Entrevista Vogue España Junio 2026 — Vie por Tim Barber

VOGUE: Olá, VIE! Seja muito bem-vindo à VOGUE. Como você está e como tem sido esse atual momento da sua vida?

VIE: Boa noite, Vogue! Estou me sentindo feliz, felicita, alegre, contente e radiante, tudo aconteceu de forma bem repentina depois do lançamento de “AUGURIO”, e agora com o meu álbum estou numa leva de conquistas que qualifico como inimagináveis para mim em tão pouco tempo.

VOGUE: Seu single de estreia, Obscuridad, marcou o início da sua carreira na indústria musical e chamou atenção pela sua atmosfera intensa e identidade única. Como nasceu essa música e qual foi a importância dela para apresentar esse novo capítulo da sua carreira?

VIE: Oscuridad foi a primeira música que compus já pensando num álbum, não tinha nenhum conceito muito formado ainda, mas saberia que a “largada” do projeto sairia dali. A canção nasceu de uma conversa com uma pessoa próxima a mim que desenvolveu esquizofrenia pós evento traumático, não sabia muito do passado e também nunca havia perguntado, mas no dia a pessoa virou pra mim e resolveu me contar detalhadamente sobre esse período de sua vida, nesse dia especificamente, contou sobre seus últimos momentos em sua residência, e como renegou tudo o que acreditava por não entender o porquê de tudo aquilo ter acontecido.



VOGUE: Pouco tempo depois, você lançou Augurio, que rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados entre os fãs. O que inspirou essa faixa e de que forma ela expandiu a narrativa que você começou a construir com Obscuridad?

VIE: Quando compus essa canção foi que o álbum começou realmente a tomar forma, fechando o conceito e a narrativa que conhecemos hoje. “AUGURIO” funciona como o contraponto de “Oscuridad”, tanto sonoramente quanto visualmente e liricamente. Enquanto o primeiro single é extravasante, obscuro, desesperançoso e lamuriento, o segundo traz linearidade, frieza e letargia. Essa, como todas as outras faixas do álbum, foi inspirada num acontecimento vivenciado por uma pessoa próxima que, após o seu casamento, enquanto estava escolhendo o enxoval para sua nova casa, escolhendo e decorando o imóvel, via seu parceiro genuinamente feliz, como se fossem os melhores momentos da vida dele. Ela, por outro lado, não conseguia compartilhar do mesmo sentimento, por mais que tentasse, sempre sentia que tudo estava prestes a desmoronar. Para não estragar a felicidade do marido e nem ser taxada como maluca, acabou deixando o sentimento recluso, vivenciando-o sozinha, sendo corroida por dentro enquanto por fora demonstrava uma serenidade quase que apática.

VOGUE: O sucesso de Augurio ganhou um novo capítulo com o remix ao lado de Maggie Morris. Como surgiu essa colaboração e o que a presença dela trouxe de diferente para a música?

VIE: O remix (como tudo na minha vida) surgiu bem do nada. A Maggie foi uma das primeiras pessoas de quem me aproximei quando entrei na Wild, ela me recebeu muito bem e me fez sentir pertencente. Além disso, ela combina muito, estética e sonoramente, com a música, então acabei fazendo o convite, que foi aceito de muito bom grado! Com a adição da Maggie, a canção ganha o capítulo extra de “La Mamada”, alter ego dela no remix. Quando a personagem foi apresentada, o público ficou extremamente eufórico. “La Mamada” é extremamente cativante e contracena muito bem com as personagens da versão “standart”, enquanto as outras três estão sofrendo por antecipação, pelo medo de tudo acabar, a persona da Maggie já está no estágio final, quando tudo já ruiu.



VOGUE: Outra parceria que despertou grande interesse do público foi Amianto, ao lado de Anneliese. Como foi trabalhar com ela e quais elementos vocês buscaram explorar juntos nessa canção?

