
American Songwriter 88
Após a conclusão de "When Sensitivity Is A Gift", a cantora americana DAPHY retorna com uma nova obra intitulada "ALT-KIMIA Of BLUE". Este álbum, composto por dez faixas, oferece uma imersão na jornada do autoconhecimento e no equilíbrio interior, transitando habilidosamente pelos gêneros Synthpop, alternativo e eletrônico. A faixa “Aquamarine” destaca-se pela sua notável capacidade de transmutar emoções profundas em metáforas líricas eloquentes. DAPHY explora o amor como uma força ilimitada, desprovida de definições rígidas, e, apesar da sua breve duração, a canção imprime uma marca duradoura através de sua sutileza e eficácia. Por outro lado, “Coeur d'eau” apresenta-se como uma reflexão provocativa sobre a aceitação do término de um relacionamento. DAPHY emprega metáforas inovadoras e perspicazes, um traço distintivo de sua identidade artística. Esta composição, ainda que breve, é rica em significados que evocam uma sensação de doçura e leveza, mesmo ao abordar o fim de um grande amor. A faixa “Hotel Mermaid” ilustra o aproveitamento da solidão pela artista, integrando elementos de um ambiente hoteleiro para descrever o movimento incessante do mundo ao seu redor, ao passo que ela se mantém em seu próprio ritmo. Esta canção talvez possua a letra mais complexa do álbum, cuja estrutura sólida a posiciona como uma potencial obra-prima. “Save The Whales” trata da dualidade entre o auxílio ao futuro dos outros e a dificuldade em lidar com o próprio futuro. DAPHY reflete sobre sua experiência como taróloga, que abandonou ao perceber a falta de controle sobre seu próprio destino. A letra, embora não isenta de méritos, carece de um polimento adicional, similar ao observado na faixa anterior. O interlúdio que divide o álbum, intitulado “Oceanic Feelings - ad”, revela a excentricidade e genialidade da artista de maneira bizarra, engraçada e criativa, apresentando um lado alternativo do seu projeto. “January Kid” é uma faixa que explora a raiva infantilizada da artista em relação a surpresas, associando essa emoção a bolos de aniversário e festas surpresa. Embora interessante, a canção parece destoar do restante do álbum, talvez soando deslocada entre as faixas anteriores. “Ice Core Project” transporta-nos para um cenário de ficção científica, inspirado por um episódio da série The X-Files. Em contraste com a faixa de abertura, DAPHY critica a natureza humana e sua propensão autodestrutiva. Com “Digital Toki Pona”, DAPHY busca compreender sua identidade artística, afastando-se do convencional. Referenciando a linguagem artificial no título, a cantora explora como o meio digital transforma nossa percepção da arte e do novo. A composição é marcada por uma lírica intrigante e acessível, tornando-se uma peça inteligente e cativante. O álbum culmina em “Drinking Blue Ink”, uma faixa imponente em vários aspectos, com uma letra refinada que emerge como o ápice do projeto. A estrutura lírica da canção entrelaça-se com a ideia de submersão aquática, alinhando-se perfeitamente com o conceito do álbum. O aspecto visual, atribuído à própria DAPHY, é encantador, com a cor azul como elemento central, simbolizando uma transição emocional que reforça o conceito do disco. Em suma, DAPHY oferece um material lírico de grande qualidade, repleto de conceitos profundos que incitam a interpretação e reflexão, revelando ao mundo uma artista singular com uma visão criativa extraordinária.

