Etcetera LASHAE Alternative, Rock, Folk202511 músicas
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Clash publicou uma avaliação em 28/12/2025: 96

Marion Lashae lança seu mais novo álbum de estúdio, intitulado “Etcetera”. O álbum, que é regido pelos gêneros Alternative, Rock e Folk, em suas 11 faixas não conta uma narrativa linear, mas sim se organiza por estados emocionais recorrentes. Abrindo o álbum, “Mise-en-Scène” é uma boa escolha de introdução para o conceito de performatividade que LASHAE explora durante todo o “Etcetera”. A faixa usa a situação de um flerte em um bar para criticar as máscaras sociais, onde cada ação tomada pelo indivíduo é calculada para corresponder às expectativas dos outros. Por toda a faixa, a inglesa faz isso com uma lírica direta, mas com desvios em algumas metáforas cênicas que brilham. “Bug Collector” abre um novo olhar crítico dentro do universo que vem sendo construído pela LASHAE. Diferente da faixa anterior, que trazia a intimidade performática, aqui se expõem a ambição e suas consequências. O eu-lírico canta sobre o preço que jovens talentos pagam ao buscar seus sonhos. A artista cria uma metáfora potente ao usar o personagem do colecionador de insetos para representar quem se aproveita da ambição em alcançar sonhos dos novos artistas. O ponto alto da canção é sua grandiosa ponte. A terceira faixa do compilado é intitulada “Gilda”. A canção difere de suas antecessoras, aqui a artista foca em uma experiência específica de vida e a transforma em metáfora para cantar sobre a tensão criada entre a força e a vulnerabilidade. Mais uma vez, LASHAE mostra que tem referências para criar suas canções. O destaque da faixa é o refrão, que sintetiza o tema central da narrativa de forma poética, conseguindo impactar o ouvinte. “In Loving Memory” é uma das faixas mais inteligentes do álbum. A canção se apresenta como uma balada romântica para, então, revelar uma narrativa perturbadora de violência emocional. A inglesa cria, nessa faixa, uma armadilha emocional para seu ouvinte, e isso é um grande acerto. A compositora nos coloca presos ao ponto de vista de alguém que mistura devoção com posse, e isso é perspicaz. O grande ponto positivo da faixa é a progressão gradual e bem calculada da narrativa. LASHAE nos entrega uma grande canção provocativa que foge da estrutura tradicional de uma canção. De uma forma mais sombria, a artista nos entrega “The Bride Wore Black”. Aqui temos uma narrativa de traição e vingança, onde um sujeito apaixonado se transforma em alguém tomado por ódio, totalmente consumido pelo desejo de justiça pessoal. Como nas faixas anteriores, a artista faz uso de uma lírica mais direta, mas, nas metáforas utilizadas, une imagens violentas e emocionais, tornando sua narrativa visceral. “Intermission (Off The Record)” tem uma letra construída em cima do humor ácido, unido à teatralidade. A faixa é uma peça-chave na narrativa do compilado. Nela, podemos nos aprofundar no personagem da faixa anterior e entender, de fato, a performatividade moral no universo criado pela LASHAE. Em “My Heart Can't Beat Unless You Tell It To”, a inglesa naturaliza a dor. O eu-lírico nessa faixa abandona todo sarcasmo das faixas anteriores e entra de forma devastadora na dependência emocional. LASHAE deixa seu ouvinte totalmente mergulhado emocionalmente, o personagem não se vê como uma vítima, mas sim como alguém devota que se sujeita a tudo. A lírica é dolorosamente honesta. Diferente de faixas como “In Loving Memory” ou “The Bride Wore Black”, aqui não existem truques narrativos, muito menos uma reviravolta. O que choca o ouvinte é a normalização do ciclo. Em seguida, temos “Moon and Cherry”, com a mesma ambientação lírica da faixa anterior, distante do sarcasmo. Marion entrega uma das faixas mais maduras até aqui. A canção, que coloca o amor como um campo de ruínas, onde o eu-lírico ainda assim insiste em desenterrar algo que valha a pena salvar, possui um impacto emocional extremo e reafirma toda a maturidade lírica de LASHAE. Com uma reflexão madura sobre um sofrimento silencioso de um amor não correspondido, ouvimos “Every Man”. O ponto alto da canção é seu refrão, onde a artista traz uma rica referência e versos sensíveis. Nessa faixa, entendemos mais uma vez a profundidade emocional do “Etcetera” e nos encantamos com a maestria lírica de Marion. “Owl” é uma faixa pessoal para LASHAE, inspirada por sua própria experiência de isolamento e observação do mundo exterior. As metáforas utilizadas na canção são altamente inteligentes, onde o eu-lírico percebe a vida como um espetáculo que nunca será seu. Essa canção consolida a artista como uma compositora capaz de traduzir sua observação silenciosa em poesia musical. Em “Owl”, é exposto como lidamos com nossos próprios desejos e limitações. Finalizando o compilado de 11 faixas, temos “June 1st”. A faixa encerra a narrativa de forma profundamente humana. A artista inglesa não tenta chocar, silenciosamente, ela dá voz a um personagem anônimo, como forma de expor a invisibilidade social. Aqui, LASHAE demonstra a morte não como um espetáculo, mas como uma consequência. Essa escolha torna a canção ainda mais dura. “June 1st” é um fechamento necessário, que assusta quem a ouve. O visual do álbum é assinado pela própria artista principal, com a ajuda de mais dois produtores, PRAYOR e Tammy. A produção gráfica do “Etcetera” não só conversa com a narrativa lírica, como a traduz de forma madura. Todos os elementos visuais estão conectados com o universo do álbum e sua teatralidade, nos fazendo ter uma experiência única. A arte visual não ilustra o disco, ela o sustenta. Ao final de “Etcetera”, fica claro como LASHAE é uma compositora madura e que, mesmo com letras diretas em sua maioria, sabe expor toda a carga emocional necessária para mergulhar o ouvinte no universo criado por ela. O disco é ambicioso, e cada faixa acrescenta uma camada nessa narrativa de performatividade social, que mostra como o desejo de amar, vencer e não estar só pode te aprisionar. A artista nos entrega uma grande obra que finalmente pode vingar o “Belle Époque”, fazendo-a levantar o gramofone de Álbum do Ano.



