Junggaram lança o segundo single do seu próximo álbum de estúdio, a canção é intitulada “OVER”. Regida pelos gêneros K-pop e pop, em seu novo single o artista fala sobre uma certa dificuldade de pôr o fim em um relacionamento que, ao mesmo tempo sendo problemático, as duas pessoas envolvidas ainda têm uma conexão forte.
No primeiro verso, o artista opta por não usar grandes metáforas, usando uma lírica direta. O eu-lírico conversa com sua amada sobre o que anda conhecendo sobre eles, como se fosse uma conversa de casal no fim de uma noite. Junggaram cria uma ambientação interessante para a construção narrativa da sua canção, quando opta por não se aprofundar em quais problemas eles têm enfrentado, mas sim no medo das consequências que esses problemas podem causar.
O refrão é onde de fato acontece o auge da narrativa. Aqui a lírica ainda continua de forma muito direta, sem uso de metáforas. Junggaram aposta na exposição visceral do medo para se conectar com seu ouvinte, nos entregando em versos uma fragilidade infantil. A repetição da palavra Over é inteligente, ela funciona como a exposição da obsessão emocional do eu-lírico. No refrão, de fato, a canção flerta com o pop confessional clássico, dando ao ouvinte um refrão pegajoso e que, por mais que soe simples, faz quem o ouve mergulhar na vulnerabilidade da narrativa do single.
O verso dois chega como um dos momentos mais interessantes do single. O sul-coreano usa aqui o cotidiano como argumento. O eu-lírico traz um verso que aumenta o conflito, ele banaliza-o. O artista usa o histórico do casal após suas brigas para servir como argumentação para que, mais uma vez, tudo vai terminar como sempre, no sofá ou na cama.
Na ponte, o eu-lírico se mostra maduro ao admitir que tem culpa, mas esse reconhecimento vem acompanhado de uma certa pressão emocional. De certa forma, o artista, em sua ponte, demonstra como usa o amor do outro como argumento para não haver rompimento dessa relação. É uma mistura de amor com dependência, o que soa como manipulação. É uma abordagem que acrescenta muito à narrativa.
Na parte final da canção, o ouvinte encontra a estagnação como uma escolha. A música termina exatamente como iniciou, na negação. Nessa parte da música fica nítido que o relacionamento está preso em looping. E, no final das contas, o eu-lírico não tenta apenas convencer o outro, mas também a si mesmo.
A narrativa gráfica do single é assinada por Ali Aguilera e Gabriel. Além de bonito e polido, ele acrescenta muito à narrativa lírica, contando em sincronia a mesma história. No visual, vemos referências que evidenciam o conceito da canção. Nada no visual sugere conclusão, mas sim algo desgastado que continua em estagnação, assim como na canção.
Por fim, “OVER” não é uma canção com uma lírica cheia de metáforas, é, na verdade, uma letra que trabalha com a emoção direta. E mesmo que não tenha uma lírica ousada, Junggaram não quer mostrar uma arte elevada para seu ouvinte, ele quer que todos sentam e mergulhem na sua mensagem, e é por isso que “OVER” funciona.