Assistimos de pé o retorno da grandiosa Anneliese com a musica “Char” que chama atenção pelo nome e visual autêntico, mas que peca e quebra todas expectativas quando ouvimos a canção. A faixa foi feita para relembrar memórias do passado, com versos que fazem referências à cenas que marcaram a vida da cantora, mas que funcionaria melhor como um poema. Char não apresenta conexão para ser algo cantado, não conseguimos sentir sonoridade e nem ritmo, o que nos fez questionar se talvez esse foi um erro de estrutura ou algo proposital para soar de tal forma. Não é o melhor single “comeback” da cantora, apesar da grande aceitação e recentemente ter conquistado “música do ano”, todo trabalho pode ter opniões divididas e nem sempre será unânime a boa aceitação. A letra é bem curta e direta, porém vazia e parece algo dividido, onde a segunda parte faz grande falta, como se fosse algo lançado incompleto. Avaliando pontos da música, o primeiro verso é totalmente um poema, seria algo melhor se fosse adotado como realmente um. Passando para o refrão, parte forte da música, onde aqui resolvemos continuar a navegar na canção, apesar de ter pensado em pular a música logo no primeiro verso, exatamente pelo fato do refrão dar um Up no que parecia estar perdido. O verso 2 soa como o verso 1, onde o ouvinte volta a se desconectar da canção, é a segunda parte do poema, todavia, neste ela consegue entregar algo melhor estruturado para se tentar “cantar”, ainda assim confuso e vazio. A ponte fala “Quem diria que o passado tem dente afiado?”, mas não vemos com clareza quais memórias do passado a cantora quis dizer, somente referências imaginárias presas em uma utopia desconexa do propósito. A parte final como a cantora intitula, é desnecessária na música, Anne desperdiçou um tempo para um terceiro verso e colocou uma estrofe de 3 linhas que não finalizam a música. Dessa forma “Char” seria para falar sobre “memórias”, mas não são faladas, ela apenas faz referência a pessoas e objetos que não transmitem nada do propósito, é como se o conceito criado fosse para outra música e não para “Char”. A criatividade foi boa quando falamos sobre visual que é o ponto alto da música e o conceito que ela criou, mas mal executada lyricamente e na estrutura sentimos a falta de um pré-refrão e um verso completo para finalizar, não que seja obrigatório, mas a letra é tão curta que aqui fez muita falta um ponto alto que poderíamos chamar do “ápice” um verso que nos fizemos gritar “uau, isso é um comeback!”. Não há um real sentimento que nos faça sentir ou refletir sobre algo que talvez nos marcou por dentro, esperamos que no próximo lançamento a cantora nos entregue algo mais completo, estruturado e coeso.
Composição: 60 | Estrutura: 50 | Coesão: 50 | Criatividade: 60 | Visual: 78