PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES - Alec Weaver

The Boston Globe
Em um álbum que demonstra uma visível evolução lírica enquanto busca demonstrar o porquê de seu autor ser um dos maiores nomes da história da música por meio de esforços positivamente reconhecidos em seu trabalho artístico, “PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES” oferece uma jornada sobre a efemeridade, passando pelo bom proveito de suas vantagens até o sentimento de suas desvantagens e encerrando com ótimas reflexões sobre o tema entre suas narrativas. Essa noção já é entregue ao ouvinte em faixas como “Age of Apathy”, a primeira da tracklist, onde o conflito entre sentir demais ou não sentir nada por ninguém se faz presente na mente do protagonista a ponto de que seus questionamentos soam mais como gritos abafados; é uma ótima introdução para o CD no modo como já mergulha no viés psicológico enquanto soa realmente como uma abertura. “Fluorescent Spirit” aborda a efemeridade por um ponto de vista romântico, onde discute as nuances de um relacionamento que terminou porque todas as possibilidades a serem vividas foram esgotadas; Alec demonstra ótimas capacidades líricas ao descrever não só os sentimentos como também os cenários onde ele foi percebendo a perda do romance dentro da relação. “Something to Blame” adquire uma postura mais defensiva no modo “a melhor defesa é o ataque”: Alec compara as palavras afiadas de seus detratores a mordidas de um cão que não doem mais do que sua própria atitude de revidar ao mal que lhe foi causado. “Cheetah Tongue”, por sua vez, soa exatamente como a descrição de seu processo revela: uma junção de várias versões do mesmo Alec Weaver, algo referenciado até mesmo na expressão “it’s so hard to see Alec Weaver ever changing” dentro do conteúdo lírico e que captura bem a essência da autorreferência e da mitologia em volta do artista. “Send My Heart to Celia” é um dos pontos mais vulneráveis do álbum, e demonstra um cuidado em falar de relações efêmeras dentro do sexo enquanto mantém a esperança de que o amor ainda pode prevalecer mesmo enquanto se vive uma rotina de relacionamentos mais casuais do que comprometidos. “VHS Pornographie” possui um título que poderia muito bem soar como clickbait, dada a quebra de expectativa trazida nas letras que comparam a midiatização da tristeza e da vulnerabilidade ao ator de consumir pornografia; é uma das metáforas mais criativas do artista e que poderia render um ótimo futuro single. “Primal Feelings” traz a primeira das colaborações do álbum; ao lado de Jade X, Alec mistifica o ato carnal como algo muito mais profundo do que apenas o encontro entre dois corpos em uma cama, empregando elementos da natureza para trazer a sensação de que nada é primitivo, apenas os sentimentos. “Woodstock Phenomena”, lançado como lead single da era, acaba por ter sido a melhor escolha para tal, visto o quanto revisita sentimentos não só já descritos nas faixas anteriores como também assume uma postura de orgulho próprio quanto aos atos cometidos, em um corajoso posicionamento do artista. Já “3 Billboards”, colaboração com BRUCE e Aster Major, convida o ouvinte para uma experiência sexual a três naquela que soa como a celebração mais hedonística dentro do álbum, sendo uma ótima adição à tracklist e demonstrando ótima sintonia entre os artistas envolvidos. “Wrong Side of the Sun” retoma a vulnerabilidade romântica do começo do disco e traz a efemeridade por um viés mais melancólico, em versos onde Alec lamenta que as duas pessoas de um relacionamento tiveram que viver o fim do sentimento para perceberem que, talvez, ele não deveria ter começado. “The Lighthouse” traz uma veia lírica diferente de todas as faixas do álbum; é mais crua, infinitamente mais sensível e claramente mais mística, confiando-se numa narrativa intimista de um homem perdido em si mesmo e que se encontra em um garoto que também já foi perdido um dia. Apesar da discrepância entre os tons, ainda é uma faixa que acrescenta detalhes sensíveis ao projeto num geral. “Self Portrait at the Louvre” oferece um vislumbre final de um relacionamento que falhou, mas que deixou seu impacto positivo devido aos bons momentos; Alec imprime em seus versos a ideia de que, embora não tenha sido a história ideal, certamente foi um para ser lembrada, e ele questiona ao seu antigo amor se ele também lembrará de tudo com o mesmo apreço. Na última canção do álbum, “Timekeeper”, Alec Weaver parece redirecionar toda a jornada vivida nas faixas anteriores “de volta” para onde tudo começou: internamente. Em uma linda composição endereçada a seu pai, Alec entende o sentimento agridoce de nunca saber o que seu progenitor realmente pensava de seu filho antes de falecer e abraça para si mesmo todas as possibilidades e dúvidas que nunca serão respondidas, em um encerramento que não tenta ser aberto a interpretações, mas que inevitavelmente passa por esse ponto. A produção visual da versão física é primorosa, talvez a melhor entre os álbuns do artista até o momento, totalmente imersa em suas ideias setentistas e que evocam um pouco de pop art, psicodelia e intimismo que as faixas em si já possuem, provando que a frase “it’s hard to see Alec Weaver ever changing” não é totalmente uma miragem, mas que é muito mais fácil ver a evolução do cantor do que difícil, considerando o resultado trazido.

