
The Boston Globe publicou uma avaliação em 02/11/2025: 75
“Bittersweet” marca o sexto álbum de estúdio de Allyson, lançado pela Innersound. O projeto apresenta uma proposta emocional e intimista, guiada por letras diretas e uma estética cuidadosamente construída. O disco segue uma narrativa de vulnerabilidade e reflexão, em que a artista explora diferentes nuances do amor, da perda e da passagem do tempo. A faixa de abertura é uma introdução curta e melancólica, que estabelece o tom, mas acaba sendo pequena demais para causar impacto. A segunda faixa é bem escrita e mostra potencial, mas o refrão não prende a atenção. Em “Why Should I Forget?”, o destaque vai para a ponte, e o mesmo acontece na faixa seguinte, “Wrong Choice”, onde ela mais uma vez se apoia nesse recurso para dar peso à canção. Na quinta faixa, “Now is the Now”, Allyson a descreve como a mais vulnerável do álbum (qualquer semelhança com Taylor Swift é mera coincidência). Aqui, de fato, ela entrega a composição mais inspirada e completa, tanto em estrutura quanto em emoção. Em “Hearing Violins”, a artista canta “Hearing, hearing violins on a dark highway, bittersweetly”, desta vez não em uma “black parade”, mas em uma “dark highway”. Talvez o verso mais marcante do álbum, pois traduz com delicadeza e melancolia a dualidade que define “Bittersweet”. Um ponto positivo é o modo como Allyson escreve. As frases curtas soam naturais e rítmicas, sem a necessidade de forçar profundidade. Ela não tenta ser algo que não é, o que torna o álbum mais sincero. Ainda assim, há espaço para amadurecimento, especialmente na forma de conectar as ideias e dar mais consistência à narrativa do projeto. A execução segue uma linha segura, sem grandes desvios, mas a artista parece não saber exatamente como chegar à conclusão que o disco sugere desde o início. Visualmente, “Bittersweet” é onde Allyson mais acerta. O visual é muito bem composto, com tons de vermelho e sépia que traduzem o clima agridoce do título. A tipografia é elegante e o encarte, organizado em formato de grid com as letras das músicas, é visualmente satisfatório. Aqui, Allyson mostra que é uma excelente produtora, cuidadosa com cada detalhe estético. No conjunto, “Bittersweet” é um álbum honesto, com boas ideias e execução consistente, ainda que previsível. A proposta é simples e funciona, mas a repetição de temas e estruturas torna o resultado um tanto monótono. Para o sexto álbum, mesmo em meio a um rebranding, esperava-se mais maturidade e ousadia. Sendo assim, “Bittersweet” é um trabalho honesto e coerente, que reflete uma artista que sabe o que quer dizer, mas ainda busca a melhor forma de materializar isso.