TIME 90
Em um ano marcado por lançamentos que revolvem sobre o sexo e a sexualidade, Noan Ray traz uma proposta intimista dentro desse âmbito com seu EP “Homoerotic”. Passando pelas camadas do prazer dele com outras pessoas e encerrando em uma mensagem de prazer e amor próprio bem desenvolvida, o cantor, sempre aclamado por seus trabalhos intensos, também mergulha nessa intensidade neste projeto. Começando por “Creature’s Secret”, somos apresentados a uma versão de Noan que sabe flertar com seu ouvinte, convidando-o ao mundo da sedução e desse prazer prometido na proposta do EP. Os versos se encaixam perfeitamente uns nos outros e demonstram mais da potência de Ray como escritor. “Petite Mort” pega emprestado o conceito de “doce morte” relacionado ao orgasmo, tanto masculino quanto feminino, para se inserir na narrativa e entregar uma letra sensível, mas eficaz sobre o tema. “Baroque Jazz Club” aumenta a quantidade de pessoas envolvidas na narrativa sexual e também aumenta o modo como o ouvinte pode se maravilhar com a expansão lírica do artista, ao falar de um tema que tem tudo para ser batido, mas que é facilmente renovado pelo modo como o artista se expressa. “Honey (Transa”, canção que conta com a participação do icônico ZANE, traz dois lados da mesma moeda com certa destreza, na forma como tanto Noan como seu artista convidado se endereçam a seus interesses sexuais para que se tornem mais do que isso, dada a química que eles possuem juntos. “Violently Raw” e “Can I Make You Mine?” trazem à tona a sensibilidade inesperada de se entender como uma pessoa mais romântica do que sexual por assim dizer, e são destaques dentro do EP justamente pelo modo como fluem os sentimentos já evoluídos do protagonista ao longo de seus versos delicados, com uma atenção especial para esta última faixa, a culminação de todos os dramas vividos. A produção visual também retrata essa culminação, fazendo ótimas escolhas fotográficas e tipográficas para conferir o caráter desejado; Noan é um exímio produtor nessa questão, e sabe para onde direcionar cada elemento exatamente para o efeito desejado. “Homoerotic”, como sucessor do álbum “Akira”, traz uma sacudida na entrega de Noan Ray para o mundo musical, ao mesmo tempo que não sai de sua zona de conforto, mantendo a linha de projetos bem desenvolvidos com um toque edgy para diferenciá-los.

Billboard 75
“Homoerotic”, EP (extended play) do cantor e compositor consolidado Noan Ray, oferece uma expansão de seus pensamentos mais eróticos e direcionados a uma busca desenfreada pelo próprio prazer com alguém que supra seus desejos. O cuidado do artista com suas intenções já é visto na produção visual do EP, feita por ele mesmo, e que brilha nos elementos minimalistas sem deixar de explorar a sensualidade da própria pessoa por meio das fotos do encarte, sendo um ponto positivo de abertura para a compreensão do projeto. Já no campo das faixas em si, podemos perceber o quanto Noan mergulha de cabeça nas ideias que acredita serem exatamente o que ele precisa colocar para fora por meio de suas letras; o que acontece em alguns momentos, porém, é que seu mergulho é tão fundado em si mesmo que cega o compositor de possíveis superficialidades no modo como alguns temas são tratados, bem como a exaustão de alguns outros. “Creature’s Secret” e “Petite Mort” são acertos líricos do artista quando se olha por esse ponto de vista, por tratarem muito bem da imersão do eu lírico em momentos específicos de suas experiências com prazer sexual, juntando isso com os elementos underground de suas musicalidades. “Baroque Jazz Club (Erotica)” e “Honey (Transa)”, entretanto, se apresentam como pontos fracos da progressão do EP. Enquanto em uma, Noan está tão cego pelas suas próprias capacidades de persuasão que acaba soando mais delusional do que verídico nas palavras, na outra canção, que é uma colaboração com ZANE, os cantores parecem se desencontrar nos versos, no modo como Noan caminha em uma direção mais intimista e romântica e ZANE envereda por uma estrada de bajulação própria, que não conversa bem com os versos do artista principal e acaba destoando da narrativa. Já “Violently Raw” e “Can I Make You Mine?”, faixas que se encontram no final do EP, trazem uma sensibilidade emocional não vista antes no projeto, e apesar de serem ideias bem-vindas à discografia do cantor, ainda não parecem combinar bem com o que vinha sendo cantado nas primeiras músicas. Destaque para a faixa final como uma espécie de transição para algo que ainda não vimos de Noan Ray, mas que já nos deixa ansiosos para o que vem a seguir após a experiência de ouvir e acreditar em “Homoerotic”, que não faz o uso mais completo de suas propostas liricamente, mas que possui mais uma performance visual exuberante do que Noan é capaz de proporcionar ao seu público.
