Telenovela Rubia Reggaeton, Pop, Dance202313 músicas

The Boston Globe 99

Em seu segundo álbum de estúdio, Rubia mergulha em seu melodrama pessoal e em todo seu exagero intencional para narrar histórias em capítulos de uma verdadeira novela mexicana, e o álbum segue nesse fluxo teatral de uma forma sensacional. "Piloto" encaixa perfeitamente como a faixa de introdução do projeto, onde a faixa autoexplicativa contém versos que mostram o caminho que o álbum vai seguir a partir dali e deixa o ouvinte ansioso para continuar; apesar de a faixa não servir como um interlúdio, já que não temos nenhum material antecessor à música para separar narrativas. Em "Dolor y Drama", Rubia mergulha no seu melodrama particular em uma composição ardente e satisfatória. A música entrega toda a angústia contínua da cantora através de versos bem colocados. "Estefano" se porta como a música mais interessante do projeto até então. Sua abordagem mais sensual e atrevida por parte de Rubia cria uma atmosfera totalmente sedutora com o ouvinte, e o ar "proibido" que a canção carrega é o fator X que faz a música crescer; além da excelente composição da cantora em cada verso. "Falsa Scarlett" segue com a versão mais atrevida da cantora, com ainda mais sagacidade. A faixa cresce a cada verso apresentado, ganhando pontos pela sensação constante de estarmos em uma dramaturgia mexicana ao acompanhá-la, e isso, ao lado de sua composição feroz, a faz uma das melhores do álbum. "Miu Miu Miniskirt" em relação às anteriores, se mantém com uma lírica agradável e envolvente por parte de Rubia, mas os versos de Sana Dawn Thomas na canção não soam tão empolgantes quanto. "Marie Antoinette" mostra o ponto alto do álbum em questões dramatúrgicas, onde Rubia enriquece cada verso com seu potencial teatral e cria uma narrativa fantástica em seus versos. "Marie Antoinette" se destaca como um dos pontos altos do álbum pela sua composição mais do que atrativa, referências acertivas e abordagem coerente com o tema. "Ensoñaciones" é a faixa mais fraca do álbum até então. Seus versos não empolgam muito comparados aos anteriores, e é a primeira do álbum que soa como um "filler" do que uma canção que está acrescentando na construção da história. "Veraño en Bariloche" segue com uma versão de Rubia mais imersiva em seus relacionamentos e sentimentos, onde dá para ter uma boa noção do que a cantora está sentindo em seus tons melodramáticos. "Chiquita" é a música mais descontraída do álbum, com versos mais específicos para referenciar a moda, e a adição de MOE na parceria é bastante acertiva, com os versos da cantora se destacando na canção. "Por Su Dolorosa Pasión" contém versos bastante interessantes, onde seus versos conduzem bem a história que Rubia quer contar em uma composição rica em sentimentalismo e ironia em momentos cruciais. "Guilty Pleasure" é o primeiro single do álbum e uma boa canção, mas acaba sendo ofuscada por diversas canções do álbum que poderiam ter sido escolhas mais interessantes. "Honda" contém uma narrativa interessante de ser acompanhada. "Santa No Soy" encerra o álbum de forma majestosa e inteligente, onde Rubia engloba toda a sua história em versos que podem ser considerados um dos melhores do álbum, enquanto a artista brinca com toda a sua sagacidade exposta no álbum. Visualmente, é fácil dizer que Rubia está no seu ponto mais alto. Em comparação com "Soloris", Rubia conseguiu entregar um visual mais ardente, mais imerso na ideia que o álbum apresenta e com cores mais vivas, que expressam totalmente a ideia que o álbum quer passar e também remetem bastante a novelas latinas. É inegável afirmar que a adição do conceito teatral e dramatúrgico no "Telenovela" foi a carta de mestre de Rubia para criar não só seu melhor trabalho, mas também do ano. O álbum se mantém centrado do começo ao fim, com interpretações que mantêm o álbum extremamente coeso em composições onde Rubia se porta como a melhor do seu gênero. "Telenovela" remete bem à dramaturgia latina e expõe que Rubia atingiu o ápice da sua criatividade lírica ao apresentar algo tão grandioso.



