
TIME publicou uma avaliação em 14/06/2026: 96
Com TAXIDERMY, a cantora Aria já chega construindo um universo completo, coeso e muito bonito, transformando uma reflexão sobre fama, identidade e feminilidade em algo extremamente íntimo. Não é apenas um EP de estreia, é uma declaração artística extremamente ambiciosa, executada com uma confiança que muitos artistas levam anos para alcançar. O conceito é brilhante desde o título. A taxidermia, arte de preservar algo morto para que pareça vivo, serve como metáfora perfeita para tudo o que Aria quer discutir aqui: a pressão para permanecer bela, desejável, relevante e impecável em uma era onde a imagem vale mais do que a pessoa por trás dela. Ao longo do projeto, a artista desmonta a si mesma peça por peça, mostrando o que acontece quando alguém passa tanto tempo interpretando uma versão idealizada de si que acaba esquecendo quem realmente era. "GAG REFLEX" abre o EP de forma devastadora. É uma música que carrega anos de repressão, silêncio e sacrifício em cada verso. A forma como Aria conecta as dores da infância às cicatrizes emocionais da vida adulta torna a faixa extremamente humana, servindo como o primeiro aviso de que existe algo quebrado por trás da perfeição que será apresentada em seguida. Já "SKIN" é simplesmente magnética. Enquanto a produção flerta com o dance-pop de maneira elegante e sofisticada, a letra apresenta uma personagem que abraça a própria objetificação como mecanismo de sobrevivência. É uma crítica afiada à indústria do entretenimento, mas também um retrato assustadoramente honesto de como a validação pode se tornar um vício. Um lead single perfeito. "NATURE MORTE" eleva ainda mais o conceito do projeto. Satírica, teatral e recheada de referências visuais e artísticas, a música transforma Aria em uma peça de luxo exposta para consumo público. É inteligente, provocativa e uma das faixas mais criativas do EP, especialmente pela forma como utiliza elementos franceses e robóticos para reforçar a sensação de artificialidade. No meio do percurso, "FORMALDEHYDE" mergulha o ouvinte em um estado quase hipnótico. A faixa questiona nossa obsessão contemporânea por registrar tudo, arquivar tudo e eternizar cada momento. É uma música que parece pairar entre sonho e pesadelo, funcionando como um dos momentos mais experimentais e conceitualmente ricos do trabalho. Mas é em "REPLICA" que TAXIDERMY encontra o seu centro. A canção é dolorosa, vulnerável e talvez o momento mais emocionante do projeto. O luto pela própria identidade é retratado com uma sinceridade impressionante, é impossível não sentir o peso emocional dessa faixa. Por fim, "ROADKILL" explode tudo o que foi construído anteriormente. Depois de tentar se preservar, se vender, se congelar e se transformar em produto, a personagem finalmente entra em colapso. O encerramento é caótico, libertador e catártico, funcionando como o despertar de alguém que decide abandonar a perfeição para voltar a sentir. O que torna TAXIDERMY tão especial é justamente a maneira como Aria consegue equilibrar conceito e emoção. Muitos projetos conceituais acabam presos às próprias ideias, mas aqui cada referência, metáfora e construção narrativa existe para reforçar sentimentos reais. O resultado é uma obra que impressiona intelectualmente, mas que também machuca, emociona e permanece na memória muito depois da última faixa. Para um trabalho de estreia, TAXIDERMY é super maduro. Aria não se apresenta apenas como cantora ou compositora, mas como uma artista com uma visão clara do que quer dizer e de como quer dizer. Em um cenário onde tantos artistas buscam atenção imediata, ela entrega algo muito mais raro: uma identidade própria. Se este EP representa o primeiro capítulo de sua carreira, Aria não está apenas chegando. Ela está anunciando que veio para ficar. E faz isso com uma das estreias mais fascinantes e bem construídas que o pop alternativo poderia oferecer e a torna referência absoluta para a sua atual geração.