AllMusic 79
Após o lançamento do seu terceiro álbum de estúdio, “Akira”, um estrondo em sonoridade e em vendas, ainda que inconsistente em sua progressão lírica, Noan Ray retorna à cena musical com seu terceiro extended-play, intitulado “Homoerotic”. Sua premissa é enraizada no conceito do homoerótico não como uma referência ao prazer entre homens, como visto em outros projetos recentes da indústria musical, mas com um foco mais pessoal na relação erótica do homem - aqui, representado pelo próprio Noan - com seus sentimentos e desejos mais carnais. A imersão no prompt de ideias descrito começa em “Creature’s Secret”, uma faixa que já revela novas nuances da aventura de Noan Ray pela música eletrônica enquanto, liricamente, serve como uma descrição apurada da fase de sedução e de convite ao desconhecido enquanto também dá ênfase no termo “hedonismo”, que serve perfeitamente para a faixa. “Petite Mort”, por sua vez, supera as expectativas estabelecidas pela faixa de abertura do EP ao trazer as sensações e os pensamentos relacionados a um momento bem específico do prazer: o momento após a explosão em ejaculação. Apesar de nunca dizer diretamente do que se trata, percebe-se o tema que o envolta percorre em versos como “Um vulcão adormecido após provocar uma catástrofe” e “O pulso se esvai por alguns segundos”, sendo uma imersão muito bem feita em sua ideia e tornando esta a faixa mais envolvente do projeto. Em “Baroque Jazz Club (Erotic)”, a produção de jazz e electronic music dá espaço para conotações altamente sexuais de Noan instigando seu parceiro a aceitar uma terceira pessoa em uma noite de prazer erótico. Com seu poder persuasivo nas letras, o artista certamente convenceria fora dos holofotes de uma música, tamanha a sua vontade expressa nas estrofes. “Honey (Transa)” traz a única das colaborações líricas e vocais do EP; Noan e ZANE trazem uma ideia mais liricamente direta: estão dispostos a prolongar o tempo de vida de uma relação que se iniciou na tensão sexual entre os dois lados. A divergência maior que permeia o desenvolvimento da faixa, no entanto, é a diferença de foco dos dois artistas; ZANE parece imerso em mais tópicos e quer abranger todos em sua participação, que acaba por destoar do resto da composição feita por Noan, que também não consegue manter a genialidade das canções anteriores do projeto. “Violently Raw” traz conotação dupla ao mostrar um Noan despido fisicamente e emocionalmente para um interlocutor que parece diminuir seus esforços para se abrir em todos os sentidos, trazendo uma mudança de direção no curso do EP aqui. “Can I Make You Mine?” encerra a tracklist com um teor mais sentimental, que casa com a desconstrução de personalidade trazida na faixa anterior e mostra um Noan mais vulnerável, em uma relação mais recíproca e que o coloca em um pedestal de liberdades mentais e também sensuais com seu parceiro, sendo um encerramento bem difundido, mas que revela mais um ponto fora da curva dentro do projeto prometido com outras nuances. Visualmente, “Homoerotic” é uma versão ainda mais minimalista da estética e estrutura já trazidas no álbum “Akira”; produzido pelo próprio artista, o EP foca em tons de cinza reminiscentes de projetos mais melancólicos e dá um ar mais techno, combinando com a sexualidade trazida no conteúdo. Entre faixas que são destaques altíssimos e outras que destoam entre si, Noan Ray abrilhanta o tema do sexo, quase batido de tão trazido, ignorado e resgatado em ciclos nos últimos anos da indústria musical, por meio de um extended-play que não ignora as camadas do eroticismo que se propõe a trazer, mas que também peca pela falta de foco em uma linha de raciocínio que poderia ser complexa, mas é apenas dispersa.

