
Billboard 86
No tão aguardado disco de Henessey, intitulado "MISPLACED DIVA", testemunhamos uma reintrodução cuidadosamente planejada de seu repertório. A faixa de abertura, "Anxiety Attack", expõe de forma expressiva a batalha da artista contra a ansiedade, a canção é comovente e singular, se apoiando em uma escrita mais direta, sem rodeios e alegorias mirabolantes. Seguimos com "911", uma faixa sensível e carregada de emoções fortes relacionadas ao auto-ódio e até mesmo suicídio. Diferente do que é visto na indústria, Henessey lida de maneira responsável com a abordagem, sem necessidade de apelar para o valor de choque. Avalio a primeira parte do disco como positiva, porque vemos que a cantora não está focada em fazer um trabalho carregado de reviravoltas, narrativas mirabolantes, ela só quer contar sua história de forma direta e livre. "House of Mirrors" utiliza de uma linguagem um pouco mais densa, provando uma versatilidade no perfil lírico de Henessey. Destaco-a como a melhor letra do álbum até o momento. A cantora demonstra uma habilidade notável em transmitir mensagens complexas com poucas palavras. A abordagem concisa e direta adotada por ela é uma das características mais marcantes do disco. Apesar disso, a quantidade de faixas do álbum pode torná-lo um pouco cansativo. Em alguns momentos, a sensação de redundância é evidente, sugerindo que o trabalho poderia ser mais enxuto. Álbuns longos podem se tornar cansativos e dificultam a manutenção do interesse ao longo de todas as faixas. Além disso, a qualidade das músicas pode se diluir em um álbum extenso, com faixas menos impactantes perdendo espaço para as mais fortes, como “Tired Loneliness”, “Pleasure”, “I BROKE YOUR HEART” e “Cactus Passion”, que acabaram tendo menos destaque diante outras canções. O visual de "MISPLACED DIVA" é fraco em relação ao conteúdo e poderia ser mais elaborado. Mesmo seu uso sendo justificável, a textura cinza utilizada nas páginas não agrada totalmente, pois não há destaque ou contrastes fortes que chamem a atenção ou causem qualquer interesse em destrinchar o álbum. Esta seria uma excelente oportunidade para a cantora melhorar seu visual e gerar impacto, considerando que seus últimos trabalhos não apresentaram encartes tão marcantes. Em resumo, "MISPLACED DIVA" é um álbum sólido e de boa qualidade, apesar de sua longa duração e do visual que deixa a desejar. Henessey demonstra habilidade ao escrever com poucas palavras, sem exageros, o que é muito interessante. Além disso, é bom ver que o álbum surpreende, explorando campos mais densos em algumas faixas. O disco cativa o ouvinte e apresenta uma artista disposta a mostrar quem vive por trás da máscara da fama.