Hololive publicou uma avaliação em 28/12/2025: 92

Apostando em uma certa teatralidade, LASHAE encarna diversas personalidades e dá vida as mais variadas narrativas em 'Etcetera', seu segundo álbum de estúdio. Investindo numa narrativa não linear, o projeto de onze faixas narra as aventuras desgostosas vivenciadas pelos mais distintos eu líricos — indo desde encontros superficiais onde a mentira prevalece em 'Mise-Én-Scene' até a visão de um stalker noturno acerca da natureza humana em 'Owl'. A vastidão de tópicos tratados no disco, juntamente com a sua lírica sagaz e afiada, acabam por ser os maiores triunfos deste trabalho, pois a artista trata de temas soturnos com uma precisão quase que cirúrgica. Além disso, a escolha por uma escrita rimada e super descritiva acabam dando ao full-length um toque poético e literário; o que nos permite mergulhar ainda mais em todas essas vidas interpretadas por Marion. Os destaques deste lançamento ficam por conta de 'My Heart Can't Beat Unless You Tell It To', 'Mise-Én-Scene', 'The Bride Wore Black', 'Intermission (Off The Record)' e 'Bug Collector'. Agora falando do visual, o disco é um espetáculo a parte. A produção assinada pela própria LASHAE tem como inspiração o surrealismo, mas também podemos notar influências do expressionismo e até mesmo da natureza morta; o que cria uma atmosfera visual obscura e condizente com o seu corpo lírico. Em linhas gerais, 'Etcetera' é um trabalho ambicioso e gigante de uma artista que nos mostra que ainda tem muito fôlego para nos servir projetos tão complexos e impecáveis quanto este.