Los Angeles Time publicou uma avaliação em 31/05/2026: 98
A taxidermia é o feito de montar ou reproduzir seres para exibição e/ou estudo, uma técnica milenar de preservação da forma que transforma o efêmero vivo em material duradouro. Em seu primeiro extended-play, a estreante Aria correlaciona a técnica egípcia ao seu desejo descrito de ser eternizada e "empalhada" sob o olhar crítico do público de maneira intocável. Descrever a riqueza de detalhes da narrativa extremamente pessoal, quase autobiográfica, apresentada por Aria soaria como um compilado de superlativos, desde a abertura com a excelente 'GAG REFLEX', em que apresenta um eu-lírico vunerável, repleto de camadas e completamente identificável, traçando a linha do tempo de sua vida e reconhecendo a contribuição das dificuldades que passara ao longo do tempo para a construção de uma persona que reprime qualquer sinal de vulnerabilidade até o lead single 'SKIN', o contraponto da faixa anterior, sendo essa a que apresenta um corpo que nem mais se permite reagir após passar por todo e qualquer tipo de esvaziamento, comprimindo sentimentos e valores em virtude da perfeição. Passeando pela satírica e divertidíssima 'NATURE MORTE', mantra da futilidade vestido em alta costura, e pela pontual 'FORMALDEHYDE', tema certeiro sobre a gerofobia na era digital, Aria apresenta 'REPLICA' o trunfo confessional de 'TAXIDERMY', responsável por apresentar uma Aria ainda mais vulnerável, se possível, mas de maneira humana e misericordiosa, contando com lembranças e memórias muitíssimo pessoais para transformar a faixa em uma experiência completamente imagética e tocável, com uma menção ao [Outro], composto por um áudio real de uma fita de audição da artista aos treze anos de idade, que eleva a audição, já excepcional, do projeto ao suprassumo. Avaliando o caráter visual da obra, o encarte e fotografia, produzidos pela própria, somam ao arco narrativo que compõem o EP, referindo (talvez não intencionalmente) à fotografia direta, nua e crua de portfólios e books fotográficos de modelos e atores iniciantes, e não poderia haver um contexto melhor à se referenciar nesse disco do que esse. 'TAXIDERMY' é uma estreia avassaladora, rica em narrativa, estética, áudio e em tudo o que Aria poderia propor-se a apresentar, para os que pensam que extended plays são projetos de curta expressão, a novata limita esse pensamento somente ao volume e à duração, pois chega com os dois pés na porta com sua expressão artística.

American Songwriter publicou uma avaliação em 12/04/2026: 98
Com os olhos atentos a cada movimento seu, ARIA lança “TAXIDERMY” - extended play composto por 6 faixas e lançado por selo independente. Com um nome cujo significado é curioso (dado especificamente para a preservação da pele e ossos de animais mortos), o projeto é regado pelo Pop junto ao Alternativo e se inicia em “GAG REFLEX”. É uma canção bem autobiográfica que recapitula momentos da vida do eu-lírico entre o passado e presente. Sendo fiel a roupagem Alternativa e Pop, é uma canção muito bem escrita e conduzida e mostra uma artista que já sabe onde ir. “SKIN”, carro chefe e faixa de estreia de ARIA, parece replicar o que foi dito: ela sabe aonde quer chegar. Mas aqui ela explica a ruína e um pouco da miséria em linhas que soam desesperadoras e gráficas. “Me drapeje sobre sua vaidade” acaba por intensificar o rumo do EP de certo modo. “NATURE MORTE” é a canção mais comercial e ao mesmo tempo intrigante; aqui, ARIA traz referências à moda, literatura e entrega tudo isso soando atual. É uma composição bem construída e bem dosada, mostrando uma artista e compositora ambiciosa. “FORMALDEHYDE” é curta, mas consegue trazer um bom saldo ao EP ao trazer ainda mais emoção e visceralidade. O seu refrão parece encapsular de certo modo uma dor e uma dúvida que talvez nem a artista entenda tão bem, por mais simples que ele seja. Talvez teria sido ainda melhor caso fosse mais desenvolvida. “REPLICA” parece continuar a linha de pensamento da anterior e faz isso sem necessitar de muito: “REPLICA” acaba por aprofundar ainda mais o projeto trazendo um diálogo entre o seu eu antes e depois da fama. ARIA mais uma vez impressiona pela riqueza de detalhes em suas composições, que soam maduras e lúcidas. “ROADKILL” finaliza o EP com fúria, sendo uma faixa extremamente inesperada mas ao mesmo tempo necessária. ARIA assume um papel de vilã e de revolta com uma magnitude intensa, trazendo aqui o Metal para finalizar o projeto com um sentido de: o que será que o universo de sua carreira trará? O visual, produzido por ARIA, traz um encarte e capa simples, mas que trazem uma certa imersão por soar clássico e bonito justamente por sua simplicidade. Em síntese, “TAXIDERMY” pode colocar ARIA na lista como uma provável finalista para a categoria de Best New Artist.

