
Spin 96
Com um estilo formidável, Bloodydriver se despiu e está pronto para despir outras pessoas com seu segundo álbum de estúdio, ‘Tormenta’. O que muitos não podem entender, ou não entenderam, é o gênero vanguardista com o qual Bloody trabalha com tanta maestria. Com isso, a compreensão do que foi produzido para a obra pode ser conflitante, e uma grande parte pode achar ultrajante ou liricamente imperfeita. Contudo, o artista se mostra acima da ignorância e prova que uma sonoridade e estética ‘flamboyant’ são expressões artísticas válidas, e que sua arte está além das linhas quilométricas de letras adornadas. Dito isso, a faixa de abertura, ‘Volcano’, é simples e impactante, com versos curtos e melódicos que conseguem atingir o objetivo harmônico sem necessidade de palavras grandes. Uma introdução perfeita para o projeto. ‘Immaculate’ apresenta uma composição mais complexa e padronizada, definitivamente menos melódica que a anterior, mas muito mais poética. ‘Beach’, que vem logo em seguida, marca um dos pontos altos do álbum e transmite tudo o que é de se esperar com base no que já foi apresentado. A agressiva e voraz ‘Drown’, a ousada ‘Sangre’ e a sensual ‘High’ são canções dignas de reconhecimento, especialmente a última citada, que carrega uma energia erótica e, ao mesmo tempo, obscura, como se estivéssemos sendo seduzidos por alguma energia maligna. É uma transição perfeita, considerando que temos em sequência a diabólica ‘Chromyl’, que é a cereja do bolo. Versos inteligentes, com referências a tudo que podemos imaginar, a combinação de desejo e ciência é simplesmente espetacular. ‘Casulo’, colaboração com Serina Fujikoso não diminui a animação do ouvinte após a última faixa. É uma canção explícita que só poderia ser performada por essa dupla sagaz, realmente uma delícia acompanhar a sintonia das duas personalidades. ‘Tormenta’, ‘Mercy’, ‘Voodoo’ e ‘Funeral’ são mais melancólicas e adornadas. Realmente não acredito na necessidade delas serem reflexivas a ponto de abordarem uma consequência das faixas anteriores, mas ainda assim, são divinas. Dentre os pontos negativos, temos ‘Chaoscity’, que causa uma ruptura muito forte no álbum devido à sua abordagem mais R&B e aos versos. A faixa não parece completa na totalidade e falta personalidade. Embora possa ser incompreendido por alguns, a genialidade de Bloodydriver é evidente em cada faixa de "Tormenta". É uma pena que o álbum não tenha sido totalmente compreendido, pois é indiscutivelmente um dos melhores do seu ano de lançamento. No entanto, sua influência e genialidade servirão certamente de inspiração para futuros artistas que desejam ser verdadeiros e honestos em sua arte. Bloodydriver provou que a verdadeira arte transcende as barreiras da compreensão e continua a desafiar e inspirar aqueles que a encontram.
TIME 94
Trazendo um estilo único e inconfundível, bloodydriver consolida sua imagem e posicionamento como artista em ‘tormenta’, seu segundo álbum de estúdio. ‘volcano’ abre o projeto de forma simples e impactante. Contendo versos pequenos e melódicos, a canção tem ritmo bastante fluído por conta de sua estrutura e funciona para ser a primeira faixa do projeto. ‘Immaculate’ apresenta composição mais robusta que a sua antecessora. Mesmo que sigam os versos curtos, bloody sabe aproveitar as linhas para transmitir sua mensagem e criar boas metáforas, sendo possível perceber várias pequenas emoções e sentimentos complexos do eu lírico durante a canção. A terceira (e melhor faixa até o momento) é ‘beach’. Nesta faixa é possível observar um ápice lírico do artista em trechos como: “this is my beach, i won't let you swim // the rules i set and you have to accept” e “so my love can be like the waves on the beach // he goes back and forth violently”. O álbum continua seguindo para um caminho progressivo de liberdade e revolta em ‘drown’, música com uma pitada mais agressiva e imponente que as suas anteriores. Nesta faixa o que chama atenção é a forma como o eu lírico fala sobre as suas vontades e desejos, sem medo algum. Além de manter o nível de composição das outras canções, essa traz o melhor e mais direto refrão. O primeiro single do álbum, ‘sangre’ é interessante pelos jogos de palavras, o seu contexto mais explícito e os instrumentais psicodélicos, mas em termos de composição e desenvolvimento lírico, está abaixo de suas antecessoras, sendo uma faixa bastante linear em alguns momentos. ‘high’ segue a