O sexto álbum de estúdio de Kaleb, TAROT, chega ao mercado musical com uma abordagem bem irreverente na atualidade. Trabalhando com cartas de tarô, como o próprio título sugere, o produtor e compositor cria uma atmosfera intrigante que nos instiga a conhecer melhor a peça.
Sendo uma obra de Kaleb, logo ficamos interessados por analisar a produção visual, visto que o artista é um dos produtores mais renomados e requisitados da indústria. O encarte de TAROT não é nada mau, entretanto, nós não tivemos nenhuma grande surpresa positiva ao vislumbrá-lo. A escolha fotográfica, bem como o tratamento de imagem das mesmas (que deixou o cantor com um aspecto encerado) foram algo que prejudicou bastante sua estética. Um ponto distrativo foi a alegoria da bala rasgando o papel - apesar de ser um elemento interessante, não encontramos conexão entre ele e o conceito geral do álbum, ficando então deslocado. Como aspectos positivos, citamos a polidez e a riqueza do trabalho, que já são características estabelecidas por Kaleb tanto em seus encartes anteriores quanto naqueles elaborados para outros artistas.
Porém, além de grande produtor, Kaleb também já demonstrou sua desenvoltura enquanto compositor em diversos outros momentos. Isso é transparecido na dor expressa em \'Boys Don\'t Cry\'; no romance encantador e turbulento de \'Lost in the Waves\'; na profundidade de \'Broken Destiny\' e na sensação de redenção que é transmitida por \'Never Tried\'. Todas estas são canções cativantes e maravilhosas, que soam sinceras e aproximam o ouvinte da música de Kaleb. O que mais nos chama atenção de forma negativa na produção lírica é a divisão do álbum em três fases, algo que já apontamos como prejudicial em diversos outros trabalhos - aqui, apesar de Kaleb montar uma sequência que faz sentido e transcorre bem, este recurso torna a obra massiva e também é descartável: deixar a música falar por si só é uma apresentação muito mais refinada, e não seria algo difícil de se atingir neste caso.
Em síntese, apesar de algumas canções apresentarem uma conexão fraca entre as cartas de baralho e o seu próprio conteúdo, Kaleb consegue construir uma obra concisa e bem desenvolvida de modo geral. TAROT é mais uma amostra de seus talentos, mas, neste ponto de sua carreira, se evidencia também como um momento de parar e aparar arestas do seu trabalho que se mostram duras ao toque.
APRESENTAÇÃO DO CONCEITO: 82
APLICAÇÃO DO CONCEITO & COESÃO GERAL: 85
PRODUÇÃO LÍRICA: 82
PRODUÇÃO VISUAL (×0,5): 86
NOTA FINAL= TOTAL/3,5: 83