
Billboard 83
Com o intuito de encerrar um estilo narrativo apresentado em seus dois primeiros álbuns de estúdio, Noan Ray lança o extended-play “End.”, cujo título encapsula de forma intrínseca seu propósito. Apesar da ausência de um encarte visual para o projeto, algo justificado pela pretensão informal de seu lançamento, sua capa e contracapa, com seus estilos, texturas e efeitos, ainda são pontos fortes e que enfatizam o caráter menos voltado ao artista em si e mais para seu conteúdo. A tracklist se apresenta com todas as faixas intituladas em forma de sentenças onde apenas a primeira palavra possui inicial maiúscula. O disco se inicia com “Nothing i need”, co-escrita entre Noan e Alex Fleming; a simplicidade de seus versos esconde a complexidade das duas interpretações da faixa: um adeus a um relacionamento tóxico e/ou um adeus a uma versão de si mesmo que não cabe mais em sua vida atual. Apesar de não possuir uma execução excepcional, ainda é uma faixa de alto nível para o público se identificar. “Rockstar is a fraud”, segunda faixa do projeto, descreve como Noan passou a enxergar a indústria do trabalho em que se imerge como artista após uma fase obscura em sua carreira; o desenvolvimento de seus pensamentos é melhor executado aqui, mais especificamente no primeiro verso e refrão da faixa, onde entendemos de forma profunda o que o cantor tem refletido sobre. “Love song (not for one, but for all)” apresenta um Noan mais desprovido de defesas e vulnerável a ponto de admitir erros em relacionamentos passados, tirando a culpa deles (ou da maioria, como referenciado em sua ponte) com o intuito de fazê-los entender que ele sabe que não é uma pessoa fácil. Seu tema universal é bem desenvolvido com o decorrer dos versos e é um ponto chave na história. “Drama”, por sua vez, retrata um eu lírico cansado de seus próprios atos inconsequentes em relação a relacionamentos e também em relação à sua própria maturidade, ou a falta dela em alguns momentos; é um dos pontos altos do EP pela sua pessoalidade que ainda consegue atingir o ouvinte. “Gimme the midnight”, penúltima faixa do disco, possui uma narrativa não-cronológica, mas igualmente simplista no modo como Noan vê sua autoestima melhorar conforme seu corpo entra em contato com o de outra pessoa, seja em seu próprio quarto ou em uma pista de dança; é uma ode ao prazer do movimento corporal, por assim dizer. “Whatʼs wrong here?” encerra o extended-play em uma nota obscura e até relativamente raivosa, mais presente nos álbuns que antecederam este lançamento; Noan critica uma falsidade vista por ele na indústria musical e impõe seu ponto de vista frente aos olhares que recebe pelo modo como gerencia sua vida pública. É uma faixa interessante e uma adição igualmente perspicaz dentro do projeto que visa encerrar histórias impostas a si. Mesmo não sendo um disco canonicamente memorável para o mundo, “End.” ganha uma nova interpretação também como “And.”, no sentido de que, além de encerrar um ciclo, também acrescenta ao mesmo, e é um projeto que vale a pena de ser conferido como um vislumbre mais próximo do que mais Noan Ray é capaz de falar sobre e como ele fala sobre tais assuntos.

Variety 85
Prometendo ser seu último trabalho na indústria, Noan Ray entrega seu ponto final no auto-explicativo 'end.'. Mais uma vez, Ray trabalha com o vencedor do Grammy de Best New Artist, Alex Fleming. Ambos possuem ótima harmonia desde o premiado 'BEDROOM DRAMA', mas será que isso pode afetar na versatilidade do artista? Iniciando o extended-play, a faixa 'nothing i need' diz ser de sentido duplo, podendo ser interpretada como uma canção de negar uma versão de si para que o melhor aconteça ou uma letra sobre negar um amor e seguir em frente sem remorços. A frieza da faixa reflete que Noan esteve disposto a tomar decisões drásticas a favor de si mesmo e, claramente, inicia a obra com pé direito, mesmo que, de fato, haja resquícios de projetos passados em determinadas linhas, em seu significado. 'rockstar is a fraud' é poderosa e não precisou de acidez para funcionar como um diss track à indústria. Como um toda ela é poderosa e evidentemente áspera, além de ser muito verdadeira com os sentimentos que Ray sentiu em momentos de subestimação. Aliás, que refrão! A terceira faixa é 'love song (not for one, but for all)', que traz um segundo verso muito bem escrito e relata sobre paixões em que ele confessa que errou, já que errar é humano. É uma faixa que mistura sensações, tanto dor quanto atmosfera de liberdade é passível de ser sentida, fato interessante. No grupo das melhores faixas, 'drama' e 'what's wrong here?' se juntam ao pódio com a faixa dois. Respectivamente, o grito pela vida real e a insatisfação consigo mesmo insitua um mar de melancolia e metáforas excelentemente bem empregadas, e quanto a seguinte canção, a cara a tapa de falar o óbvio e ainda ser necessário para escancarar que a indústria tem seus erros e, apesar dos segredos, esses podres não podem ficar debaixo do tapete... Claramente temos a irmã de 'rockstar is a fraud'. A única faixa que destoa e enfraquece o conjunto da obra é a morna-sexual 'gimme the midnight'. Parando para analisar a produção auto-assinada, temos apenas capa e contracapa, essas que utilizam o mesmo espiral do seu álbum anterior. Pelo escasso desenvolvimento visual, o artista peca em não entregar algo ao nível de suas letras. Portanto, fica claro que Noan Ray é um compositor muito perspicaz em cantar seus clichês adolescentes de forma muito detalhista, da mesma forma que também sabe cantar sobre outras coisas sem perder sua identidade. 'end.' é curto, porém muito sincero.