Spin 96

Pouco mais de 1 ano após o lançamento de seu primeiro disco, Rubia já está de volta com o “Telenovela”, um álbum recheado com 13 faixas que trazem influências de telenovelas latinas antigas e uma mescla dos gêneros pop, dance e reggaeton. O projeto abre em ///“Piloto (Interlúdio)”///, que de uma forma dramática e marcante, introduz a persona do álbum passando por uma fase de dúvidas e insegurança, em versos como “Me duelen las mejillas con mis dientes en exhibición”, ela demonstra que a personagem tem que se camuflar com sorrisos para esconder os seus verdadeiros sentimentos. Logo em seguida, temos a faixa ///“Dolor y Drama”///, trazendo Rubi desesperada em uma rua sem saída sem conseguir achar soluções para consertar os seus erros que estão prejudicando sua relação. Gritando por perdão, a faixa traz uma mescla de uma letra triste e angustiante com um instrumental dançante e reggaeton. ///“Estefano”///, uma das melhores faixas do projeto, traz o sensual de uma maneira caótica, a faixa conta sobre uma paixão proibida pelo pai de sua melhor amiga. ///“Falsa Scarlett”/// é um dos grandes destaques do projeto, em uma faixa explosiva, Rubia canta em tons irônicos sobre o rancor e ódio que tem de uma de suas antigas amigas. Os versos de abertura da canção “Sé que soy el única protagonista / Tengo la sensación de que te he estado sacudiendo / Tu mirada de reojo se convierte en envidia” demonstram de forma cômica como Rubia se vê como a protagonista de uma telenovela e a sua antiga amiga apenas como uma antagonista invejosa. ///“Miu Miu Miniskirt”///, uma parceria com a cantora Sana Dawn Thomas, é uma boa canção sobre um amor momentâneo que teve que ser deixado para trás. Em ///”Marie Antoinette”/// temos a comicidade irônica do álbum voltando, durante toda a canção, Rubia se compara com a figura histórica, Maria Antonieta e coloca em destaque a sua futilidade, em versos como “Lo siento, estoy envuelto en mi Dior favorito” e “Eu chorarei / Mas derrubarei lágrimas em Cartier”, Rubia debocha de sua obsessão por grandes marcas de luxo. Em ///“Ensoñaciones”///, temos uma Rubia contando sobre um amor proibido criado em sua imaginação de uma maneira exagerada. Em ///“Verano En Bariloche”///, outra canção de amor, Rubia faz um sátira muito interessante, comparando a sua atual relação que está em um momento frio e sem troca de amor, com uma viagem a Bariloche durante o Verão, que é quando o local recebe menos visitas. ///“Chiquita”/// traz Rubia se juntando com a cantora nipo-britânica, MOE, para cantar sobre a jovialidade das duas de uma forma debochada e exagerada, a faixa usa e abusa de elementos da industria latina e pop culture, citando nomes como Marilyn Monroe, Selena Quintanilla e Evita, a canção é um dos pontos altos do disco, é um momento memorável que com certeza ficará nas nossas mentes por muito tempo. Na dramática, ///“Por Su Dolorosa Pasión”/// temos uma canção contando sobre como Rubia se mostra arrependida diante suas ações num relacionamento, se justificando falando que fez tudo apenas por amor. Em ///“HONDA”///, uma parceria com o cantor GABRIEL, os dois trazem sátiras sobre a competição musical que é criada na mídia entre eles, trazendo referências a uma corrida, a qual o objetivo é ganhar. É uma boa canção, mas que não se destaca diante das outras grandes faixas do projeto. Em ///“Guilty Pleasure”///, canção que foi utilizada como primeiro single do LP, Rubia traz a história de um triângulo amoroso, sobre estar apaixonada pelo seu ex-namorado, mas ainda sentir paixão pelo atual. Finalizando o álbum, temos a faixa ///“Santa No Soy”///, Rubia se mostra em um estado de imperfeição, cantando sobre seus erros e defeitos, a cantora abre sobre sua vulnerabilidade e entrega uma ótima faixa de encerramento. “Sobre todo sé que santa no soy / Sé que santa no fui” foi o verso utilizado para encerrar o disco, o que de maneira perfeita, se liga com todo o propósito do álbum: contar sobre a vida de uma protagonista imperfeita. Falando da parte visual, Rubia produziu o projeto juntamente de PRAYOR, e temos um resultado extremamente polido com a utilização de grandes elementos da cultura latina, telenovelas, anos 2000 e a junção com cores quentes, é certamente, um dos grandes destaques visuais deste ano. Em “Telenovela”, temos o crescimento da artista, uma Rubia mais madura e que elevou todas as expectativas que tínhamos para o seu segundo álbum de estúdio.



Variety 96

Rubia é uma das artistas mais interessantes da nova geração, a cantora Argentina tem criado um caminho formidavel em sua carreira e o seu mais novo disco tem o papel de solidificar a cantora como um nome de peso do Latin. Intitulado de 'Telenovela', Rubia nos traz um conceito totalmente único inspirado nas protagonistas de novelas latinas, então encontramos um álbum exagerado, dramático em suas emoções mas sem chegar a um melodrama, e claro, um ámbum muito interessante. Contando com 13 faixas, Rubia consegue trazer um twist muito interessante para a sua lírica ao flertar com elementos não trabalhados em seus trabalhos anteriores. Maior destaque disso são as faixas "Estefano", "Falsa Scarlett", e "Marie Antoinette" faixas que trazem uma Rubia ambiciosa e arrogante até mesmo fútil, mas que conseguem saber como dosar e entregar isso, em nenhum momento soando forçado graças aos seus versos bem escritos e muito bem estruturados. O prazer carnal também se encontra em várias faixas, mas ele é falado de formas tão diversas que em nenhum momento soa repetitivo, e isso é muito digno de nota de como Rubia consegue falar de um mesmo assunto de maneiras diferentes, com o melhor exemplo disso sendo 'Ensoñaciones' e, a já conhecida, 'Guilty PLeasure'. O álbum se encerra com 'Santa No Soy', que além de ser uma das melhores faixas do disco, termina o disco como se fosse um último episódio de uma novela, com a Rubia, nossa protagonista, mostrando toda sua vulnerabilidade e como ela é como é sem culpa disso. O visual é um dos maiores charmes do álbum. Sendo produzido pela própria cantora e por PRAYOR o complimentando com um HTML imersivo, encontramos um álbum belissimo, com uma fotografia perfeita. O encarte consegue com sucesso levar o ouvinte para o mundo da Rubia, com ele realmente parecendo que saiu direto de um anúncio de alguma novela do SBT. Importante mencionar o capricho que a cantora tem de explicar tudo do seu disco, indo além do sobre, mas também na sonoridade e a arte. O unico defeito do visual é a posição da fonte dos titúlos das canções, muitas vezes sobressaindo das letras no encarte, dando um aspecto de lotado demais. Em resumo, "Telenovela" se torna o magnum opus de Rubia, uma verdadeira amostra do talento da cantora não só como compositora, mas também em suas habilidades de storytelling. A Argentina está criando uma bela carreira de se assistir, e certamente mal esperamos para o próximo álbum dessa protagonista.



