All Music 59
Lançado na época anual de Halloween, o EP “IP”, gravado, lançado e distribuído pela cantora Daphy, soa como uma espiadinha visual no modo como a artista vê as relações virtuais, não necessariamente românticas, mas também entre indivíduos num geral. Em “Samurai Sword”, faixa de abertura do projeto, já somos apresentados às ideias que a autora quer passar ao público, tratando-se de uma visão mais externalizada sobre como os internautas podem ver e pensar sobre a própria Daphy, em um conceito interessante de se ouvir. “Incredible Phenomena of Impossible Princess”, um trocadilho com a sigla do título do EP, continua as “investigações” acerca da persona construída por ela virtualmente, mas aqui, tudo é tratado de modo mais despretensioso, o que conta como um acerto em sua estrutura. “IP” traz Daphy agora confrontando todos os rumores e especulações que foram estabelecidos nas duas faixas anteriores, sendo uma composição meramente competente, apesar de ser de uma extrema autodefesa. “Apotheotic” expande esse mecanismo de defesa da cantora, mas apesar de suas ambições, o conteúdo lírico não faz o jus devido ao que tenta se propor. As duas últimas faixas do EP acabam sendo o maior ponto baixo dentre as músicas; “The Legacy of a Sword…” soa como um emaranhado de frases unidas apenas para causar impacto e pouco sentido faz quando conectada a si mesma, enquanto “Heretical Scripture”, mais uma vez, falha em concretizar suas ambições ao tentar colocar a cantora em um pedestal acima de tudo o que foi dito sobre ela, supostamente, no início deste disco. Essa desconexão também se faz presente nos visuais da obra, também produzidos por Daphy, mas que pouco mudam a percepção deixada pelas músicas justamente por esse motivo. “IP”, na experiência final, é um projeto que inicia com intenções interessantes, mas que se perde na grandeza que tenta criar para si.
Los Angeles Times 60
“IP” é o segundo EP da cantora DAPHY, lançado no dia 3 de outubro de 2024 (Ano 13) de forma independente. Iniciando pela faixa “Samurai Sword”, temos uma faixa Dance que caracteriza a personagem principal do projeto, chamada Impossible Princess. Com diversos significados mesclados, é uma faixa mediana, que se limita em certos momentos, como o refrão pouco esclarecedor na parte “Blogging from my sparkle glitter keyboard, power of seduction straight from my angel sword” ou o segundo refrão na parte “I'm the kindest girl from the whole Hollywood, my poetry is a warm samurai sword inside of me” que não trazem profundidade para a composição. “Incredible Phenomena of Impossible Princess” é a segunda faixa do projeto, e aqui sendo uma faixa que mescla o Baroque Pop com o Alternative. Aqui descontruindo mitos e inverdades sobre a Impossible Princess, a canção destrincha mais a sua intensidade. As partes que se destacam são advindas do refrão, com o fragmento seguinte: “She is among the guardian angels from another plane/Pictures manipulated by programs is what we see/A person without veins created by programs, Isn't that what we need?” É uma boa canção, com uma boa estruturação e bem intensa, mesmo que um pouco dramática demais. “IP (Interlude)” e “Apotheotic” transicionam para um lado mais forte do EP, com a segunda sendo mais enfocada numa visão cibernética da personagem principal. É uma faixa mediana, e essa parte mediana é mais marcada pelos versos, como na parte “Could someone get her autograph?/If every death had an apotheotic parade/All souls would be celebrated/On her way to becoming big in Japan”, que trazem algo muito literal e pouco usável, com poucos atrativos num geral. “The Legacy Of A Sword In The Hands Of A Girl” mostra a nova personagem da história, fã da IP, e faz um paralelo com outras faixas do projeto. A canção é densa, sem refrões e com versos longos, como “A fountain created a rainbow in the summer sun/Her boyfriend could killed us right there/For everything she said to me while we were naked/Her medieval chivalric spirit blessed me with her sword in my head”, sendo algo bem negativo e pouco interessante. “Heretical Scripture” mescla o Pop e Alternativo, e é ambientalizada fora da parte da Impossible Princess. É uma faixa boa, mas extensa, que poderia ter sido polida, principalmente no verso 2: “Every guy tells me that I look so superficial After tease them and I don't make it official/Every note on the piano says you're the smallest problem I saw/Look at me, you can't bought other at the mall/Watching everyone from the shelf, Princess China Doll” O visual, produzido pela própria, é confuso e mediano. As páginas do encarte trazem muitas informações mal-alocadas, além de uma tipografia pouco favorável. Num geral, o EP “IP” é um projeto confuso, com muitos erros e poucos acertos.