Pitchfork publicou uma avaliação em 01/03/2026: 96
“TAXIDERMY” é o Extended Play de estreia da britânica Aria. A artista independente presenteia seus fãs com 6 faixas que passeiam pelo alternativo, dance e pop e convida os seus ouvintes a presenciar a história de uma mulher que, pressionada pelo olhar público e pelas expectativas da era digital, abre mão da sua humanidade e verdade para criar uma versão artificial de si mesma, onde ela parece viva por fora enquanto algo está morrendo por dentro. Durante todas as 6 faixas, Aria entrega uma lírica altamente metafórica que soa como poesias carregadas de drama. A britânica nos encanta com sua forma de compor, demonstrando uma grande habilidade ao colocar emoção, referências e criatividade em cada canção do seu compilado. Todas as faixas merecem destaque nessa obra, mas “SKIN”, “NATURE MORTE” e “FORMALDEHYDE”. A última canção do Extended Play, “ROADKILL”, pode ser interpretada por muitos como o ponto baixo do projeto, mas, mesmo que a lírica seja totalmente diferente das faixas anteriores e soe nada poética, a faixa é ambiciosa em seus versos, totalmente agressiva e desconfortável, transformando o corpo feminino em algo grotesco e fora do controle, finalizando a narrativa de forma chocante e perspicaz, se tornando um grande destaque também. A artista principal assina a produção gráfica do visual e ela nos surpreende. Para uma artista recém-chegada, Aria entrega um visual bonito e ousado que conta perfeitamente a mesma história da narrativa lírica, mostrando o potencial da artista na indústria visual. Por fim, “TAXIDERMY” é uma grande vitrine para o talento da Aria. A artista demonstra uma qualidade lírica que é difícil de encontrar em trabalhos de estreia. A britânica se mostra uma artista madura que sabe exatamente o que quer e que tem um jeito único de se expressar, nos fazendo acreditar que a artista será um grande fenômeno nos próximos anos.

Spin publicou uma avaliação em 01/03/2026: 97
TAXIDERMY é o EP de estreia da cantora Aria. A artista constrói um arco narrativo que parte do reflexo físico e evolui até o colapso instintivo, a estética é impecável e coerente com a proposta, mas o que realmente sustenta o trabalho é a força da escrita. O EP inicia com “GAG REFLEX”, e essa escolha é fundamental para o impacto do projeto, começando pelo reflexo involuntário do corpo estabelecendo imediatamente o tema da repressão. Em seguida, o lead single “SKIN”, uma faixa cirúrgica que marca uma virada em relação à anterior, o verso “I removed the organs to kill the desire / Scrapped out the messy parts, threw them in the fire” comprova essa transformação pois já não é o corpo reagindo e sim sendo esvaziado e desumanizado. A terceira faixa é “NATURE MORTE”, aqui o discurso aprofunda ao transformar o corpo em objeto de exposição, a metáfora das pinturas de Vanitas se apresentam no verso “Arranged like fruit in a silver bowl / Pomegranate seeds and a lack of soul”, uma imagem luxuosa e mórbida. Na quarta faixa, “FORMALDEHYDE”, o projeto dá um salto conceitual e sonoro para algo mais contemporâneo, e possivelmente a faixa mais engenhosa em termos de construção temática o verso “I saw my ex-boyfriend floating perfectly preserved at age nineteen” traduz com precisão a ideia de juventude congelada em arquivos e memórias digitais e quando a Aria pergunta “Baby, is this hell? / No, this is the backup plan”, o EP atinge um nível filosófico raro, sugerindo que o verdadeiro inferno não é a dor, mas a repetição eterna daquilo que já passou. Em seguida, “REPLICA” surge como o núcleo emocional do trabalho, aqui a estética cede espaço à culpa, o verso “And I killed her just to get the lighting right” conecta de maneira brutal a obsessão pela imagem ao assassinato simbólico da própria identidade. O encerramento acontece com “ROADKILL", um final caótico e necessário, a revolta se concretiza em “I am the meat that bites back”, invertendo definitivamente a lógica da objetificação, liricamente é a faixa menos refinada do conjunto, ainda assim, funciona como catarse. No conjunto, TAXIDERMY é indiscutivelmente coeso, nenhuma faixa foge do tema, cada uma amplia a tese central sob uma nova lente, construindo uma progressão clara, e uma escrita que nos oferece momentos de alto impacto poético, especialmente em “REPLICA” e “FORMALDEHYDE” É um debut que demonstra controle conceitual, identidade artística e coragem temática.







