AFTERSHOCK Jaehyuk KPOP, Hip-Hop, Outro202213 músicas

Spin 96

O álbum "Aftershock", segundo trabalho de estúdio do talentoso artista nipo-coreano Choi Jae-Hyuk Yoshinari, mais conhecido como Jaehyuk, é uma obra que se destaca pela sua construção meticulosa e pela profundidade das suas motivações.O disco é uma jornada emocional que reflete as primeiras impressões do rapper ao longo da sua vida e da sua carreira na indústria musical. Com uma abordagem automotora, Jaehyuk utiliza o conceito de expectativa automobilística para transmitir uma narrativa envolvente, expressa através do seu bordão "citizen of bayonetta", que evoca a imagem de um piloto de automóveis associado à marca por ele desenvolvida. O álbum abraça o KPOP e o Hip-Hop de forma magnífica, proporcionando uma experiência sonora diferente do que a indústria é acostumada a ver. Assim, o "Aftershock" transcende categorias musicais, permitindo que cada ouvinte encontre significados pessoais nas suas composições. Esta abordagem desprendida de um ponto de vista fixo torna o disco uma verdadeira estação de rádio sobre rodas, convidando os ouvintes a embarcarem numa viagem única e pessoal. Suas merecem um destaque especial, pois revelam um trabalho criativo e ousado por parte de Jaehyuk. É notável a forma como ele aborda temas profundos e introspectivos, apresentando uma narrativa autêntica. Em faixas como "High Voltage", "Where Your Eyes Linger" e "Lady & Trump", Jaehyuk demonstra uma habilidade impressionante em construir letras que transcendem o convencional, esse talvez sendo um dos seus maiores acertos. Aqui o cantor explora questões de construção de identidade, integridade e autovalorização. Um trecho marcante de "High Voltage" exemplifica essa excelência lírica: "Você arruinou muito mais do que um limite, minha integridade, meu templo, minha juventude [...] O que te fez pensar que não sou digno de nada?". Além disso, sua abordagem visual em preto e branco adotado para o álbum, aliado à excelente fotografia e aos efeitos negativos, complementa perfeitamente a temática abordada por Jaehyuk e produzida pela Penelope. Esta escolha de uma estética simples, porém eficaz, contribui para criar uma atmosfera coesa e imersiva, enriquecendo a experiência auditiva proporcionada pelo disco. As texturas e cores equilibradas presentes na obra reforçam ainda mais a identidade visual do artista, elevando o álbum a um nível ímpar de excelência artística. Em conclusão, "Aftershock" é uma obra magnífica que atesta o talento e a versatilidade de Jaehyuk como artista. Em pouco tempo, ele demonstra uma capacidade notável de compor letras cativantes capazes de surpreender seu público, criando narrativas que prendem os ouvintes do início ao fim. Com este álbum, Jaehyuk eleva o seu status na indústria musical, consolidando-se como uma figura de destaque no cenário asiático e além. "Aftershock" é mais do que um simples álbum; é uma obra-prima que merece ser apreciada e celebrada por sua grandiosidade e genialidade abudante.



