Há exatos um mês, Lisa Banks lançou “cinzas do juramento”. Em seu mais recente single, a australiana, que mantém uma forte ligação com o Brasil, canta em português sobre os sentimentos que experimentou ao ser rejeitada por uma comunidade da qual realmente se sentia parte.
No primeiro verso, o eu lírico utiliza metáforas fortes para nos mostrar como sempre foi leal aos seus, mas, mesmo assim, foi excluída do lugar ao qual se dedicou tanto para pertencer. É um verso poderoso, que abre a canção de maneira majestosa.
O verso seguinte complementa a construção narrativa da faixa. Banks faz uso de referências inteligentes, que enriquecem a canção e a tornam ainda mais envolvente para o ouvinte.
O refrão é um dos grandes pontos positivos da canção. Lisa expõe, em versos sinceros, como, na primeira sombra de dúvida que pairou sobre sua imagem, as pessoas a condenaram sem direito de defesa ou um julgamento justo.
O terceiro verso retrata como o eu lírico se viu após a condenação e expulsão desse lugar tão sagrado para ele. A lírica utilizada pela australiana é envolvente e demonstra todo o desespero de se sentir abandonada, percebendo que seu caminho agora seria árduo, sem ninguém para apoiá-la, mesmo tendo sempre apoiado aqueles que a rejeitaram.
Banks ousa na ponte da faixa. A artista adota uma postura confiante, transformando a direção da narrativa e afirmando que, após toda a rejeição, encontrou força. Cantando sobre como tudo o que experimentou nesse período sombrio a fez redescobrir a confiança e a vontade de reconstruir seu castelo sobre os escombros.
A brasileira de coração encerra a canção com uma escolha lírica mais ácida. A artista independente questiona se existe algo concreto sem lealdade e, com uma pitada de ironia, afirma que segue sozinha, mas que, ao menos, encontrou a liberdade e a paz que a acompanham nessa sua nova fase.
Visualmente, não há muito a se mostrar. A obra se resume à capa, produzida pela própria artista, com elementos que refletem partes da narrativa lírica da faixa. Embora apresente alguns erros de execução e falta de polimento, entende-se que se trata de uma produção independente, na qual a artista se esforça para entregar um visual à altura de sua canção, mesmo não sendo produtora.
Por fim, em “cinzas do juramento”, Lisa Banks nos entrega uma canção repleta de nuances. A artista apresenta algo visceral, com uma mensagem certeira, mostrando sua força, sua coragem de se reerguer e o crescimento de sua habilidade lírica nos últimos anos.