The Line Of Best Fit 75
Depois de um grande tempo sem lançamentos, Henessey retorna com o lançamento do seu quarto álbum estúdio, o intitulado "/MISPLACED DIVA"/. O disco traz em sua premissa uma jornada de autoconhecimento, o que se presume uma busca por amadurecimento em diversos assuntos, em meio à influências do pop e do alternativo. O projeto é introduzido pela canção "/Anxiety Attack"/ e retrata uma crise de ansiedade, onde a cantora foge de tudo que pode lhe fazer bem, em meio à medos e mente conturbada, iniciando o disco uma faixa com uma temática sensível e ao mesmo tempo caótica; Em seguida, temos a polêmica "/911"/, retratando um momento sensível da sua vida e sérios problemas de saúde, a canção é impactante, mas não é esperançosa, o objetivo aqui é apenas retratar o que aconteceu de tão grave; A interlude "/Heiress to Chaos"/ concluísse o que foi retratado anteriormente com as duas faixas introdutórias, aqui, Henessey diz que é o próprio caos, lidando com as situações como algo cotidiano; Assim, mesmo sendo a herdeira do caos, em "/MISPLACEDIVA"/, a cantora ainda sente dificuldade de lidar com algumas situações, aqui, por exemplo, com sua carreira artística, encontrando-se perdida e sem rumo muitas vezes; Em um reflexão sobre perseguição da aparência física, Henessey reflete sobre tensão e o bullying causando pelos diferentes tipos de corpos, e se inclui como um dos tópicos que pesa seu conflitos emocionais, como odiar sua própria imagem; O pré-refrão e refrão aqui são super potencializados e impactantes, tendo a faixa com uma das melhores liricamente até o momento; As três canções que sucedem, tais como "/Tired Loneliness"/, "/Utopian Marriage"/ e "/I BROKE YOUR HEART (YES, I DID IT)"/ possuem um subtópico em comum, que é a solidão, as três canções se aventuram nesse contexto em três cenários diferentes, mas o que se entende é que o incômodo maior não é o tópico principal nestas e, sim, se sentir sozinha e abandonada; Com uma temática importante, a cantora demostra uma prioridade ao tratar de assunto como violência doméstica na faixa "/Cactus Passion", levantando a hashtag #ThatsNotLove e orientado as mulheres se estão passando por casos abusivos, é definitivamente um dos destaques do projeto; Retornando em situações pessoais, em "/Thursday Therapy"/, a cantora se organiza pra o que deveria dizer pra o seu terapeuta sobre seus medos, a canção aparenta repetitiva pela cantora já demostrar seus medos anteriormente, o diferencial aqui é o ambiente. Em uma mudança demasiada, "/Pleasure"/, que tem como intenção de mostrar mais um lado de conceitos sexuais tabus, como masturbação e o prazer da mulher, acaba sendo um material vergonhoso liricamente; Com trechos descrevendo o ato sexual pautado, sem nenhum senso artístico, versos vergonhosos e refrão preguiçoso. No entanto, ao contrário da faixa anterior, a cantora segue com seu instinto mais radiante com a faixa "/Carpe Diem"/, que acerta na sua construção, explorando a expressão Carpe Diem, do latim, "aproveite o dia". A pauta feminismo faz seu retorno, agora com "/Legacy"/, enfatizando o empoderamento feminino com um refrão bem forte, onde a cantora retrata sua força contra a masculinidade tóxica. "/MISPLACED DIVA"/, é uma outra interlude, contextualizando uma possível paixão? Acredita-se que sim, depois de tantos medos e inseguranças. Fechando o disco, a canção "/ssǝuı̣ddɐH"/ não põe um ponto final em tudo que foi retratado, há muitas dúvidas e incertezas, o que passa pra o ouvinte que o diário aberto aqui retratado é contínuo na sua vida, Henessey não é perfeita. O visual assinado por Tammy e a própria Henessey, é muito bem editado, porém não traz um contexto em relação ao conteúdo lírico; Com imagens com poses em diferentes formas, a cantora não demostra está tão sensível como seu disco reflete. Por fim, Henessey conseguiu amadurecer e isso é notório liricamente, outrora, há uma dificuldade na organização do projeto, na inclusão de algumas faixas, nas quais antecedem e sucedem; Em uma tracklist mais bem pensada, com tópicos que conversam entre si, poderia melhorar bastante, visto que assuntos com o mesmo tema vão e retornam; O que foi dito é pautado mais de uma vez, e o que não foi dito é posto no meio de um conjunto de faixas que não há uma ressonância entre elas. Porém, o disco é inspirador, com letras com premissas sociais super importantes e, com certeza, um disco inevitável pra carreira da cantora.

