultado final passando na tela fez todo o esforço valer a pena.

VOGUE: Além do reconhecimento da crítica, o projeto também passou a figurar em diversas discussões sobre premiações. Como você lida com essas expectativas e com a pressão que pode surgir após um debut tão bem recebido?

ARIA: Eu estaria mentindo se dissesse que não estive sob certa pressão durante esses últimos meses. De repente, a internet inteira tem uma opinião e uma expectativa sobre qual deveria ser o meu próximo passo e com quem eu devo trabalhar. Logo que o EP foi lançado e recebeu aquela onda de críticas positivas, eu fiquei meio paralisada. Originalmente, o planejamento era que a era fosse ser bem rápida e teria "SKIN" como o único single, mas as proporções mudaram absurdamente. Então, me bateram diversas dúvidas: "Qual é o próximo projeto? Qual é o próximo single? O que devo fazer?". Mas aí eu me lembrei que o EP só deu certo justamente porque eu não estava tentando agradar ninguém além de mim mesma quando o produzi. Obviamente, eu busco escutar conselhos e celebro muito as minhas vitórias, mas na hora de criar, eu tenho que esquecer as expectativas de fora, senão eu simplesmente não consigo trabalhar.



VOGUE: Sendo uma artista que estreou recentemente e já alcançou um espaço de destaque, existe algo que você aprendeu neste primeiro ano de carreira que pretende levar para os seus próximos trabalhos?

ARIA: Acredito que a grande lição dessa era para mim foi aprender a confiar no meu próprio instinto. No começo de tudo, eu me sentia muito pequena em relação às outras pessoas dessa indústria, que já estão aí há anos. Me dava aquela sensação de que eles sabiam bem mais sobre arte do que eu sabia, o que acaba te podando de certa forma. Mas o que eu fui percebendo na prática é que não há uma definição certa de como fazer arte, e é exatamente isso que torna essa comunidade tão especial. Bater o pé nas minhas próprias ideias me deu uma casca muito mais grossa.

VOGUE: Em relação ao seu primeiro lançamento na indústria e à forma como você se posiciona artisticamente hoje, o que podemos esperar dos seus próximos passos?

ARIA: Por mais que eu tenha mesclado experiências reais e fictícias, o "TAXIDERMY" foi um olhar muito para dentro, como uma lupa nas minhas próprias inseguranças. Sinto que agora eu estou olhando mais para fora. As músicas que eu tenho escrito ultimamente lidam com coisas mais relacionais... sobre a forma como a gente enxerga as outras pessoas, a forma que idealizamos certas realidades em nossas cabeças e o impacto que isso tem. Musicalmente, está soando mais expansivo. Estou me permitindo experimentar coisas que não cabiam no primeiro projeto. Acredito que esse novo projeto tem sido um desafio bem maior do que o "TAXIDERMY", não pela sua duração, mas pela complexidade dos temas que venho escrevendo.

VOGUE: Aria, encerramos aqui nossa conversa. Foi um prazer imenso falar com você. Gostaria de deixar uma mensagem para o público que se interessou pelo seu trabalho?

ARIA: O prazer foi todo meu! Eu só quero dizer um "muito obrigada" gigantesco a todos que me apoiaram e que continuam me dando todo o suporte quando necessário. O fato de tantas pessoas terem parado um certo momento de suas vidas para buscar conhecer um projeto do início ao fim é o maior privilégio que eu poderia ter. Eu mal posso esperar para mostrar o que estou fazendo agora. Mais uma vez, muito obrigada pelo espaço, VOGUE!




Publicado em 26/06/2026 por VOGUE.

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