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Variety publicou uma avaliação em 02/11/2025: 90
Quando Kiiara Parx distribuiu bíblias no início do ano para divulgar "Who Is Kiiara Blanco?", já estava claro que suas palavras chegariam até o altar. Como uma profecia, nascia "MANIFESTO", seu quarto álbum de estúdio, parte da trilogia iniciada no ano 11 com "The Insane Art Of A Good Revenge". Fiel ao peso do título em latim, "MANIFESTO" é um dos trabalhos mais claros e intensos da canadense. Aqui, Parx encena sua própria ressurreição: da queda em seu inferno particular ao atravessar o vale das sombras em busca de um paraíso possível. Mas, além da narrativa simbólica, o disco revela uma artista que finalmente domina sua estética, tanto lírica quanto sonora. Sob o alter ego de "Kiiara Blanco", a rapper constrói sua liturgia pessoal. Não é a salvação que se espera em uma oração, mas a cura íntima que ela procura nesse momento. A produção reforça esse contraste: entre coros sacros e batidas industriais, Kiiara alterna agressividade e delicadeza em um fluxo que soa ritualístico. A abertura com "Mother Mary" já anuncia o tom: entre sintetizadores etéreos e um beat quase marcial, Kiiara clama pela intercessão de Maria. A redenção, porém, parece distante. Na faixa seguinte, Parx revela a “fome que impulsiona seus atos mais sombrios”, em versos crus sobre linhas de baixo pesadas, dando corpo ao conflito central do álbum. Com 11 faixas, o projeto traz colaborações de peso: DAHLIA, Bronx e MONI. Em "Heretic", Parx e DAHLIA dão voz à alma herege de "Blanco", com rimas afiadas sobre uma batida que mistura trap e canto litúrgico. Já "1:13", possivelmente inspirada em uma passagem bíblica do livro de Tiago, se apoia em instrumentais densos e repetitivos para ecoar a sensação de pecado inevitável, enquanto Bronx soma versos que ampliam a tensão. Um dos pontos altos é "The Cure", onde MONI surge como anjo-guia, sua voz cristalina contrastando com a densidade sombria de Parx. A referência ao hino "Lift Every Voice and Sing" reforça o alcance espiritual do disco e adiciona uma camada política inesperada. A faixa-título encerra a narrativa com a imagem de uma luz atravessando vitrais sombrios, um clarão que ilumina, mas não apaga as cicatrizes reveladas ao longo da obra. Musicalmente, é o momento mais grandioso do álbum: arranjos orquestrais, beats eletrônicos e vocais intensos criam uma atmosfera de missa apocalíptica. Os visuais reforçam essa ideia: Kiiara aparece em uma igreja fria e escura, sendo o único feixe de luz, mesmo que não seja divina. Mais do que um capítulo intermediário, "MANIFESTO" soa como o ápice da trilogia até agora. É um disco ousado, intenso e, acima de tudo, maduro, como um verdadeiro testamento artístico de Kiiara Parx. Se o primeiro ato a levou ao purgatório e o segundo ao inferno, talvez agora ela esteja finalmente pronta para alçar o céu.
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