
60
Em seu primeiro extended play, Noah Ray nos apresenta as camadas do seu mundo profano, em momentos íntimos sobre sexo, drogas e suas emoções. Em um consenso geral, a ideia de juntar três itens tão distintos intercalando no álbum soa um pouco precipitado, já que pode causar abalando drasticamente a coesão geral do álbum, onde uma música sobre sexo explicito e em seguida uma música sobre os sentimentos mais profundos de Noah não soam como uma combinação perfeita para intercalar em uma tracklist, e o EP vai assim durante todo o seu processo. Deve-se concordar com músicas como ‘Fucking With My Best Friend’ e ‘Die’ parecem distintas o suficiente para pertencerem a histórias diferentes, então acaba não fazendo muito sentido pertencerem ao mesmo álbum; e é entendível que Noah quis contar sua história através dos três tópicos, mas acabam que não se conectando dentro de um único LP. O álbum inicia de uma forma mais sensual em ‘Games’, provando um pouco do mundo profano de Noah desde o início, e a referência ao vídeo game soa interessante, mas a letra é a mais clichê e rasa sobre o assunto possível: sexo da forma mais banal. A música não traz algo novo para a mesa na sua composição e soa como uma faixa mais do mesmo, podendo ter melhorado um pouco nesse quesito para dar uma intensidade sexual extra. Em comparação a primeira, ‘Louvre On Fire’ dá uma intensidade maior ao álbum, chegando como um elo mais sentimental no álbum, não só por trazer sentimentos, mas por trazer versos mais intenso e melhores compostos. O segundo verso é a melhor parte da música, ficando mais forte do que o primeiro e se destacando melhor dentro da música. ‘Bad Guy’ é uma música que contém um refrão chiclete que se torna interessante ao ser ouvido em conjunto ao instrumental, mas acaba se tornando um pouco repetitivo, de fato. A composição da faixa é rasa, e não traz algo de novo para entendermos melhor qual o rumo que o ‘Profane World’ está nos levando. ‘Die’ é a melhor canção do ‘Profane World’, mostrando uma letra mais madura da parte de Noah e uma narrativa mais emotiva, onde podemos sentir os sentimentos e a paixão do cantor em relação ao que está cantando, o que nas músicas anteriores parecia em falta. A ponte de ‘Die’ é interessante e suculenta, com versos magnéticos que atraem a atenção. É extremamente vago saber a função de ‘Fuck With My Best Friend’ dentro de ‘Profane World’; a composição é rasa e alguns versos soam bobos ao extremo, como início do verso ‘você não pode negar... isso é muito melhor do que ficar vendo animes’. Sua necessidade é explicita na música, mas ela é falha em dar um tesão em especial ao ouvinte e não se diferencia nem um pouco das músicas clichês sobre sexo, onde na verdade, está mergulhada em falta de profundidade. ‘Dancing Alone but My Tears Are Running’ encerra o álbum de forma intensa, com uma boa composição e que mostra o lado mais maduro de Noah e é o tipo de composição que esperávamos que aparecesse mais vezes durante o ‘Profane World’. É uma composição fiel, crua e encerra do álbum de forma majestosa. O seu visual talvez não tenha sido a melhor finalização possível, com um efeito bastante forte nas fotos principais acabou deixando o encarte muito estranho em algumas partes; mas é um visual que pode-se dizer como um ‘bom começo’ para Noah, já que é seu primeiro trabalho, mas também não é algo que cause algum impacto visual para marcar seu nome entre os melhores. O maior problema de Noah dentro do ‘Profane World’ foi a falta de profundidade nas suas composições, e mesmo em composições de sexo, algo mais intenso era necessário para causar uma comoção, um tesão ou até mesmo um arrepio em qualquer um que ousasse ler a sua composição, mas isso não aconteceu e deixou um pouco a desejar em momentos como esse. Apesar do fato já citado da coesão em geral, o ‘Profane World’ mostra um artista que tem um caminho longo pela frente e pode ser uma revelação futura caso consiga melhorar as intensidades em sua composições, focando em um dos três temas sugeridos (ou organiza-los de uma forma que não pareça uma verdadeira bagunça). Composição: 18 / Visual: 17 / Criatividade: 14 / Coesão: 11

72