Rolling Stone 92

Em seu segundo álbum de estúdio, Jaehyuk nos leva para uma jornada e viagem pessoal, lentamente nos dirigindo rumo ao centro dos seus sentimentos mais intensos e profundos, entregando uma boa base lírica e um álbum que deve-se considerar bastante coeso. O álbum começa com "recording a bop", onde é compreensível o conceito musical de criar uma música sem pretensões nenhuma, apenas ser divertido, mas a forma que a música é construída soa um pouco sem sentido e não tão atraente como deveria ser para uma abertura de álbum, deixando um pouco a desejar. "at the bottom of everything" soa como uma música para pessoas que querem conhecer o artista pelo o que ele é, com uma composição mais detalhista e focada que a anterior, podendo ser uma faixa de introdução mais apropriada. Em "comma", o artista deposita todo seu talento lírico escrevendo conteúdos necessários e palavras bem colocadas para demonstrar toda sua angústia sobre assuntos importantes, em uma composição bem elaborada e versos de hip-hop espetaculares; e surpreendentemente, um refrão fez falta alguma, ele disse tudo de forma clara e direta. "purple bayonetta" em parceria com Ashford flui perfeitamente bem, o verso de Ashford cai como uma luva entre os versos agitados e agressivos de Jaehyuk, rendendo uma parceria inesperada e entusiasmante, sendo um dos maiores acertos do álbum pela lírica mais agressiva e ousada. "high voltage" entra com um inesperado sample de Ashford que encaixa perfeitamente bem com a música, sendo de fato bem aproveitado em uma manobra arriscada, fazendo com que a música cresça bastante em qualidade lírica e se destaque emocionalmente. "and theres no one left" e "hachiko" são faixas que contém uma composição assertiva, mas não impressionam muito na base lírica e acaba ficando na média. "more i discover, more i feel uncover" remete a primeira faixa pelo conteúdo mais descontraído, mas diferente da primeira faixa, aqui as informações na composição são relevantes e acrescentam em algo, sendo uma ótima faixa descontraída para quebrar um pouco o peso emotivo. "lady & tramp" com Jade X se junta com "purple bayonetta" e "comma" como as melhores faixas do álbum, onde aqui o artista juntamente a parceria, narram uma bela história que se torna atraente na medida que os versos são conduzidos e soa fresca, não tão repetitiva e no ponto emotivo essencial. "Where Your Eyes Linger" é um doce flerte com o sentimentalismo do cantor, coerente e bem apresentado. "here i am again..." mostra um desabafo incrível e emotivo, onde o excesso emotivo faz com que o artista se conecte facilmente com seu ouvinte, e faça com que a letra ganhe um sentido especial; aqui, o artista se supera em uma composição de tirar o fôlego. "haru haru" e "kidult" não impressionam tanto, mas finalizam o álbum de forma linear e ampla. Seu visual é bastante chamativo, principalmente a capa, adotando uma temática esportiva e elaborada nesse quesito. Seu encarte começa com uma estética bonita, e ao decorrer vai ficando mais simples, mas sem perder a sua beleza e decência. O "Aftershook" serve para mostrar que o talento lírico de Jaehyuk não deve ser subestimado e é admirável o seu crescimento com os anos. O álbum contém pontos médios e pontos muitos altos, que não afetam muito na qualidade sonora, mas que deixam a desejar como a faixa de introdução do projeto e talvez em alguns momentos uma composição mais simplificada possa ser a chave pra tornar o processo menos cansativo. Por fim, Jaehyuk entregou um álbum digno a sua altura, e digno de elogios pela sua composição, e o fato é que o "Aftershook" lhe colocou em um novo patamar que daqui pra frente, só tende a crescer.



Billboard 80

Aftershock é um entusiasmo esbravejante do k-rapper Jaehyuk, que esbanja honestidade em suas fragilidades sem perder o hyper da ostentação e expondo sua veracidade sem medo de parecer agressivo ou assustador. O álbum carrega uma identidade visual automobilística com bordão “citizen of bayonetta”, literalmente uma viajem em torno da vida do artista cheia de impactos e resiliência. A faixa 'Purple Bayonetta' em parceria com a cantora Ashford carrega como conceito lírico referente a identidade visual do álbum, de maneira desprendida e com um lirismo que excede expectativas e cria preguiça de continuar. Entretanto, sabemos que a vida é de altos e baixos, assim como qualquer álbum que incita a livre e espontânea interpretação do ouvinte. O Aftershock tem já de início seu primeiro escorregão, a primeira faixa 'Recording a Bop' em parceiria com o cantor japonês TAKI, que talvez não seja realmente um 'bop' e deixe muito a desejar, mas não o suficiente para apagar o talento de Jaehyuk que com 6 versos na canção em 'Comma' se destaca na habilidade de escrita e criatividade do artista. Jae faz trocadilhos com os versos longos de maneira astuta: "Assim como essas linhas não são grande o suficiente / Não haverá refrões pela frente" e ele segue manhosamente com sua língua afiada e ácida numa sátira arriscada com apelo racial "Amarelo na carne / isso não é sinônimo de capa de invisibilidade / Depois desse apelo racial / O quê?! / Meu marketing acaba de aprimorar", uma ótima maneira de fazer uma crítica social, não? Afinal, artistas asiáticos são mais do que belos rostos e coreografias bem ensaiadas ao som de um ritmo dançante de letras otimistas. Dando continuidade em 'Comma' o k-rapper diz "Minha ID é tão sigilosa quanto seus compositores fantasmas" Bom, talvez não seja mais sigilosa após ouvirem Aftershock, onde notamos nitidamente alguém virar um artista-público criar laços e mostrar sua real identidade. Claro, em uma boa maneira como faz em 'At The Bottom of Everything' que conta sua realidade antes da fama e como o passado ainda causa impactos com esses pensamentos obscuros. Talvez a canção mais emocionante e surpreendente da obra completa seja 'Hachiko' com seu refrão teatral, com diversas camadas e tons tristonhos esse agridoce que Jaehyuk nos deixa provar após palavras vísceras é um deleito tão calmante quanto a letra do single 'Lady & Tramp' com Jade X de parceria. Arrisco dizer que a trajetória do álbum tem muito a ver com a vida de um cão 'Hachiko', ou o que mais defina a atmosfera melodramática do álbum, pois Jae nos passa lealdade de uma amizade em 'Lady & Tramp', confiança em 'At The Bottom of Everything' e dor da negligência em 'High Voltage', o artista consegue superar sua baixa autoestima e ansiedade pelo futuro com resiliência criada pelo amor a arte, se manifestando como um adulto prontificado para situações que possa derruba-lo. Essa é a importância dos impactos e como aprender com eles.