Pitchfork 90
Ao se debruçar sobre o quarto álbum de estúdio de Henessey, intitulado "MISPLACED DIVA", é impossível não notar o amadurecimento artístico e a profundidade que ela alcançou em sua jornada musical. Este disco é, sem dúvida, seu trabalho mais maduro, completo e impactante até então. O conceito que permeia o álbum é como um intricado aparato de histórias que se entrelaçam de maneira rica e condizente com a persona artística da cantora. Henessey revela uma perspicácia notável, explorando temas tão íntimos como saúde mental, fama, ambição, relacionamentos amorosos, sexo e empoderamento. Sua abordagem destemida como compositora ressoa em cada faixa, demonstrando uma coragem notável para compartilhar suas experiências pessoais. As composições do álbum são verdadeiramente surreais, criando momentos mágicos para os ouvintes. Destaca-se a habilidade surpreendente de Henessey em construir uma narrativa envolvente que cativa o ouvinte desde a primeira canção. Entre as faixas mais notáveis, "911", "God’s Time" e "Carpe Diem" se destacam não apenas pela qualidade musical, mas pela maestria na narrativa, desenvolvimento e interpretação. Essas canções representam um acerto monumental para o disco, elevando-o a patamares excepcionais. No entanto, é válido apontar que, embora o álbum alcance altos líricos notáveis, nem todas as faixas atingem o mesmo nível das mencionadas anteriormente. Contudo, é importante reconhecer que cobrar tal perfeição de todas as músicas é injusto, pois a música é, em última instância, sobre aflorar o melhor daquilo que ela deseja revelar. E Henessey, de maneira admirável, conseguiu atingir isso de forma magistral, proporcionando ao público uma experiência musical envolvente. O aspecto visual do álbum é um complemento perfeito para a proposta artística. A paleta de cores e as imagens utilizadas agregam grandiosidade à narrativa que Henessey deseja revelar. A organização de informações e o conceito de colagem adotado são executados com maestria, criando uma sincronia perfeita entre música e imagem. Em suma, "MISPLACED DIVA" é um álbum pop sincero, imponente e inspirador que se destaca não apenas por beber de ótimas fontes de inspiração, mas por carregar consigo uma identidade única. Este trabalho representa um salto evolutivo significativo para Henessey, colocando-a em um momento esplêndido de sua carreira, onde o reconhecimento é merecido por um trabalho realizado com amor e autenticidade. Henessey está, sem dúvida, vivendo o melhor momento de sua carreira, e este álbum é a prova de sua habilidade em emocionar e inspirar através da música.

The Boston Globe 92
Após mais de meia década sem um trabalho completo para seu público, Henessey, após muito dizer que estava preparando seu novo álbum, finalmente o lançou ao mundo. Sob o título “MISPLACED DIVA”, o projeto se apresenta como uma reintrodução da cantora à indústria, contando seus dilemas mais pessoais e, de forma inédita, suas experiências dentro do showbiz musical. Os visuais, produzidos pela própria Henessey em parceria com Tammy, são o primeiro grande chamativo da obra: intrinsecamente ligados à nova atitude da artista diante dos olhos da mídia, é uma representação do conceito da obra em todos os seus elementos, desde a escolha de fotografias que representem as disparidades líricas até a presença forte da cor cinza, um meio termo entre o preto e o branco, ideias que a cantora alega querer transmitir dentro do encarte. O álbum se inicia com “Anxiety Attack”, inicialmente lançada como single promocional meses antes do disco ser lançado de forma oficial; como faixa introdutória, serve involuntariamente como uma ponte entre a estrutura lírica que Henessey utilizava em seus projetos anteriores e os novos temas que busca discutir, e a pessoalidade dos versos ajuda a transmitir a noção de conflito que o conceito pede. “911”, faixa seguinte e a primeira das inéditas da era, apresenta