Los Angeles Time 98

Após o sucesso de “Guilty Pleasure”, Rubia lança o seu tão aguardado segundo álbum de estúdio, “Telenovela”. Introduzido por “Piloto (Interludio)”, a canção traduz uma personalidade fragilizada e insegura, de certa forma melancólica e que não soa tão pronta para os próximos passos da vida, mas ainda sim se mantém de pé. “Dolor Y Drama” segue a faixa antecessora com esse melodrama expressivo, mas com um sentimento de arrependimento pelas ações mais explosivas e duvidosas de si em uma relação, mostrando ao ouvinte uma imagem de descontrole, mas um descontrole anunciado como não-intencional. “Estefano” é sensual, caótica e ousada em suas repartições mais diversas, narrando um romance e sentimento proibido e controverso de Rubia; a faixa aqui se conecta com as anteriores com coesão, mostrando essa imagem agindo em suas situações amorosas e emocionais e acrescentando a narrativa. “Falsa Scarlett” é intensa e direta ao ponto, mostrando suas desavenças e desgostos por uma ex-amiga que tentou se aproveitar de sua bondade no passado, mas agora a artista argentina responde ao abuso psicológico com palavras ácidas e certeiras, sem medo do que elas podem produzir ao ouvinte; e isso acrescenta, sem hesitações, a experiência do disco. “Miu Miu Miniskirt” em colaboração com Sana Dawn Thomas é uma canção interessante ao que o disco propõex narrando aqui uma relação de Rubia com uma garota que foi passageira, mas que a marcou de certa forma, aqui fazendo o papel de acrescentar a imagem melodramática do disco também a desinibição da mesma nessa situação mais fogosa. “Marie Antoinette” desenvolve ainda mais a imagem de Rubia no disco, aqui mostrando uma certa irresponsabilidade dela explicada pela sua forma de viver a sua vida, sem muitas desculpas ou ressentimentos, já que isso é o que realmente importa para si no fim do dia. A construção é diferente das anteriores, o que é um ponto positivo aqui. “Ensoñaciones” mostra um eu-lírico com pouco valor próprio de certa maneira, já que o entrega em uma situação mais utópica e unilateral, alimentado por ilusões e imagens próprias de si. A lírica da faixa é um ponto extremamente positivo, dando um deleite certo ao ouvinte. “Veraño En Bariloche” parte o coração, seguindo uma linha de pensamento que cruza então a sensibilidade de Rubia em meio a consciência de que não ama tanto aquela pessoa em específico quanto antes, e que esse amor restante parece estar se desfazendo ainda mais. Suas metáforas e sua construção traz um momento perfeito no sentido de soar melancólica e um pouco caótica (como o disco em si, num sentido muito positivo). “Chiquita” em parceira com MOE é um momento de certo amadurecimento geral de Rubia, retornando ao lado mais fútil e focado no seu próprio prazer, mas dessa vez com uma canção bem mais ousada, que brinca com diversas referências junto a outras vivências. É uma canção totalmente diferente das anteriores, mas isso é positivo; aqui, Rubia e MOE conseguem manipular o sentido fashion para o que Telenovela precisa nesse momento. “Por Su Dolorosa Pasión” resgata fragmentos da faixa que antecedeu Chiquita, mas aqui o sentimento é de consciência de que lutou, mesmo que tenha sido por um amor unilateral, e não que a luta não seria válida para si. A canção soa dramática e intensa, realmente funcionando na tracklist para abrir ainda mais os pontos explorados. “Guilty Pleasure” traz a ousadia de Rubia novamente, aqui mostrando a mesma apaixonada por duas pessoas ao mesmo tempo, ex e atual, meio que mostrando que mesmo com o fim, a paixão ainda é mantida. A faixa soa fraca na tracklist, mesmo que ainda seja boa, já que as outras diversas faixas pareçam cumprir o seu papel e não trazer tanto a necessidade dessa canção nesse ponto. “Honda” em parceira com GABRIEL resgata novamente uma Rubia sem papas na língua, aqui mostrando a pessoas específicas que em certas competições ela sempre irá se sobressair, sobrepondo-se a qualquer tipo de tentativa de deixa-la para trás. O verso de GABRIEL serve como um diálogo importante para entender onde a artista quis mirar em sua narrativa. “Santa No Soy” finaliza com uma Rubia mais do que certa de si, consciente do que pode ter feito, e consciente do que fizeram com ela ao longo do tempo. Nessa canção, a mensagem é clara: ela sabe do que as pessoas são capazes, mesmo que seja chocante. O visual do projeto traz todas as divisões do disco em uma centralidade invejável; cores vívidas, uma estética anos 2000 marcante e uma fotografia mais ousada e robusta, além de tipografias e artefatos gráficos que incrementam a ideia com sabedoria. Num geral, Telenovela é um exemplo de como Rubia cresceu como artista ao longo dos anos, trazendo um disco que retrata sua experiencia como mulher e como artista.



Spin 78

Uma das artistas mais emblemáticas que surgiram na indústria nos últimos anos, retorna com seu segundo album, após passar pela experiência de um extended play aclamado por sua singularidade, \"Telenovela\", é lançado oficialmente para somar na discografia de Rubia. O album é inspirado em protagonistas marcantes de Telenovelas Latinas, descrito como um compilado de canções que desbravam os dramas exagerados e a futilidade que essas personas se alimentam. O conteúdo visual produzido pela artista ao lado de PRAYØR remetem bastante a proposta principal do disco que abusa do exagero e ainda trazem uma certa nostalgia quanto ao visual de seu primeiro álbum, tanto na escolha de elementos gráficos quanto na tipografia presente nas páginas do encarte do \"Telenovela\". A diferença é percebida principalmente pela edição muito mais empenhada e polida em comparação com qualquer outro projeto da artista. \"Piloto\" o interlúdio que apropriadamente poderia ser chamado de introdução, abre o album de modo bastante centrado e retraído, a persona nesse primeiro momento lida com sua própria fragilidade. \"Dolor Y Drama\", da continuidade a introdução do disco, nesse momento descrevendo a maneira que tal persona se sente perdida e arrependida de seus erros. Ao chegar na terceira faixa, \"Estefano\", encontramos uma nova personalidade lírica, dessa vez contendo um teor mais sensual e menos autodestrutivo. E para combinar com essa personalidade mais confiante, \"Falsa Scarlett\", chega carregada de afirmação e furia, trazendo uma dinamica diferente das faixas que a antecedem. \"Miu Miu Miniskirt\" em parceria com Sana Dawn Thomas, tinha tudo para ser uma canção sobre um amor livre, mas narra a apreensão de um relacionamento que jamais deixaria de ser um segredo, e mesmo sendo uma canção atraente e jovial, não é um dos pontos altos do disco em comparação com as faixas anteriores. \"Marie Antoinette\", chega para vingar a faixa anterior, trazendo um conteúdo lírico muito mais rico e definido, onde a artista soube fazer um ótimo uso das referências aplicadas, o que torna a faixa 6 uma das melhores dessa primeira parte do disco. Explorando um pouco de sua mente criativa e fantasiosa, \"Ensoñaciones\", é uma das canções em que o exagero se contextualiza bem com a narrativa e soa bastante interessante para o ouvinte. \"Verano En Bariloche\" aparece em sequência, e demonstra como o conteúdo lírico está sendo melhor aproveitado nessa segunda parte do disco, as referências parecem mais firmes, e isso se confirma também com as faixas \"Chiquita\" em parceria com a cantora Moe e \"Por Su Dolorosa Pasión\", ambas faixas muito bem compostas. O album chega no lead single do projeto, \"Guilty Pleasure\" onde a inspiração estética é mais voltada as divas adolescentes e norte-americanas dos anos 2000. A canção possui versos muito bons e um refrão que não acompanha seus versos, mas é perceptível as motivações que a artista teve em tornar a faixa 11 o primeiro contato do público. \"Honda\" em parceria com Gabriel é talvez a parceria que mais faz sentido no album, a letra é bastante animada e cativante e se destaca entre as demais por trazer referências que não romantizam as emoções. \"Santa No So\" encerra o disco com um eu lírico mais confessional e vulnerável, a lírica parece mais madura e Rubia poderia ter mostrado mais esse lado destemido e direto de sua personalidade. Em uma análise sóbria, encontramos um conteúdo bastante criativo e interativo, que mesmo beirando ao clichê proposital consegue se manter distante de algo entediante, mesmo pecando pela falta de sequência na narrativa e uma linha do tempo um tanto quanto confusa. Rubia prova que as fronteiras de sua criatividade são muito mais amplas do que se pode esperar, mesmo quando ela entrega um produto totalmente pop, porém não se arrisca a ir em águas mais profundas no gênero. \"Telenovela\" é um album que poderia ter sido muito mais coeso, mas é salvo pela criatividade e pelo conteúdo bem trabalhado, mesmo que individualmente, nas 13 faixas.



