All Music 92
Uma das maiores relevações na indústria dos últimos tempos, Heccy lança seu segundo álbum de estúdio intitulado como ‘AMBIVALENCE’. Com quinze faixas, o disco tem um conceito bastante definido e segue uma narrativa que gira em torno da indústria e todas as suas nuances. Em ‘Hard Work’, o eu lírico tece fortes opiniões sobre a indústria, relatando como um sonho pode tornar-se um pesadelo e, mesmo após a conquista dos tão almejados objetivos, pode não valer tanto a pena. A estrutura lírica ´é boa, sendo uma canção fluída e de versos curtos, sendo o pré-refrão a parte mais inteligente e bem escrita. A faixa não conta com muitos grandes outros momentos, mas não representa problemas para o disco por conta de ser uma faixa mais introdutória. ‘Truth’ traz uma letra impactante e sincera, recheada de versos afiados e bem escritos. Como exemplos podemos citar: “É louco como seus lábios parecem ser cegos / Porque o que eles falam não é a realidade” e “Coisas dão errado, mas você se acostuma // Você começa a não se assustar com essas merdas // Quando você entende que as vezes // As coisas ficam fora do seu controle querido”. ‘reciprocity.’ embarca em um viés sentimental e mais profundo que as suas antecessoras, falando sobre as relações rasas que o eu lírico descobre em Los Angeles. A canção traz versos maiores que as suas antecessoras e mais poéticos, utilizando-se de metáforas mais abrangentes, como “E você sabe que para as suas secas eu sou como o oceano”. A artista mostra sua versatilidade ao conseguir fluir entre formas variadas de compor e manter a qualidade em ambos os formatos. ‘Where Angels Get Lost’ é o momento mais fraco do projeto até aqui, trazendo pouca profundidade e carecendo de um grande ápice, a faixa soa bastante linear e apática em vários momentos, incluindo em seu refrão. ‘Your Type’ mostra o momento que o eu lírico percebe que nunca será o tipo de Hollywood, com o refrão sendo a parte que mais desenvolve essa percepção e todos os impactos trazidos. Assim como sua antecessora, ‘Your Type’ poderia ter sido mais trabalhada, trazendo mais detalhes da história do eu lírico e diferentes visões sobre aquele momento, uma ponte encaixaria muito bem aqui, servindo para amarrar melhor os versos. Mesmo assim, ‘Your Type’ está em sincronia com as outras músicas presentes no conjunto. A colaboração entre Heccy e Naomi em ‘More Than That Girl’ chega de forma poderosa e reacende os impulsos desafiadores e sinceros do eu lírico vistos em ‘Truth’, tendo o refrão como o ápice da canção. ‘Damn Mouth’ tem uma alta carga irônica e versos certeiros, mostrando que esse tipo de temática – ácida, direta e sem filtros – extrai o melhor das habilidades de Heccy em termos de composição. ‘Wiser’ expõe todas as fraquezas e inseguranças do eu lírico, em um estalo de consciência que clama por mudanças. A faixa tem versos bem simples, mas bastante pessoais e tocantes, sendo uma das músicas de mais fácil identificação pelos ouvintes. Seguindo em mesma linha, ‘DON'T BE SELFISH’ consegue elevar os sentimentos vistos em sua antecessora para outro nível, com versos mais tocantes e estruturados, ao mesmo tempo que mantém uma linha forte de coesão e conexão com a narrativa da personagem. A música é por completo forte liricamente, mas, novamente, o refrão brilha e se destaca como o verso mais forte. Como último destaque do álbum, temos ‘Ambivalence Marks’, que reflete as consequências de todas as traições que o eu lírico já sofreu, a deixando com traços de desconfiança e insegurança por conta de experiências passadas. A composição se destaca por tratar a temática de uma forma diferente e imperfeita, onde o próprio eu lírico reconhece os seus traumas. Além disso, o verso 3 é muito bem escrito e traz assuntos comuns aos ouvintes, que podem se identificar com certa facilidade. De forma geral, o álbum segue uma linha narrativa muito forte e coesa, sendo que pela quantidade de faixas é possível acompanhar de forma detalhada os acontecimentos com o eu lírico. O visual é excelente, totalmente dentro da proposta do álbum e com um grande cuidado com os detalhes, sendo coerente desde a sua capa até as páginas do encarte, que contam com ótima escolha para as fotos, edição e montagem. Heccy entrega um ótimo trabalho em ‘Ambivalence’, construindo uma história de início, meio e fim, a artista mostra toda a sua versatilidade e poder para criação de narrativas, além de, claro, talento e grandes habilidades para produção.

