
I-D Staff • Hoje vamos receber ela que tem vários trabalhos aclamados, charts e tem agora um álbum em mãos. Boulevards é oficialmente o novo lançamento de Stelar, recebam a cantora com carinho!
Stelar • É um prazer estar aqui com vocês, muito obrigada por estarem me recebendo!
I-D Staff • Você já construiu uma carreira marcada por diferentes fases e projetos, desde "deep confessions" até "Boulevards". Quando olha para a artista que era no início e para quem você é hoje, qual acredita ser a maior mudança?
Stelar • Boa parte do que eu já fui eu ainda carrego comigo, como uma boa ética, priorizar minhas próprias vontades com a minha arte e sempre ser fiel a mim mesma... Acho que o que mais mudou em mim foi minha autoconfiança em relação ao que faço, agora eu confio mais na minha intuição e até então vem parecendo dar certo, sabe? Obviamente minhas habilidades em composições e criação de visuais/conceitos melhorou drasticamente também mas acredito que isso seja o mais óbvio.
I-D Staff • Todo álbum costuma representar um momento específico da vida de um artista. Em qual capítulo da sua história o "Boulevards" se encaixa e o que você espera que o público leve dele?
Stelar • Quando eu comecei a escrever esse álbum eu estava pensando muito em longevidade e também na minha aposentadoria, então coloquei muito desses pensamentos pelo álbum, eu retornei muito ao meu passado como uma jovem sonhadora e o momento em que eu estava, acho que de certa forma esse é o meu projeto mais diferente até agora. Eu tenho muito tempo nessa indústria, então eu estava simplesmente esgotada de tudo e eu me percebia em um momento de encerramento de ciclos, então eu meio que trouxe ao álbum esse sentimento sucintamente, então ele fala muito sobre esse desejo de querer algo que ao mesmo tempo você não quer, e ele trás uma esperança cínica e meio trágica, sobre o público, eu sinceramente não espero nada (?), claro que quero que todos aproveitem muito esse álbum mas também não ligo se ninguém gostar ou entender, eu amei o resultado final e isso é o que importa para mim.
I-D Staff • Falando dos bastidores, existe alguma música do álbum que deu muito mais trabalho para nascer do que as pessoas imaginam? O que aconteceu durante esse processo?
Stelar • Por incrível que pareça todas as canções foram extremamente fáceis de fazer, o processo de composição do álbum foi muito fluído e muito rápido, acredito que isso se deu por conta de todas as canções partirem de um mesmo lugar com pontos de vista diferentes, então foi o processo foi mais rápido do que normalmente é comigo, eu sabia sobre o que eu queria falar com cada música desse álbum, então eu fui mais objetiva e dei o meu melhor.

I-D Staff • Existe algum detalhe escondido no álbum? Seja na produção, nas letras, na estética ou na ordem das faixas, que você acredita que poucos fãs perceberam até agora? Nós iremos aceitar qualquer spoiler!
Stelar • Se não me engano todas as faixas tem um pequeno easter egg sobre outras faixas do álbum, seja um título ou um verso que conversa com outro verso de outra música *risos*, o nome do álbum também sempre aparece pelas canções, e claro todas as músicas são meio que ambientadas em Los Angeles sem sombra de dúvidas, eu também quis deixar no visual uma estética que se encaixasse inteiramente, apesar de cada página de letra ter sua própria identidade, eu quis trazer elementos de outras incorporado discretamente.
I-D Staff • A indústria musical muda muito rápido, principalmente com a velocidade das redes sociais e das tendências. Quais tendências você anda seguindo atualmente e quem são os artistas que você mais admira?
Stelar • Eu não gosto de seguir tendências e sinceramente odeio tendências, acho que isso tira a autenticidade da arte e deixa tudo extremamente padronizado e superficial, e eu não acredito em arte assim. Eu admiro primeiramente todo artista que se arrisca e coloca a cara para jogo, que não tem medo de ir para cima em qualquer aspecto, mas dando nomes, adoro o Kaleb Woodbane, Alec Weaver, BRUCE, Moe, Tammy, Rubia, Marco, Danny Wolf, Alex Fleming, Amelie, eu também venho seguindo os passos dos novatos: Aria, Naksu, Elejota, Romanov, Amélia Sweetly, e muitos outros.
I-D Staff • Vamos falar de backstage: como costuma ser um dia de gravação ou de preparação para um show importante? Quem ou o que você procura quando está nervosa ou ansiosa para um grande projeto/show?
Stelar • Apesar de toda a adrenalina e a pressão, costuma ser um dia tranquilo e mais controlado, eu gosto de controlar tudo em minha volta para não acontecer nenhum erro, e também sempre fico aberta a sugestões e ajuda, por isso sempre estou em contato com meus amigos, eu amo compartilhar esses momentos com eles, então sempre estou pedindo opiniões e sugestões para eles e sempre consigo me acalmar sabendo que meus amigos conseguem enxergar minhas idéias antes de muita gente.

I-D Staff • Quem esteve por trás de todo o mecanismo do seu último single "Chasing Billboards" e como ele acrescenta no seu álbum?
Stelar • Todos os meus lançamentos eu cuido sozinha, gosto de ter esse controle sobre minhas coisas porque eu sou muito chata em relação aos meus lançamentos, então geralmente eu planejo tudo e faço tudo só. Chasing Billboards é uma das principais peças do álbum, ela diz muito sobre uma ambição visceral e a frustração de não conseguir chegar nos próprios objetivos, e isso conversa diretamente com a proposta do álbum, é meu single favorito do Boulevards.
I-D Staff • Para encerrarmos, sem entregar muitos spoilers: o que os fãs podem esperar dos seus próximos passos? Há alguma direção sonora ou visual que você tem vontade de explorar nos próximos projetos?
Stelar • Ainda estou pensando em meus próximos passos, o que posso dizer é que até o final do ano 17 eu vou lançar coisas inéditas, o Boulevards é um álbum que veio do nada no meio da produção de outro álbum, então eu definitivamente tenho coisas que deixei de lado para poder fazer esse álbum, eu também venho pensado muito em fazer uma turnê mundial, faz muito tempo desde que fiz minha última e sinto falta dos meus fãs em momentos mais íntimos no palco, mas só o futuro dirá isso! Em relação a gêneros musicais, eu me vejo indo em um Rock mais agressivo para meu próximo projeto, quero que seja algo mais sujo e industrial... Enfim, acho que já falei demais!