American Songwriter 82

\"Telenovela\" é o segundo estúdio da cantora e compositora latina Rubia. A cantora latina aposta em uma temática nostálgica sobre a cultura latina, que vai de referências a símbolos de novelas populares dos anos 2000, personagens e vilões de novelas, também influência do diretor espanhol Pedro Almodóvar, assim como uma mistura de ritmos latinos que vão do pop latino ao reggaeton. Tendo como abertura a faixa \"Piloto\", dar-se o primeiro passo do que pode ser a essência do que pode-se encontrar durante o disco, a ideia da ambiguidade sobre protagonista e antagonista, a dúvida sobre qual lado a pertence, deixa um mistério essencial que toda canção introdutória deveria ter, esta cumpre seu papel; Em seguida, \"Dolor Y Drama\" traz uma reflexão ou um posicionamento sobre o que a personagem se sente, nesse caso, sentimento de perdição. A faixa faz um quebra do mistério introdutório, não por um desenvolvimento da história, mas pela escolha ser a mais óbvia que existe, canções sobre estar perdida e confusa são as maiores trends do último ano e a expectativa da intro mostrava um caminho mais criativo que pôde se encontrar aqui; As sequências de \"Stefano\" e \"Falsa Scarlett\", mostra uma dualidade de personagem, Rubia é uma pessoa diferente em cada faixa, em uma retratando uma personagem ousada e que se encontra em um amor que pode ser visto como imoral, na outra uma vilã rancorosa e vingativa; Em uma breve viagem a Revolução Francesa ema uma das figuras destacáveis, Rubia traz \"Maria Antoinette\" em uma canção inspirada na questão fútil retratada sobre a história da Rainha da França e sua beleza; Em \"Miu Miu Miniskirt\", em colaboração com a cantora Sana Dawn Thomas, as cantoras fogem de uma narrativa que vinha seguindo sobre personas, pra uma canção mais bem formal, com alusões e metáforas, versos não fechados, que levam pra um lado muito diferente do que vinha seguindo; Já em \"Ensoñaciones e Verano En Bariloche\" é retratado o amor, de primeira, um utópico por alguém criado pela sua imaginação, enquanto na seguinte sobre um amor não recíproco, em uma virada de página bem estranha, Rubia trata duas músicas sobre um amor perdido mas com letras diferentes, o que soa duas canções estranhas, ainda mais seguidas uma da outra; \"Chiquita\", single com participação com a cantora e talentosa Moe, é uma experiência latina muito divertida, mas ao mesmo tempo confusa. Ao retratar e celebrar a cultura latina, citando referências, a canção também celebra a moda e a cultura europeia nos mesmos seguimentos, o que deixa uma impressão de perda de objetivo do que poderia ter sido algo mais impactante sobre a cultura latina em sí e, até mesmo, sobre a moda, afinal, a moda não se resume apenas em grifes europeias; \"Por Su Dolorosa Pasión\" é melancólica, é exagerada até um ponto e rapidamente suave, é como uma telenovela literalmente, sendo o grande destaque lírico do projeto até então; \"Guilty Pleasure\", também um dos singles do disco, é uma faixa filler quando ouvida com o album, com inspiração de artistas pop americanas e um letra não muito bem desenvolvida, a canção se destoa da temática que de referencia está apenas a sua sonoridade latin pop; A canção \"Honda\", com participação do cantor latino Gabriel, é um reggaeton divertido, com versos interessantes, que traz essa essência do reggaeton que, também, está muito presente na cultura latina há décadas, foi bom ouvir este gênero dentro do disco e, acredito, que tenha sua importância pra conexão com a temática; Finalizando o album, \"Santa No Soy\" é um recado sobre perfeccionismo, assim, Rubia está pro erro e pros acertos, ela nunca foi santa e nunca será e, apesar de uma rápida escrita, é uma canção que não finaliza como um desfecho pro disco, mas não deixa de ser interessante. O album foi produzido pela própria Rubia em colaboração com PRAYOR, e traz essa temática vintage, principalmente dos anos 2000, sobre novelas, com tons exagerados e fontes grandes, muito bem interessante. No entanto, ao decorrer do encarte, acaba exibindo uma poluição pela mistura de cores usadas; Por mais que o visual vintage tenha seus exageros, este sempre teve um seguimento coeso de cores, de fontes e até mesmo de imagens, o que em \"Telenovela\" transparece algo que foi feito com tudo possível pra soar vintage de uma forma que não precisava; Tais apontamentos não diminui a qualidade e a beleza do encarte, muito bem feito e produzido, apenas uma questão de visão do cenário vintage e a sensação que transmite ao olhar crítico de quem aqui escreve que, as vezes, menos é mais. Por fim, \"Telenova\" possui uma temática incrivelmente criativa, com canções de sua primeira parte onde Rubia incorpora personas e, sim, lembra as personagens que foram descritas como inspirações; Outrora, no meio do disco há um desfoque do conceito, onde há referências sobre a moda europeia, personagens distantes da cultura latina e referências visuais de um diretor, também, espanhol. Há uma mistura de uma cultura que, apesar da mesma base latim, da linguagem, não se conectam com as Telenovelas aqui inspiradas. O disco é um grande passo na carreira de Rubia e que, dependendo da visão crítica sobre a cultura latina e suas influências do ouvinte, poderá ter significados diferentes, isso significa ousadia e criatividade de uma artista que já tem seu caminho trilhado pra ser uma das maiores da indústria.