linha sexual iniciada por sua antecessora, trazendo uma pitada sombria para o álbum, principalmente por conta de seus instrumentais e vocais, que são o seu ponto alto. Em termos líricos, a faixa tem uma boa estrutura, mas não foge muito do que já havíamos visto em ‘sangre’. Outro grande destaque em composição, ‘chromyl’ adentra de vez na parte mais sombria do projeto. Trazendo versos inteligentes e um ótimo paralelo entre amor, ciência e desejo, a faixa é completamente experimental e descreve essa a fixação do eu lírico por alguém que é nocivo ao mesmo tempo que é completamente intrigante e interessante. Entrando no final do álbum, um dos últimos destaques é ‘casulo’, a faixa mais explícita do álbum, o que poderia ser diferente tendo a parceria da ilustre Serina Fujikoso. Ambos transitam pelo experimental e abusam de metáforas relacionadas a metamorfose e outros aspectos das borboletas, ao mesmo tempo que Bloody fala sobre uma relação em que a outra metade tentou enganar, sendo um ótimo adendo para a música, em especial para a ponte, formulada de forma brilhante. A esta altura do projeto, os sentimentos de raiva, revolta e frieza presentes não são mais novidades, mas o artista introduz pitadas de melancolia, tristeza e arrependimento, temática pouco explorada durante as outras músicas. Dentre as últimas faixas, ‘tormenta’ consegue se destacar por trazer um toque de melancolia e tristeza bem acentuados, mas sem exagerar ou parecer clichê. Além disso, ‘funeral’ encerrar bem o álbum, sendo um espelho que mostra ao ouvinte as consequências das ações e escolhas do eu lírico ao longo de todas as músicas. A arte do álbum é muito bem pensada e combina com as temáticas abordadas, principalmente por contar com o toque constante do experimental e psicodélico, marca registrada do artista durante toda a era. Por fim, ‘tormenta’ não decepciona e bloody entrega um ótimo trabalho. Um projeto diferente e ousado, o artista se arrisca ao entregar um trabalho que foge dos padrões da indústria e ainda consegue executá-lo com excelência.

The Line Of Best Fit 75
Depois de muito tempo sem o nosso querido e misterioso bloodydriver, formos surpreendidos com o seu segundo album estúdio intitulado "tormenta", que já havia tendo seu caminho trilhado com os singles que o antecedeu, como os sucessos "sangre" e "chromyl", com com suas pegadas mais obscuras, estas que deixavam o mundo Famou$ cada vez mais curioso com o que o cantor poderia trazer com seu novo projeto. O album foi escrito por um longo período e, ao contrário do seu album anterior, em "tormenta" temos um bloody mais objetivo, mais ousado e sem um pouco, ou melhor, alguma qualquer de timidez. Toda o seu visual foi mudado e, de primeiro contato, é como se estivesse vendo um outro artista, mas não aquele que permeava em nossas memórias, porém, isto não caracteriza como algo negativo, mas como um projeto interessante e que desperta um interesse de ouvi-lo logo de cara, afinal nos perguntamos "esse é o bloody que conhecemos?", "o que aconteceu durante todo esse tempo?", assim como outras perguntas inimagináveis. No entanto, ao adentrar-se nesse album, encontramos uma experiência que já é comum na carreira do cantor, ou seja, uma trajetória com um relacionamento problemático, a grande diferença aqui é o tom obscuro e afiado, precisamente na faixa "immaculate", onde vemos o cantor não economizando nas suas falas, mas ao mesmo tempo que a canção dá o fim ao passado de bloody, e apesar, também, de muito bem escrita, dar-se o início de um relacionamento com semelhanças do anterior em sua raiz, a toxidade, e isso se desenvolve mais durante o disco. Destaca-se, com certeza, a canção "casulo", que ao lado de Serina, é desafiadora e mostra uma persona nova e afiada do cantor, como descrito anteriormente, assim como a obra prima que é o single "chromyl" e seu destaque como uma grande composição já bem escrita na história.. Enquanto "tormenta" possui um visual incrivelmente inovador na carreira de bloody, criando expectativa, criando curiosidade, há uma certa desmotivação ao encontrar faixas extremamente curtas, que não se desenvolvem nos seus trechos, e não traz totalmente aquilo que o visual e o conceito se mostra. Mas, ainda sim, "tormenta" se destaca como um grande projeto visual e um grande 'comeback' de um artista tão querido na indústria, este que não decepciona quando o assunto é gerar curiosidade e ter sua marca única no mundo alternativo.