Rolling Stone
“PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES” é o terceiro disco do cantor Alec Weaver. Lançado no dia 24 de Outubro de 2024 (Ano 13), o projeto contém 13 faixas em sua totalidade. O disco se inicia em “Age of Apathy”, faixa que funciona muito bem na transição de outros projetos seus para o atual, e também para iniciar mesmo a narrativa. O ponto alto da faixa com certeza é o seu refrão, que consegue encapsular toda a canção. “Fluorescent Spirit” continua a narrativa trazendo uma faixa emocionalmente carregada. A composição é bem conduzida e relembra faixas de Rock dos Anos 80, um ponto muito positivo. “Something to Blame” traz uma canção feroz que endereça respostas a más línguas que falavam mentiras de Weaver. A composição mais uma vez é positiva, com pontos únicos. “Cheetah Tongue” emula com maestria o desejo sexual com o desejo de ser alguém diferente dos outros. A composição é ambiciosa e bem construída, sendo uma canção de Rock muito clássica. “Send My Heart to Celia” agora muda o caminho do projeto e traz uma balada reflexiva. É um ponto alto no disco, pois ajuda a desacelerar o curso do projeto. “VHS Pornographie” traz outra canção mais reflexiva e séria ao projeto. A composição entrega os sentimentos mais crus de Weaver até o momento, e diga-se de passagem, isso agrega bastante ao corpo do projeto. “Primal Feelings” em parceria com Jade X, traz a então considerada faixa-título do projeto. Os artistas basicamente conversam entre si de forma natural na canção, com um tom melódico efervescente. É uma clássica canção de amor. “Woodstock Phenomena”, já conhecida, brilha no projeto. Por mais que pareça que ela demorou muito para aparecer no projeto, quando ela aparece tudo se encaixa muito bem. É com certeza um clássico do Rock. “3 Billboards” em parceria com Aster Major e BRUCE, traz uma canção bem picante, funcionando bem após Woodstock. Por mais que não sejam encontrados versos apenas de Aster, a canção é bem construída. “Wrong Side of the Sun” continua o projeto trazendo uma faixa reflexiva e ao mesmo tempo evocativa. É única e funciona muito bem nesse momento em específico do disco. “The Lighthouse” traz outro momento de vulnerabilidade ao disco. É uma canção emotiva e bem sincera, e agrega muito ao disco. “Self Portrait at the Louvre” traz uma confissão forte de Alec. A composição, mais uma vez, é intensa. É uma canção com certeza memorável. “Timekeeper” finaliza o disco com uma balada emocionante, que homenageia o pai de Weaver de uma forma única. É o maior destaque do projeto, junto a Self Portrait, e pode ser um destaque nas categorias de faixa do ano. É uma composição transparente e de partir o coração. O visual, produzido pelo próprio, é muito bem feito e relembra algo bem oitentista. É um visual que se destaca por seguir outro caminho em relação ao que é visto atualmente. Em síntese, “PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES” é um disco que parece combinar o que Alec fez de melhor nos seus projetos desde o debut junto a um novo corpo, sendo um grande concorrente para o AOTY.