Rolling Stone 97

Após uma sublime estreia com o etéreo \\"Estrella Fugaz"\\, uma das maiores sensações da indústria, Rubia, retorna com seu segundo álbum de estúdio, \\"Telenovela"\\. Descrito como um projeto que homenageia protagonistas da teledramaturgia latina, a obra tem como inspiração personas que se destacam pela ambiguidade. Assim como toda telenovela, em \\"Piloto (Interlude)"\\, Rubia se apresenta como uma persona deslocada enquanto está em cena. É uma faixa introdutória, que ao mesmo tempo que conduz, gera indagações sobre os próximos passos da artista. Em sequência, explorando uma certa dualidade, \\"Dolor Y Drama"\\ e \\"Estefano"\\ entregam contrastes que enriquecem a obra. Na primeira, a cantora utiliza o reggaeton como pano de fundo para uma composição que explora a encenação. Com versos recheados de termos cênicos, Rubia reafirma sua posição melancólica e perdida. A segunda, por sua vez, apresenta um amor avassalador regado a muita sensualidade. "Estefano" é uma paixão proibida, o pai de sua melhor amiga, a aventura lasciva que desnorteia os sentidos da latina. É uma faixa provocativa e que cria uma nova ótica acerca das composições da artista. Iniciando um dos pontos altos do long play, \\"Falsa Scarlet"\\ surge como um proeminente recado de condenação. Acusatória, Gonzales se deixa levar pela fúria, apresentando versos caracterizados por um profundo amargor. \\"O seu olhar de lado está convertido à inveja"\\, \\"Fui apenas alvo de seu desejo?"\\ e \\"Não adianta me enxergar no reflexo do seu espelho"\\ denotam uma relação conturbada. Expandindo sua lírica afiada, Rubia afirma sem pestanejar: sua individualidade se tornou a obsessão de uma antiga amizade. Referenciando uma grife italiana, em \\"Miu Miu Miniskirt"\\, a letrista convida Sana Dawn Thomas para uma colaboração completamente fresh. A canção, que consegue transmitir o sentimento de "urgência", reflete uma experiência momentânea, onde ambas se deixam levar a um lugar até então desconhecido. É um ótimo exemplo de como explorar novas experiências. Em sequência, inspirada em uma figura histórica, \\"Marie Antoniette"\\ desponta como um clássico hino narcisista. A faixa, muito bem escrita, é responsável por expor todas as futilidades de uma jovem vivendo uma vida sem pudores. Os versos são audaciosos, esbanjando suntuosidade. \\"Ensoñaciones"\\ e \\"Verano En Bariloche"\\ possuem temáticas parecidas. De forma única, ambas falam sobre amor. A primeira, mesmo que de maneira utópica, novamente cria uma narrativa de amor proibido. Já na segunda, as coisas se tornam mais interessantes, com o verão em Bariloche se tornando o cenário de um amor fadado ao fracasso, uma relação que não há reciprocidade. Dependendo da perspectiva, a sequência pode soar um tanto repetitiva. Retornando a típica vivacidade do LP, a colaboração com a nipo-britânica MOE é apresentada com versos poderosos e que surpreendem. Referenciando a si mesmas e trazendo referências que englobam a indústria high fashion e cinematográfica, \\"CHIQUITA"\\ pode ser considerada uma faixa que representa o \\"puro suco do pop"\\. Ainda falando sobre as participações de destaque, GABRIEL é o convidado da deliciosa \\"Honda"\\. Com uma sinergia fascinante, os latinos competem entre si através de versos repletos de arrogância. É uma faixa notável e que se difere de tudo que já foi visto no álbum. Em \\"Por Su Dolorosa Pasión"\\, título utilizado por Rubia numa telenova fictícia como pretexto para anunciar o álbum, o melodrama é encenado da forma mais dramática possível. A cantora, brincando de ser uma imaculada santa, justifica seus atos em decorrência de uma devastadora paixão. É o drama em sua forma mais nociva. Presa em um triângulo amoroso, a já conhecida \\"Guilty Pleasure"\\ revisita e repagina os sucessos da década de 2000. Encerrando a jornada de uma personagem que após tantos dilemas reconhece suas falhas, \\"Santa No Soy"\\ desabrocha como o último capítulo da obra. Durante a canção, a protagonista finalmente assume o papel de antagonista. Com a direção de arte assinada por Rubia e PRAYØR, a produção é inspirada no célebre diretor Pedro Almodóvar. Ao misturar drama com a influência de personagens caricatas, o visual utiliza do exagero estético para contar uma história de maneira muito particular. Marcantes, as cores possuem um importante papel narrativo, evocando os sentimentos vividos pela personagem, além de provocar sensações no ouvinte. Protagonizados pelo vermelho, os dramas de Rubia adquirem intensidade, e quem os acompanha, se encontra preso às narrativas ao se conectar com o universo colorido do projeto. Capturada pelas lentes de Ellen Von Unwerth, as imagens, além de dinâmicas, servem como um ótimo complemento para a atmosfera vintage. Se estabelecendo firmemente como uma das artistas mais influentes e talentosas de sua geração, em seu segundo long play, Rubia propicia uma obra que não apenas eleva sua trajetória a novos patamares, mas também deixa uma marca indelével na música contemporânea. \\"Telenovela"\\ é, sem dúvida, um marco em sua carreira e uma conquista notável para a música latina.