American Songwriter 60
DAPHY, apresenta com IP um projeto ambicioso que mistura elementos de mistério, cultura digital e reflexões pessoais, embalado pelo espírito do Halloween. Ao mesmo tempo instigante e caótico, o EP se esforça para criar uma narrativa única, embora sua execução traga altos e baixos, refletindo tanto a coragem da artista em explorar temas complexos quanto as dificuldades de tornar essa exploração totalmente coesa. O EP abre com “Samurai Sword”, uma faixa energética que serve como porta de entrada ao universo que DAPHY propõe. A música tem uma intensidade notável, e o instrumental, ao lado da letra, traduz uma energia quase mística que sugere resiliência. A produção é poderosa e instiga o ouvinte, mas, em certos momentos, o foco na intensidade parece sobrepor-se à clareza da narrativa, tornando a introdução um pouco confusa. “Incredible Phenomena of Impossible Princess” expande a proposta inicial e flerta com temas surrealistas, trazendo uma letra que reflete a ideia de múltiplas versões de si mesmo em um mundo virtual. A faixa é divertida, repleta de experimentalismos, e demonstra a capacidade de DAPHY em incorporar teatralidade à sua música. No entanto, a falta de uma narrativa mais coesa limita o impacto que a faixa poderia ter, e a sensação de que há mais estilo do que substância acaba se destacando. Já “IP”, a faixa-título, tem um tom mais introspectivo e direto, onde DAPHY se coloca diante das expectativas e críticas de seu público. Com letras mais cruas e um instrumental que aposta na tensão, esta é uma das faixas mais marcantes do EP. DAPHY usa metáforas afiadas para expor sua relação com a imagem pública, e, aqui, seu tom desafiador finalmente se encontra com uma profundidade lírica mais consistente. É uma das faixas em que a identidade do EP parece realmente emergir, ainda que esse potencial não seja explorado por completo no restante das músicas “Apotheotic” tenta elevar a narrativa, trazendo uma atmosfera quase épica. DAPHY utiliza a faixa para se afirmar no centro de sua própria história, algo que demonstra confiança e ambição, mas, ao mesmo tempo, se arrisca a soar excessivo. Embora a audácia da artista seja clara, a música perde um pouco de sua força pela grandiosidade forçada, que se sobrepõe à autenticidade. “The Legacy of a Sword in the Hands of a Girl” é uma das canções mais enigmáticas do EP e representa um ponto de inflexão, ao retratar um confronto quase metafórico entre a protagonista e uma figura similar a ela. A ideia de um duelo interno é intrigante, mas a execução falha em criar uma narrativa acessível. A faixa soa fragmentada, e a mensagem se perde entre metáforas complexas e uma estrutura que poderia ser mais refinada. Por fim, “Heretical Scripture” encerra o EP com uma tentativa de autoafirmação, mas repete os mesmos problemas de coesão. DAPHY parece focada em se autodescrever como um fenômeno único, mas o excesso de abstração e a falta de clareza nas letras acabam enfraquecendo o clímax que essa faixa poderia ter. A experiência visual de IP, composta por encartes com uma estética própria e elementos gráficos ousados, é bem-intencionada e acrescenta algo à proposta conceitual, mas acaba ficando aquém devido à falta de uniformidade. As mudanças repentinas de paleta de cores e estilo ao longo do encarte criam uma sensação de desconexão. Em comparação a Alt-Kimia of Blue, seu trabalho anterior, IP parece mais audacioso e experimental, mas não alcança totalmente o impacto emocional esperado. DAPHY demonstra coragem ao trazer questões de identidade e virtualidade, mas a execução fragmentada impede que essas ideias ganhem a força necessária para serem memoráveis. Apesar de momentos cativantes, o EP ainda deixa a sensação de que poderia ter sido mais coeso e envolvente, tornando-se um trabalho interessante, mas longe de ser essencial.

The Line Of Best Fit 62
Encaminhando-se para se tornar uma das artistas mais prolíficas do ano, DAPHY lança em todas as plataformas, digitais e físicas, o extended-play “IP” (acrônimo para “Impossible Princess” ou “Internet Protocol”, segundo o mergulho no contexto virtual de sua reputação) como uma oferta sonora à temporada do halloween no mundo. A construção desse universo oferecido pela autora já começa com “Samurai Sword”, que rapidamente perpassa aspectos da personalidade de sua personagem, entre conhecimentos populares e detalhes privados de sua compositora. Apesar de suas intenções nem sempre serem claras para o ouvinte, trata-se de uma faixa que o entretém como uma introdução ao projeto. “Incredible Phenomena of Impossible Princess”, por sua vez, expande conceitos apresentados no encarte visual do EP, onde DAPHY investiga as concepções que criaram virtualmente sobre sua identidade, resultando em uma composição divertida para a sua proposta e ainda envolvente dentro de seu gênero. “IP”, a faixa-título do disco, possui uma abordagem de confronto e, portanto, mergulha mais nas emoções de sua compositora. DAPHY traz uma personalidade mais intimista para os versos e reforça suas armas metafóricas de resposta a tudo o que seu ouvinte pensa e diz sobre ela mesma. “Apotheotic” retrata a personagem da narrativa se colocando em posição de poder sobre sua própria identidade, criando um evento cataclísmico dentro da história sobre si mesma; apesar da importância criada não se refletir de fato na artisticidade implicada em torno de DAPHY, a audácia é sua maior arma aqui. “The Legacy of a Sword in the Hands of a Girl” penetra a reta final de faixas do EP; a cantora descreve um confronto contra uma mulher parecida, em vários aspectos, com ela mesma, e as consequências e pensamentos derivados desse encontro. Tudo isso compõe a letra mais enigmática do disco, o que poderia ser um ponto positivo se não soasse como um conjunto desconexo de situações descritas. “Heretical Scripture” encerra a tracklist com o mesmo problema que permeia os versos da faixa anterior; em busca de descrever a si mesma como um fenômeno único na temporada assustadora usada como pano de fundo para o EP, DAPHY acaba por não medir a coerência de sua progressão narrativa aqui, tornando a canção como um todo sem nexo nem consigo mesma, nem com as músicas anteriores. A projeção visual de “IP”, intencionada como complemento ao conteúdo lírico, até acrescenta vários elementos, mas que acabam não conversando de forma interseccional entre si com o passar das páginas, mudando suas fontes, seus cenários e tonalidades sem preparo no acabamento para que tudo soe como parte de um mesmo propósito. Em comparação a “Alt-Kimia of Blue”, seu álbum anterior, DAPHY entrega um escorrego artístico em “IP”, que almeja mais do que consegue entregar de forma coesa e, ainda que possua momentos divertidos, não parece justificar tanto de sua própria existência quando repete suas ideias dentro de seu próprio desenvolvimento.