Variety
Alec Weaver surpreende com o lançamento de seu mais recente trabalho, “PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES”, um trabalho que se inspira nas sonoridades dos anos 70 e 80, abordando tópicos como liberdade sexual, vivências pessoais e ponderações profundas sobre sua jornada. O álbum, composto por treze faixas, oferece uma viagem musical que mescla momentos de forte emoção e sonoridade audaciosa, além de oferecer uma perspectiva sincera e vulnerável do artista. A primeira faixa do disco, \"Age of Apathy\", reflete sobre o passado e o presente de Alec, definindo um marco para o progresso do artista e seu futuro. Após, faixas como \"Cheetah Tongue\", com sua sensualidade e provocação, e \"Something to Blame\", mais audaciosa e ácida, sobressaem ao explorar com vigor e complexidade a faceta mais visceral e reveladora de Weaver. \"Woodstock Phenomena\" é uma dura crítica à indústria da música, tratando de vícios e padrões. Por outro lado, \"Timekeeper\", a canção mais tocante do álbum, retrata a ligação de Alec com seu pai de forma nítida e tocante. Outras canções, como \"3 Billboards\", discutem a liberdade sexual de forma provocante, com uma interação positiva entre os artistas convidados. Por outro lado, \"Wrong Side of the Sun\" possui uma composição robusta, porém sem grande impacto, tornando-a um pouco mais previsível. Contudo, algumas faixas não conseguem preservar o mesmo grau de unidade e vigor. \"Primal Feelings\", apesar de sua energia, não consegue estabelecer a mesma atmosfera cativante das faixas anteriores, ofuscando a participação de Jade X. \"Fluorescent Spirit\", é uma música doce e cativante e que quebra um pouco na questão de sonoridade com as outras faixas, mas que foi muito bem colocada, como um grande alívio de toda a intensidade que o álbum carrega. \"VHS Pornographie\" apresenta um tema intrigante, abordando a autossabotagem de Alec. No entanto, o refrão não causa o impacto esperado, desviando-se do tema principal do disco. Ademais, faixas como \"The Lighthouse\" e \"Primal Feelings\" não conseguem se alinhar adequadamente ao conceito geral do disco, apresentando letras e conceitos que parecem apontar em direções distintas, o que afeta um pouco a experiência de audição. Contudo, o disco se sobressai com faixas como \"Self Portrait at the Louvre\", que aborda abertamente um relacionamento que não deu certo, e \"Send My Heart to Celia\", uma balada emotiva que se destaca pela sinceridade e profundidade de suas letras. A identidade visual do disco, criada por Alec Weaver, é um dos pontos mais notáveis, enriquecendo a proposta musical com imagens vibrantes e meticulosamente planejadas, proporcionando uma experiência envolvente que harmoniza bem com o conteúdo das faixas. Na sua essência, “PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES” é um disco que, apesar de possuir momentos brilhantes e performances intensas, ocasionalmente se perde em seu conceito, alternando entre variados níveis de emoção e sonoridade, sem sempre causar o impacto esperado. No entanto, o trabalho destaca a habilidade de Alec Weaver como compositor e produtor, destacando-se pela sua fragilidade e audácia. Com um pouco mais de coesão, este álbum poderia ter alcançado um patamar mais alto. No entanto, apesar de algumas falhas, continua sendo um trabalho genuíno e repleto de potencial para o futuro de Weaver na música.
