Em “BIXINHA”, Kyeh apresenta uma música sobre identidade, mas sem tratar identidade como uma declaração isolada. O artista volta a infância para mostrar de onde veio a pessoa que está cantando agora, a MTV depois da escola, o desejo de ter um namorado, o pai que não sabe, o medo da rua, o leque e a presença da “mana” constroem uma memória específica.
O trecho mais forte da canção provavelmente seja justamente aquele em que ele diz que só quer ser “um cara um pouco mais forte”, Isso trás uma vulnerabilidade muito grande e bonita, depois de falar sobre identidade, medo e preconceito, ele não pede para ser invencível mas sim força suficiente para continuar. A ideia de “saber para onde voltar” também é muito interessante e dá uma dimensão ainda maior a música, a casa nem sempre parece ser completamente segura, então o lugar para onde ele precisa voltar pode ser também a própria identidade, as pessoas que o acolhem ou aquela versão de si mesmo que ele tentou proteger.
O final também fecha o ciclo de maneira inteligente, depois de toda essa tentativa de crescer, ser mais forte e enfrentar o mundo, Kyeh volta para a “bixinha” do início deixando entendido que a criança não desapareceu, ela continua fazendo parte do adulto.
Visualmente, o trabalho possui somente a capa onde o artista aparece montado em um unicórnio entre castelos e arco-íris, é uma capa que representa bem a música.
BIXINHA é uma música que consegue falar de orgulho sem transformar tudo em discurso, e falar de superação sem fingir que o medo deixou de existir.
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