Em "CATARSIS", Sierra Albani executa uma autofagia artística que faz qualquer música de superação soar como um comercial de margarina. Abandonando a teia de inseguranças de seu debut, ela entrega um manifesto visceral onde a cobra não apenas mata a aranha, mas a digere com uma frieza biológica impressionante. A letra foge do óbvio ao transformar a "metamorfose" em algo tátil e doloroso, como o som de pele rasgando, provando que Sierra entende que para renascer é preciso, primeiro, ser cruel com a própria versão anterior. É uma faixa densa, quase claustrofóbica na ponte, mas que se resolve em um triunfo sombrio onde o veneno vira soro. Se "California" era sobre odiar os outros, "CATARSIS" é sobre a coragem de odiar o que você foi até não sobrar nada além de uma nova coluna vertebral. Sierra não pede licença para mudar; ela cospe o passado e nos obriga a encarar a serpente que sobrou, livre de culpa e faminta por futuro.
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