“Profane World” é o primeiro trabalho do novato Noan Ray, abrangendo os gêneros pop, alternative e dance. O álbum abre com a animada “Games”, com uma estrutura obviamente atrelada ao gênero pop, com versos simples e sintéticos, mas também chicletes e dinâmicos. É uma faixa divertida e sensual, brincando também com a temática de jogos eletrônicos (“you need to learn my commands soon // touching my body like I\'m touching a joystick”). Entretanto, a faixa carece de uma musicalidade maior e talvez uma maior profundidade. A segunda canção, “Louvre On Fire”, tem bons versos, mas a analogia com o Museu do Louvre e a temática amorosa acaba sendo desconexa, podendo ter sido melhor polida ou conectada. Os versos, porém, são honestos e bem escritos, novamente com uma estrutura pop com repetições bem espaçadas e colocadas. A seguir, tem-se “Bad Guy”, tratando novamente da temática amorosa e sexual, explicitando a vontade do eu lírico de não ter um relacionamento sério ou oficializado. Os versos em geral são bons, o que peca é o refrão, que parece simples demais em relação ao resto e não apetece muito. O pré-refrão, por outro lado, é muito bom e até mesmo melhor que o refrão em si. Primeiro e único single do álbum até então, a 4a faixa é “Die”. Os versos são muito bons e novamente honestos, revelando uma personalidade na canção que é bem construída. Entretanto, frisamos aqui um problema de coesão que afeta a estrutura do álbum em si - na faixa anterior, “Bad Guy”, o eu lírico parece renunciar a oficialidade, e em “Die” há uma mudança repentina que muda totalmente o paradigma, polarizando justamente com a faixa antecessora e afetando a identidade do projeto como uma unidade, e não simplesmente músicas agrupadas. “Fuck With Best Friend” é a faixa nº5, e sem dúvidas a melhor do projeto. Sensual e sincera, a música usa e abusa de literalidades sexuais, o que contempla o conceito central de relações sexuais explícitas. Entretanto, há algumas linhas pontuais que poderiam ser retrabalhadas para potencializar a qualidade geral da música, como “you can\'t deny this is much better than watching anime”, por exemplo. A penúltima canção é “Dope”, que troca a temática para o mundo das drogas, explorando a vivência de um amigo próximo do eu lírico, vide track by track. A música poderia ter sido melhor escrita, com alguns versos simplórios até demais, mas há um bom uso de metáforas e recursos poéticos. A música é um pouco superficial, podendo ter sido mais aprofundada na área sentimental do indivíduo ao dissecar a relação deste com drogas ilícitas, o que não foi visto aqui. “Dancing Alone But My Tears Are Running”, a sétima e última faixa, sofre o mesmo problema da anterior. Aqui não observamos a mesma sinceridade do eu lírico nas faixas sucessoras, é uma composição rasa que foca mais no consumo das drogas do que nos sentimentos do eu lírico em si, o que consideramos ter sido uma oportunidade perdida para Noan mostrar uma versatilidade superior na escrita. Resumidamente, a composição é boa e agradável, considerando-se também que é o primeiro trabalho do artista, mas algumas vezes beira o superficialismo, apesar de acertar em cheio na sensualidade. Há algumas arestas para serem polidas, mas sem dúvidas podemos enxergar um futuro brilhante para o novo artista. Voltando-se agora para o encarte, determinamos que ele é muito bonito e imaginativo, tanto pela sua composição quanto pela degradê nas imagens. A distribuição dos versos das canções, entretanto, poderia ter sido melhor executada caso apenas os versos principais fossem colocados, numa fonte maior e em caixa alta, para entrar em sintonia com as outras imagens, já que em algumas páginas as letras acabam sendo engolidas pela base. Falando-se agora de coesão, podemos dizer que há sim, com exceção do problema citado na análise de faixa a faixa e a aleatoriedade da temática das drogas, que parece não combinar com o resto das canções. Houve uma criatividade na produção do encarte e na composição, mas ela poderia ter sido potencializada caso Noan tivesse ultrapassado a barreira de superficialidade em alguns momentos. Em geral, “Profane World” é uma boa introdução de Ray à indústria, explicitando sua identidade e modo de escrever, mas também é prova que o rapaz tem ainda potencial para crescer e melhorar. || Composição: 28/40 || Criatividade: 9/15 || Coesão: 15/20 || Visual: 20/25 || Nota=28+9+15+20=72.