Los Angeles Times
Lançando seu terceiro álbum estúdio, \"PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES\", o cantor britânico Alec Weaver aborda sobre maturidade no viés sexual e conhecimento de um novo universo, ambientado nos anos 70 e 80. Iniciando com \"AGE OF APATHY\", descrita como \"se estivesse adentrando numa festa e o êxtase te consumisse por dentro\", a canção soa mais como um análise sobre o que está acontecendo com o eu-lírico; Uma análise, uma reflexão, seguindo de um desabafo, de forma passivo agressiva com características que soam como pequenas agressões que estava passando. Ao contrário de \"FLUORESCENT SPIRIT\", que mergulha no romantismo de uma forma poética, mais persuasiva e objetiva; O cantor faz crescer sua presença com sua precisão em seus versos, que soam lindos e, sim, é uma grande canção de amor. Enquanto \"SOMETHING TO BLAME\", pode-se dizer que amor não tem espaço aqui, Alec Weaver está querendo destacar pontos e coisas ditas sobre ele que não são verdades; É um tom mais afiado, debochado, uma zona que nunca vimos o cantor explorar. \"CHEETAH TONGUE\" mostra um potencial incrível e entende-se do porquê a canção ter sido cogitada em ser o carro-chefe do disco; Com versos que emulam pensamos de terceiros que impactaram em sua vida, a canção mostra um lado sensível, mas seu refrão surge com um tom oposto e com versos que não combinam com o que é trazido nos demais, indo pra um caminho semelhante da faixa anterior. \"SEND MY HEART TO CELIA\" retorna sua sensibilidade e traz um pouco da sua escrita que é possível visualizar de seus trabalhos anteriores; A forma como a analogia é aplicada e como é desenvolvida, levando o ouvinte pra o cenário abordado, é de um jeito que apenas Alec consegue fazer. Como descrita, a canção \"VHS PORNOGRAPHIE\" é \"o pulo do gato que estavam esperando a minha musica sensual\", de fato, não há nada de sensual nessa canção, muito pelo contrário, \"VHS PORNOGRAPHIE\" é um caminho sem volta em uma história triste e que provavelmente vai se pendurar a vida toda na mente do eu lírico; Sendo um grande destaque lírico, esse balde de agua fria mostra o porque Alec é um grande poeta e é ótimo em trazer reviravoltas em suas canções diante sua grande escrita. \"PRIMAL FEELINGS\", com participação da cantora Jade X, pode-se dizer que é a canção que vai te dar um trabalho pra ser desvendada; Mergulhada em grandes relatos metafóricos, Alec e Jade vão de desejos, conflitos internos, comportamento até abordagem sobre ego, o que além da complexidade, não possui um caminho definitivo em sua abordagem, trazendo muitos temas ao mesmo tempo e não desenvolvendo nenhum deles. Sendo um grande destaque desde o seu lançamento, \"WOODSTOCK PHENOMENA\" traz um novo Alec, nova forma lírica, abordagem sexual que vem sendo explorada bastante na indústria desde então; Ao contrário de lead-single lançados pelo cantor, esta em específica não tem um caminho mais robusto, com uma grande ideia e detalhes, \"WOODSTOCK PHENOMENA\" é objetiva e confortável. Dando continuidade ao que foi trazido anteriormente, \"3 BILLBOARDS\" com participação de BRUCE e Aster Major, explora o ambiente sexual que é envolvido por flertes, desafios e, ao mesmo tempo, com muita tensão; A abordagem desliza nas mãos dos três artistas, que se envolvem por completo nessa história prazerosa. Acredita-se ter sido o mais próximo de um coming-age trazido até o momento, \"WRONG SIDE OF THE SUN\" aborda sobre consequências de alguns atos, com metáforas bem elaboradas, também se destaca, não apenas como cunho pessoal, mas ao associar de forma geral com temas sociais. \"THE LIGHTHOUSE\" apesar de rica em sua estrutura com metáforas, seu esboço gira em torno de apenas uma palavra: \"Ajuda\"; O eu-lírico precisa desse socorro e elabora em seus versos com formas de explicar essa necessidade, o que torna a canção, algumas vezes, bem redundante. \"SELF PORTRAIT AT THE LOUVRE\" soa como repetitiva em seu texto; O eu-lírico de alguma forma ainda está nessa procura por autorreconhecimento, cura emocional e dor, sentimentos que foram abordados anteriormente. \"TIMEKEEPER\" fecha o disco de forma sensível e emocional, Alec traz pela primeira vez uma faixa onde expande mais sua vida pessoal e suas dores de forma mais crua possível, ainda que se prenda em jogos de palavras não necessários, o cantor não se conteve nessa canção, em específico, e pôde expor uma problemática familiar que o marcou e ainda marca sua vida. Assim como seus discos anteriores, aqui o visual é o grande destaque e chama atenção de primeira; Com sua criatividade em criar suas paginas com texturas únicas, \"PRIMAL\" apesar do seu potencial visual, em conjunto com toda a narrativa, o visual soa como muito atual para um cenário anos 60 e 70, ainda sim, sobrepõe sobre o teor lírico. Por fim, \"PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES\" é um disco de evolução, onde Alec Weaver tenta encontrar caminhos novos de conceito, abordagens tanto lírica como visuais, porém, há misturas do que era antes e o novo; O cantor demostra uma nova lírica e abordagem em algumas faixas, mas em outras, retorna a sua essência que já conhecemos, o que deixa uma sensação de ser dois discos em um, como se o cantor estivesse com medo de avançar em seu objetivo, não seguro suficiente pra este novo passo. Ainda sim, \"PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES\" é um disco que traz um potencial, criativo em seu conceito, ainda que não totalmente explorado, está longe de ser um projeto passageiro.

