Não é permitido o uso de IA (Inteligência Artificial), nós utilizamos mecanismos de detecção, por tanto, faça um texto criado unicamente por você.
BBC publicou uma avaliação em 14/06/2026: 92
Em Euphoria, Guilherme Bhermes transforma seu décimo álbum em um confessionário pegando fogo. O projeto vive em um cabo de guerra emocional: de um lado, a pressa pelo excesso, pelo sexo, pelo deboche e pela fuga; do outro, o luto, a fé, a culpa e a vontade de se reconstruir. É um disco sobre sentir tudo no talo, mesmo quando o volume alto ameaça distorcer a realidade. A abertura com “One In The Morning” já mostra um narrador instável e paranoico. A faixa serve como uma porta torta para o álbum, misturando ciúme, insegurança e sarcasmo de quem sabe que está exagerando, mas escolhe mergulhar no delírio. Logo depois, “Wait, I’m Getting Old”traz o incômodo do tempo, mostrando que certas fases da vida simplesmente já não cabem mais no corpo. A faixa-título, “Euphoria”, é um dos grandes acertos conceituais. Aqui, a euforia não tem nada a ver com felicidade: é pretexto e anestesia. O Guilherme usa a noite como um lugar onde o erro pode ser jogado para escanteio. Já “Sexually Ambitious” leva isso ao extremo, tratando o desejo de forma direta e inconsequente — uma música provocativa que se garante muito mais pela atitude do que pela letra em si. O bloco com “Immature”, “Dogboy” e “But Really Good Friends” mostra o lado mais ácido do projeto. “Immature” transforma a indignação em um refrão que gruda de primeira, enquanto “Dogboy” usa o deboche para desmontar o comportamento masculino sem rodeios. Já “But Really Good Friends” brilha ao entender que muitas confusões afetivas nascem puramente da nossa própria mania de autossabotagem. O disco sobe de nível em “St. Artemisia Of The Victims”. A faixa é ambiciosa e pesada, usando a pintora Artemisia Gentileschi como símbolo de justiça para vítimas silenciadas. É o momento em que o álbum deixa de ser um drama pessoal para confrontar dores coletivas, com um tom teatral e ritualístico que sustenta a grandiosidade da música. A partir de “Is This Real?” e “Dose”, o álbum sangra de verdade com o luto pelo pai, mudando o rumo de todo o projeto. A dor deixa de ser ironia ou pose e vira ausência concreta. “Is This Real?” captura a negação com uma força devastadora, e “Dose” escancara a depressão de não poder dividir as vitórias com quem deveria estar ali. São os momentos mais humanos do disco, exatamente porque não tentam maquiar a perda. “Devil In My Dreams” devolve a raiva ao trabalho, subvertendo imagens religiosas em um clima de confronto sombrio e teatral. Na sequência, “What We’re Gonna Do” surge caótica e ácida, embora às vezes pareça se apoiar mais no deboche do que em uma evolução real. A melancolia volta com precisão em “Kind of Hate”. A música sobre traição entre amigos tem um dos textos mais limpos do álbum, sem precisar de excessos para mostrar o tamanho da decepção. Por fim, “Holy Mother” fecha a tampa como uma oração. Depois de tanto barulho, desejo e fúria, o Guilherme encerra o disco buscando perdão e proteção, dando uma conclusão coerente e vulnerável para a história. Como obra, Euphoria não é equilibrado — e nem quer ser. Algumas faixas esticam ideias que podiam ser mais enxutas, e o excesso de acidez às vezes esconde a profundidade do que está sendo dito. Ainda assim, o disco ganha pela honestidade e pela coragem de abraçar temas tão contraditórios. É um álbum irregular no melhor sentido: vivo, inquieto e desconfortável. O Guilherme entrega um projeto que entende a euforia não como alegria, mas como aquela última descarga de energia antes do tombo, da cura ou da fé.

































.jpg)






Fazer Login