Variety 92
Em seu terceiro álbum de estúdio, a americana DAPHY se joga em um mundo conceitual movido pela fusão do Synthpop, alternativo e eletrônico que por 10 faixas nos mostra uma jornada pelo auto conhecimento e equilibro na conexão consigo próprio utilizando o simbolismo da água e do ar para dividir o álbum liricamente e sonoricamente, além da artista buscar nos elevar a uma experiência de um pop inteligente e bizarro. “Aquamarine” abre o disco de forma inteligente, bizarra e poética. Cantando sobre diversas espécies diferentes de animais se apaixonando e com uma lírica poética, a garota de 20 anos exemplifica como o amor pode ser diverso e todos os obstáculos que poderemos enfrentar ao conhecê-lo. É uma grande abertura nos empolgando sobre o que poder vir daqui em diante. “Coeur d'eau” é uma canção provocativa sobre como podemos nos sentir confortáveis em um fim de um relacionamento, DAPHY usa metáforas estranhas e inteligentes, o que é da sua identidade artística, é uma canção curta, mas cheia de significados que nos fazem sentir um aroma doce é uma brisa leve mesmo ouvindo de forma única sobre o fim de um grande amor. Em sua terceira faixa intitulada de “Hotel Mermaid”, a artista canta sobre uma mulher que vive solitária e almeja o reconhecimento pela sua arte, trazendo também as vertente do que a fama pode te causar e até te decepcionar na sua singela ponte. A lírica aqui é leve e inteligente, nos fazendo navegar por essas águas junto com DAPHY e entender a mensagem que a artista nos entrega. “Save The Whales” é uma abordagem diferente entre as faixas anteriores, a artista aqui narra um momento específico em sua existência. A garota nova-iorquina canta sobre quando ela lia cartas de tarô e conseguia entender o futuro das outras pessoas, mas que se via em um conflito interno ao perceber que da sua própria vida não tinha controle, e não conseguia prever seus próximos passos. Mesmo sendo talvez a ideia mais empolgante para uma faixa até aqui, também temos a lírica mais fraca também, o ponto forte da canção é o refrão, mas o restante soa inferior, seria uma poderosa canção se a artista conseguisse igualar a lírica por toda sua construção. A Interlude que divide o disco é intitulada “Oceanic Feelings - ad”. A mensagem deixada aqui mostra toda a excentricidade da artista e sua genialidade, apresentando de forma bizarra, engraçada e criativa o lado B do seu projeto. “Tête d'air” é uma faixa totalmente experimental onde a americana canta sobre como as ideias do signo do elemento ar, Aquário, influência toda sua criatividade e visão artística. Em uma lírica que parece mais um delírio da artista regado de muito excentricidade, DAPHY nos apresenta de forma complexa o teor das próximas faixas e ainda traz pequenos versos de faixas da primeira parte do álbum como forma de mostrar a mudança brusca que será compartilhada com os ouvintes. “January Kid” traz gritos infantilizados e esperneios da artista, onde ela materializa a sua grande raiva por surpresas, interligando essa ideia ao bolo de aniversário e a festas surpresas. É uma faixa interessante e assustadora, que mostra como a mente criativa de DAPHY é única. “Ice Core Project” é uma faixa excêntrica e que causa choque ao ouvinte, sendo totalmente diferente das anteriores. Aqui a artista aponta a humanidade como o verdadeiro monstro dentro da sua história. A lírica utilizada aqui é agressiva e toda sua analogia com uma pesquisa dentro de um laboratório afirmando que a humanidade são vermes é inteligente e genial. “Digital Toki Pona” é estranha e confusa, mas que no fim faz algum sentido. Com uma vibe futurista, DAPHY narra aqui como precisa sair da internet para poder compor e exercer sua arte genuinamente. Finalizando o projeto, temos a faixa intitulada “Drinking Blue Ink”. Nessa faixa, a americana nos conta sobre está cansada de não poder experimentar uma felicidade completa, e traz a analogia que é uma metrópole submersa por água. Em todos versos da canção a artista demonstra toda sua obsessão pela tema aquático, com versos provocativos entendemos a mensagem que é colocada em cada verso e como ela mesmo diz bebemos tudo pelo canudo, absorvendo sua bizarrice e sentido o gosto da sua genialidade. Visualmente, o projeto é agradável e intrigante. Sabendo que todo o visual é assinado pela própria artista e que ela não é de fato uma produtora, podemos dizer que mesmo sem ser bem polido, o projeto é bonito e casa com a mensagem do álbum, demonstrando toda a bizarrice encontrada na veia artista de DAPHY. “ALT-KIMIA Of BLUE” é uma álbum que soa confuso, bizarro de uma forma positiva. DAPHY beira a genialidade dentro da sua arte excêntrica, nos demonstrando ter um enorme potencial dentro da indústria, porém muito subestimado por grande parte dela. DAPHY tem ideias e uma lírica fora do comum, nos entregando algo que certamente seria desagradável com todos esses gritos, sussurros, vozes destorcidas e instrumentais bagunçados, de maneira agradável e genial com sua forma única e diferente de fazer música.