American Songwriter
O britânico Alec Weaver surpreende com o lançamento do seu novo álbum, chamado “PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES”. Projeto colocado na perspectiva dos anos 70/80 e da liberdade sexual, se dividindo por treze antologias que juntas se completam. O projeto inicia em “Age of Apathy” falando do passado e presente do artista, também colocando em perspectiva o seu futuro. As faixas que se destacam no projeto são Cheetah Tongue, canção implacável e carregada sexualmente que coloca o artista em um lugar de puro êxtase, Something to Blame, mais ácida e corrosiva que fala sobre uma visão de outra pessoa, Woodstock Phenomena, que é uma crítica pura aos padrões e vícios que a indústria musical coloca, e Timekeeper, canção mais sentimental do disco, que fala sobre o pai do artista e sua relação. Também posso citar “3 Billboards”, que fala sobre liberdade sexual e condiciona muito bem o ar sexual e a tensão com os outros dois integrantes da faixa, Aster Major e Bruce, e Wrong Side of the Sun, que traz uma letra límpida e bem estruturada. Essas faixas se destacam por incorporarem melhor o conceito desse álbum, e posso até dizer que são as peças mais centrais dele, por justamente se integrarem com sucesso. Já outras, como “Primal Feelings” e “Fluorescent Spirit”, ficam no meio do caminho e trazendo algo mais misto. A primeira falha em criar uma ambientação cativante, deixando a participante da faixa Jade X ofuscada em meio as metáforas, e a segunda por não criar uma relação muito boa com o restante do disco em sua parte lírica. Um grande erro no disco é que as composições podem soar um pouco desniveladas umas das outras e isso afeta muito a experiência do projeto, e um exemplo disso é a faixa VHS Pornographie, que desabafa sobre Alec tentando se encaixar na vida de outras pessoas. A composição é interessante até chegar no refrão, que parece mirar para outros lados e não cumpre muito bem o seu papel no projeto. O conceito é interessante, mas a execução por vezes soa apenas como boa, e não excelente. Outras faixas que se destacam são “Self Portrait at the Louvre” que condiciona muito bem a sua letra em meio as outras do álbum, e “Send My Heart to Celia”, uma balada implacável sobre um coração partido. O problema maior de Alec nesse álbum é não reconhecer até onde ir e não ir, o que pode ser visto novamente em Primal Feelings. É uma faixa pouco memorável e mais maçante que o normal, e serve de exemplo para outras algumas que estão no álbum, como “The Lighthouse” e “Age of Apathy”, em que ambas acabam se perdendo em meio a sua lírica e conceito que miram para lugares opostos. O visual é produzido por Alec Weaver e é o ponto principal do álbum, com ele sendo bem colocado e bem produzido, com boas fotografias e um bom enredo visual. Por fim, PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES é um álbum interessante mas que se perde por vezes em seu próprio conceito. As treze canções são boas, mas apenas oito delas se destacam com intensidade, e acho eu que um pouco de perspectiva e paciência do artista na escrita delas faria o álbum ir muito mais longe.

