Telekinesis Zee Pop, SynthPOP2026

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Clash publicou uma avaliação em 31/05/2026: 90

Quando falamos das maiores metrópoles do mundo, é inevitável pensar no quão sufocantes esses ambientes podem ser. Jacarta, Tóquio ou São Paulo: todas essas cidades têm algo em comum: fazem com que as pessoas se sintam comprimidas, seja pelas construções grandiosas, seja pela quantidade de pessoas por metro quadrado indo e vindo. Em “Telekinesis”, Zee constrói uma Nova Iorque com o objetivo de nos apresentar o cansaço do eu lírico. Ele nos mostra construções altas, multidões com rumos que parecem perdidos, sons incessantes e obstáculos que dificultam seguir em frente. E é aí que a música começa bem: essa metáfora com a ansiedade ou com quaisquer desafios que nos atravessam, é inteligente, afinal, não é novidade que esses problemas podem nos acorrentar, nos desgastar ou até mesmo nos tirar o ar. Ao mesmo tempo, é interessante perceber como a letra apresenta uma espécie de calmaria inesperada: “As buzinas e as sirenes já não causavam espanto / Seu olhar diminuía a velocidade do mundo”. É como imaginar um oásis em meio ao caos urbano construído por ele; como visualizar alguém parado sob um foco de luz em câmera lenta, enquanto tudo à sua volta continua acontecendo em velocidade natural, ou até mais acelerada. O ponto mais sensível do trabalho talvez esteja no uso excessivo de elementos já muito associados ao imaginário coletivo de Nova Iorque: sirenes, fumaça saindo dos bueiros, multidões e táxis. Embora funcionem dentro da atmosfera proposta, são imagens bastante recorrentes quando pensamos na cidade, o que pode tornar parte da construção visual previsível. A canção ganharia ainda mais personalidade se explorasse detalhes mais específicos e únicos, capazes de diferenciar essa vivência urbana de outras já retratadas na música e no cinema. O final da canção deixa um gancho, uma ponta solta capaz de despertar uma pergunta: o que será que aconteceu com ele? Conseguiu reencontrar esse momento em sua vida? “Telekinesis” é imagética, proporciona a criação de frames mentais e transforma sensações em cenas. E isso é extremamente positivo.