57
O artista em ascensão Noan Ray introduz sua imagem a indústria com o seu extended play de estreia “Profane World” que em primeira instância não evidencia uma grande concepção do mundo /’profano’/, o projeto desfere-se em canções sobre paixão, sexo, drogas em uma rede lírica de medo e tesão. Temos uma péssima experiência com a faixa abertura “Games” que não nos leva a nenhum lugar, muito menos a introdução do álbum porque se estende em versos altamente repetitivos e linhas superficiais que poderiam ser melhor trabalhadas. “Louvre On Fire” poderia ser o pontapé de “Profane World” por abraçar com força o conceito do álbum, Noan é inseguro e busca por aprovação da sua arte ou de seu amor, é uma canção inteligente e bem escrita, a dualidade que ela carrega é o ponto alto da mesma, tornando “Games” facilmente esquecível ao lado dela. Com “Bad Guy” entramos em uma linha tênue entre o superficial e o profundo, apesar dos versos terem uma boa narrativa e segurarem o conceito da canção, o refrão/ponte são escassos de informações, apenas linhas repetidas sem chegar em lugar nenhum, exigindo uma atenção maior para esses detalhes. ”Die” poderia ser melhor, há o mesmo problema de não ir a fundo sobre esses sentimentos e soa como um pedido de socorro na repetição extensa de “Porque todo mundo um dia morre”, não há nada que faça essa canção ter um momento, ela segue uma paralela sem altos e baixos. “F*CK WITH BEST FRIEND” é mais do mesmo, não possui nada de novo ou que nos faça vibrar de emoção ou até mesmo de tesão, para uma faixa que fala sobre sexo, ao mínimo deveria ter uma complexidade dentro dos versos, deixando em evidência que é só mais uma de milhões de canções sobre sexo. “Henri\'s Song (Dope)” se junta a “Games” como a pior faixa do álbum, não recebemos uma perspectiva de começo meio e fim dentro da forma que discorre os versos, tudo é reduzido aos narcóticos que não figuram nenhum sentido dentro do projeto como um todo, pulando assim para a faixa final “Dancing Alone But My Tears Are Running” é boa para finalizar, não é uma das melhores e novamente segue uma linha paralela, o ponto questionável dela é que se Noan tivesse trabalhado essa profundidade no restante das tracks, tudo poderia soar mais coeso e uniforme, algo está segurando Noan de cuspir seus sentimentos mais profundos, e é necessário que deixe esse medo consumi-lo. Na proposta do álbum, fala sobre discorrer sobre seus medos, Noan falha em ter uma profundidade no lírico e evidencia versos adolescentes e repetitivos, que em muitas vezes não nos leva a lugar nenhum. Não conseguimos captar a back-story do porque toda essa infelicidade e decepção porque é tudo resumido a um amor raso e adolescente, faltou uma essência madura dentro das canções que pudesse finalmente evocar todos os medos profanos de Ray. Seria interessante de Noan pudesse usar de mais recursos líricos como boas rimas, metáforas, figuras de linguagem que enriquecem a composição como um todo. Visualmente é agradável e evoca o horror retrô que difere dos demais projetos, as letras distorcidas são o ponto alto e também gostamos do degradê que é usado para trazer a atenção nas imagens, talvez, Noan poderia dar dois passos a mais e entregar uma obra mais complexa, digna de aplausos, mas ainda há muito o que traçar para atingir a maestria. COMPOSIÇÃO: 15/35 | CRIATIVIDADE: 10/20 | COESÃO: 8/15 | VISUAL: 24/30
65