Rolling Stone 74
Embrulhada por um espírito aquático, a cantora e compositora DAPHY lança seu terceiro álbum de estúdio, intitulado "ALT-KIMIA Of BLUE". O disco possui dez faixas e é dividido em duas partes: o lado A, nomeado "H2O Songs", e o lado B, "O2 Songs". O disco se inicia com o single "Aquamarine". Na canção, DAPHY explora o amor como um sentimento universal e poderoso, utilizando metáforas e o ambiente marinho para representar sua visão do tema. Por mais bela e profunda que seja, a repetição do refrão gera um certo estranhamento, impedindo um possível desdobramento para a cantora continuar a narrativa de sua ideia. Mesmo com essas repetições, a faixa de abertura nos dá uma prévia do universo criado por DAPHY em seu terceiro disco. Em seguida, temos a leve "Coeur d'eau". A faixa, que promete um "som pacífico e uma atmosfera de contemplação ambiental", acaba se perdendo nesse imenso oceano. O eu lírico clama por sua solitude e afirma que a falta de seu amado não o incomodará. No entanto, a letra peca pela falta de profundidade e, novamente, pela constante repetição. DAPHY recupera o fôlego em "Hotel Mermaid" e entrega uma deliciosa faixa sobre a harmonia da solidão. Seguindo a narrativa anterior, acompanhamos uma mulher que vive sozinha em um hotel. A cantora utiliza várias metáforas e aborda o tema de forma leve, nos mergulhando na história e no cotidiano dessa mulher, apelidada de "sereia do hotel". "Save The Whales" é uma faixa estranha sobre a dualidade de ajudar o futuro alheio e não conseguir lidar com o próprio. DAPHY compõe sobre seu momento como taróloga, que abandonou ao perceber a falta de controle sobre seu próprio futuro. A letra não é ruim, mas falta um certo polimento, como na faixa anterior. "Oceanic Feelings - ad" marca o final do primeiro bloco do álbum, "H2O Songs", e o início do segundo, "O2 Songs". No interlúdio, a cantora fala com os ouvintes como em uma estação de rádio, capturando o momento de transição. A sexta faixa, "Tête d'air", aborda a forma fluida como os pensamentos da cantora passam por sua mente. DAPHY atribui ao seu signo o poder de trazer ideias fortes e transformá-las com sua criatividade. A canção, porém, não se aprofunda no tópico, sendo bastante linear em seu escopo. Em "January Kid", DAPHY foge de toda a estrutura do disco e faz uma canção-sátira sobre seu ódio por bolos de aniversário. A faixa, que deveria ser divertida, é mal estruturada e repetitiva, evocando um sentimento de vergonha em algumas partes. "Ice Core Project" continua com a atmosfera sombria que assume o disco e nos leva para um cenário de ficção científica. Inspirada por um episódio da série The X-Files, DAPHY vai na contramão de "Aquamarine" e critica a natureza humana e seu poder autodestrutivo. Em termos de qualidade, a faixa mantém os problemas de repetição e aborda o tema de forma tão fraca que se torna cansativa. Em "Digital Toki Pona", DAPHY busca entender sua identidade como artista, fugindo do óbvio. Fazendo alusão à linguagem artificial no título, a cantora discute como o meio digital altera nossa percepção de arte e do novo. A letra continua repetitiva, mas DAPHY consegue ultrapassar esse entrave ao desenvolver uma lírica chamativa e de fácil identificação. Finalizando o disco, "Drinking Blue Ink" retorna ao universo aquático do álbum em um desabafo sobre a tristeza e a solidão da timidez. DAPHY, com suas metáforas bem elaboradas, evoca um peso melancólico para a lírica, tornando a faixa um dos pontos altos do álbum e fechando de forma magistral a narrativa. Visualmente, o disco é sólido, apresentando uma estética coesa. No entanto, falta um acabamento para tornar o trabalho visualmente harmônico e belo. Em suma, DAPHY apresenta em seu terceiro álbum um conceito ousado, buscando nos elementos uma forma de entender a vida, os sentimentos e as relações. Contudo, a cantora ainda precisa corrigir alguns problemas que tornam suas composições não tão belas quanto o conceito apresentado se propõe.