a cantora mergulhada em pensamentos tidos em meio às consequências de uma tentativa de suicídio; o tema possui avisos de gatilho antes de ser introduzido ao público e Henessey, sabendo disso, ainda decide ser o mais pessoal que consegue ser dentro da história contada (como em “não acho que eu poderia ter feito algo / pior que estar perdida, foi não perceber que fui longe demais”, na ponte), sendo esse um ponto alto dentro da narrativa. “Heiress to Chaos” se faz ouvida logo em seguida; sendo o primeiro interlúdio do álbum, ele mostra a cantora se desvencilhando das narrativas anteriores não como quem renega seu passado, mas como quem está pronto para colocar novos edifícios em cima de suas ruínas, chamando a si mesma de herdeira do caos por tal motivo. Por ser uma faixa curta, não temos um grande vislumbre de suas intenções com a mesma, mas é um ponto intrigante a se notar. A faixa-título de todo o CD prossegue a narrativa; “MISPLACEDIVA!”, por mais que possua a camada comentarista sobre a fama dentro de suas ideias, foca mais em como Henessey usa isso diante de um parceiro que personifica a mídia e os próprios romances da artista (como em “Você não pode jogar esse jogo com seu bispo quando eu sou a rainha / E eu nunca fui do tipo narcisista, mas você está me fazendo ser”). É uma ótica interessante pela qual podemos ouvir a música, e também a torna um ponto curioso acerca da psiqué da cantora por tal. “House of Mirrors”, liricamente, lida com a pressão social que a cantora sente em relação à sua imagem física; o caráter metafórico da canção não afasta os terrores que tal tema pode trazer à mente do ouvinte, e por mais que seja motivo de estranheza no começo, é um método eficaz em transmitir sua mensagem, sendo mais uma faixa imprescindível que prova a evolução narrativa de Henessey. “Tired Loneliness”, por sua vez, nasce a partir do ponto de vista da cantora de que “amadureceu rápido demais para a [sua] idade”, caminhando para uma história aparentemente comum de solidão em uma festa, mas que se expande para os pensamentos mais intimistas do momento e a faz reconhecer o quanto aquela não é sua essência. Em “Utopian Marriage”, Henessey discute os altos e baixos de um relacionamento romântico que evoluiu tão rápido quanto se destruiu; aqui, sentimos uma energia de throwback a temas já escritos pela cantora em sua carreira antes, e seu olhar mais maduro traz a novidade dentro do conteúdo. Não chega a ser um grande destaque do álbum, mas é interessante de se ver como Henessey aborda os temas no novo momento de sua vida. A imagem da cantora dentro do álbum atinge um pico radical com a faixa pop-punk “I BROKE YOUR HEART (YES, I DID IT!)”, onde ela passa por vários estágios do luto ao fim de um relacionamento, menos o último, o da aceitação; é uma composição rancorosa, mas secretamente divertida de se acompanhar, ficando em dúvida se foi o propósito de Henessey ou se o teor divertido veio por acidente ao ouvinte. “Cactus Passion” retoma o caráter mais sério de faixas anteriores e retrata um relacionamento abusivo, onde a artista se compara a uma paixão por cactos por se recusar a sentir a dor dos espinhos enquanto tenta enxergar um futuro onde seu parceiro mude. A faixa é mais uma prova do amadurecimento lírico da cantora com o passar dos anos, sendo um ponto alto no projeto. Logo depois, vem “Thursday Therapy”, uma faixa onde a cantora reflete sobre seus desabafos a um terapeuta e também sobre o que ela talvez esconda do mesmo quanto a medos de se tornar de novo uma versão pior de si mesma. A canção possui um ponto de vista interessante, onde a compositora admite os próprios defeitos e não se coloca em um pedestal, mantendo a linha de faixas liricamente ricas até aqui. “Pleasure” inicia uma nova camada narrativa dentro do álbum; aqui, Henessey retrata sua relação recém-descoberta com o prazer próprio por meio da masturbação, comparando o pico do ato a um tremor