Pitchfork 89
Nos deixando muito curiosos, hoje avaliamos tormenta, um álbum que foge do comum que vemos na indústria. bloodydriver conseguiu criar um caminho novo dentro do meio e, hoje, é a referência deste, e tormenta é o firmamento necessário para um artista crescer na indústria. Com o seu álbum de estúdio, podemos finalmente retomar os pensamentos do artista e de como ele enxerga seu trabalho e a música. As tracks conversam incrivelmente entre si, criando uma narrativa forte e coesa sobre a bagunça da psique humana, enfrentando os seus desejos e sensações mais puras. A ligação entre as faixas é o ponto primordial para o funcionamento do álbum — uma vez que a nossa mente funciona como um rio sem interrupções ou mudanças bruscas. Damos destaque para /mercy/, onde presenciamos um dos pensamentos mais brutos e diretos do artista. Conseguimos ver, aqui, a mesma narrativa sexual presente em diversos pontos do álbum, mas agora nos guiando para um local mais selvagem e nada romântico. É uma perspectiva do álbum que torna a experiência multifacetada e multilateral, nos transportando para diversos pontos de vista. Já no visual, vemos uma visão artística de bloodydriver sobre as personalidades abordadas no álbum e em como tudo isso faz parte de uma pessoa só. O lado sci-fi do encarte consegue abordar o fator clínico da mente, remetendo também a filmes de terror onde o cientista estuda o cérebro das vítimas. No fim, enxergamos o tormenta como isto: um estudo e análise da mente e pensamentos de bloodydriver. É uma experiência curiosa, cuidadosa e coesa, que te insere no lugar certo com as sensações exatas para interpretar aquilo.

Billboard 80
Algum tempo depois de seu lançamento, o segundo álbum de estúdio do americano Bloodydriver é uma demonstração da luxúria muito precisa, revestida em couro, fetiches, poesia, feitiçaria e tragicidade. “tormenta” é enérgico e ainda assim muito intenso em seus sentimentos, em canções que certamente vão ditar tendências. “volcano” é um verdadeiro statement. Bloody incorpora aqui um grande espírito da natureza em sua revolta, e questiona a sua frieza tantas vezes levantada por seu alheio. Ele pede para ser tratado como um deus e ser tocado como algodão, mesclando o sutil com o enérgico, que funciona incrivelmente bem. Em “immaculate”, novamente o artista muda a sua forma, em uma espécie de santo justiceiro em busca de redenção após um relacionamento tóxico o enjaular. A letra é uma construção, em que aos poucos deixa mais clara uma certa sede de justiça quando promete derrubar os que estiverem em seu caminho. Não soa tão boa quanto sua antecessora, mas ajuda a pavimentar um grande caminho ao disco. Na conhecida “beach”, pode-se até mesmo brincar com a sonoridade similar à da palavra “bitch”, pois quando Bloody conta sobre seu novo achado, uma gelada praia onde seu coração foi congelado e isso impõe algumas regras em como o seu semelhante deve se comportar, o teor sexual implícito em um jogo de permissões ou negações é divertido e nos causa uma verdadeira experiência sensorial. Um dos pontos altos do LP. “drown”, no entanto, não tem o mesmo charme ou expertise da sua anterior, se tornando apenas uma canção repetitiva e com uma evolução um pouco medíocre. Aqui, o artista brinca um pouco em ser um monstro mas com algumas boas intenções e o desejo bem incisivo de se afogar no mundo onde em suas buscas, ele não precisa de Deus. “sangre” é emblemática e com certeza uma das canções mais memoráveis do artista, mas olhando para trás desde o seu lançamento, é possível traçar um paralelo em relação à qualidade presente na canção e o seu sucesso. O lead-single do “tormenta” não é a melhor canção do disco, passando longe disso, mas mesmo assim ela sintetiza uma grande energia presente no álbum. Sem dúvidas, ela ditou tendências na música alternativa, mas hoje há um esvaziamento muito grande no seu real propósito. Agora, em “high”, finalmente há uma canção de fazer o sangue de qualquer