AllMusic 85

A estrela latina Rubia lançou seu novo álbum de estúdio, "Telenovela". Explorando batidas mais dançantes do reggaeton e elementos eletrônicos da dance music, a artista se inspira nas telenovelas latino-americanas, incorporando referências à dramaturgia e mesclando seus sentimentos e experiências pessoais com papéis dramaturgos. O título da introdução, "Piloto", faz alusão à ideia de um primeiro episódio, um recurso utilizado por muitas séries para conquistar a atenção de produtores ou canais televisivos. Essa abordagem mostra a criatividade e o carisma da artista logo na primeira faixa. Nessa abertura, Rubia se encontra perdida e desconfortável com sua situação atual, estabelecendo o tom para o que está por vir. Logo em seguida, somos apresentados a "Dolor Y Drama", que confirma o que foi revelado na primeira faixa: o eu lírico está perdido e imerso em tristeza. No entanto, a melancolia prometida não parece se desenvolver de forma convincente. A inclusão de metáforas e alusões ao mundo da dramaturgia, utilizadas para reforçar o conceito de "Telenovela", funciona da melhor maneira possível. Em uma brusca mudança de tom, temos "Estefano", em que a cantora mira na sensualidade, mas atinge o cômico. A canção descreve um amor proibido, e os primeiros versos carregam a sensualidade prometida. No entanto, a partir do primeiro refrão, a faixa assume um tom magnificamente paródico. O que poderia ter sido uma canção cheia de apelo sexual se transforma em algo elegantemente cômico, reminiscente de uma verdadeira telenovela. "Estefano" não é a única faixa que incorpora bem o elemento melodramático das telenovelas. Em "Falsa Scarlett", a artista revela outro lado divertido e igualmente cômico. Cada verso mistura comédia e exagero, e a inspiração presente na lírica enriquece a obra. "Marie Antoinette" e "Ensoñaciones" traz outra mudança de atmosfera, retornado ao que fora apresentado no inicio. O equilíbrio entre as canções em um álbum desempenha um papel crucial na experiência do ouvinte, garantindo que o disco não se torne monótono ou cansativo. No entanto, o que Rubia faz em "Telenovela" é um misto de temáticas, em que a transição abrupta entre diferentes cria uma montanha-russa que pode dividir opniões. Talvez retornar ao conceito inicial não tenha sido a melhor ideia, essas faixas passam despercebidas diante as icônicas "Estafano", "Falsa Scarlett" e a canção a seguir: "Verano En Bariloche". Esta se destaca entre as duas anteriores pelo ponto perfeito de sua carga melodramática. Comparar a perda de um amor com um ponto turístico vazio é uma metáfora ultrajante, e Rubia a traduz com maestria, capturando a essência de uma protagonista de telenovela. "Santa No Soy" certamente atua como uma faixa final competente, oferecendo uma conclusão para a jornada musical apresentada por Rubia em "Telenovela". No entanto, quando consideramos a trajetória narrativa estabelecida ao longo do álbum, a canção acaba sendo prejudicada pela falta de desenvolvimento das narrativas que foram apenas brevemente exploradas ao longo do disco. Parece que Rubia deixou muitas pontas soltas e não conseguiu aprofundar completamente as histórias que sugeriu inicialmente. Assim, embora "Santa No Soy" seja uma boa faixa por si só, deixa uma sensação de que poderia ter sido mais impactante se tivesse sido melhor integrada ao restante do álbum. As colaborações presentes no disco demonstram uma notável química entre os artistas envolvidos e contribuem para a diversidade de "Telenovela". No entanto, é importante notar que, apesar da harmonia e das boas performances dos colaboradores, Sana, Gabriel e Moe, nenhuma delas se destaca diante das grandiosas faixas em que Rubia brilha sozinha. A artista parece dominar o espaço e a narrativa de suas músicas solo de forma cativante e expressiva, o que pode tornar as colaborações um pouco eclipsadas em comparação. Embora essas parcerias adicionem variedade ao álbum, são as faixas solo de Rubia que realmente brilham e deixam uma impressão duradoura. No que diz respeito ao aspecto visual do álbum, é inegável que as fotos selecionadas para compor o encarte são de alta qualidade e capturam com precisão a essência da artista. No entanto, a execução da parte gráfica deixa a desejar em diversos aspectos. O uso excessivo de saturação de cores, juntamente com a presença de múltiplas fontes, algumas delas esteticamente desagradáveis, que ocupam espaços significativos no encarte, pode criar uma sensação de desordem e distrair a atenção do espectador do que realmente importa, que são as imagens incríveis da artista. Teria sido possível explorar alternativas de edição que preservassem a qualidade das fotos enquanto mantinham uma abordagem visual mais coesa e agradável, o que teria elevado ainda mais o impacto do álbum como um todo. Em resumo, "Telenovela" de Rubia se destaca por sua abordagem cômica e exagerada, sem medo de ser ousado e provocativo. No entanto, o álbum peca na execução de sua proposta narrativa complexa. Talvez Rubia pudesse considerar a simplicidade como uma alternativa viável, permitindo que seu talento lírico brilhasse sem as restrições de uma narrativa intricada. A capacidade da artista de escrever bem e envolver o ouvinte é inegável, mas há uma falta de atenção aos detalhes na construção dessa narrativa, resultando em uma experiência que deixa a desejar. Curiosamente, as faixas que se destacam são aquelas que parecem mais desconexas, como "Estefano" e "Falsa Scarlett," o que sugere que Rubia talvez se beneficie de uma abordagem mais livre e despreocupada em futuros projetos musicais.