“Profane World” é um projeto que demonstra bem a fome e a força de vontade que a nova geração da música carrega consigo. Noan Ray, dono do EP que marca a sua estreia com sete faixas, mostra que é um diamante bruto. É um talento, sem sombra de dúvidas, mas que precisa de um pouco de pressão para que mostre ao mundo o que veio. Infelizmente, com suas canções, isso não se revela com tanta precisão. “Games” é uma canção que transita pelo sentido sexual, uma coisa que veremos com frequência pelo decorrer do extended play — o mundo profano de Ray é constantemente visto sobre a ótica de descobertas sexuais do rapaz. Aqui, vemos um gostinho dessa energia que o artista tenta emanar, mas que falha quando cai em alguns clichês. Não funciona como uma boa abertura, e deixa a impressão de que há alguma coisa faltando. Um pouco mais de consistência. A segunda faixa “Louvre on Fire” simboliza uma absorção e demonstração lírica dos sentimentos que a decepção amorosa gerou no sujeito que a desenrola. Noan tem uma queda notável por referências externas; aqui, obras de arte entram no cenário, como se o artista deixasse suas pinceladas azuis na canção. É também notavelmente melhor que sua antecessora, deixando o público mais esperançoso pelo o que vem a seguir. “Bad Guy” faz com que o artista assuma uma personalidade mais fria, onde conta sobre sexo sem compromisso e sua vontade de não se apegar. Literalmente faz com que Noan se torne o cara malvado, e também desacelera o clima em uma música dona de uma estrutura frígida. Diferentemente de “Bad Guy”, a quente “Die” fala sobre um amor tão intenso que faria o eu lírico morrer pelos sentimentos que o terceiro desenvolve em seu núcleo. É uma canção bem escrita, notavelmente melhor que a antecessora, mas aqui algo fica bem claro: em “Profane World”, as faixas parecem soltas. Não parecem ter coesão alguma juntas, ou organização temporal. Mas “Die” mostra que Noan Ray é um compositor em fase de crescimento. “Fuck With My Best Friend” também é igualmente bem escrita. Tem um quê ácido e bem humorado, e Noan aqui parece mais confortável. Diferente de “Bad Guy”, que também faz alusão ao tema que a atual aborda, aqui o artista brinca sobre uma noite de prazer com seu melhor amigo num ar debochado. Mesmo que esta seja, sem dúvidas, a melhor que o artista apresentou até agora e a nossa favorita no projeto, não há suavidade entre as transições que o mesmo faz nas canções. Ele consegue fluir do amor ao ódio muito rápido e faz com que a experiência seja caótica, mas não num sentido tão bom. Já em “Fuck with My Best Friend”, o artista toma um caminho mais irônico. Ele parece se divertir com a posição, que é um tanto similar a que tomou em “Bad Guy”. Aqui, ele só quer diversão e brinca com isso. Novamente, uma canção bem escrita, de fato; é facilmente cativante com o uso das referências que ele sabe bem empregar. Provavelmente a coesão e uma continuação mais apropriada acontece nas últimas duas canções, “Henri\'s Song (Dope)”, onde o foco se retoma às frustrações de um amigo do eu lírico enfrenta pelo uso de drogas como válvula de escape dos problemas, e “Dancing Alone But My Tears Are Running”, que é quase uma carta de despedida pelos sentimentos que Noan herdou do seu amigo. Mesmo com uma linha histórica mais fraca, aqui ele consegue retornar à precisão em alguns aspectos. Visualmente, “Profane World” bebe de uma fonte interessante: o aspecto do sonho gráfico setentista lembra o pôster de um filme de terror europeu. Pode parecer como uma ótica entorpecida, como se estivéssemos em uma viagem pelas drogas, um dos temas que o mesmo abordou nas letras. É bonito e bem feito. Noan Ray é um nome jovem e forte. Tem muito o que aprender e melhorar, mas parece disposto a reparar estes erros. Um talento como o dele não se vê em tantos outros jovens na indústria musical, e, com um pouco mais de vigor e esforço para trazer um trabalho mais consistente e coeso no futuro. Composição: 30/45 | Criatividade: 5/10 | Coesão: 15/25 | Visual: 15/20