MOE sempre foi uma artista peculiar, desde seu primeiro projeto ela nos cativou com originalidade e uma abordagem artística singular, “Velvet Sky” reafirma e amplia isso. Com um conceito solido e quase que cinematográfico, a cantora nos insere em uma narrativa interessante que utiliza de uma sociedade distópica, envolta em um conflito de classes segregacionista, o eu-lírico encontra um amor proibido em alguém que pertence a outra “casta” e a partir daí o enredo vai se desenrolando pouco a pouco em algo mais profundo do que necessariamente a paixão. Como se houvesse um aperitivo, antecedendo o prato principal. Há uma trama com personagens, anedotas e toda uma atmosfera que complementa o que está expresso nas canções, oscilando estranhamente entre um artificio descartável e um bônus para o álbum, já que as referências por si só saciam essa necessidade. Talvez o único problema desse quesito é justamente não nos apresentar um final digno ou melhor aprofundado, nos soa mais como uma “Parte 1” de uma saga do que necessariamente uma peça única, não é exatamente como se o final não fosse proveitoso, mas sim como se ainda houvessem aspectos a serem melhor explicados, como um melhor aprofundamento sobre os desfechos de alguns dos personagens e uma visão menos “egocêntrica” do eu-lírico, já que ela acompanha primeiramente uma personagem, mas principalmente na metade insere outros, bem como uma abordagem mais ampla sobre a sociedade em que nos foi mostrada, ao fim isso parece como um pano de fundo, um pouco menos amplo e mais voltado para o íntimo de Meg do que para os contextos gerais que ela já havia iniciado. As composições são despojadas, muito bem construídas e repletas de referências interessantes da cultura japonesa, personalidades midiáticas de décadas atrás e também obras literárias. Os versos, estrofes e até onomatopeias inseridas constroem uma abordagem excelente e nos faz acreditar que MOE possui uma abordagem lírica muito única, tornando-a uma artista a ser melhor gratificada nesse aspecto. Gostamos que ela utiliza críticas sociais e até mesmo em relação a indústria de uma forma muito inteligente e perspicaz, ela não foge dos preceitos narrativos e ainda expressa suas revoltas e sentimentos em relação a vários assuntos. O álbum possui uma construção melódica muito linear, com grande presença do Jazz, Blues e de um pouco de Neo-Soul, com o baixo imponente e a instrumentação orgânica presente em todas as canções, até mesmo nas mais contemporâneas, um grande ponto positivo. As interludes foram complementos interessantes para realçar não apenas a sonoridade, mas também a narrativa. A melhor canção é “American Beauty”, possuindo uma crítica importante e sendo uma das faixas mais estruturadas do álbum, ela nos traz essa dualidade entre uma problemática observada em Velvet Sky e também em nossa sociedade; A canção mais desconexa da obra é “LOL”, por pouco acrescentar no álbum e não nos cativar de forma individual. Os visuais são excelentes, eles não só reafirmam o que está nas canções e no conceito como também nos fazem ter uma melhor visualização do mundo distópico e retro-futurista que ela nos apresenta. A métrica, cores e todos os elementos utilizados (Engrenagens, bandeiras e pichações) no encarte foram pontos extremamente positivos, bem como o plano de fundo ser bem atrativo. Hikari Moe consegue superar seu último projeto em criatividade e em recursos líricos, nos apresenta não apenas um novo mundo, mas também um álbum frenético, brilhante e único. Estamos realmente ansiosos por seus futuros projetos