American Songwriter 78

Com uma estratégia de marketing muito divertida, a estrela latina Rubia lança seu novo álbum de estúdio intitulado "Telenovela" que mistura reggaeton e dance, com um pouco de pop e muita excentricidade. A cantora aposta e promete em diversas referência da dramaturgia, unindo seus sentimentos mais vilanescos e encarnando papéis maléficos. A introdução "Piloto" coloca em prosa a famosa cena de Mia Goth em Pearl: "Minhas bochechas doem com os meus dentes em exibição". Nessa abertura, Rubia está perdida e desconfortável em estar onde está, e coloca uma icógnita no que pode vir a frente. A cansativa "Dolor Y Drama" confirma o que foi revelado na primeira faixa, mas a melancolia da letra não chega a lugar algum, talvez por não conseguir dramatizar o sentimento da tristeza e do devaneio amoroso. Como se fosse da água pro vinho, Rubia está puramente sensual em "Estefano", canção explícita que conta seu desejo e paixão por um homem mais velho. A faixa é realmente divertida e notamos um vício de Rubia pela palavra "cetim" ou algo que referencia tons pastéis, cantados lá no "Solaris", seu último EP. A faixa em questão é muito bem escrita e insere no "Telenovela" um corte sensual bem idealizado e escrito. Em outra surpresa, "Falsa Scarlett" faz o disco não seguir um corte temporal coerente mas tem um lírica ácida, sagaz e icônica. Rubia grita: "¡Te estás derritiendo y es amargo!" e isso será um viral. O eu-lírico que contribui a um espécie de clímax entre duas mulheres que querem preencher a mesma cena, Rubia se sobressai e empurra sua adversária para um plano secundário. Cada verso é uma mistura do cômico com o camp, e o refrão é o suprassumo do deboche. "Marie Antoinette" e "Ensoñaciones" retoma a atmosfera azul que conhecemos no começo da audição. Hora se colocando no lugar de uma figura clássica e em outro momento contanto um sonho cinematográfico ilusório, Rubia coloca no meio da tracklist um momento que ao mesmo tempo é de alívio após um início intenso, promove duas faixas que não são descartáveis, mas passam desapercebidas. Como uma trindade melancólica, "Verano En Bariloche" chega como mais uma caneta onde Rubia insere versos que se tornariam icônicos: "Yo no te amo más / Como un verano en Bariloche / No veo más sentido en nosotros". O momento mais divertido de toda a obra está na parceria entre Rubia e MOE. A faixa é tão descontraída e tão inacreditável que é um dos ápices do disco, trazendo latinidade, referências, fashion core e muita ironia. Todos os versos são puramente cômicos e o conceito de ser uma canção de quebra de expectativas dos outros para com elas funciona. É uma dupla implacável e imperdível e sim, a melhor faixa de "Telenovela". "Por Su Dolorosa Pasíon" Rubia está novamente azul, em "Guilty Pleasure" predominantemente numa desilusão amorosa a três e "Honda", a colaboração cativando com GABRIEL que abusa de recursos líricos para conter a aceleração em mais uma parceria que funciona, cheia de carisma e conexão. "Santa No Soy" concluiu o incoerente enredo criado por Rubia numa faixa que explica o que é esse personagem, sem nome, criado pela cantora. A faixa explicita que essa caracterização é de uma mulher cercada de defeitos, mas que nunca se deixa em segundo lugar, se impõe, erra, ama, não ama mais e consegue ser vingativa. Ao concluir as 13 faixas do projeto, dá pra perceber que em critérios líricos, Rubia está em um momento de ouro. Faixas carregadas de referências e trechos completos e bem pensado formam a carga de composições do "Telenovela" superior. O que incomoda é analisar o que foi prometido, talvez ali, de primeira, um álbum que entregasse reviravoltas no estilo novelas mexicanas, porém a carga melodramática do disco nos levou a um storytelling que demorou, mas demorou mesmo pra acontecer. A falta de coerência também prejudica a experiência, já que ali na primeira parte do projeto Rubia vai de A a Z em pequenos cortes, o que pode reforçar o que foi dito na última faixa, mas num contexto de novelas televisivas, sem dúvidas, a equipe de edição deveria ser demitida. Como um link, partimos para o encarte, e referenciando Almodóvar Rubia peca em prometer exagero, e exagera negativamente. Utilizando pelo menos quatro tipografias diferentes, e comentando sobre a serifada, que deslize. A fonte não contribui para a atmosfera do álbum, a datilografada e a clássica funcionam muito melhor juntas, sem esquecer de momentos da Helvetica que até fazem sentido. O uso, ainda dos alfabetos, é errôneo e mal pensando, já que a produtora usa-os para preencher espaços vazios, utilizar como alegoria ou como borda etc. Os traçados também remete a atmosfera vintage prometida, mas parece datado ao ver produções da latina para outros artistas, criando uma marca, mas criando uma marca clichê. Com uma fotografia teatral, Rubia até acerta. A última página de "Santa No Soy" é um espetáculo e é o único momento do booklet que o visual agrada. Além disso, a escolha de alguns momentos onde as fontes estão avermelhadas, com aspecto blur, um desfoque gaussiano de fundo, uma imagem texturizada atrás... Aqui sim dá pra ver o apelo faltante e prometido de Amodovar. Contudo, Rubia só prova, mais uma vez, que é quem é e que chegou onde é principalmente pelo seu talento lírico, inserindo muita criatividade em todas as faixas, porém quando pensamos e colocar o que foi prometido em prática, não funciona 100%. Devaneios de continuação acontecem várias vezes por aqui. Talvez, para não errar nesses aspectos, a melhoria da curadoria da tracklist poderia contribuir para uma narrativa de começo, meio e fim mais palatável. Talvez, no visual, se a artista tivesse escolhido menos cores para atrelar a sua composição de design e transferido determinadas escolhas tipográficas para suas ideias arquivadas, inserindo mais fotografia e menos formas, traçadas e alegorias exageradamente negativas, teríamos aqui um encarte avassalador. "Telenovela" pode ser caracterizado como uma deliciosa e carismática bagunça.



Billboard 96

Rubia nos presenteia com o lançamento do seu segundo álbum de estúdio, “Telenovela”, e nos mostra o seu amadurecimento como artista. O disco faz um bom trabalho em representar a cultura latina e a sua atmosfera sem cair no erro de criar algo caricato. As melodias são coesas e cativantes do começo ao fim, embora nem todas tenham o potencial comercial da aclamada \"Guilty Pleasure\", o que acaba por reforçar o acerto na sua escolha como lead single do projeto. Outro ponto positivo do álbum é a parte visual, com produção de Rubia e auxílio de PRAYØR. A arte consegue demonstrar o que o projeto representa, tendo bom acabamento e com a clara essência da cantora. É um visual que consegue a diferenciar das demais artistas e que reforça a identidade de Rubia no mercado latino. O material se inicia com \"Piloto (Interludio)\", em que a cantora demonstra vulnerabilidade e uma tentativa de se encontrar e também introduz o conceito de telenovelas que está presente nas outras canções. Ela diz não saber se é a protagonista ou a antagonista, sendo apenas “perdida”, mas a verdade é que no restante das faixas vemos um pouco de tudo, do protagonismo ao antagonismo: a narrativa do “Telenovela” representa a história de uma personagem complexa com erros e acertos, qualidades e defeitos, o que ajuda a tornar o álbum mais identificável para o público. Isso pode ser observado principalmente em \"Falsa Scarlett\", em que vemos uma narrativa repleta de amargura e rivalidade e em \"Por Su Dolorosa Pasión\", faixa que aparenta reconhecer essas falhas pessoais, mas opta por terceirizar essa culpa para justificar suas ações. De forma semelhante, ela encerra o álbum com \"Santa No Soyt\", canção em que novamente reconhece suas imperfeições, mas tenta contextualizá-las ao se colocar em uma certa posição de villain origin story. As colaborações do álbum foram bem escolhidas para agregar em sua qualidade, com a já conhecida \"Chiquita\" com MOE, a provocante \“Miu Miu Miniskirt\” com Sana Dawn Thomas e a união latina com Gabriel em \"Honda\". Outro destaque do álbum é \“Marie Antoinette\”, uma das canções mais extravagantes e over the top da tracklist, que seria uma das melhores opções para um futuro single. Não temos dúvidas de que Rubia pode alcançar os seus objetivos com o “Telenovelas”, pois o álbum traz todas as ferramentas para atingir todos os públicos e expandir a carreira de Rubia dentro e fora da América Latina.