The Line Of Best Fit
Em seu novo álbum de estúdio, Alec Weaver se inspira nas músicas dos anos 70 para mostrar, em camadas, todas as suas experiências vividas de forma leve ou intensa nos últimos anos de sua vida. O álbum mescla temas como insegurança, sexo, críticas e sua vida pessoal, e essa montanha russa de emoções definiram o \"PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES\". \"Age of Apathy\" abre o álbum de forma clara em relação as ideias de Weaver para o novo álbum. A música funciona como uma transição entre o antiga versão e o artista que Alec está prestes a se tornar. Os versos são bons, e a música cumpre sua proposta como abertura. \"Fluorescent Spirit\" é uma canção dócil, e apresenta versos mais leves e apaixonantes. É uma doce canção de amor fácil de se conectar através da mensagem. \"Something to Blame\" é uma canção mais ousada, mais atrevida, algo totalmente diferente das anteriores. Alec está em sua melhor forma, e faz com que as outras canções pareçam \"dóceis demais\" para acompanha-la. \"Cheetah Tongue\" tem um refrão impactante que exala o lado mais predador de Weaver no sentido sexual, e é interessante de acompanhar o desenvolver do mesmo. Porém, os versos no geral acabam não impressionando tanto quando poderiam, pois os versos são um pouco mornos. \"Send My Heart to Celia\" faz uma analogia inteligente, onde Alec cita todas as suas experiências em uma de forma cautelosa, e consegue entregar uma boa canção. \"VHS Pornographie\" é uma das melhores músicas do álbum pela fragilidade que Alec colocou na música, e seus versos conseguem desenhar a alma de Weaver. Através de citações inteligentes, o artista conseguiu de uma forma diferenciada apresentar como se sente em relação a sua autossabotagem e como isso afetou na criação do projeto. Agora ao lado de Jade X, Alec retorna aos seus versos mais quentes em \"Primal Feelings\". A conexão entre os dois artistas funciona bem dentro da canção, mas não funciona tão bem intercalada com a intensidade da música anterior. De qualquer forma, \"Primal Feelings\" exala uma tensão sensual entre ambos artistas, e os versos dos dois se conectam. \"Woodstock Phenomena\" realiza uma crítica necessária sobre a indústria da música ao mesmo tempo que mescla com seus problemas narcóticos, e Alec consegue introduzir seus versos de forma natural, diferente de boa parte das músicas do mesmo tema. \"3 Billboards\" é uma parceria entre um dos três maiores artistas masculinos da indústria, e não decepciona. A música entre bons versos, e inspirada na música rock dos anos 70, adentra no tema da liberdade sexual de forma majestosa. \"Wrong Side of the Sun\" por sua vez contém uma forma lírica básica, e não impressiona; se tornando uma \"filler\". Na reta final do álbum, \"Self Portrait at the Louvre\" se destaca pela forma honesta que o artista transmite seus sentimentos acerca de um relacionamento que não existe mais. A música é bem crua, e o seu refrão é o ponto alto. \"TimeKeeper\" encerra o álbum da melhor forma. A música mostra a alma de Weaver e como seus conflitos familiares moldaram a sua personalidade artística, e como isso ainda é doloroso devido sua relação paterna. Visualmente, o encarte apresentado condiz com toda a proposta e como sempre, Alec entrega um visual que não contém falhas. Todos os detalhes e cores escolhidos pelo artista fazem o trabalho ganhar um bônus, sendo um dos seus melhores trabalhos visuais em seus álbuns de estúdio. No geral, o \"PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES\" é um álbum que contém mais pontos altos do que pontos baixos, e mostra que Alec ainda está em boa forma, tanto como produtor como compositor de suas faixas. Em alguns momentos, o álbum peca em seguir uma linha definitiva, por variar entre canções que impactam de forma positiva, e canções que decaem nesse quesito como em \"Wrong Side of the Sun\" e \"The Lighthouse\", mas que não tiram todo o brilho da arte de Weaver. \"PRIMAL MACHINE & OTHER ANTHOLOGIES\" é um trabalho que ficará marcado na carreira do artista como um de seus trabalhos mais vulneráveis por músicas como \"Timekeeper\", mas ao mesmo tempo um dos seus trabalhos mais sensuais por músicas como \"Primal Feelings\".