“Albatross” é uma canção que cresce a partir do desgaste emocional. Alex Dean e Alex Fleming partem de uma amizade que nasce honesta, mas se deteriora até se tornar dependente e tóxica e fazem disso o eixo central da composição. A letra se movimenta entre confiança, traição, ressentimento e arrependimento, assumindo um tom agridoce que nunca se resolve completamente, o que parece intencional. Nenhuma catarse, apenas a permanência da ferida. Alex Dean conduz a maior parte da narrativa com uma escrita direta e confessional. Seus versos iniciais constroem bem o cenário emocional, especialmente ao expressar a ideia de aprendizado forçado, quando o “bom coração” é vendido como lição. Há imagens poderosas, como o encontro descrito como um sopro de paz em meio à tempestade e a lembrança física da manhã fria, que ajudam a ancorar a dor em sensações concretas. No entanto, ao longo da faixa, Dean frequentemente recorre a explicações excessivamente claras sobre o que sente e o que o outro representa, o que acaba enfraquecendo o simbolismo da letra. Alguns versos se alongam emocionalmente sem fazer o discurso avançar, reforçando sentimentos já apresentados em vez de aprofundá-los. O refrão, por sua vez, atua como o centro moral de Albatross. A recusa explícita do perdão e a inversão de responsabilidades criam um jogo interessante entre culpa e erro, especialmente no momento em que o eu lírico se assume como “o passado” que assombra. Ainda assim, o refrão sofre um pouco com a repetição de ideias muito literais, que poderiam ganhar mais impacto se fossem condensadas ou sugeridas de forma mais sutil. A virada de chave acontece com a chegada de Alex Fleming. Ele traz uma densidade poética mais cortante, confiando mais no impacto das imagens do que na explicação dos fatos. Quando ele fala da faca que perfura o rosto ou da verdade escorrendo pelas mãos, a música ganha uma camada de desconforto que fala por si só. A ponte da faixa, composta por Dean, sem dúvida é outro ponto alto, mergulhando na amargura da inveja e do fracasso de um jeito muito real, e com menos repetições. Dentro do universo narrativo que dialoga com Whispers of Scurn, “Albatross” cumpre bem seu papel de consequência. Enquanto a canção anterior apresenta as fissuras iniciais, aqui o foco está no que sobra após o colapso: culpa mal resolvida, ressentimento persistente e perguntas sem resposta. Essa continuidade fortalece a obra, mesmo quando a letra escolhe caminhos mais explícitos. “Albatross” é uma composição honesta e emocionalmente intensa, que ganha força na escrita mais precisa de Alex Fleming, mas encontra limites na tendência de Alex Dean a verbalizar demais seus conflitos. Ainda assim, o equilíbrio entre dor, reflexão e memória sustenta a canção. Imperfeita, porém sincera, ela compreende que algumas relações não deixam aprendizado, apenas peso e carrega isso como parte de seu impacto.
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