things that hurt in my soul at the opera Noan Ray 20237 músicas

Los Angeles Times 90

No extended play “things that hurt in my soul at the opera”, Noan Ray opta por fazer jus ao seu título mais extenso e se permite uma narrativa mais esparsa, intimista e observadora, para além de suas características infimamente descritivas vistas em trabalhos majoritários do artista. Liricamente, o projeto se inicia com “this is all... (fine line)”, uma faixa que imerge Noan nos sentimentos de um relacionamento que parece chegar aos seus pontos finais após inúmeros sinais que ele não havia enxergado antes, mas que agora, observando a situação, apenas o dão vontade de ir embora sem lutar mais pelo sentimento que antes parecia impactá-lo com mais fôlego. É uma canção bem escrita e bem cantada, sendo uma intro ideal para a premissa do EP. Em “mountain fog”, Noan prossegue a narrativa, caminhando para seguir em frente após o coração que se partiu na faixa anterior e tentando apagar as lembranças que um dia já foram positivas em sua vida; apesar do tema ameaçar se esvair, o iminente não ocorre pelo modo como Ray inclui novos detalhes da história que mantenham o ouvinte atento ao desenrolar dos sentimentos. “alanis”, terceira canção do projeto, é uma ode a um dos melhores amigos do artista, uma ode aos momentos que passam juntos e ao modo como ele se sente entendido por outra pessoa que age tal qual uma figura de irmandade em sua vida, sendo uma descrição bem desenvolvida de uma amizade que rende bons frutos quando ambos os lados se compreendem. “face the happiness”, por sua vez, é um alt-folk que detalha um encontro de almas após os eventos que haviam terminado de forma errônea no começo da narrativa do disco; Noan demonstra insegurança em abrir seu coração novamente, sabendo o que pode acontecer se cair em um ciclo vicioso, e sua autoconsciência é seu trunfo no desenrolar da composição, uma das melhores do EP. “i‘m here watching you walk out the door”, quinta faixa, denota mudança de costumes em um relacionamento, no modo como Noan passa a perceber detalhes em seu cônjuge que soam como sinais de que aquela pessoa não quer mais estar ali com ele, o silêncio sendo o principal deles. “memories drowned by the ocean” é uma súplica de dependência emocional; Noan necessita das memórias que ameaçam ser apagadas com o tempo para sentir qualquer tipo de vida dentro de si ou dentro do relacionamento - o que quer que ele possa se agarrar no momento em que está compondo -, e é uma faixa onde o ouvinte acredita piamente nas palavras ditas pelo modo como são entoadas pelo vocalista. “first day of autumn” denota o encerramento das faixas do EP; aqui, o artista aponta os sinais da chegada da estação do outono como metáforas para as novas sensações que ele sente ao finalmente querer deixar para trás traços de si mesmo que não quer mais carregar. É uma finalização carregada de emoções que derrubam o ego tanto de Noan como do ouvinte que se identifique com a história contada. No quesito da produção visual, assinada também por Noan Ray, o EP não falha em deixar centralizada a melancolia, seja pela escala de cinza do banner, seja pelas fotografias borradas, que diminuem a nitidez com a qual os sentimentos são vistos e ouvidos ao longo do projeto. “things that hurt in my soul at the opera”, com sua aura despretensiosa e uma versão de Noan que talvez não se repita em projetos futuros, soa como um EP necessário para o estado mental de seu criador e um disco que, ao contrário do que seu título sugere, não apenas machuca almas como também busca maneiras de curá-las antes que seja tarde demais para românticos incuráveis, provando-se um acerto não necessariamente acidental, mas inesperado na carreira de Noan Ray.