The Boston Globe 70
No seu novo álbum, "ALT-KIMIA Of BLUE", DAPHY se aventura em um território musical que mescla inovação e introspecção, explorando temas complexos com uma abordagem conceitual ousada. A obra se abre com "Aquamarine", uma faixa que imediatamente chama a atenção pela sua habilidade em transformar sentimentos profundos em metáforas líricas. DAPHY canta sobre o amor como uma força sem limites, livre de definições rígidas, e a canção, apesar de sua breve duração, deixa uma marca pela sua sutileza e eficácia. "Coeur d'eau" segue um caminho semelhante em termos de suavidade e lirismo, embora não alcance o mesmo nível de impacto emocional de sua predecessora. A composição é delicada e íntima, mas falta a ela a força necessária para se destacar. Por outro lado, "Hotel Mermaid" apresenta uma leve decepção. A faixa carece de ambição, tanto em sua estrutura musical quanto em sua letra, que parece não encontrar o equilíbrio necessário para criar uma experiência coesa e envolvente. Em contraste, "Save the Whales" emerge como o ponto alto do álbum. Esta canção é um exemplo brilhante da criatividade de DAPHY, utilizando-se de metáforas intrigantes para abordar temas como vulnerabilidade e o medo da exposição. Cada verso é construído de maneira a aumentar a tensão e a profundidade da narrativa, tornando-a uma experiência verdadeiramente cativante, mesmo que o título permaneça enigmático em relação ao conteúdo da música. "Oceanic Feelings" introduz a segunda metade do álbum com uma energia renovada, preparando o terreno para "Tête d'air", uma faixa que reflete uma DAPHY mais leve e desprendida, quase como se estivesse flutuando em busca de liberdade. No entanto, essa leveza, por vezes, é acompanhada por uma sensação de incompletude, como se a canção pudesse ter explorado mais seu potencial lírico. Infelizmente, "January Kid" não consegue manter o ritmo estabelecido anteriormente, servindo mais como um preenchimento do que como uma peça central da obra. A canção carece de substância, não conseguindo justificar sua presença no álbum. Já "Ice Care Project" é um exemplo de uma boa ideia que não se traduz bem na prática. Apesar das tentativas de DAPHY de criar metáforas complexas, a execução acaba sendo confusa e desconexa. O álbum se encerra com "Drinking Blue Ink", uma faixa que, felizmente, recupera a sofisticação e o refinamento que permeiam os melhores momentos do projeto. A composição é rica e bem trabalhada, deixando uma impressão final positiva. Visualmente, o álbum apresenta um conceito esteticamente agradável, mas falta um refinamento maior na escolha de fontes e na elaboração geral do design, o que poderia ter elevado ainda mais o impacto visual da obra. Apesar de suas inconsistências, "ALT-KIMIA Of BLUE" revela o potencial de DAPHY como uma artista capaz de misturar criatividade e inteligência lírica. Embora alguns momentos sejam mais bem executados do que outros, o álbum deixa claro que DAPHY tem muito a oferecer e que sua jornada musical está apenas começando.