terrestre; a faixa retoma o caráter divertido pelo qual a cantora é conhecida fora de suas músicas, apresentando sua personalidade em todos os versos. “Carpe Diem” continua o teor mais sensual apresentado na canção anterior, mas aqui, retratando uma relação física com outra pessoa, onde Henessey prioriza o prazer para ambos os lados do ato; o tema cai bem nas mãos da cantora, mas não torna a música um dos pontos de maior destaque dentro de um álbum onde a lírica foi melhor desenvolvida de outras formas. “Legacy”, com sua sonoridade pop/electronic, possui uma das letras mais interessantes já feitas pela artista, com um caráter mais empoderado e com referências à sororidade feminina; Henessey canta sobre como não precisaria passar por cima de suas “irmãs” (em referência a outras mulheres) para conseguir o que almeja e sobre como tudo é sempre mais difícil para uma mulher. Com sua perspectiva pessoal, a artista torna “Legacy” uma das faixas mais antêmicas do ano. “Hene’s Chance” é um interlúdio que segue “Legacy” e retrata as emoções da cantora ao sentir que está se apaixonando novamente por um novo alguém; a letra deixa um desejo de mais desenvolvimento para a história, sua finitude sendo seu maior defeito. Em seguida, “Happiness” (cujo título é escrito de cabeça para baixo no encarte do CD) mostra Henessey refletindo sobre todas as atitudes que já tomou e/ou deixou de fazer em busca da própria felicidade, entendendo que nada irá chegar da forma como ela deseja, mas ainda se dispondo a continuar tentando. “God’s Time”, última faixa creditada nas versões digitais do álbum, retrata o luto por uma pessoa querida de Henessey que veio a falecer; aqui, a lírica é diferente das demais canções, o que explica seu caráter de faixa bônus, mas ainda é essencial para entender como a cantora reage ao luto e como cada experiência é individual. Por fim, “MISPLACED DIVA”, chegando à indústria sem muito alarde, se prova como o melhor álbum já lançado por Henessey e um dos melhores álbuns pop dos últimos tempos, devendo isso à sua versatilidade nas composições, às novas atitudes da artista frente a seus novos estilos e aos visuais contritos que representam a nova fase da cantora.

Variety 89
Depois de alguns anos de promessas e muita espera, Henessey volta a indústria musical com o seu novo álbum de estúdio, intitulado "MISPLACED DIVA". O álbum que já contém single premiado e indicado a Song Of The Year na maior premiação do jogo, promete ser uma jornada de autoconhecimento da própria artista, falando sobre saúde mental, fama, relacionamentos amorosos e muitos outros temas. O primeiro destaque do álbum é a primeira faixa e primeiro single do mesmo, a canção "Anxiety Attack". A canção é muito bem escrita e fala sobre os momentos mais conturbados envolvendo a sua saúde mental. Os versos são rápidos e objetivos e o refrão é simplesmente único. O único ponto negativo da música, é a repetição de algumas ideias em muitas partes, mas é algo que não afeta o todo do trabalho. O próximo destaque é a canção "911", onde a compositora fala sobre o seu incidente que aconteceu em 2020, onde a cantora teria ingerido em muita quantidade remédios antidepressivos. A música é bem forte e pessoal, e consegue mostrar um lado muito mais frágil de Henessey. "House Of Mirrors" é possivelmente uma das canções mais fortes de Henessey e se encaixa perfeitamente em toda a ideia do álbum. A canção conta sobre a forma que a mídia usa o padrão de beleza extremo para diminuir muitos pessoas que eles julgam estar fora desse padrão. Muitos artistas e celebridades já relataram sofrerem em diversos momentos por não serem considerados como o padrão ideal de beleza. A canção tem versos poderosos e um refrão bem imponente, sendo uma das melhores canções de todo o projeto. Descrevendo a solidão e o sentimento de estar sempre sozinha tentando construir relações e laços de amizades com qualquer pessoa, "Tired