Pitchfork 90

O grande nome latino do último ano está de volta com seu segundo álbum de estúdio intitulado de “Telenovela”, descrito como uma viagem inspirada por diversas como o próprio título diz, telenovelas latinas. O compilado contém 13 faixas, divididas em drama, vingança, luxúria e amor, reunindo o que pode-se dizer, o conteúdo lírico mais interessante é embasado de sua carreira até o momento. O disco inicia com “Piloto (Interlude)”. A faixa que como o título diz, é um prólogo do que iremos ter no álbum e, aborda a confusão de sentimentos e do seu lugar nessa vida “glamurosa” incendiada pela chama da fama. É um começo estonteante para o projeto, com “Tal vez una chica de unos 26 años se perdió en medio de los polos / Ser melodramático está pasado de moda / Pero me encuentras tan apasionado como todos los dilemas” sendo o grande destaque da faixa. Em seguida, “Dolor Y Drama” continua na mesma abordagem lírica da primeira faixa, mas dessa vez, com o eu lírico se desculpando pelo caos instaurado por sua própria “bagunça”, não conseguindo gerar respostas necessárias para todos os questionamentos impressos em seu coração. “Estefano” é uma especie de carta confessional proibida ao pai de uma de suas melhores amigas. A diferença de idade se mostra um dos pontos a serem questionados pela cantora ao não poder cultivar esse amor proibido. Linhas como “Con mi vestido de Chloé / Rosa como nuestra pasión / En un atardecer dorado / Me perdí completamente encontrándote” soam como uma espécie de súplica a “Estefano”. Um grande destaque do álbum até o momento. Falando em destaques, “Falsa Scarlett” é a faixa mais explosiva e raivosa do disco até agora. Narrando sua repulsa por uma amizade do passado, o alter ego de Rubia descreve sua perspectiva dos fatos acerca dessa relação com rancor e um certo tom de angústia. Seus princípios e emoções foram colocados em cheque e, não há mais espaço para empatia nesse capítulo do livro. Em “Miu Miu Miniskirt” e “Marie Antoinette” temos uma Rubia ainda mais despida da sua figura conhecida pela mídia e mais inundada das personas criadas para as duas narrativas. A primeira faixa é uma colaboração com Sana Dawn Thomas e, narra um romance regado as incertezas e promessas dos bastidores. A faixa soa como uma conversa entre as duas artistas, com o final não inédito, mas arrebatador só mesmo jeito. Em “Marie Antoinette” a fragilidade e futilidade tomam conta das palavras escritas pela cantora. O jogo de seu alter ego e sua nova perspectiva trazem um certo “frescor” lítico ao projeto, perpetuando uma nova faceta ser encontrada por aqui. “Por Su Dolorosa Pasión”, “Verano En Bariloche” e “Ensoñaciones” são um trio de canções que resumidas brevemente, abordam diferentes vertentes de um relacionamento. Desde traição, afastamento até compulsão por uma versão dos fatos. Embora não soem como o grande destaque até aqui, ainda conseguem permanecer coesas com o que foi previamente pontuado até aqui. A parceria com o cantor brasileiro GABRIEL intitulada de “HONDA” faz o uso da metáfora da montadora de motos com o ambiente de uma corrida para descrever o momento onde duas pessoas estão disputando entre si. En mi Honda Retro CB300 / Ya no necesito tu olor a 1.99 / Con la bota vaquera encima del pedal derecho
soy mi propio guia / Por las rutas de Buenos Aires / Descarto cualquier mapa y dirección
Como un motociclista salvaje / ¿Tienes miedo de este viaje? / é cantada no refrão com a proeminência da batida característica do reggaeton, tendo como adição o verso do cantor latino caindo como uma luva de seda. Outra faixa com destaque, mas dessa vez pela quebra do ciclo climático e narrativo do álbum. Encerrando o LP, temos “Santa No Soy” como amarração densa e sólida dessa jornada. A faixa exacerbada, mostra todas as imperfeições e apontamentos da protagonista dessa história, de maneira brilhante e otimista de uma certa maneira. Os detalhes colocados pela cantora conseguem manter a atenção até o final, dando ao “Telenovela” um final digno de grandes clássicos da teledramaturgia. Em breve avaliação sobre os singles, o lead da era, “Guilty Pleasure”, embarca na inspiração dos clássicos teen dos anos 2000, descrevendo um triângulo amoroso onde a cantora se vê presa nessa teia de aranha sem saber o direcionamento exato que deve dar ao seu coração. Já “Chiquita”, é uma faixa sobre jovialidade e os gostos impressos a essa condição de existência. O uso de referências latinas e elementos da pop culture, criam uma faixa com cara de verão e pronta para as pistas de danças. Os dois singles conseguem se distanciar bastante do álbum ao mesmo tempo que intercalam dois dos vários polos presentes no mesmo. Visualmente, temos Rubia e PRAYOR como os responsáveis pela direção e exceção criativa. Aqui não há dúvidas de que muito tempo, trabalho e pesquisa foram postos na mesa para que tudo saísse e tivesse a conclusão que tem. O uso das cores mais quentes reforçam a dramaticidade do projeto, ao mesmo tempo que os efeitos análgicos criam a ambientação de uma espécie de “golden era” para o pacote dramaturgo elaborado. É um dos projetos visuais mais polidos e bem executados do ano sem sombra de dúvidas, com destaque para a capa com elementos sutilmente posicionamos, fazendo com que a memória fotográfica relacione os objetos encontrados em cena. Em sumo, quando todo grande artista surge em sua espiral de fama em seu primeiro álbum, as expectativas para um segundo passo de sua carreira são ainda mais fortes de um certo ponto de vista. E aqui, temos um exemplo claro de que uma estrela cadente consegue sonhar e realizar os seus próprios desejos de maneira brilhante.