TIME 82
Mesmo tendo lançado recentemente o ousado "When Sensitivity Is A Gift", a cantora americana DAPHY retorna com outro disco intitulado "ALT-KIMIA Of BLUE", onde promete deixar toda a melancolia pra trás e embarcar em caminhos mais positivos. Dito isto, "Aquamarine", uma canção curta, deixa no há um sentimento, com ajuda de metáforas, de um amor por diferentes pessoas, em meio a questionamentos bem feitos; Aquamarine deixa um gostinho de quero mais, mas seu refrão no final de forma repetitiva traz um sentimento acolhedor. Acredita-se que "Coeur d'eau" dá o primeiro passo pra esse recomeço da superação de emoções tristes, porém sua letra não é muito desenvolvida, curta, e diz muito pouco sobre o conceito que tem uma mensagem muito atraente. Outrora, "Hotel Mermaid" surge com uma originalidade, uma letra muito divertida com um refrão super criativo, o ouvinte consegue se identificar com essa persona solitária, mas ao mesmo tempo não incomodada com esta condição, de imediato uma grande destaque lírico do álbum. "Save The Whales" leva o ouvinte diretamente pro álbum anterior da cantora, acredita-se ser um sentimento que a afeta, mas aqui quebra um pouco da positividade que o disco estava a se desenvolver. "Oceanic Feelings - ad", um interlúdio, simples, que finalizada a primeira do disco e introduz a nova. Em "Tête d'air", que inicia o lado B, traz uma ligação a libertação emocional, a saída do caminho da escuridão, sendo a faixa que pode mais definir a proposta do disco até então, uma experiência cativante e que obtém seu objetivo. Todavia, apesar de sim, em alguns momentos soar divertida, "January Kid" é mais aleatória que cômica; A mudança que DAPHY prometeu pra algo brusco não necessitava de uma canção com apenas frases jogadas, poderia ter sido mais trabalhada. O teor psicodélico ainda continua em "Ice Core Project", uma canção onde trata trata sobre algo destrutivo com metáforas à uma invasão alienígena, tornando um ambiente paranoico, afastando a proeza oceânica e aquele ambiente aquático que a cantor vinha tratando com grande proeza; Uma canção que pode ser considerada um skip. Porém, em uma reviravolta, "Digital Toki Pona" traz o disco de volta aos trilhos, o que se parece uma crítica sobre composições, em seguir regras, normas, e enaltecer sua autenticidade, apenas uma grande faixa como esta pra recuperar o grande fôlego perdido, uma destaque lírico. Finalizando o disco com "Drinking Blue Ink", traz uma reflexão sobre o passado e apego à sentimentos, a cantora deixa no ar que precisava desse álbum pra desconectar de sentimentos triste do seu passado. O visual creditado como feito pela própria DAPHY é encantador, é aquático, é azul, traz essa sensação de acolhimento e ao mesmo tempo de uma transição emocional, fazendo total sentido com o conceito do disco. Em suma, "ALT-KIMIA Of BLUE" consegue fazer essa quebra que tanto aparentou incomodar a cantora após o lançamento do seu disco anterior; Em seu primeiro lado, o disco brilha com temas de superação, liberdade, autoestima, letras monumentais, porém, em seu lado B, há um grande corte de escrita em algumas faixas, de teor, o que seria pra transparecer uma psicodelia cativante, soou embaraçoso e quebra um pouco do sabor do projeto. No entanto, "ALT-KIMIA Of BLUE" estava quase lá, apenas decidiu optar por um caminho duvidoso que, no teor lírico, não precisa, estava ocorrendo tudo perfeitamente; Visualmente poderoso, liricamente com seus altos e baixos, mas DAPHY demostra que consegue sim trabalhar outros temas e ainda sim alcança seu objetivo conceitual, mesmo com tropeços.