Loneliness" é uma canção bem interessante e possui uma estrutura muito bem montada pela cantora, sendo um conceito que muitos conseguem se identificar de forma fácil. Em uma canção mais agressiva e diferente do ritmo atual do álbum, "I BROKE YOUR HEART (YES, I DID IT)" é uma ótima canção que fala sobre um relacionamento que não deu certo e o eu-lírico passa por todas as fases do luto, menos a aceitação. Os versos são bem diferentes e possuem um sarcasmo incrível e muito interessante. Falando abertamente sobre a felicidade e como após muito tempo a cantora conseguiu achar o verdadeiro significado de felicidade e encontrou seu processo de cura, "Happiness" finaliza o projeto de forma majestosa e incrível, a composição é muito bem descritiva e possui um belo significado, sendo assim também um grande destaque do projeto. O visual do álbum, assinado por Henessey e TAMMY é simples e bonito. A edição ficou bela e todas as páginas do encarte trazem toda a atmosfera presente no disco de forma muito interessante. As fotos utilizadas são bonitas, mesmo algumas sendo não tão claras, mas que conseguem fazer o ouvinte imergir na experiência do disco. Avaliando no geral, "MISPLACED DIVA" é um trabalho magnífico no quesito lírica. Henessey se sente segura em escrever sobre temas pesados e pessoais, até temas mais leves e descontraídos de uma forma única. As canções pessoais acabam sendo as melhores de todo o projeto, mas incluir canções mais sexuais e leves também foi algo muito inteligente da cantora. O disco é muito interessante e pode atrair grandes prêmios nas futuras premiações, porque a qualidade do trabalho é algo indiscutível.
Los Angeles Times 87
No seu quarto e aguardado disco, Henessey traz “MISPLACED DIVA” como uma reintrodução musical de seu catálogo aos olhos do público atual, após uma extensiva e estratégica exposição na mídia. Iniciando então por “Anxiety Attack”, é empírico citar a expressividade e extensividade da confissão da artista diante as distorções e sofrimentos causados pela ansiedade e sua constante presença em suas ações. A canção não precisa recorrer a alegorias ou expressões rebuscadas para trazer riqueza em seus versos, refrões e ponte; a sua sinceridade recobre qualquer pontualidade. “911” dá sequência com uma composição menos densa que a anterior. É uma canção majestosa, com uma boa condução entre os acontecimentos. Talvez um pouco mais na reta final da faixa traria ainda mais impacto, mas ainda assim ela é suficiente. Antecedida por “Heiress to Chaos”, “MISPLACEDIVA!” traz uma letra controversa e fincada num desenvolvimento mais Pop e simplista. Gira bem em torno do tema principal, mesmo que possa soar por vezes um pouco literal demais (a um nível que fique menos intensa e séria), mas talvez essa seja a intenção, vista a intencionalidade do eu-lírico aqui. “House of Mirrors” retrata a distorção de imagem com um ótimo uso de figuras e expressões mais corriqueiras como um fator potencializador de sua mensagem. É excelente, aqui trazendo a artista com a sua melhor letra até o momento. “Tired Loneliness” é objetiva e expressa um sentimento comum, mas com uma certa peculiaridade: Henessey traz o seu ponto de vista com sua personalidade à ponta da língua, uma certa autoconsciência perceptível durante toda a faixa, que é a mais curta (desconsiderando interlúdios) do disco até o momento. “Utopian Marriage” é uma faixa pop-punk com uma estrutura bem comum na indústria, mas aqui a faixa funciona pelo fato de trazer o amor como um tópico pertinente do disco; é uma faixa sem pontos em aberto e com um conteúdo interessante. Talvez seja a menos interessante numa síntese do disco atual, mas ainda assim merece um destaque. “I BROKE YOUR HEART” é amarga, agressiva e, acima de tudo, necessária. É uma canção casual sobre corações partidos, mas aqui há uma posição de sobrevivência sob os eventos traumáticos de um fim. A consciência de que a culpa não vale