Char Anneliese Experimental, Electronic2025

TIME publicou uma avaliação em 08/02/2026: 60

Assistimos de pé o retorno da grandiosa Anneliese com a musica “Char” que chama atenção pelo nome e visual autêntico, mas que peca e quebra todas expectativas quando ouvimos a canção. A faixa foi feita para relembrar memórias do passado, com versos que fazem referências à cenas que marcaram a vida da cantora, mas que funcionaria melhor como um poema. Char não apresenta conexão para ser algo cantado, não conseguimos sentir sonoridade e nem ritmo, o que nos fez questionar se talvez esse foi um erro de estrutura ou algo proposital para soar de tal forma. Não é o melhor single “comeback” da cantora, apesar da grande aceitação e recentemente ter conquistado “música do ano”, todo trabalho pode ter opniões divididas e nem sempre será unânime a boa aceitação. A letra é bem curta e direta, porém vazia e parece algo dividido, onde a segunda parte faz grande falta, como se fosse algo lançado incompleto. Avaliando pontos da música, o primeiro verso é totalmente um poema, seria algo melhor se fosse adotado como realmente um. Passando para o refrão, parte forte da música, onde aqui resolvemos continuar a navegar na canção, apesar de ter pensado em pular a música logo no primeiro verso, exatamente pelo fato do refrão dar um Up no que parecia estar perdido. O verso 2 soa como o verso 1, onde o ouvinte volta a se desconectar da canção, é a segunda parte do poema, todavia, neste ela consegue entregar algo melhor estruturado para se tentar “cantar”, ainda assim confuso e vazio. A ponte fala “Quem diria que o passado tem dente afiado?”, mas não vemos com clareza quais memórias do passado a cantora quis dizer, somente referências imaginárias presas em uma utopia desconexa do propósito. A parte final como a cantora intitula, é desnecessária na música, Anne desperdiçou um tempo para um terceiro verso e colocou uma estrofe de 3 linhas que não finalizam a música. Dessa forma “Char” seria para falar sobre “memórias”, mas não são faladas, ela apenas faz referência a pessoas e objetos que não transmitem nada do propósito, é como se o conceito criado fosse para outra música e não para “Char”. A criatividade foi boa quando falamos sobre visual que é o ponto alto da música e o conceito que ela criou, mas mal executada lyricamente e na estrutura sentimos a falta de um pré-refrão e um verso completo para finalizar, não que seja obrigatório, mas a letra é tão curta que aqui fez muita falta um ponto alto que poderíamos chamar do “ápice” um verso que nos fizemos gritar “uau, isso é um comeback!”. Não há um real sentimento que nos faça sentir ou refletir sobre algo que talvez nos marcou por dentro, esperamos que no próximo lançamento a cantora nos entregue algo mais completo, estruturado e coeso. Composição: 60 | Estrutura: 50 | Coesão: 50 | Criatividade: 60 | Visual: 78



Clash publicou uma avaliação em 17/01/2026: 96

Não é preciso dizer que música não se resume apenas ao som. Visual, conceito, intenção e apresentação moldam a interpretação de quem aprecia uma obra. É assim que o single de retorno de Anneliese se apresenta, como uma obra completa. Há identidade e exclusividade na artista, com uma entrega que se sustenta por si só. Desta vez, soando mais madura e cativante, Char se mostra uma escolha certeira para manter o nível elevado. A faixa transita por fragmentos que, ainda assim, são facilmente lidos como um todo, criando uma identificação direta com a letra e seu desconforto visual. No encarte do single, Anneliese inclui comentários próprios que ajudam a contextualizar a faixa e tornam a experiência mais íntima, permitindo que o ouvinte compreenda melhor o processo criativo e o porquê da obra. Daqui em diante, a artista precisará observar diferentes óticas e garantir que seus próximos passos sejam tão coerentes consigo mesma quanto Char foi. Versos ácidos que dialogam exatamente com a capa. Afinal, é para isso que ela serve.



AllMusic publicou uma avaliação em 11/01/2026: 93

Anneliese retorna a indústria com "Char", comeback que apresenta uma nova fase sonora que contemplará sua nova era. Char é uma faixa que se constrói não apenas como uma canção mas também como vestígio, a artista transforma a imagem do que foi queimado em uma linguagem visual, fazendo da casa um organismo que guarda, observa e reage, enquanto o eu lírico permanece fragmentado, o mérito da música está na maneira como o trauma não é narrado de forma direta, mas distribuído em objetos e sensações domésticas, criando um desconforto silencioso e persistente. Versos como “half a flame, half an allergy” funcionam como síntese eficaz dessa identidade quebrada, enquanto imagens aparentemente banais, como o tapete, a tomada ou o banheiro, ganham peso simbólico sem soar forçadas. O refrão, repetitivo e pouco expansivo, evita qualquer catarse e reforça a ideia de estagnação emocional, o que fortalece o conceito, mas também limita o impacto imediato da faixa. Ainda assim, Char se sustenta pela coerência entre letra, atmosfera e visual, optando por um caminho frio, contido e deliberadamente desconfortável. Visualmente o single escápula exatamente oque a letra sugere, ao apresentar em sua capa um corpo em um espaço destruído que ainda é reconhecível como uma casa. Esse é um retorno que não pede aclamação mas merece toda ela.



DIY publicou uma avaliação em 23/11/2025: 98

Irreverente, um novo clássico e até mesmo um hino foi lançado. Anneliese é de fato uma das mais incríveis e criativas artistas da indústria e isso ninguém pode negar. Em seu novo lançamento, "Char", ela faz de tudo para deixar o passado para trás mesmo que ele ainda traga memórias tristes mas que com resiliência passou por cima disso tudo para transcender algo novo que está por vir. Com batidas eletrônicas, a melancolia da faixa nos faz dançar e com isso ela nos faz liberar tudo aquilo que está também nos afligindo, já que ela claramente nos ensina, de sua forma, estranha, mas fascinante a querer seguir seus passos. "Char" é definitivamente a maior surpresa do ano.