Spin 76
Embrulhada por um espírito aquático, a cantora e compositora DAPHY lança seu terceiro álbum de estúdio, intitulado "ALT-KIMIA Of BLUE". O disco possui dez faixas e é dividido em duas partes: o lado A, nomeado "H2O Songs", e o lado B, "O2 Songs". O disco se inicia com o single "Aquamarine". Na canção, DAPHY explora o amor como um sentimento universal e poderoso, utilizando metáforas e o ambiente marinho para representar sua visão do tema. Por mais bela e profunda que seja, a repetição do refrão gera um certo estranhamento, impedindo um possível desdobramento para a cantora continuar a narrativa de sua ideia. Mesmo com essas repetições, a faixa de abertura nos dá uma prévia do universo criado por DAPHY em seu terceiro disco. Em seguida, temos a leve "Coeur d'eau". A faixa, que promete um "som pacífico e uma atmosfera de contemplação ambiental", acaba se perdendo nesse imenso oceano. O eu lírico clama por sua solitude e afirma que a falta de seu amado não o incomodará. No entanto, a letra peca pela falta de profundidade e, novamente, pela constante repetição. DAPHY recupera o fôlego em "Hotel Mermaid" e entrega uma deliciosa faixa sobre a harmonia da solidão. Seguindo a narrativa anterior, acompanhamos uma mulher que vive sozinha em um hotel. A cantora utiliza várias metáforas e aborda o tema de forma leve, nos mergulhando na história e no cotidiano dessa mulher, apelidada de "sereia do hotel". "Save The Whales" é uma faixa estranha sobre a dualidade de ajudar o futuro alheio e não conseguir lidar com o próprio. DAPHY compõe sobre seu momento como taróloga, que abandonou ao perceber a falta de controle sobre seu próprio futuro. A letra não é ruim, mas falta um certo polimento, como na faixa anterior. "Oceanic Feelings - ad" marca o final do primeiro bloco do álbum, "H2O Songs", e o início do segundo, "O2 Songs". No interlúdio, a cantora fala com os ouvintes como em uma estação de rádio, capturando o momento de transição. A sexta faixa, "Tête d'air", aborda a forma fluida como os pensamentos da cantora passam por sua mente. DAPHY atribui ao seu signo o poder de trazer ideias fortes e transformá-las com sua criatividade. A canção, porém, não se aprofunda no tópico, sendo bastante linear em seu escopo. Em "January Kid", DAPHY foge de toda a estrutura do disco e faz uma canção-sátira sobre seu ódio por bolos de aniversário. A faixa, que deveria ser divertida, é mal estruturada e repetitiva, evocando um sentimento de vergonha em algumas partes. "Ice Core Project" continua com a atmosfera sombria que assume o disco e nos leva para um cenário de ficção científica. Inspirada por um episódio da série The X-Files, DAPHY vai na contramão de "Aquamarine" e critica a natureza humana e seu poder autodestrutivo. Em termos de qualidade, a faixa mantém os problemas de repetição e aborda o tema de forma tão fraca que se torna cansativa. Em "Digital Toki Pona", DAPHY busca entender sua identidade como artista, fugindo do óbvio. Fazendo alusão à linguagem artificial no título, a cantora discute como o meio digital altera nossa percepção de arte e do novo. A letra continua repetitiva, mas DAPHY consegue ultrapassar esse entrave ao desenvolver uma lírica chamativa e de fácil identificação. Finalizando o disco, "Drinking Blue Ink" retorna ao universo aquático do álbum em um desabafo sobre a tristeza e a solidão da timidez. DAPHY, com suas metáforas bem elaboradas, evoca um peso melancólico para a lírica, tornando a faixa um dos pontos altos do álbum e fechando de forma magistral a narrativa. Visualmente, o disco é sólido, apresentando uma estética coesa. No entanto, falta um acabamento para tornar o trabalho visualmente harmônico e belo. Em suma, DAPHY apresenta em seu terceiro álbum um conceito ousado, buscando nos elementos uma forma de entender a vida, os sentimentos e as relações. Contudo, a cantora ainda precisa corrigir alguns problemas que tornam suas composições não tão belas quanto o conceito apresentado se propõe.