mais martirização. É uma faixa excelente. “Cactus Passion” traz uma mensagem triste sobre uma relação entre pais e filhos a qual a artista viveu, com invalidações e traumas constantes e mudanças que nunca vieram. É também uma canção muito memorável na listagem de faixas. “Thursday Therapy” possui um bom conceito, mas é muito semelhante às canções anteriores - o que a traz a um ambiente mediano por não acrescentar tanto assim ao disco. “Pleasure” constrói-se em uma estrutura simples e em uma letra pequena, mas a canção traz a masturbação, um símbolo de autoconhecimento, como tópico em meio a tantas decepções e dores externas, algo interessante. “Carpe Diem” agora traz o sexo casual em linhas ousadas e uma carga bem densa. Mas algo que vale ser citado aqui é a repetição de expressões e comparações extensivas feitas nas composições do disco. Esse ponto acaba por diminuir, de certo modo, a experiência, por parecer que as canções querem chegar a um mesmo lugar, mesmo sendo distintas. É um ponto que a artista deve se atentar nos seus próximos projetos. “Legacy” é um exemplo de como Henessey poderia conduzir algumas composições; apenas dizendo como elas são, fazendo usos pontuais de expressões e focando no descritivo. Essa canção traz o feminismo como tópico, e não se perde nem um pouco em sua intencionalidade, sendo um ponto alto. “ssǝuı̣ddɐH” é antecedida por “Hene's Chance”, último interlúdio do disco. “ssǝuı̣ddɐH” mostra a artista despida de tudo que é possível; seus medos e dores são expostos por um último momento, aqui mostrando que ela foi persistente, mas que não quer se sentir como se sentiu. “Cheguei aqui sem sua ajuda, mas não sei se quero continuar sozinha” pode materializar bem esse ponto. Visualmente, o disco foi inteiramente produzido por Henessey com auxílio de Tammy; o visual é promissor e bonito, mas é necessário citar que em certos momentos as páginas careceram de uma pós-produção mais adequada para uma captação interessante das informações e correção de alguns detalhes, como partes da tipografia muito apagadas e fotos de um mesmo take com uma iluminação diferente, que quebram a experiência de certo modo. Num geral, MISPLACED DIVA é um disco que traz Henessey mais confiante e intensamente dedicada a ser uma artista mais direta e fiel aos ouvintes. Mesmo que se vejam deslizes em algumas repetições em composições ou em certas execuções, o disco se destaca pela sua narrativa universal e acessibilidade como uma peça em si.

The Line Of Best Fit 79
Contando com um período de oito anos entre este álbum e o seu antecessor, Henessey retorna a indústria com o intitulado ‘MISPLACED DIVA’. O conceito gira em torno de saúde mental, situações traumáticas, ambição, fama, relacionamentos amorosos e vários outros assuntos embalados de forte carga emocional. Iniciando pelo visual, podemos ver que é simples e mais focado nas fotografias e as suas posições ao longo do encarte, criando um efeito de recortes e colagens ao longo das páginas. É um bom visual, com pequenas nuances percebidas quando observamos os seus detalhes, mas para um álbum com tantos acontecimentos, sentimentos e situações descritas havia um grande potencial de exibir estes pontos também de forma visual no encarte. Logo de início, temos uma faixa bastante pessoal, a emocional ‘Anxiety Attack’. Com versos curtos e diretos, o eu lírico nos transporta diretamente para o caos dentro de sua mente, contendo versos doloridos como: “I was dead with my non-existent identity // Lost in a vicious circle, idealizing an unknown life (Only I believed)”. O único apontamento feito para faixa fica por conta de sua organização, a artista poderia ter trabalhado na polidez e coesão da faixa, em alguns momentos da canção temos a sensação de que estamos apenas lendo uma chuva de pensamentos de Henessey. Mesmo assim, é um ótimo começo para entrarmos na atmosfera do álbum e um dos acertos presentes no disco. Em ‘911’ somos levados ainda mais profundamente nas dores do eu lírico. Abordando temáticas pesadas em um relato poderoso sobre a sua própria experiência, tudo isso através de uma escrita poética e que trabalha muito bem com metáforas de vida, saúde e morte: “Because dancing with death seemed so incredible / Perfect hell waiting for me at dawn / And we all know / You can't choose not to suffer”. O interlúdio “Heiress to Chaos”, de forma breve, se mostra como uma das faixas mais bem escritas do álbum, utilizando-se de técnicas de escrita e metáforas mais abrangentes que vemos pela primeira vez no disco: “Don't you realize that there is no calm tide, When am I the heiress to chaos?”. A faixa abre o caminho para “MISPLACEDIVA!”, que acaba por se deparar com os mesmos problemas observados em faixas anteriores: A falta de polidez e um retoque maior na lírica. Embora a faixa seja bastante fluída e tenha sucesso em contar a história proposta, nos deparamos com questões técnicas, como o pré-refrão que tem sequências de palavras repetidas e a ponte que também leva muitos versos seguidos em repetição! Questões deste tipo podem ser facilmente corrigidas realizando uma revisão com mais calma das letras e atendando-se aos detalhes, inclusive reescrevendo versos, caso seja necessário. ‘Tired of Loneliness’ desponta como uma das melhoras faixas do disco, tecendo uma crítica social ao mesmo tempo que segue a história do eu lírico, a faixa apresenta versos bem estruturados, coesos e inteligentes, sendo o refrão um dos melhores presentes no álbum, conseguindo transmitir toda a solidão da personagem em versos curtos. ‘Utopian Marriage’ e ‘I BROKE YOUR HEART (YES, I DID IT!)’ apresentam novas faces de Henessey, mais descontraídas e confiantes, recuperando um pouco da ironia e sarcamo vistos em ‘MISPLACEDIVA’, funcionando como um ótimo respiro após várias faixas pesadas em sequência. Talvez aqui pudesse caber um interlúdio, marcando a transição das canções mais pessoais e emocionais em canções mais abrangentes e de assuntos variados, como relacionamento. De forma inesperada, ‘Cactus Passion’ se junta ao grupo de melhores do álbum. O eu lírico consegue transmitir a dor do eu lírico através de metáforas muito bem pensadas, como o próprio refrão: “I was hurt enough for you to try to make me cry again / I don't want to wake up and pretend nothing happened Becoming a cactus passion / Never feeling it puncture my lungs”. ‘Thursday Therapy”, ‘Carpe Diem’ e ‘Pleasure’ fazem o ouvinte retornar à personalidade descompromissada e ousada de Henessey, com destaque para a magnética e sensual ‘Carpe Diem’. As últimas três faixas servem como um arco de empoderamento e redenção do eu lírico. Não há mais a tristeza e melancolia do início, apresentando uma sobriedade e tocando em assuntos como empoderamento feminino na faixa ‘Legacy’ e, por fim, Henessey finaliza o álbum trazendo conceitos de outras faixas e questionando-se sobre o real sentido da felicidade na faixa ‘ssǝuı̣ddɐH’. De forma geral, o quarto álbum de estúdio da artista é um registro pessoal e nos mostra flashes de uma vida marcada por dores, traumas, medos e superações. Percebe-se o talento da artista em colocar suas emoções mais complexas e difíceis em canções, transmitindo uma sensação única a quem escuta as suas músicas e consegue se identificar com cada um dos sentimentos descritos. Como pontos a melhorar, a artista precisa de maior atenção aos detalhes técnicos da sua lírica, conforme explicados durante a avaliação. Além disso, saber construir marcos temporais através de interlúdios e outros recursos líricos para que as trocas de conceitos entre as músicas não soem de forma abrupta ao ouvinte. Por fim, ‘MISPLACED DIVA’ nos mostra que é possível conectar-se de forma profunda com dores e situações que não passamos e talvez jamais passaremos apenas com a força de uma lírica honesta da qual Henessey consegue magistralmente apresentar.