Billboard 100
Surpreendendo seus fãs, o cantor canadense lança seu terceiro EP intitulado "Homoerotic". Embarcando nessa onda de temas que envolvem sexo e prazer, porém com uma premissa mais delicada de autoconhecimento e que envolve o erotismo, que foi criado após noites inquietantes, como diz o próprio cantor. Tendo como abertura "Creature's Secret", explorando detalhes tão profundos, já nunca tão abordados como desta forma, o erotismo pessoal intenso que chega a ser sensorial e consegue fazer com o que o ouvinte entre na mente do eu-lírico como uma experiência única, é uma canção de literalmente tirar o fôlego. Enquanto a faixa anterior é como um sussurro arrepiante, "Petite Mort" é o contato mais quente, que deixa o autor vulnerário; Os versos são muito bem trabalhados pra demostrar o quanto o eu-lírico ainda possui sua base da canção anterior, sendo agora um passo adiante, como uma segunda página de um thriller erótico que desperta curiosidade. "Baroque Jazz Club )erotic(" é o jazz sensual que você nunca esperava ler ou ouvir, seu teor está ali, sua sensualidade, o desejo, mas com uma estrutura totalmente voltada para o gênero, o que deixa a canção mais rica e criativa; E, como dito antes, mais uma nova página desse livro. Depois de uma noite de jazz, o próximo passo é a cama, assim é o que se visualiza em "(Honey) Transa", com participação do talentosíssimo ZANE; Uma canção que começa doce, como uma poesia, mas se desenvolve em uma grande canção sexual que você pode sentir o calor do suor em ambos corpos, é intrigante e absurdamente uma das melhores canções explícitas já criada. "Violently Raw." não chega a ser um oposto, mas uma provocação ardente; O eu-lírico sabe o quanto é persuasivo, sexy e desejado, e quer aproveitar dessa dádiva. Assim como não é um personalidade que simplesmente apareceu, mas algo que vem sendo construindo até esta faixa. Finalizando incrivelmente com a canção "Can I Make You MIne?", o último passo depois de tantos outros, que foram experiências cativantes, o fim do caminho é a na verdade o começo de um novo contexto, o amor? Uma conexão mais afetiva? Um romance? Ou, melhor, um erotismo diferente? Há pluralidade é o teor charmoso aqui. O visual não possui os créditos, mas nada interfere no resultado exposto; Com palavras embaralhadas em um tom cinzento, que começa com um imagem do cantor em um posição erótica e logo no final em um posição mais conclusa, resulta em um visual de bom gosto, bem chamativo e tão sensorial quanto suas letras. Por fim, "Homoerotic" é um dos melhores projetos do ano e dificilmente será batido; Noan Ray consegue seu auge lírico, visual, conceitual, em um pequeno EP com seis faixas, porém seis faixas completamente potentes, extremamente bem escritas, estruturadas e viciantes. Em meio há tantos discos, singles, com abordagens semelhantes, "Homoerotic" se demostrou bem polido, coerente e grandioso.

Pitchfork 100
“Homoerotic” é o terceiro EP do cantor canadense Noan Ray, lançado no dia 5 de setembro de 2024 pela Wild Music Group. Com 6 faixas, Ray busca, no projeto, explorar a sexualidade como parte do ser, e explorar o seu próprio corpo. “Creature's Secret” busca explorar uma paixão pura, intensa e carnal, mergulhando no prazer do eu-lírico. É uma faixa excelente, com um clímax indiscutível e versos bem estruturados. “Petite Mort” explora os sentidos mais aflorados de Noan em relação ao seu prazer próprio sexualmente falando. A canção se constrói com muito cuidado e, ao mesmo tempo, com uma intensidade grande. O refrão é a parte mais intensa, sintetizando o sentido da canção. “Baroque Jazz Club )erotic(“ fala de uma relação a dois que logo recebe a presença de um terceiro indivíduo, com Noan pedindo ao seu parceiro que deixe que o prazer desse outro indivíduo contagie a relação deles. É uma canção sexy, suplicante e intensa, com momentos fortes. “Honey (Transa)”, em parceria com ZANE, retrata uma relação sexual onde Noan é o dominado, enquanto ZANE é o dominador, e ambos se conectam a um elo sexual intenso. Os versos de ambos se completam com muita fidelidade, e a canção se destaca facilmente por isso. “Violently Raw.” traz Ray exposto a ir além pelo seu parceiro, se deixando nu fisicamente e emocionalmente para poder mergulhar no prazer que ele estiver sujeito. É uma canção monumental, com momentos fortes e um refrão que incendeia a faixa. “Can I Make You Mine?” finaliza o EP mostrando o fascínio do eu-lírico para qual o seu parceiro, e todo o anseio que envolveu a demora até finalmente o conhecer. É a melhor faixa do projeto, funcionando de uma forma muito boa e se encaixando com as outras peças do projeto. O visual, produzido pelo próprio, é forte e, mesmo podendo ser considerado “simples”, cumpre muito bem a premissa do projeto e suas questões. Em síntese, “Homoerotic” se destaca como o projeto mais sincero e de maior apreço da carreira do canadense Noan Ray, seja pelas suas letras confessionais, seja pelo cuidado e singularidade em retratar a sexualidade, algo pouquíssimo visto na indústria.