AllMusic 72
“Alt-Kimia of Blue”, terceiro álbum de estúdio de Daphy, chega ao mercado com a proposta de ser “o primeiro álbum conceitual” vindo da artista, lidando com pseudociências astrológicas e mitologias que inspiram religiões ao redor do mundo, além de se dividir em dois lados, que exploram canções que giram em torno dos elementos H2O e O2. Iniciando a análise pela primeira faixa, “Aquamarine”, tem-se uma noção de leveza nos versos, que discutem as probabilidades do amor em frente a um mundo que se porta realista enquanto nega os sentimentos descritos. “Coeur D’Eau” enverga dentro de um intimismo retraído da cantora em um relacionamento onde ela aprecia o seu parceiro, mas aprecia sobretudo os momentos em que está sozinha; a simplicidade dos versos é seu maior forte criativo. “Hotel Mermaid” traz Daphy aproveitando sua solitude ao máximo, inserindo elementos de um cenário hoteleiro para descrever o quanto o mundo move ao seu redor ao mesmo tempo em que ela se move no próprio ritmo; há uma complexidade em sua estrutura que torna a composição forte o suficiente para se manter firme como um potencial single. “Save the Whales” se utiliza de um humor lírico para descrever a obsessão da artista com cartas de tarô e o misticismo de seu próprio destino. “Oceanic Feelings - Ad” é uma interlude de 1 minuto que transita os dois lados do álbum, representando a passagem da sensação marinha para a terra firme. “Tête D’Air”, por sua vez, inicia o Lado B do disco; Daphy mergulha no jazz alternativo para descrever uma conexão sobrenatural com a natureza recém-encontrada em sua vida, reforçando o novo ambiente da narrativa de forma quase imperceptível de se acentuar. Em “January Kid”, traz-se o post-punk na sonoridade para reforçar o sentimento da compositora de ódio por suas próprias festas de aniversário; a imaturidade proposital não funciona tão bem numa estrutura lírica que se dispara longe demais do resto do álbum, recaindo em uma incongruência narrativa que poderia ter sido deslocada para outro projeto. “Ice Core Project”, no entanto, utiliza a agressividade introduzida na faixa anterior e une a um sentimento de paranoia em um mistério terrestre (ou extraterrestre) que, aqui, funciona melhor, retoma o ritmo harmonioso do álbum e também certos elementos de complexidade dentro de simplicidade. “Drinking Blue Ink” traz a introspecção da primeira faixa do álbum em um encerramento de ciclo que mostra Daphy comparando sua tristeza aos elementos naturais trazidos ao longo da tracklist (“Apenas vinte por cento do oceano foi explorado / Como eu poderia explorar esses sentimentos?”), em uma estrutura bem polida e que consiste em uma das melhores faixas do CD por tal razão. Quanto à produção visual, assinada pela própria Daphy, seu objetivo é ser disruptivo com os elementos de construção de encarte, mas que peca por uma disjunção que, ainda que proposital, se porta publicamente de modo quase gutural demais para o conteúdo lírico que carrega em sua narrativa; o destaque positivo permanece na escolha fotográfica, a parte mais harmoniosa de sua apresentação. Por fim, “Alt-Kimia of Blue” é um projeto irregular, que traz altos e baixos a todo momento enquanto tenta se decidir entre qual dos conceitos se sente mais confortável em estar, um possível reflexo do estado de sua autora enquanto produzia o disco e que também deixará tal impacto no ouvinte - o de que havia mais a ser dito caso um foco tivesse sido escolhido.

