Em uma conversa franca e reveladora, sentamos com Amelie para desvendar os bastidores de sua nova era, suas transformações pessoais e a liberdade de abraçar suas próprias contradições após o enorme sucesso de seu álbum de estreia.
Exclaim!
Você construiu sua estreia com Off Guard a partir de fragilidades, términos, solidão e experiências da adolescência. Três anos depois, sua música parece muito mais disposta a encarar contradições e desejos sem tentar suavizá-los. O que mudou na Amelie por trás dessa transformação?
Amelie: Tudo em mim mudou. Ter me transformado no que sou hoje foi algo que sempre sonhei, de certa maneira, e que esteve guardado por muito tempo, mas que tentei omitir por medo de dar errado ou coisas do tipo. Durante muito tempo, tive medo de assumir partes de mim, meus desejos e até coisas que gostaria de dizer e pensar. Agora me sinto livre. Faço o que penso, escrevi tudo aquilo que penso e é isso. Foi algo necessário para me desenvolver por completo.
Exclaim!
“Cynical” coloca você diante de uma contradição bastante humana: exigir honestidade e fidelidade de alguém enquanto reconhece que você mesma já fez coisas que poderiam ferir essa pessoa. Quando percebeu que queria transformar essa hipocrisia em tema de uma música? E foi difícil se colocar nessa posição tão vulnerável?
Amelie: Diria que não foi algo difícil, e sim fácil, de certa forma. Todos nós, em algum momento, podemos exigir de alguém uma coisa que não podemos oferecer da mesma maneira. Eu sou assim. Sempre fui assim. É hipócrita, mas é o que sou. O mais interessante em escrever “Cynical” foi não me colocar como vítima ou vilã da história, mas reconhecer que sou a contradição em pessoa. É isso.
Exclaim!
Você já chegou cinco vezes ao #1 com cinco músicas diferentes e duas vezes ao topo dos álbuns com Off Guard. Ao mesmo tempo, apesar de uma carreira com mais de 70 prêmios, você nunca realizou uma turnê mundial. Existe uma sensação de que ainda falta viver uma parte importante da experiência de ser uma estrela global?
Amelie: Fazer uma turnê sempre esteve em meus sonhos e pretendo realizar quando lançar meu novo álbum, em breve... Na época do meu primeiro álbum, senti que não estava preparada para alçar um caminho tão grande como é o de fazer uma turnê mundial. Eu sabia que um momento melhor no futuro iria surgir e eu poderia aflorar toda a minha criatividade, realizando uma primeira turnê mundial quando estivesse pronta.
Exclaim!
“Masochism” marcou seu retorno depois de mais de um ano longe dos holofotes e abriu uma era completamente diferente de Off Guard. Você voltou querendo romper com a imagem que o público tinha construído de Amelie ou essa mudança aconteceu naturalmente durante o processo criativo do segundo álbum?
Amelie: Como respondi anteriormente, foi algo muito necessário para meu desenvolvimento como pessoa e artista. Não voltei com a intenção de simplesmente apagar o que as pessoas pensavam sobre a Amelie do primeiro álbum, mas sentia que precisava me permitir mudar. Depois de tudo o que vivi naquele período, era impossível continuar fazendo tudo exatamente da mesma forma. Naturalmente, tudo aflorou... Acho que “Masochism” foi a primeira demonstração clara da minha nova fase, pois essa música representa muito bem essa liberdade que estava sentindo.
Exclaim!
“Cynical” ganhou ainda mais força ao ser construída como um diálogo com BRUCE, quase como se estivéssemos ouvindo duas versões de uma mesma relação tóxica. O que fez você perceber que essa música precisava ser um dueto e por que BRUCE era a pessoa certa para dividir essa história com você?
Amelie: Sempre tive uma admiração gigante pelo artista que o BRUCE é. Ter ele comigo em “Cynical” é uma das maiores honras da minha carreira. Ele sempre foi a opção para a música, que, inclusive, escrevi pensando em ser uma colaboração com ele. Tudo surgiu em janeiro e o processo de composição foi tão rápido que até me surpreendi. Era necessária a adição dele na música para que ela ficasse tão boa e completa como é.
Exclaim!
Você já provou que consegue transformar músicas em grandes acontecimentos, mas agora está construindo uma segunda era praticamente do zero. Se pudesse definir o que o público ainda não entendeu sobre a Amelie que está surgindo nessa nova fase, o que você gostaria que eles descobrissem?
Amelie: Quero que as pessoas conheçam uma Amelie muito mais livre, mais confiante e, ao mesmo tempo, disposta a mostrar todas as suas contradições e seguir se arriscando e inovando em tudo o que faz. Não quero ter medo de falar de meus erros, sentimentos e desejos que não sejam tão poéticos e lindos. Eu sou uma pessoa intensa e espero passar isso naquilo que faço. Um arrepio.