The Line Of Best Fit 90

‘things that hurt in my soul at the opera’ é o terceiro Extended-play de Noan Rey. Produzido em sua temporada de tour, o projeto traz sentimentos bastante pessoais escritos de forma intimista. ‘this is all (fine line)’ abre o projeto com uma narrativa bem detalhada e técnicas líricas avançadas, utilizando-se de momentos diversos, perpassando por passado e presente, além de desenhar muito bem os sentimentos de tristeza e solidão profundas. Além disso, a faixa termina muito bem em seu último verso, quando diz: “There's a fine line between thinking of you and slowly killing myself / Maybe I'll survive, but that's all I have right now”. A emocional ‘Mountain Fog’ desponta como uma das melhores composições do EP ao trazer versos poéticos, extremamente melancólicas e metáforas que se conectam não somente com o conceito da faixa, mas todo o restante do projeto. ‘alanis’ se distancia-se da tristeza para dar espaço a uma faixa de amizade, praticamente uma declaração de amor do eu lírico para o seu melhor amigo. A faixa não está em pé de igualdade com suas antecessoras, principalmente por trazer versos mais simples e diretos, porém, de alta qualidade, principalmente em questões emocionais. ‘face the hapiness’ é uma canção inteligente e que fala de forma sútil sobre a carreira do artista e sua relação com a indústria, inclusive quebrando a quarta parede. A canção é rica em nuances e a cada nova reprodução, novos detalhes e relações com a indústria da música vão surgindo. Chegando ao final, ‘i'm here watching you walk out of the door’ traz a dor de perder e parar de ser a prioridade de uma pessoa, em uma sensação comparável a assistir alguém sair pela porta. A música não é um dos destaques do projeto, tornando-se um pouco previsível frente às temáticas já vistas em todo o EP. Mesmo assim, há uma coerência geral e uma harmonia com todo o minidisco, o que é um ponto bem positivo. O último destaque do conjunto é justamente sua última faixa, em 'fist day of autumn', a escrita volta a ter um tom narrativo e detalhado, fazendo uma grande imersão do ouvinte na história que está sendo contada. O verso 4 é um espetáculo à parte, sendo não somente o melhor verso da música, como um dos melhores em geral. O visual do álbum é simples, o que é totalmente comum para um projeto com proposta mais intimista. As fotos foram bem escolhidas, a única parte mais destoante é a página que vem logo após a descrição do EP, tendo uma coloração que não combina com sua antecessora e nem sua sucessora. De forma geral, Noan Rey entrega um trabalho de extrema qualidade em ‘things that hurt in my soul at the opera’. Muito bem escrito e com uma ambientação que prende o ouvinte, o artista consegue marcar pelos seus versos poéticos e inteligentes.



Variety 96

Em um projeto mais intimista, Noan Ray traz “things that hurt in my soul at the opera” como seu terceiro extended-play, feito em uma temporada de shows. “this is all (fine line) é melodramática e passiva em seus sentidos, com uma narrativa que enfoca na finitude de todos os seus maiores e menores sentimentos, razões e sensações, assim como seus erros mais intensos. A faixa é apresentada com uma letra profunda e objetiva, abrindo o mini-disco com intensidade. “mountain fog” traz o abandono ao disco, aqui com um sentido mais confessional com o impacto visível em Noan; o artista descreve seus sentimentos com uma certa visão de como a outra pessoa foi responsável pelo inferno passado na temporalidade da faixa, assim como suas ações fortemente atrofiadas pela dor sentida. “alanis” retrata a pureza de uma amizade, aqui como um pilar e uma âncora em meio a tantos hematomas emocionais de Noan. Sua lírica carrega consigo uma abordagem autobiográfica e facilmente imaginável com sua descrição, sendo um ponto forte visto a posição do projeto até aqui. “face the happiness” descreve a tentativa de sentir coisas boas novamente, como se o eu-lírico se enxergasse como um constante impostor. A distorção e sofrimento faz com que tudo seja mais doloroso, aqui usando de uma letra densa como objeto de esvaimento desses sentimentos. É uma faixa interessante. “i'm here watching you walk out of the door” retrata impotência, crise e turbulência. Com Noan se sentindo sem poderes e totalmente entorpecido visto os seus sofrimentos decorrentes, e até mesmo quando tentou e fez o possível para mudar, sua relação amorosa foi afetada; a canção traz uma discussão importante à tona, assim como um alerta. “memories drowned by the ocean” continua a canção anterior, aqui mostrando o artista lutando para sair do sofrimento, e mesmo quando ama muito o seu companheiro, sabe que não pode o salvar como queria. É uma faixa com diversas nuances, e sua construção é intrigantemente perspicaz por prender facilmente o leitor a todos os acontecimentos. “fist day of autumn” finaliza o projeto com uma certa retrospectiva e uma visão fria e analítica do que o artista terá que enfrentar, mas com um sentimento de continuidade mesmo com a dor. A letra é extensa e biográfica, assim trazendo um fechamento sem lacunas pendentes. Seu visual é intimista; a fotografia traz takes em preto e branco com um sentido melancólico e visceral de suas características, com um manipulamento gráfico dosado perfeitamente e uma tipografia menos usual, mas que casa com o projeto. Num geral, “things that hurt in my soul at the opera” é um projeto que faz Noan ser mais uma vez reafirmado como um compositor notável na indústria, com composições marcantes e narrativas que prendem os seus ouvintes sem dificuldades



