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| 1 | Single Oficial | 353,326,597 |

Alex Dean dá continuidade à divulgação de seu álbum de estreia, escolhendo “Albatross”, parceria com Alex Fleming, como a nova música de trabalho do projeto. Descrita como a narrativa de uma relação que se iniciou como amizade e, com o passar do tempo, acabou se tornando algo além disso, e que, por fim, machucou ambas as partes, a canção não busca vingança nem qualquer tipo de compensação. Sua premissa gira em torno de retratar o tipo de ferida que não cicatriza de forma rápida ou fácil: danos emocionais e psicológicos causados por uma relação que se torna tóxica ao longo do tempo. A letra tem um tom direto, como se espera de uma canção com essa temática, e também melancólico. Alex revisita sentimentos e feridas do passado, tentando descrever como sobreviveu aos períodos conturbados dessa relação. Alex Fleming participa da faixa de maneira sutil, o que, na prática, não acrescenta tanto conteúdo à canção. As partes escritas e interpretadas por ele poderiam facilmente ser novas camadas adicionadas pelo próprio Dean. Isso porque pouco se amplia a carga emocional já explorada nos versos e no refrão. Fleming entrega versos competentes, mas não consegue fugir de clichês já utilizados diversas vezes, inclusive por ele mesmo em outros momentos de sua carreira. No fim, “Albatross” cumpre o que promete: uma narrativa sobre marcas profundas deixadas por um relacionamento. Ao mesmo tempo, perde parte de sua força ao dividir espaço com outro artista em um espectro emocional que soa muito mais individual e pessoal.

“Albatross” é uma canção que cresce a partir do desgaste emocional. Alex Dean e Alex Fleming partem de uma amizade que nasce honesta, mas se deteriora até se tornar dependente e tóxica e fazem disso o eixo central da composição. A letra se movimenta entre confiança, traição, ressentimento e arrependimento, assumindo um tom agridoce que nunca se resolve completamente, o que parece intencional. Nenhuma catarse, apenas a permanência da ferida. Alex Dean conduz a maior parte da narrativa com uma escrita direta e confessional. Seus versos iniciais constroem bem o cenário emocional, especialmente ao expressar a ideia de aprendizado forçado, quando o “bom coração” é vendido como lição. Há imagens poderosas, como o encontro descrito como um sopro de paz em meio à tempestade e a lembrança física da manhã fria, que ajudam a ancorar a dor em sensações concretas. No entanto, ao longo da faixa, Dean frequentemente recorre a explicações excessivamente claras sobre o que sente e o que o outro representa, o que acaba enfraquecendo o simbolismo da letra. Alguns versos se alongam emocionalmente sem fazer o discurso avançar, reforçando sentimentos já apresentados em vez de aprofundá-los. O refrão, por sua vez, atua como o centro moral de Albatross. A recusa explícita do perdão e a inversão de responsabilidades criam um jogo interessante entre culpa e erro, especialmente no momento em que o eu lírico se assume como “o passado” que assombra. Ainda assim, o refrão sofre um pouco com a repetição de ideias muito literais, que poderiam ganhar mais impacto se fossem condensadas ou sugeridas de forma mais sutil. A virada de chave acontece com a chegada de Alex Fleming. Ele traz uma densidade poética mais cortante, confiando mais no impacto das imagens do que na explicação dos fatos. Quando ele fala da faca que perfura o rosto ou da verdade escorrendo pelas mãos, a música ganha uma camada de desconforto que fala por si só. A ponte da faixa, composta por Dean, sem dúvida é outro ponto alto, mergulhando na amargura da inveja e do fracasso de um jeito muito real, e com menos repetições. Dentro do universo narrativo que dialoga com Whispers of Scurn, “Albatross” cumpre bem seu papel de consequência. Enquanto a canção anterior apresenta as fissuras iniciais, aqui o foco está no que sobra após o colapso: culpa mal resolvida, ressentimento persistente e perguntas sem resposta. Essa continuidade fortalece a obra, mesmo quando a letra escolhe caminhos mais explícitos. “Albatross” é uma composição honesta e emocionalmente intensa, que ganha força na escrita mais precisa de Alex Fleming, mas encontra limites na tendência de Alex Dean a verbalizar demais seus conflitos. Ainda assim, o equilíbrio entre dor, reflexão e memória sustenta a canção. Imperfeita, porém sincera, ela compreende que algumas relações não deixam aprendizado, apenas peso e carrega isso como parte de seu impacto. ㅤ