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popmatters publicou uma avaliação em 04/01/2026: 89

Clueless é o lead single do segundo álbum de estúdio do HYO. Uma faixa leve tanto pela forma como foi apresentada pelo artista para a Vogue France, quanto pela construção da canção pop-chiclete noventista, ao abraçar flerte, desejo e contradição de forma bem humorada. A música é conduzida pela ideia de negar o desejo enquanto o corpo entrega o oposto e isso aparece já na introdução. Clueless é provocativa e nada óbvia, o eu-lírico se coloca no papel de alguém confuso mas no fundo há total clareza do que ele quer e isso é curioso pois conseguimos sentir as duas formas claras na faixa, os versos são carregados de imagens pop, sensualidade e referências teen que conversam com o conceito. O refrão é a cereja desse bolo, a repetição "Eu menti, me desculpe" é extremamente pegajosa e transforma de forma debochada e divertida a entrega emocional da canção. HYO em Clueless nos entrega carisma, sem tentar ser profundo demais e de uma maneira inteligente ao mostrar que leveza também é um bom conceito, e aqui ele junta isso a sensualidade, boas referência e um visual estético bonito e bem desenvolvido.



The Line Of Best Fit publicou uma avaliação em 04/01/2026: 98

Em “Clueless”, HYO entrega um single autoconsciente que se constrói a partir do choque entre duas vozes muito claras: o eu lírico e um coro que encena uma felicidade normativa. Desde o começo, a letra deixa evidente essa divisão. Enquanto o eu lírico admite a mentira e o desejo que insiste em negar, o coro repete frases como “estou no paraíso” e “com meu namorado, meu namorado sorridente”, soando menos como confissão e mais como uma propaganda de felicidade pronta. Esse contraste é o grande acerto da canção, porque transforma o conflito interno em algo externo, quase palpável, um embate direto entre o que se sente e o que se espera sentir. HYO demonstra um domínio afiado da linguagem pop ao usar referências visuais e contemporâneas com ironia e intenção. O celular dobrável, o garoto de rom-com, o tarô, o skate, nada aparece por acaso. São símbolos de um desejo moldado por fantasias, arquétipos e papéis que o eu lírico reconhece como encenação, mas aceita mesmo assim. Há humor, vaidade e uma consciência muito lúcida do próprio ridículo, especialmente quando a letra assume tanto a atração pelo carisma do outro quanto a dependência desse jogo de sedução. O refrão é o centro emocional da música. A repetição de “eu menti, me desculpe” não pede perdão nem tenta limpar a culpa; ela apenas assume a mentira como parte da experiência. O desejo não é interrompido, só exposto. A cada volta, essa contradição se aprofunda, enquanto o coro permanece imóvel, repetindo a mesma promessa de paraíso, como se estivesse preso em um looping de felicidade performática. A ponte é onde a letra ganha um peso extra, ao explicitar o fetiche da linguagem e da nomeação. Ser desejado, chamado, rotulado se revela tão intenso quanto o toque físico. Nesse momento, “Clueless” deixa claro que o verdadeiro êxtase está no poder que a voz do outro exerce sobre o eu lírico, desmontando qualquer fantasia de controle. No refrão final, não há mais tentativa de negar nada. As imagens do carro, do ritmo imposto e da entrega total encerram o arco com clareza e força, sem cair no exagero. Tudo passa por uma escrita afiada, irônica e muito consciente, que entende o desejo como linguagem, performance e disputa simbólica. “Clueless” é um single liricamente quase impecável. Ao transformar o coro em uma entidade externa e normativa, HYO eleva a música de uma confissão pessoal para um comentário inteligente sobre autoengano, desejo e encenação social. A produção visual, assinada por TAMMY, acompanha esse conceito com naturalidade e precisão. A estética de revista pop dos anos 2000 não é gratuita: ela dialoga diretamente com a ideia de desejo exposto, encenado e consumido. A capa tem presença, o olhar é seguro e a composição brinca com excesso e glamour sem perder ironia. As colagens e peças complementares funcionam como fragmentos de um arquivo pessoal revirado, cheios de referências, ruídos e pequenas obsessões. É um trabalho visual que entende exatamente o que essa era quer dizer e traduz isso com personalidade, sensibilidade e muito controle estético.



Sputnikmusic publicou uma avaliação em 21/12/2025: 82

HYO lança o lead single, intitulado “Clueless”, de seu próximo álbum de estúdio. A narrativa nos apresenta uma faixa pop com leveza consciente. Não se trata de ingenuidade, mas de uma escolha estética, onde o artista opta por brincar com o próprio desejo, rir da própria negação e transformar a vulnerabilidade em motor pop. Em sua abertura, a faixa traz uma breve intro, na qual o eu-lírico já assume a contradição central da narrativa, entoando em seus versos uma sutil ironia. Logo após, temos a primeira estrofe do single, momento em que o artista sino-coreano constrói a personagem principal de sua narrativa. “Clueless” se revela como uma faixa teen-pop contemporânea, na qual HYO se mostra alguém que performa frieza enquanto deseja. A mistura do humor com a sensualidade na construção lírica até aqui é bastante inteligente, fazendo o ouvinte mergulhar no universo que a artista cria em seus versos. Ao chegar ao refrão, o eu-lírico confessa que finge controle enquanto já está capturado. HYO, em todas as suas frases, admite que trai o próprio discurso. As metáforas utilizadas aqui são formidáveis, como a do tabuleiro. O refrão é um pop irresistível, que nos faz entrar nesse jogo de sedução e negação do eu lírico. No pós-refrão, o eu-lírico abandona momentaneamente a lírica entre o humor e a ironia para revelar algo mais sutil, o desejo como afirmação de vitalidade. Isso acaba sustentando positivamente o refrão. Até aqui, o artista vinha criando um universo simbólico com suas palavras, mas é na segunda estrofe da canção que esse universo se amplia de fato. Todas as metáforas dessa parte da música conduzem rapidamente o ouvinte a uma ambientação teen noventista. HYO, em frases doces, declara em pequenos gestos sua vulnerabilidade diante da pessoa desejada. Até aqui, este é o melhor momento da canção, misturando profundidade, energia e adolescência. Trata-se de uma grande estrofe teen-pop que aceita o ridículo como parte do tesão. A ponte da canção é totalmente boba, e isso é uma boa escolha do artista. Em seus versos, o eu lírico, ao se colocar como tolo, mostra que o desejo não precisa ser grandioso, mas apenas genuíno. HYO constrói um certo desarme emocional que funciona muito bem neste momento da canção, quando ela caminha para o fim. Chegando ao último refrão, no qual há adições de versos, o eu-lírico desmonta toda a sua armadura. Agora há uma rendição explícita, em que se mostra totalmente fora de controle, fazendo a canção terminar não com uma vitória, mas com entrega. O visual da canção conversa diretamente com a narrativa lírica. Assinada por Tammy, toda a arte do single tem um apelo forte, com uma estética que remete imediatamente às capas de revistas teen/fashion dos anos 1990 e 2000. Isso dialoga perfeitamente com a faixa, que tem a intenção de resgatar o pop-chiclete e a estética adolescente. As cores escolhidas são convidativas, assim como a canção, além de bonitas e limpas. Por fim, “Clueless” cumpre o que prometeu. HYO nos entrega leveza e provocação em um single pop confessional. O artista não busca oferecer uma canção profunda, “Clueless” é superficial de forma inteligente, e esse é seu grande mérito. O single se destaca justamente por não tentar ser mais do que é e, assim, acaba sendo muito.