Billboard 85

"things that hurt in my soul at the opera" é novo Extended Play do cantor e compositor Noan Ray, o trabalho busca de forma íntima e pessoal descrever as emoções que o cantor viveu nos últimos meses. O trabalho se aprofunda nos gêneros Alternativo, Folk e Country, sendo os dois últimos uma grande novidade para a carreira de Noan. "this is all... (fine line)" inicia o trabalho de forma muito interessante e diferente, trazendo uma composição pesada sobre um relacionamento que acabou e agora Noan se sente em uma corda bamba a todo momento sobre esse fim. A composição é muito bem escrita, mas acaba pecando por ser extensa demais, deixando em alguns momentos ela cansativa. Ocorrendo uma diminuição nos versos, faria a canção muito melhor do que já é. "mountain fog" fala sobre abandono de sua forma mais direta possível, trazendo ótimas metáforas e versos poderosos. Mas, acaba pecando no mesmo ponto da faixa anterior: ser muito longa, deixando uma canção que com uma diminuição de versos muito melhor, mas acaba sendo cansativa na leitura. "alanis" acaba sendo a melhor canção do trabalho, descrevendo sobre a amizade de Noan e Alex Fleming, os versos são muito bem escritos e mostram a enorme união entre os dois artistas, sendo uma grande parceria em todos os sentidos. A ponte da canção acaba sendo o seu momento alto, mostrando o tanto que os dois artistas amadureceram, mas continuaram sendo amigos inseparáveis. "i'm here watching you walk out of the door" é uma canção muito bem escrita e mostra um lado que já conhecemos de Noan, mas agora ele ainda consegue entregar uma canção envolvente e com um lírico majestoso. Sendo o refrão e a ponte as melhores partes da canção, o ponto central da música de forma muito interessante. "memories drowned by the ocean" é uma canção forte e interessante dentro do trabalho, trazendo uma melancolia muito bem utilizada durante seus versos, que acabam sendo bem longos, mas que ainda sim conseguem trazer uma canção boa no geral, sendo assim um grande destaque no Extended Play. "first day of autumn" encerra o trabalho com uma composição sincera e pessoal de Noan Ray, algo que já vimos no trabalho mas de uma maneira mais polida e trabalhada, sendo perfeita para o encerramento do disco. O visual assinado pelo próprio Noan Ray é belo e contém uma edição interessante e que funciona de uma forma incrível para esse trabalho, trazendo toda a atmosfera que Noan nos apresentou por todo o EP. "things that hurt in my soul at the opera" é um trabalho muito bom dentro da discografia de Noan Ray, com muitos acertos e canções belíssimas, mas acaba pecando por trazer versos, refrões e pontes muito longos, tornando em alguns momentos a escrita cansativa. Mas avaliando no geral, Noan Ray já é um compositor nato e um dos grandes nomes da década no assunto composições pessoais e melancólicas, sendo o "things that hurt in my soul at the opera" uma consolidação desse título.