American Songwriter 90
Heccy lança seu segundo álbum de estúdio o “AMBIVALENCE”, depois do sucesso de “Eclipse” seu debut álbum, agora ela embarca em gêneros como Pop, R&B e Country, diferente do seu antecessor. Neste álbum composto por 15 faixas, Heccy cria um mundo onde uma garota conhece os prazeres e desprazeres da indústria musical e o quanto é difícil se realizar profissionalmente. Como de costume, Heccy é a única produtora do álbum, sendo um dos maiores nomes dentre os produtores, a artista nos entrega um álbum totalmente feito por ela. Folheando o encarte, há fotografias da cantora em momentos normais e outros em lugares onde talvez a cantora se aventurou em sua passagem em Los Angeles. Heccy tem um jeito único de produzir e sempre que vemos algo produzido por ela, conseguimos identificar sua marca. O visual agrada, é algo que temos satisfação em ver cada pagina e detalhes, sem erros e bem elaborados, conseguimos ver o quanto evoluiu em produção se comparado ao seu álbum debut. Heccy iniciou a era com a belíssima “Reciprocity, que fala sobre o quanto as relações se tornam superficiais como se fosse uma troca de favores, mas não podemos esquecer que tudo que fazemos é recíproco, tudo que vai volta. Neste música Heccy se aprofundou no gênero R&B pela primeira vez e vemos que se encaixou perfeitamente na melodia. Em seguida temos mais um single oficial que continua a saga da cantora, a intimista “Truth” que fala sobre o quanto a verdade acaba sendo algo ausente da vida de muitas pessoas que acabam machucando os outros ou tornando qualquer pessoa como vilão. A faixa trás versos que intimidam como “Não me pinte como uma vilã / Você pode manter a sua versão da história” ou “Eu estou cansada e doente de ouvir promessas”, além de estar desgaste cada dia que se passa, Heccy acredita que a verdade no final sem vence e se você planta algo bom, irá colher algo bom. Continuando a saga de singles, “Your Type” continua a vibe intimista e fala sobre o quanto a indústria fere e trás privilégio aqueles que pessoas que se humilham para agradar os outros, sobrevivem na indústria, ja aqueles que contrariam são deixados de lado. A canção é bem curta, com 2 versos e refrão, sendo direta e crua, mas trazendo versos inteligentes como “Porque você nos coroou com espinhos / Como se isso nos colocasse sob um holofote”. Em “Radar” vemos uma Heccy mais sexy e poderosa, ela conhece novas pessoas e se joga nos sentimentos e desejos que talvez são momentâneos, mas que lhe agrada naquele momento, diferente de “Hard Work” onde a cantora quer algo novo, mas sabe das consequências e das pessoas em seu redor, o quanto podem tornar isso um pesadelo. Heccy soube escolher os 5 primeiros singles do álbum, mas não podemos deixar de citar tracks que se destacaram durante nossa análise do trabalho como “More Than That Girl” com a grandiosa Naomi em uma pegada R&B e Trap falando sobre superação, Naomi é uma artista que faz nossos olhos brilhar em cada verso, a conexão das artistas nessa canção é tão grandiosa que conseguimos viver cada verso aqui, talvez um grande potencial para novo single. A debochada e descontraída, Damn Mouth, como intitula a cantora, também nos agrada bastante, pois refletimos o quanto podemos sorrir diante dos problemas, talvez essa seja uma solução. Continuando os destaques das track, chegamos em “Lonely” uma faixa apaixonante do casal Heccy e Tempestade, onde eles falam sobre duas pessoas que cruzaram seus caminhos e marcaram a vida um do outro, talvez fazendo referência ao relacionamento dos dois artistas. O desejo e química exala em cada verso, mesmo não sendo a melhor canção do álbum, trás um ar algo diferente das anteriores, por ser um dueto de um casal apaixonado, talvez a parte boa vivida no meio de tanta turbulência. Não podemos deixar de citar também a simplista e insegura “Here”. Que finaliza o álbum em grande estilo, falando sobre insegurança em sair da zona de conforto e enfrentar mudanças em sua vida. No fim percebemos que “AMBIVALENCE” é um álbum que acaba se tornando pessoal, porque o que retrata aqui, a artista pode ter vivido ou estar vivendo. Heccy amadureceu liricamente e visualmente, mostrou seu melhor lado artístico, ela sem dúvidas sabia o que iria entregar e estava segura do resultado. Muitas emoções em forma de música, não se tornou algo perdido ou genérico, pelo contrário, é algo concreto, bem escrito e estruturado.