um borbulhar. Altamente sedutora e com uma composição excelente, trabalhando em uma letra menos metafórica, o que talvez agora, quase na metade do disco, possa trazer um pouco de alívio em alguns detalhes de canções passadas que possam soar um pouco forçadas ou muito desconexas. “chaoscity”, colaboração com Alexxxia, faz a leva de canções fracas retornar com tudo. Bloody aparece caracterizando em suas linhas obscuras a denominada cidade do caos onde seu amante e ele vivem um tórrido e quente romance. A construção da canção é bastante singular e direta, mas a participação da artista brasileira faz a música voar a outro destino em linhas desconexas. Ela tem boas referências e entendeu o sentido da composição, mas parece ter se perdido, tentando demais estar na linha fora da caixa que Bloodydriver tem. “chromyl”, oitava canção, nos deixa sem ar do início ao fim mostrando o melhor de Bloody em uma canção que já nasceu icônica. As referências à química nunca exploradas antes com tanta inteligência fazem desse o hit assinatura do cantor. É, provavelmente, o melhor momento lírico em “tormenta”, não apenas pelo shock value, mas sim pela riqueza em seus pontos mais cruciais, e na sua tracklist, um respiro de alívio. Já “casulo”, com Serina Fujikoso, é uma canção para chocar. A intenção foi validada e concretizada, pois o erotismo aqui é vulcânico e explosivo, misturando o inglês e o espanhol com pinceladas grosseiras de vulgaridade. É uma típica canção de Serina, que aqui, prova que trouxe a melhor colaboração do disco em uma voluptuosa marca registrada sua. Aqui, não há rodeios com metáforas; os artistas vão direto ao ponto e deixam a temperatura nas alturas com a nona faixa. “mercy” traz uma roupagem agressiva similar ao começo do disco, mas agora, a arma de ouro de Bloody parece pronta no gatilho, para atirar. É uma canção por ora divertida, que deixa o clima do disco mais conciso e mantém alguns padrões que a faixa anterior trouxe, nos trazendo de volta à narrativa do projeto com um gás novo e mais potente. Na canção-título, “tormenta”, há uma borbulhante sinergia. Sincera, ácida, tempestuosa, a décima track carrega todo o sentido que o álbum tem. Bloody quer romper o seu silêncio e deixar claro para todos que a fúria que carrega dentro de si é violenta, mesmo com uma expressão tão tranquila estampada em seu rosto. Um ponto alto do projeto e com certeza um single material quente. Mas após soltar seus raios e trovões, a composição de “voodoo” soa como uma tentativa de recolher os pedaços de alguém despedaçado, desesperado por ver seu amante ir embora, em um reconhecimento triste de quem ele é, no fim das contas. A ótima faixa nos mantém acesos e mostra uma vulnerabilidade marcante, realmente tocante. Encerrando, “funeral” é uma despedida dramática. Sua morte teatral é o fechar de cortinas e também soa e transparece algo similar ao fim de uma era. É uma canção densa e obscura, muito brusca e pesada. Pode parecer esquisita e um pouco desconexa, mas quando alinhada ao sentido geral de um tormento como Bloodydriver, há de ser trágico como uma peça grega antiga. É uma grande composição. O visual do álbum é moderno, caótico, em seus tons de rosa agressivos e cores quentes, que emergem como lava. O artista soube alinhar perfeitamente o encarte à atmosfera sinistra, esquizofônica e alucinante de suas canções em um trabalho de design realmente primoroso. “tormenta” é um curioso exemplo de como um artista pode se reinventar de maneira tão distinta. O segundo full-lenght de Bloody tem bons e maus momentos, e está longe de ser perfeito, mas ainda assim carrega em si uma graça e uma densidade formidáveis. A sua escrita é radical, ora muito exagerada e perdida em muitos enfeites e metáforas inofensivas mas inconsistentes, ora um deleite erótico excitante e revigorante. O artista consegue misturar o melhor de seus universos caóticos e silenciosos em uma jóia do alt-pop que promete reverberar por algumas gerações.