Spin 97

"things that hurt in my soul at the opera" é o terceiro EP do cantor Noan Ray, composto em viagens nos períodos de shows, o cantor o descreve como o mais intimo e sincero de todos os seus projetos. \\"this is all... (fine line)'"\\ é a canção de abertura do projeto e tem um cunho emocional em cada frase, em todos os versos presentes. Com uma temática sobre um amor perdido, deixado, Noan escreve poeticamente sobre a idealização de uma relação não mais construída, apenas destruída em todas as palavras vomitadas de forma intima mas emocional, servindo com uma abertura forte mas perfeitamente colocada para o compilado. \\"mountain fog'"\\ é a segunda faixa e escolhida como single promocional, com a utilização de figuras de linguagem, o cantor compara seus sentimentos de um relacionamento que não existe mais com uma montanha russa. Noan, assim como na primeira faixa, consegue ser bem descritivo e emocional, mostrando a carga de maturidade que tem como compositor. \\"Alanis'"\\ e o seu significado é um dos pontos altos, com uma verdadeira harmonia e leveza, Noan consegue transcrever todo o seu amor e amizade por Alex. "Bound by the same ambitions and spirits", Noan traz uma tamanha delicadeza, personalidade na composição que é quase impossível não desejar fazer parte dessa linda irmandade. Em \\"i'm here watching you walk out of the door"\\ vemos o desencontro como temática, algo utópico mas presente no cotidiano, uma relação que não mais se encaixa mas há a esperança. Uma das maiores qualidade do Noan é saber ser descritivo mas mesmo assim trazer sua persona e soar como uma linda música, aqui não é diferente e a entrega é exata e precisa. \\"memories drowned by the ocean"\\ tem uma frase crua como abertura "I thought about death yesterday", uma abertura precisa e que reflete todo o pensamento presente. São palavras nunca ditas mas pensadas, ecos que ficam em nossa mente constante mas jamais desaguadas. Definitivamente um dos destaques do compilado, com uma estrutura incrível e uma entrega etérea pelo cantor. \\"fist day of autumn"\\ encerra o EP e fala sobre reencontro e como talvez precisamos nos perder para nos encontrar. De uma linda e singela descrição, traz um toque de sutileza e beleza em que Noan demonstra mais uma vez sua esperteza ao entregar seus sentimentos sem soar óbvio. Produzido pelo próprio, a estética é fantástica e representa perfeitamente tudo emitido. Sua tonalidade, seu viual e posicionamente tipográfico encantam, trazem a obscuridade e ao mesmo tempo entregam a versão sonhadora que remetem a esse projeto. Ray se mostra um dos grandes astros dessa indústria e cada passo que dá é um grande avanço, mostrando a sua personalidade e acima de tudo como está sempre acima da média em tudo que se propõe a fazer, não há outro como ele na indústria.



TIME 88

Após um tempo sumido dos lançamentos e entrando em turnê, Noan Ray nos traz o seu terceiro extended play intitulado 'things that hurt in my soul at the opera'. Iniciando falando sobre o visual do extended play produzido pelo próprio Noan. A fotografia do encarte é certamente o ponto alto dele, ela é belíssima e também muito refinada, passando uma vibe única e que combina muito com o EP em si, com destaque especial para a sua capa que tem muito potencial de ser uma das melhores do ano. Entretando, um dos pontos negativos do encarte é que a edição infelizmente acaba por deixar a desejar, é um EP que não precisa de muitos exageros, a sua fotografia por si só se sustentaria, mas a edição acabou "pesando a mão" por assim dizer, com certas páginas até mesmo chegando a ficar com um brilho extremamente alto, não sendo muito prazeroso de se olhar. Mesmo com esse ponto mencionado, que facilmente pode ser melhorado em trabalhos futuros, o novo projeto de Noan Ray nos entrega um visual bom e com uma das melhores fotografia do ano. Falando sobre as letras, Noan Ray sempre foi conhecido por suas ótimas composições e aqui não é diferente. O EP nos traz 7 canções que foram escritas durante os intervalos da mais recente turnê do cantor, e nelas encontramos um lado totalmente pessoal de Ray, com canções parecem que saíram diretamente da alma mais profunda do cantor. Iniciando por "this is all... (fine line)" temos uma confissão do cantor acerca de seu estado mental atualmente não se encontrar muito bem com a música sendo a única coisa que anima o cantor atualmente. É uma bela canção, que consegue evitar de ser melodramatica, sabendo dosar muito bem as coisas. 'mountain fog' é a proxima faixa e é uma das melhores canções do EP sem sobra de dúvidas, não é atoa que é um dos singles do trabalho. É uma canção sentimental que traz um refrão incrível muito bem construído com ótimas rimas. 'alanis' é a terceira faixa e é mais um dos singles do trabalho, sendo uma canção que fala sobre amizade, e é uma canção muito doce e bela, sendo um bom quebra-tom pós a melancolia das faixas anteriores. As demais faixas 'face the happiness', 'i'm here watching you walk out of the door' e 'memories drowned by the ocean' são basicamente Noan Ray 101, são o tipo de canções que o cantor está habituado a escrever e lançar, e isso está longe de ser ruim, pois são muito bem escritas e desenvolvidas especialmente 'memories drowned by the ocean', entretanto elas se encaixariam em qualquer trabalho do cantor. O EP se encerra com 'fist day of autumn', e não poderia encerrar de melhor maneira. Uma faixa que traz um refrão que encerra tudo o que foi cantado nas demais faixas, dando um senso de encerramento ao ouvinte, e claro, uma bela canção. Noan Ray nos entrega um ótimo EP, com ótimas canções e um visual bom, que poderia ser melhorado. Se ele for uma prévia de como vai ser o seu proximo álbum de estúdio, Ray está no caminho certo.