Billboard 84
DAPHY lança 'ALT-KIMIA Of BLUE', seu terceiro álbum de estúdio. O álbum se inicia com 'Aquamarine', uma canção rápida, mas com passagens profundas e reflexivas. A canção levanta muitas perguntas e instiga o ouvinte a seguir explorando o material. 'Coeur d'eau' traz uma atmosfera pacífica, preenchida por uma composição curta e bem executada dentro da proposta, o eu lírico canta sobre os seus sentimentos de solitude e apreciação da sua liberdade. 'Hotel Mermaid' crava a melhor composição deste início, com uma composição robusta que utiliza de metáforas inteligentes para descrever uma história intrigante, com ótimos versos, como: "But in my dreamscape, love is an ocean // And we are fish, trying to go deeper on us emotions // But an aquarium stills a home // For dreamers who lost their faith in a cyclone". 'Save The Whales' é uma canção da qual utiliza outra história intrigante relacionada à vida da artista, também utilizando-se para falar sobre os seus receios e angustias. Embora tenha um conceito criativo, a escrita da canção não é muito envolvente e profunda, dificultando a conexão do ouvinte. 'Oceanic Feelings - ad' faz uma síntese do que vimos até o momento e reforça o mergulho que estamos fazendo na mente do eu lírico, conectando as divagações vistas em 'Tête d'air', que traz um estilo único de sons e leva o ouvinte com maestria a mente do eu lírico, tendo o pós-refrão como destaque em composição. Chegando próximo ao fim do álbum, ele assume um tom mais agressivo em faixas como 'January Kid' e 'Ice Core Project', que soam desconexas do restante da obra e enfrentam problemas líricos, como versos demasiadamente longos e repetitivos. Por fim, o álbum fecha em boa forma com a profunda e reflexiva 'Drinking Blue Ink', com belíssimos versos e passagens, a exemplo de todo o verso 2. O visual é simples, mas com escolhas visuais que condizem com a temática da obra e das composições descritas. Em conclusão, DAPHY entrega um ótimo material liricamente, com conceitos profundos e que ficam bastante no campo da interpretação e das ideias, fazendo com que cada ouvinte tenha uma experiência única ao ouvir o disco.

Pitchfork 75
Em seu novo álbum de estúdio, DAPHY experimenta sonoridades e mergulha em um mundo conceitual para mostrar ao seu público como a sua mente funciona. "Aquamarine" é uma canção que usa metáforas para enriquecer a composição da faixa, onde Daphy canta sobre não ter limites pra definir quem você amar; você apenas ama. A canção é inteligente, suave e eficaz, mesmo que curta. "Coeur d'eau" também é suave em sua forma, e mesmo que não empolgue quanto a anterior, a composição é sutil. "Hotel Mermaid" deixa um pouco a desejar. A faixa não é ambiciosa e não tem uma base lírica que faça fluir bem. "Save the Whales" é a melhor canção do projeto. A faixa é criativa, e expressa bem a visão de Daphy sobre seus maiores medos serem expostos. A canção conta uma história de forma intrigante, e cresce a cada verso; embora o nome da canção ainda seja um mistério dentro da música. "Oceanic Feelings" abre as portas da segunda parte do álbum. "Tête d'air" tem um ar mais leve em relação aos sentimentos de Daphy, e mostra uma versão da cantora que está mais disposta a se desprender do mundo para se sentir livre para seguir o seu caminho. A faixa é pequena, e dá uma sensação de que poderia ter sido melhor aproveitada em seus versos com um segundo verso e uma ponte. "January Kid" é uma canção que não tem um impacto positivo dentro do álbum, pois a canção é como uma filler dentro do álbum por não valorizar muito o projeto. Finalizando o álbum, "Ice Care Project" é melhor na teoria do que na prática. A canção usou firulas para apresentar metáforas que não fizeram tanto sentido. "Drinking Blue Ink" encerra o álbum em boa forma, com uma composição sofisticada. Visualmente, o álbum poderia ter sido melhor aproveitado. O álbum contém imagens visualmente bonitas, mas as fontes não foram bem escolhidas e não foi muito elaborado no geral; embora a capa do álbum seja agradável. No geral, DAPHY tem altos e baixos com o "ALT-KIMIA Of BLUE", que variam entre composições criativas que elevam sua inteligência lírica como "Save the Whales" e "Aquamarine", mas alguns que acabam ficando melhor no conceito do que na execução como "January Kid" e "Ice Care Project". Apesar de ser necessário ter uma ideia base para apresentar um álbum, é necessário que todas as músicas façam sentido e não soe "forçado" para apresentar um conceito. DAPHY tem um grande potencial como artista, e mostrou isso em diversos momentos no "ALT-KIMIA Of BLUE".