Los Angeles Times 96
Em uma evolução para além do normal do seu debut álbum ‘Eclipse’, a cantora indiana Heccy nos apresenta suas novas facetas no já grandioso ‘AMBIVALENCE’. Discorrendo a narrativa acerca da sua própria história, a trajetória de uma garota recém famosa em Los Angeles pode ser desafiadora e repleta de experiências a serem vividas. Realizar seus sonhos de infância e trazer um sentido mais límpido a sua vida outrora limitada em Nova Delhi, foi o que marcou a coragem que se tornou bravura em uma longa aventura que pôde lhe tornar a mulher veterana e madura de hoje. Explorando dessa vez ritmos mais “americanizados” como R&B, pop e country, afim de expandir sua influência, a cantora consegue fazer uma transição limpa e sem reações muito bruscas tanto de seu público quanto da crítica, o que refletiu como ponto positivo para o andamento do álbum. O termo que da nome ao disco é muito bem explorado em todas as faixas e isso surpreende pela constância que o mesmo possuiu ao fluir entre os atos. Amor, ódio, família, carreira, fama, falsidade, tudo parece distante mesmo que muito próximos um do outro e é disso que a cantora disserta na essência do álbum. Com destaques às ótimas escolhas de single, ‘Truth’ e ‘reciprocity.’ que servem como uma introdução quase perfeita a temática de descobrimento da indústria e a vivência em LA de uma jovem garota, um tanto quanto inocente que teve que lidar com a realidade mais crua e às vezes suja de muitos outros artistas e corporações. Seguindo nos pontos altos, ‘Don’t Be Selfish’ e ‘Relief ‘ são talvez as composições mais assertivas e que mais carregam a sinceridade e resiliência que da a cara do álbum em si. Lírica limpa, clara, sem muitas manobras de figuras de linguagem, tudo que Heccy já havia acertado no seu disco anterior e que repete nesse sem perder sua potência qualitativa. ‘Pitchfork’ e ‘Dawn Mouth’ entram com uma roupagem mais agressiva, mas ainda muito bem trabalhadas e óbvias no que se tratam. A indústria nunca foi esse mar de flores que muitos pregam como sonho perfeito, ela é fomentada pela mídia e competitividade abusiva, ficando explícito na perdição de carreiras e legados quando rendidos a ela. Nessas canções, a artista pôde viver o pior lado que isso pode lhe causar, mas que sempre se manteve firme mesmo diante dos contratempos e “mesquinharia” como a mesma retrata. O visual chega como um grande salto e ponto positivo na soma a narrativa. Ambientado em Los Angeles e repleto de referências, ele tem um papel para além da representação gráfica, ele por sua vez também conta parte da história que Heccy por ventura não explorou nas faixas, abrindo possibilidades para uma possível continuidade ou edição deluxe. A fotografia é interessante e conversa com a proposta ensolarada da cidade escolhida, por mais que algumas não façam tanto sentido como na sequência de ‘Relief’ e ‘Here’. O ruído é uma marca presente, todavia ele esteja um pouco exagerado em algumas partes, da mesma forma que em outras partes alguns textos não são tão legíveis pelo fundo mais “estampado”, o que impossibilitou a experiência completa, precisando ali de algo mais liso ou escuro para uma melhor visualização. Entretanto a escolha da paleta de cores é ótima e bem viva para a proposta do disco, que tem poucas falhas visuais, mas nada muito além que chegue a ser um ponto negativo crucial. De modo geral, o AMBIVALENCE entrega uma nova visão de narrativa acerca de um assunto pouco abordado, mas sempre presente no cotidiano dos artistas na indústria. Com letras bem estruturadas e sagazes, Heccy mantém sua qualidade e cresce sua influência em um disco mais comercial, forte e astucioso.