
Billboard 90
“midsummer” é o terceiro EP da cantora SUHUKI, lançado no dia 21 de novembro de 2024 (Ano 13) pela Wild Music Group. O extended-play se inicia em “casually transfigured”, que é uma canção que evoca um sentimento de caos, insegurança e medo encapsulados em uma batida mais voltada ao Alternativo. É excelente. “mirrored, distorted” parece continuar a narrativa da anterior, aqui trazendo um diálogo franco entre suhuki e seus demônios interiores. É uma boa canção, com alguns deslizes. “un après-midi d'eté” traz uma composição mais focada no passado e presente de suhuki, aqui mostrando como os seus desejos respingam em ambos e formam uma pessoa com dúvidas. É um grande destaque no projeto. “nimbus” é uma canção mais mista; fala de um relacionamento onde os dois não estão em sintonia, e isso é bem executado por partes, mas em outras acaba sendo pouco aproveitável. É a canção mais fraca do EP até então. “portraits en blanc” traz agora um relacionamento onde suhuki foi apagada e deixada de lado pela outra pessoa, mas a mesma não poupa as palavras e fala tudo que sente ser certo sobre isso. É uma canção ácida e ao mesmo tempo contida, ou seja, funciona muito bem na atmosfera do EP. “perfect bliss” mostra suhuki se libertando de amarras, funcionando muito bem como closing track. É uma faixa livre e que, mesmo com alguns deslizes, funciona muito bem. O visual, produzido por SUHUKI e GABRIEL, é bem bonito, por mais que seja considerado simples. Ele consegue traduzir bem os sentimentos de dúvida e conflito do projeto. Num geral, “midsummer” é simplesmente uma transição muito bem feita de SUHUKI; não apenas de gênero, e sim na qualidade e identidade das suas composições, que simplesmente fazem os EPs “I see you” e “prologue” caírem no esquecimento e colocam a artista em um novo patamar.

Pitchfork 90
Com um novo visual, Suhuki faz seu retorno com o seu terceiro EP, intitulado "midsummer", marcando um passo fixo no gênero alternativo e direcionado pra uma narrativa mais madura sobre a personalidade da cantora. "casually transfigured" é a faixa de abertura e o carro-chefe do disco, lançado no começo do mês; A canção explora questionamentos sobre o eu-lírico, sua capacidade, suas escolhas, em um tom bem dramático, o que se encaixa muito bem como abertura do projeto, provocando curiosidade no ouvinte de primeira pra o que virá em seguinte. "mirrored, distorted", de fato, faz esse trabalho de continuidade perfeitamente, aprofundando na discussão de sobre como a sociedade impacta mentalmente nas pessoas, em seu comportamento e, nesse caso, especificamente, na forma como você se enxerga, será que você é isso mesmo ou você se adaptou aos reflexos da sociedade? Então "un après-midi d’été" leva o ouvinte pra uma reflexão sobre como momentos difíceis, ainda sim, podem ser um caminho pra algo melhor, ignora-los não vai fazer com que sumam e Suhuki reconhece que há uma saída pra momentos como estes, sendo processos da vida, assim como o inverno mais frio faz parte da estação do ano. "nimbus" soa como uma canção introspectiva em seu dia menos introspectivo, e isso não é ruim, Suhuki se aprofunda num melodrama, mas aqui a história não demostra arrependimentos, reviravoltas tristes, como é de clichê em canções que seguem este conceito. Enquanto em "portraits en blanc", o grande destaque lírico, com versos muito bem elaborados e cativantes, a cantora invoca a questão que acredita-se ser um coming-age que todos irão passar em algum momento da sua vida, a forma como lidar como a situação é individual, porém, nesta canção em específico, é claro que há uma descoberta em sua personalidade ao se questionar: "Porquê estou sofrendo por algo que não causei?". Finalizando o projeto com excelência, "perfect bliss" é um resumo de todas as canções, ou melhor, é uma conclusão sobre esse amadurecendo que a cantora decidiu compartilhar; De forma delicada, mas com bastante personalidade, "perfect bliss" reconhece fragilidade, reconhece erros e momentos difíceis, mas também não se conforta em uma conclusão perfeita sobre a vida; Momentos difíceis virão, eles não param, logo, não existe antes e depois desse reconhecimento, há novas formas e possibilidade de fazê-los com que impactem menos, de forma negativa, em sua vida. Com o visual que acompanha esse livro aberto, que tem creditados a própria cantora e o produtor Gabriel, anda passo a passo com os sentimentos apresentados, com cores com tons mais sombrios, ao mesmo tempo rico na sua simbologia, indo de uma simples imagem da cantora pra pinturas que lembram imagens de livros característicos de um teor melodramático. Por fim, "midsummer" não apenas traz canções que mostram um amadurecimento de Suhuki, ele conta uma história única que só poderia ser dita por ela mesma; Não há clichês e, com certeza, histórias repetidas que o ouvinte se cansará de ouvir, pelo contrário, após sua conclusão, soa muito rápido em suas apenas seis faixas. Suhuki não apenas cresce na sua experiência de vida, jornada de reconhecimento pessoal, mas como cantora, como compositora e sua visão artística de como quer ser vista.