
The Line Of Best Fit 85
Em seu terceiro álbum de estúdio, intitulado "Dissonant Band", Alex Flaming mergulha em uma jornada de autoexploração e confronto com traumas pessoais. Com uma mistura de Rock e Alternativo, o cantor apresenta um trabalho que oscila entre momentos de intensa revolta e reflexão melancólica. O álbum se inicia com "Genesis (A Brand New Revolution)", uma faixa que convoca o ouvinte para se opor às adversidades impostas pela sociedade. Com versos carregados de revolta, Flaming abre seu coração e estabelece o tom rebelde que permeia todo o disco.Seguindo com "Underneath Your Madness", em uma reviravolta, a faixa se direciona em alguém específico que pode ter incomodado o eu-lírico em alguma fase da sua vida, e deixa o ouvinte se conectar caso tenha passado pela mesma situação; Com uma grande introdução sobre se impor contra impunidade, a segunda canção traz um caminho meio simples, sem profundidade, na indústria, um sentimento de raiva por alguém, a famosa canção shade. "A Damn Robot" destaca-se com um refrão cativante e versos bem estruturados, explorando a preservação da identidade em meio à pressões sociais. No entanto, "Dissonant Band", faixa-título do álbum, apresenta uma abordagem menos cativante, focando na agressividade e nos ataques à personalidade do cantor, sem alcançar o mesmo impacto. Em "Mythomaniac", há um teor semelhante a "Underneath Your Madness", porém menos agressiva e raivosa, mas, ainda sim, focado em trazer incômodos em relações à outras pessoas com comentários e opiniões desgastantes. Em seguida com "Tight Spot", com participação do talentoso Jaehyuk, se aprofunda nessa busca por se manter em seus objetivos, mas como se houvesse uma corrente te puxando pra traz; Os versos são muito bem estruturados e é a que mais soa estar mais conectada com a mensagem que Alex queria passar em seu disco, sendo o maior destaque. "He's Giving Up the Fight", com participação de Colen, mostra-se repetitiva e carente de inovação, refletindo a persistência do cantor em explorar temas relacionados à saúde mental, porém sem trazer novidades. Por outro lado, "Mistaken" se destaca como um dos pontos altos do álbum, explorando traumas da infância e relacionamentos familiares de forma envolvente e bem estruturada. O encarte do álbum, produzido por Alec Weaver e TAMMY, apresenta uma capa expressiva, refletindo a agonia e a rebeldia presentes nas músicas. No entanto, algumas imagens parecem desconectadas do conceito do álbum, embora a aplicação agressiva da textura contribua para corrigir essa inconsistência em partes. Por fim, "Dissonant Band" é uma obra que oscila entre momentos de intensa emotividade e outros que carecem de profundidade. A mistura de Rock e Alternativo, aliada ao talento do cantor em compor versos profundos, torna o álbum uma experiência poética e melancólica, capaz de tocar os ouvintes em níveis pessoais. Apesar de suas falhas, é um trabalho que convida à reflexão e à conexão com as emoções retratadas por Alex Flaming.
Los Angeles Times 94
Entregando algo diferente e mais maduro após o tímido ‘Heartbroken Cowboy’ e o ainda prematuro ‘Naive Letters’, Alex Fleming se introduz em uma nova atmosfera com um álbum que foge totalmente de sua zona de conforto e pode marcar uma virada de chave impressionante na carreira. ‘Dissonant Band’ é um disco que trás um lado mais rock em diversas sentenças ainda com algumas pegadas de alternativo, ao contrário de suas últimas eras que mostravam um lado mais melancólico e melodramático do argentino. De longe, percebe-se que o novo trabalho do artista é algo extremamente bem pensando, estruturado e completo. Embora canções de compreensão muito complexas estejam presentes no disco, algo que porventura só faria 100% de sentido para o prórpio autor, elas não prejudicam a obra como um todo. Suas composições seguem sendo brilhantes e com uso de referências inteligentes, Fleming nos entrega um dos melhores álbuns lançados no último ano. O trabalho traz uma mistura de sensações que representam diferentes conceitos entre si, épocas que o eu-lírico pôde experimentar durante o processo de criação, momentos de revolta, fúria, redenção e embora todos esses conceitos as vezes se tornem exaustivos, todos são entregues com exatidão. Citando faixas como ‘A Damn Robot’, ‘Fine Line’ e ‘He's Giving Up the Fight’ como as melhores do trabalho, por todo universo e perspicácia lírica que se pôde notar, o uso de uma estrutura que facilita o leitor em narrativas limpas, concretas e de excelente escolha. “Dissonant Band” sendo o primeiro single oficial do projeto como também a faixa-título, carrega uma ótima proposta em apresentar indícios do disco, sem entregar tudo, mas já construindo e preparando o terreno para tudo aquilo que o álbum poderia ocupar após. ‘Mythomaniac’ e ‘Mistaken’ são também outros destaques mesmo que inferiores aos supracitados, mas cumprindo muito bem com a proposta de revelar sentimentos, seja por uma herança familiar de traumas juvenis ou a descoberta de que alguém próximo a você não é tão verdadeiro quanto se parece. Como todo álbum, apesar de conterem faixas excelentes, há sempre alguns deslizes. No projeto em questão, percebemos “Keep On Smiling” como uma track que flutua diante das demais, não em questão conceitual, mas em sentir que não foi possível notar profundidade sobre os acontecimentos e ser claro em proposta. Apesar de ser possuir uma história bem interessante e densa, a obviedade da faixa lhe torna distante da potência que as outras possuem, o que acaba deixando-a como algo mais básico. Partindo para o lado visual, vimos algo bem elaborado, diferente e conceitual. Com ótimos gráficos que seguem belíssimos durante toda a apreciação do projeto, representando algo cativante e chamativo para a era, Weaver fez algo bastante condizente com a letra e imagem de Fleming, além de ser exatamente certeiro na escolha dos tons, brilhos e agrassividade. Além disso, a disposição dos títulos em uma tipografia que se tornou marca da era, a organização dos textos que passa a percepção ideal do álbum e o tratamento das imagens nos tons exatos foi algo sútil e serviu como uma carta chave para somar positivamente e engrandecer a obra. Como um todo, vimos que Alex está hapto a explorar o rock e gêneros adjacentes de forma árdua e muito bem desenvolvida, sair de sua zona de conforto usando toda sua criatividade e genialidade apenas reafirmou seu recente mas grande nome na indústria, com trabalhos bem escritos, produzidos e pensados.