
Spin 92
Com um álbum carregado de simbolismos e com uma lírica interessante e imersiva, Rubia lança seu primeiro álbum e supre todas as expectativas sobre ele. Tendo iniciado sua era desde damaged, a artista vêm nos mostrando extrema qualidade e personalidade em seus trabalhos, resultando em um grande aglomerado de músicas que conversam sobre como Rubia se vê e se entende, perante suas próprias expectativas e pressões da sociedade. As composições, como dito anteriormente, são um desabafo sobre o estado atual da artista, que consegue nos abraçar em suas emoções e entregar a dualidade sobre a estrela cadente nas diversas mitologias, mostrando que é uma artista versátil em seus trabalhos. Tendo revelado damaged, rubi e nuestro pasado antes do lançamento do álbum, Rubia conseguiu introduzir de forma delicada a era e nos mostrar o caminho que desejava seguir com a lírica do álbum, entregando canções pessoais que retratavam sobre um recorte do pensamento da artista. Dentre as faixas do álbum, destaque para dama de honor. Por mais que a faixa seja um interlúdio, aqui, Rubia conseguiu entregar um ápice emocional que nos atingiu em cheio, compartilhando conosco a sensação de sentir-se como um personagem secundário na história de alguém, torcendo para que um dia tenha o seu destaque. Outra faixa que destaca-se das demais é palermo, uma canção que "contrapõe" contra o interlúdio. Aqui, Rubia retrata um relacionamento que a deixa feliz e confortável, porém a artista também brinca com o receio de perder este amor no bairro de Palermo, em Buenos Aires. É interessante observar estes pensamentos inseguros sobre o amor de Rubia, pois em outras faixas vemos o desejo da mesma de sentir-se e ser amada. É como se a artista desejasse algo que tem muito medo, mas nem se recorda deste receio por querer muito ser a personagem principal da história. Já no visual, Rubia optou por um estilo mais simples, mas que ainda reflete o sentido belo e pessoal do álbum. Em tons de azul e rosa bebê, o encarte desdobra-se em uma estética que beira o início dos anos 2000, uma tendência visual que têm tomado força novamente nas redes sociais. As imagens de céu destacam a figura da artista, a retratando como uma estrela cadente e ligando todo o contexto e conceito do álbum com a mesma, tornando a experiência mais coesa e pessoal, como estivesse-se observando o renascimento ou a batalha entre os deuses internos de Rubia. Sem dúvidas, a direção de arte foi muito bem mentalizada por Rubia, juntamente MOE e PRAYØR, produtores do álbum. Resumindo, toda a estética delicada e mínima do visual contribuiu em peso para nos conectarmos não somente pelos ouvidos, mas também, pelos olhos e pelo coração. A artista soube criar uma experiência completa, para fazer os ouvintes mergulharem de cabeça em seus pensamentos e relatos cadentes.
