The Grudge Maggie Morris Pop, Soft Rock • 2026



Sua crítica será publicada em nome de uma revista, logo sua identidade não será revelada.




popmatters publicou uma avaliação em 11/10/2026: 91

Após o inescapável sucesso de "Dracula", Maggie Morris oferece mais um vislumbre de suas habilidades como artista pop ao colocar "The Grudge" no mundo. A composição aqui difere-se de seu lançamento anterior justamente por mostrar uma Maggie mais pessoal e vulnerável artisticamente do que nunca; em versos conflitantes, mas cuja beleza se encontra justamente no conflito entre os sentimentos retratados, a cantora expõe como tem medo de seguir em frente e como gostaria de voltar a discutir mais uma vez os motivos pelos quais seu último relacionamento não deu certo, mas, ao mesmo tempo, ela também sabe que seria mais uma perda de tempo ao ir atrás de respostas que não irão ajudá-la de forma alguma. Visualmente, o projeto evoca uma estética retrô e que combina com a ideia da música em constantemente revisitar o passado em busca de respostas para o presente, e seu trunfo está no casamento entre esses conceitos, tornando "The Grudge" mais um acerto de Morris como artista que sabe transitar entre vários temas sem se perder entre eles.



Spin publicou uma avaliação em 04/10/2026: 92

“The Grudge” é uma baladinha melancólica e bastante honesta sobre querer esquecer alguém sem necessariamente precisar perdoá-lo. A composição não tenta transformar a mágoa em uma grande tragédia, preferindo trabalhar com pequenas lembranças e contradições muito humanas, como apagar um número e recuperá-lo no dia seguinte ou contar para todo mundo que não doeu tanto assim. Os versos são bonitos e bem organizados, construindo essa sensação de alguém que já entende o que aconteceu, mas ainda não conseguiu se desprender completamente daquilo. A música encontra sua força justamente nessa falta de uma resolução perfeita. Maggie não precisa declarr que deixou tudo para trás, mas admitir que está cansada de carregar aquilo. O refrão resume muito bem essa ideia ao desejar esquecer sem precisar perdoar, enquanto a ponte abandona a vontade de vencer a discussão e aceita que talvez a outra pessoa nunca compreenda o estrago que causou. É uma faixa delicada, triste e sincera, que transforma o rancor menos em vingança e mais no peso de continuar vivendo com algo que você gostaria de finalmente deixar para trás.



DIY publicou uma avaliação em 04/10/2026: 84

Há uma diferença entre superar alguém e simplesmente ficar cansada de continuar ressentindo essa pessoa. “The Grudge”, novo single de Maggie Morris, entende essa diferença e faz dela o coração de uma das suas composições mais maduras até o momento. Sobre uma base de soft rock emocional atravessada por sintetizadores discretos e um pacote gráfico que em sua simplicidade, apresenta um nível de sofisticação muito elevado, Morris transforma uma história de mágoa em algo menos previsível do que uma canção de vingança. Ela ainda está com raiva. Ainda lembra a data, o lugar, a conversa, o número apagado e recuperado no dia seguinte. Ainda imagina o que diria se encontrasse aquela pessoa novamente. A diferença é que agora começa a perceber que continuar ensaiando essa conversa também significa continuar presa a ela. Essa é a grande força de “The Grudge”: ela não tenta convencer ninguém de que já está curada. A música é construída justamente sobre essa falta de resolução. Seu refrão não pede reconciliação e tampouco oferece o perdão como prêmio final. “Eu queria esquecer sem precisar perdoar” é uma frase que poderia facilmente soar como slogan de autoajuda, mas Morris a sustenta com detalhes suficientemente humanos para que ela ganhe peso. Ela não quer necessariamente compreender o outro. Quer simplesmente parar de organizar sua vida em torno do que aconteceu. É uma diferença pequena na linguagem e enorme emocionalmente. O primeiro verso é particularmente eficaz porque Morris entende que as lembranças mais persistentes raramente são grandiosas. São específicas. A data. O lugar. O que foi pedido para beber. O momento exato em que uma conversa mudou alguma coisa. Em vez de transformar a dor em uma abstração, ela a ancora em detalhes cotidianos. E então vem uma das melhores confissões da música: ela passou semanas contando a história para todo mundo, mas escondendo justamente “a parte em que doeu”. É o tipo de frase que faz a música funcionar além da superfície de uma música sobre término. Morris está interessada na diferença entre contar uma história e admitir que você foi afetada por ela. O single também sabe quando aliviar o peso. “Eu apaguei seu número numa quarta-feira / E recuperei na quinta sem nenhuma boa razão” é engraçado de uma maneira dolorosamente familiar. A continuação “É praticamente minha segunda profissão” evita que a música afunde em autopiedade. Maggie não está interpretando uma vítima perfeita. Ela sabe que também participa do ciclo que tenta romper. E quando chega à imagem de que “vingança é uma casa sem janelas”, a música encontra sua metáfora mais forte. Ressentimento pode parecer uma forma de manter alguém responsável, mas também pode se transformar em uma prisão onde a única pessoa que permanece trancada é quem guarda a mágoa. O melhor momento, porém, talvez esteja na ponte. Morris imagina construir um caso inteiro contra aquela pessoa: uma lista de motivos, lembranças transformadas em provas, todas as evidências necessárias para finalmente vencer a discussão. Então ela recua. Não porque descobriu que estava errada, mas porque percebe que não quer mais ganhar. Essa é uma distinção importante e bastante rara em canções de término. “The Grudge” não diz que o que aconteceu foi perdoável. Diz que talvez não seja mais necessário continuar julgando aquilo. A música fica ainda mais interessante quando a cantora admite: “Talvez eu ainda esteja com raiva / Talvez isso seja tudo que restou / Ou talvez eu só esteja cansada”. Não existe aqui a grande catarse de uma artista declarando que finalmente está livre. Existe algo mais próximo da vida real: às vezes a cura começa simplesmente quando você percebe que está cansado demais para continuar odiando. Mas se existe uma parte de atenção dentro da música, é que algumas imagens pertencem a um vocabulário bastante conhecido de músicas sobre separação: apagar números, imaginar reencontros, ensaiar respostas, fingir indiferença. Porém, entretanto, a artista não reinventa esse repertório, mas sim o melhor organiza em torno de uma ideia emocional mais interessante: você não precisa perdoar alguém para deixar de pertencer à história que essa pessoa escreveu sobre você. Essa não é uma música sobre deixar de sentir, é sobre parar de fazer do sentimento uma obrigação. E talvez seja justamente por isso que ela seja tão convincente. Morris não sai da música com o coração completamente limpo. Ela sai com algo mais difícil de conquistar: a disposição de não carregar aquele peso para sempre.