VIE: Trabalhar com Anneliese é sempre maravilhoso, estar junto dela é sempre um aprendizado e muito inspirador. Sempre que estamos juntas, surge do nada uma idéia mirabolante para algo. Enquanto fazíamos o álbum, estávamos, paralelamente, pensando sobre o próximo single de meu segundo álbum que não temos nem previsão de quando será lançado, e isso é maravilhoso. Em “Amianto” possui o dedo de ambas do início ao fim da canção, desde a lírica até a sonoridade e visuais foram criados totalmente em sintonia. Queríamos que a canção fosse o contraponto do single anterior. “Amianto” é uma canção explosiva como uma tosse que tenta, a todo custo, expectorar algo do fundo do pulmão, um pedido de ajuda desesperado de alguém que está soterrado por um prédio de 30 andares e percebe que não possui mais previsão de ser salvo, uma musica explosiva de alguém que acorda tardiamente sobre a toxicidade de seu relacionamento, resultando na sedimentação do sentimento no fundo do peito, assim como o mineral que intitula a canção.

VOGUE: Em relação à moda, você vem sendo um grande destaque emergente quando falamos de estilo ousado e identidade visual marcante. Quais referências moldaram o visual dessa nova era e como você define a estética da VIE hoje?

VIE: Nessa era sempre costumei me vestir muito de acordo com a proposta de cada canção, os singles possuem estética muito distintas entre si, inclusive distintas do álbum, quase que contando histórias individualmente quando lançados como single, para depois unirem-se no lançamento projeto, interligando cada história e cada visual ao outro. Tanto nos visuais quanto no meu modo de me vestir sempre usei como referência o pintor britânico Louis Wain. Nesse momento definiria minha estética como CLARA e esperançosa!



VOGUE: O lançamento de Ball de Diables foi recebido com grande entusiasmo pelos fãs. Como foi o processo de criação do álbum e quais conceitos estiveram no centro desse projeto?

VIE: Talvez me chamem de repetitiva, mas a criação do álbum também foi bem turbulenta, o projeto originalmente teria 15 faixas, com o titulo provisório “Corpus Christi”. A mudança no nome se deu depois de uma conversa com Anneliese, como falei anteriormente, “Corpus Christi” era pra ser algo provisório, no meio de uma conversa estava lembrando de umas festividades que temos na catalunha durante o feriado, e lembrei de “Ball de Diables”, que acontece justamente durante a procissão de “Corpus Christi”. “Ball de Diables” é uma encenação de uma luta entre anjos e demônios. Durante a festividade que celebra o corpo de Cristo vivo em espécie, os “diables” satirizam a celebração cristã, personalidades e políticos locais. No fim, acabam por vencer a batalha, colocando em questão a serventia da fé das pessoas e fazendo-as questionarem se acompanhar aquela procissão, ser temente a Deus e aos seus direcionamentos surte algum efeito em suas vidas. O corte de algumas músicas também entram para a conta de mudanças da Anneliese, quando ela ouviu as demos pela primeira vez, achou que 15 faixas era extenso demais, talvez eu estivesse contando a história muito detalhadamente, o que poderia soar meio maçante, então optamos por cortar. O álbum é um grande retalho de acontecimentos de pessoas próximas amarrados numa só história, que relatam o início e fim de um relacionamento, tudo relatado de meu ponto de vista, passando as emoções que senti e ao mesmo tempo tentando transmitir o sentimento de quem as vivenciou, a personagem que Vie interpreta também é baseada em pessoa real que vive com esquizofrenia.

VOGUE: Recentemente, você conquistou o prêmio de Song Of The Year no Critic's Choice Awards, um marco importante na sua trajetória. Como recebeu essa vitória e o que esse reconhecimento representa para você neste momento da carreira?

VIE: Quando anunciaram “Augúrio” como Soty quase caí dura, de verdade não esperava que venceria por ser relativamente nova na indústria, e por talvez acharem a música linear demais. Para mim, esse prêmio significa que consegui transmitir a veracidade e emoção que o projeto precisava, que consegui manter meus pés no chão na hora de compor, sem inventar e aumentar a situação para que parecessem “bombásticas” e irreais.

VOGUE: Estamos chegando ao final. Gostaríamos de agradecer muito por estar aqui hoje. Gostaria de deixar alguma mensagem para seus fãs e para os leitores da VOGUE que acompanham essa nova fase com tanta paixão?

VIE: OBRIGADAAAAAA❤️❤️❤️❤️❤️ por essa entrevista tão gostosa, gostaria de agradecer infinitamente as pessoas que me acompanham, obrigada por embarcarem nessa comigo e por quererem saber mais sobre o projeto, e não só da Vie “nonsense”. E VAMOS DE CLAREAR




Publicado em 30/06/2026 por VOGUE.

Comentários

Hailey Hill
BABADOOO!