American Songwriter 81

Sempre somos presenteados com novas obras de Noan Ray. things that hurt in my soul at the opera, seu mais recente mini-disco, é um prelúdio supreendente e inesperado para AKIRA, seu futuro disco. E se estas sete músicas dizem algo além de sua sensibilidade aguçada e um talento que continua em crescimento, é que estaremos sempre em boas mãos com projetos como este. "this is all... (fine line)" funciona como uma boa introdução; aqui, Noan cria o cenário ideal para refletir sobre um amor e tudo o que sobra ao fim dele. Usando de suas descrições hiperrealistas, uma de suas marcas estilísticas mais famosas, o artista realmente mostra um lado sensível e desde a primeira faixa, um amadurecimento muito forte e concreto na maneira como confecciona sua lírica. "mountain fog" é uma sincera canção desde o seu primeiro verso; cheio de suas palavras, razões e questões, o artista discorre o fim de uma relação e como tudo culmina em desespero e melancolia no pós, seja ao se deparar com bilhetes e questionar o porquê de existirem até cada sentença sobre o papel, até ver sua montanha favorita coberta com névoa. Cada analogia aqui é usada com domínio, mesmo que em alguns momentos, um polimento quanto à estrutura se faz necessário. Em "alanis", Noan canta o amor e a amizade em uma linda carta aberta à Alex Fleming, seu amigo e colaborador de tantos anos. É impossível não sentir algo entre a ternura e a emoção ao ouvir essa canção, que se torna um verdadeiro hino de celebração a alguém, talvez o definitivo, entre tantas outras canções que entram neste hall. É uma ótima faixa, acima de tudo, acertiva nos detalhes e bem dosada. Seguindo-a, "face the happiness" é mais um exemplar da catártica visão sobre expurgar a dor e transformá-la em canção. Aqui, Ray conta como viu a felicidade escapar por entre seus dedos e como a tristeza lhe corrói em minuciosas metáforas. É uma canção que não foge do que vimos no começo da obra, e talvez atribua à sua posição de reduzir os passos e desacelerar na chama que o EP teve ao se iniciar. Porém, é uma bela adição por sua coesão. "i'm here watching you walk out of the door" narra os locais por onde o eu lírico e seu amado passaram, trazendo um novo sentido a tais cenários com o fim de uma relação. Aqui, o tema é bem similar à faixa anterior, e similar à "mountain fog" igualmente. Há uma camada suave de pertencimento ao imaginário da dor pós amor, algo que Noan canta com facilidade, entretanto, mesmo com bons momentos como o refrão interessante e talhado com exatidão, a canção se torna redundante e pouco diversa. "memories drowned by the ocean" urge da necessidade de trazer à tona não só as memórias e o que construiu toda a sua relação com a terceira pessoa, como também se torna um suspiro fresco no conteúdo do mini álbum. Noan parece um pouco mais confortável, com uma lírica que lembra mais os seus primeiros projetos, com uma certa doçura provocativa e ácida enquanto discorre o amor e as lembranças. Certamente o tom experimental e levemente psicodélico que o artista usa aqui se torna um acerto gigante. O compilado se encerra com "first day of autumn", de maneira bem justa, onde o artista contempla a finitude de tantos âmbitos e adquire para si fantasias com fantasmas e certezas de vida que definem relacionamentos com outras pessoas, além de si mesmo. É uma canção belíssima, e sintetiza bem o espírito do projeto. É delicada, porém potente, e honesta com pouca dosagem; é Noan Ray em seu melhor, rasgado e exagerado, mas com o amor presente, e um pouco da dor também. Visualmente, o preto-e-branco se une ao conteúdo lírico para chegar ao resultado melancólico e contemplativo que Noan cunhou em suas canções. É simples, focado em fotografias, com fontes finas e em itálico, o que geralmente cria um ar de comodidade e intimidade entre o ouvinte e o artista. things that hurt in my soul at the opera é mais um dos inúmeros trabalhos de Noan Ray, mas que traz o artista ao lado mais maduro de sua carreira até agora. É fácil identificar pelo extended play, terceiro de sua discografia, que o artista de BEDROOM DRAMA e TEENAGE agora é um homem; seus problemas são seus, da terceira pessoa no papel do amante, dos fantasmas que rondam sua vida e relações, e principalmente seus, ao embarcar na rápida e singular aventura que o artista propõe.