| # | Título | Tipo | Streams | |
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| 1 | Single Oficial | 628,954,526 |
Singles de estreia costumam ser um cartão de visitas simpático. “BRUTAL” faz o oposto: apresenta uma ferida aberta. Em vez do clichê de correr atrás dos sonhos, a Jules expõe as engrenagens que transformam pessoas em produtos. O resultado é um som agressivo, desconfortável e maduro. O grande trunfo é não romantizar o sofrimento. A letra traz imagens pesadas de desgaste, como "costurar a ferida antes de sangrar" e "fantasma em um palco digital". É uma crítica direta à cultura da exposição, onde a artista assume que também participa do jogo ao vender o próprio caos. Tudo gira em torno da exploração do trauma para gerar lucro. A repetição de “IT’S BRUTAL” no refrão funciona como um grito desesperado de quem virou mercadoria. Na ponte, a faixa ganha ainda mais força quando ela questiona se é uma pessoa ou um objeto, cravando que o mercado quer números, não sentimentos. O cenário é desenhado com termos frios e clínicos que transmitem perfeitamente essa sensação de isolamento. O único porém é que a música às vezes foca tanto em criar imagens fortes que esquece de deixar o som respirar. Em alguns momentos, a faixa parece mais preocupada em defender sua tese do que em criar uma conexão emocional direta com o ouvinte. Mesmo assim, “BRUTAL” impressiona pela clareza. Poucos artistas começam a carreira com uma visão tão afiada sobre os bastidores da fama e da autoimagem. É uma estreia provocativa, inteligente e incômoda na medida certa.

Em "BRUTAL", a estreante JULES abraça o Hyperpop e Alternativo para uma narrativa acerca da pressão da indústria musical, e principalmente, a comercialização da própria identidade e sofrimento, uma temática um tanto quanto irônica para uma artista recém chegada, visto que comumente gravações nesta vertente vem de artistas com mais tempo de experiência. O single é introduzido em seu primeiro verso com uma metáfora ao redor de lidar com a própria dor, enquanto apresenta dogmas tradicionais da indústria da música, as problemáticas de demonstrar qualquer sinal de definhar, enquanto questiona a comercialização da própria tragédia. No pré-refrão, JULES abraça a persona de estrela pop que foi espremida até os gomos. O refrão, com a palavra que dá nome a canção, se assemelha a gravações de artistas como Britney Spears, no duplo sentido de "me TER", junto da ideia de ser apenas uma peça no jogo da fama. A ponte da canção é ainda mais direta, ou como o single se nomeia, brutal, onde o eu-lírico questiona o próprio valor e a idéia de seu sofrimento vendido, como se estivesse em exposição numa vitrine. Brutal é direta e agradável, a produção refrescante combina com o tom do single.

Jules estreia na indústria com “Brutal”, uma faixa que aborda como é preciso se moldar para conseguir entrar nesse meio e logo no início, ela já chega muito bem com “Learned too young to stitch the wound before I’d even bled”, mostrando que, mesmo sendo iniciante, sabe exatamente o que vai performar e desenvolver ao longo da música quase como um spoiler do que está por vir e lá no verso 2, “I don't trust the mirror” abre margem para diferentes interpretações sobre como a indústria afeta a percepção pessoal, "eu sou uma pessoa vazia ou fui levada a acreditar nisso? Sem dúvidas, esses são os dois pontos altos da canção, já o refrão é marcado por grandes repetições e por se tratar de um hyperpop, isso até funciona dentro da proposta, mas, olhando por um viés mais alternativo, talvez um terceiro verso fizesse falta e a música acaba sendo muito curta, deixando aquele gostinho de "é só isso?". Na arte da canção, temos Tammy, Lyra e a própria artista creditadas em elementos delicados e fofos, porém simples como caveirinhas, estrelas e beijinhos e pode ser uma escolha estética para permitir múltiplas interpretações, assim como acontece com alguns versos, mas inicialmente gera certa dúvida. No geral, “Brutal” é um excelente debut e Jules se mostra uma artista muito promissora, trazendo uma abordagem que pode até parecer batida, mas que continua relevante e interessante, principalmente para novos artistas que estão começando a enxergar a indústria de forma mais crítica.
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